A liturgia: Neste dia celebramos a memória dos Apóstolos Pedro e Paulo, testemunhas da fé no Filho de Deus vivo e colunas inabaláveis da Igreja de Cristo.
Façamos a oração do dia: Pai, consolida minha fé, a exemplo do apóstolo Pedro que, em meio às provações, soube dar, com o seu martírio, testemunho consumado de adesão a Jesus.
São Pedro e São Paulo – Ano Litúrgico C
Liturgia do dia 03 de julho de 2022
PRIMEIRA LEITURA: At 12,1-11 ou Is 66,10-14c
Leitura dos Atos dos Apóstolos:
Naqueles dias, 1o rei Herodes prendeu alguns membros da Igreja, para torturá-los. 2Mandou matar à espada Tiago, irmão de João. 3E, vendo que isso agradava aos judeus, mandou também prender a Pedro. Eram os dias dos Pães ázimos.
4“Depois de prender Pedro, Herodes colocou-o na prisão, guardado por quatro grupos de soldados, com quatro soldados cada um. Herodes tinha a intenção de apresentá-lo ao povo, depois da festa da Páscoa.
5Enquanto Pedro era mantido na prisão, a Igreja rezava continuamente a Deus por ele.
6Herodes estava para apresentá-lo. Naquela mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados, preso com duas correntes; e os guardas vigiavam a porta da prisão.
7Eis que apareceu o anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela. O anjo tocou o ombro de Pedro, acordou-o e disse: “Levanta-te depressa!” As correntes caíram-lhe das mãos.
8O anjo continuou: “Coloca o cinto e calça tuas sandálias!” Pedro obedeceu e o anjo lhe disse: “Põe tua capa e vem comigo!”
9Pedro acompanhou-o, e não sabia que era realidade o que estava acontecendo por meio do anjo, pois pensava que aquilo era uma visão.
10Depois de passarem pela primeira e segunda guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão abriu-se sozinho. Eles saíram, caminharam por uma rua e logo depois o anjo o deixou. 11Então Pedro caiu em si e disse: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!”
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
SALMO 34(33)
— De todos os temores me livrou o Senhor Deus.
— De todos os temores me livrou o Senhor Deus.
— Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo,/ seu louvor estará sempre em minha boca./ Minha alma se gloria no Senhor;/ Que ouçam os humildes e se alegrem!
— Comigo engrandecei ao Senhor Deus,/ exaltemos todos juntos o seu nome!/ Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu,/ E de todos os temores me livrou.
— Contemplai a sua face e alegrai-vos,/ e vosso rosto não se cubra de vergonha!/ Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido,/ E o Senhor o libertou de toda angústia.
— O anjo do Senhor vem acampar/ ao redor dos que o temem, e os salva./ Provai e vede quão suave é o Senhor!/ Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!
SEGUNDA LEITURA: 2Tm 4,6-8.17-18 ou Gl 6,14-18
Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo:
Caríssimo: 6Quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. 7Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. 8Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que esperam com amor a sua manifestação gloriosa.
17Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão.
18O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
EVANGELHO: Mt 16,13-19
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 13Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?”14Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”. 15Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?”16Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. 17Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. 18Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. 19Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
COMENTÁRIO DO EVANGELHO
Jesus, ao iniciar sua missão, convidou discípulos para se associarem e dar continuidade a sua obra (Mt 10,1-4; Mc 3,16-19; Lc 6,14-16; Jo 1,35-51). Isso ele fez enquanto estava na missão histórica, bem como depois de sua ressurreição, chamando Saulo (At 9,1ss). E o faz ainda hoje. Entre os muitos chamados, duas pessoas se destacam: Pedro e Paulo. Pedro como primaz e Paulo como o maior missionário de todos os tempos: Pedro, o coordenador da instituição; Paulo, o carisma missionário. Pessoas com características muito diferentes e até com visões opostas (Gl 2,11-14), mas firmes em sua opção por Jesus Cristo até ao martírio.
A Igreja precisa dos dois, ontem, hoje e sempre. O relato de At 12,1-11 é quase uma cópia da paixão, morte e ressurreição de Jesus (cf. Lc 22–24). Assim como Jesus, aparentemente derrotado, sai vencedor da sepultura, Pedro, indefeso diante de um forte poder opressor, também sai vencedor da cela, de forma milagrosa. Jesus já dissera: “Se eles me perseguiram, perseguir-vos-ão” (Jo 15,20). Como Deus não permitiu a derrota de seu Filho, também agora não permite a destruição da missão dos apóstolos. Eles continuam a obra de Jesus, também no martírio.
Não é a primeira vez que os cristãos enfrentam perseguições no anúncio do evangelho (cf. At 4,1ss; 5,17ss; 6,8ss). Em todas essas situações, os anunciantes do Caminho sempre foram fortalecidos pelo Senhor. Tanto Pedro como Paulo enfrentaram mil problemas de perseguição. Muitas vezes foram perseguidos e livrados. Por fim, ambos morrem mártires. Mas o anúncio do evangelho continua. Em 2Tm 4,6-8.17-18, Paulo sabe que seu fim está próximo, mas confia totalmente naquele pelo qual empenhou a vida. “O justo juiz me dará a coroa.” Ele foi liberto das muitas perseguições, mas não escapa da morte que lhe advirá como preço de sua missão. Em Mt 16,13-19, diante da profissão de fé de Pedro, algo novo vai acontecer.
A antiga qahal de Javé (Dt 23,2) vai ser reconstruída na pessoa de Jesus: a minha Igreja. Nessa obra de Jesus, Pedro tem papel decisivo. Ele terá as chaves de acesso. A fé de Pedro aqui manifestada não é mérito pessoal, mas revelação do Pai. Por isso ele é tornado a pedra sobre a qual se edifica a Igreja. Mateus se inspira no relato de Is 22,19ss, em que Eliacim recebe as chaves da casa de Davi, isto é, ele terá autoridade irrevogável.
Ligar e desligar no AT designava o poder de interpretar a Lei de Moisés. Agora, Pedro é essa autoridade para interpretar a Lei de acordo com o ensino de Jesus e adaptá-la às novas realidades. De fato, o papel primaz de Pedro é atestado diversas vezes (Mt 14,28ss; 17,24ss e, sobretudo, em Jo 21,15ss; At 2,14ss; 3,11ss; 15,7ss). A Igreja Católica professa que a autoridade de Pedro continua na pessoa do Papa, seu legítimo sucessor. Como Pedro recebeu a autoridade de interpretar com fidelidade o evangelho, em comunhão com os bispos e o Papa, a Igreja está certa da fidelidade a Jesus.
LEITURA ORANTE
Oração Inicial
Neste dia celebramos a memória dos Apóstolos Pedro e Paulo, testemunhas da fé no Filho de Deus vivo e colunas inabaláveis da Igreja de Cristo. Esses dois apóstolos nos deixaram o legado de uma fé fundamental, através do anuncio do Evangelho e do próprio martírio.
No encontro com o Senhor por meio da leitura orante, desejamos entregar a Ele tudo o que iremos viver e pedir-lhe as luzes e as graças necessárias para nossa caminhada.
Leitura (Verdade)
Observe o contexto do relato evangélico: lugares, pessoas e acontecimentos. Observe o diálogo entre Jesus e Pedro. A primeira pergunta diz respeito à comunidade, depois a pergunta é direta aos discípulos.
“Não dá para fugir desta pergunta. É Jesus mesmo que nos pergunta: “Para vocês, quem sou eu?”. Não vale apenas tê-lo como uma pessoa do passado, um profeta que passou por aqui. Ele é o Filho do Deus vivo. Ele é o enviado do Pai para nossa salvação, o Cristo, o Messias. Esta é uma revelação do Pai que nos chega pela fé e pelo testemunho de sua comunidade, a Igreja. Assim, quando eu sinceramente acolho Jesus, dou-lhe minha adesão, estou acolhendo também sua comunidade, sua Igreja, edificada sobre a fé dos apóstolos. É a Igreja que continua a obra de Jesus. A ela, ele entregou as chaves do Reino dos Céus, isto é, a responsabilidade e a autoridade para cuidar de sua casa.”
Meditação (Caminho)
Na leitura Deus se revela a nós em Jesus. Pergunto-me: o que Deus me fala na Palavra de hoje; que boa noticia traz para mim e para a vida da minha comunidade?
Que atitude a revelação de Jesus a Pedro pede de mim, que mudança de vida?
A palavra é espelho de nossa vida (autoconhecimento). Entrar no silêncio de Deus, Contemplar a sua presença manifestada em Jesus e na própria vida. Deixar que Ele nos faça perguntas…
Oração (Vida)
Este é o momento do diálogo com Deus, em resposta ao que Ele revelou por meio de sua Palavra. Silencie seu coração e faça sua prece. Apresente ao Senhor os propósitos que brotaram em seu coração para que se concretizem em sua vida. Peça também o dom da fé.
Oração para o Sinodo.
Espírito Santo! Eis-nos aqui, diante de Vós, reunidos em vosso Nome.
Nosso defensor, vinde, ficai conosco; tomai posse do nosso coração. Mostrai-nos o destino, caminhai conosco, conservando-nos em comunhão.
Ai de nós, pecadores, se cairmos na confusão! Não o permitais. Iluminai a nossa ignorância, libertai-nos da parcialidade.
Senhor que dais a vida, em Vós, a unidade, convosco, a verdade e a justiça; em marcha até à vida sem ocaso: nós vos suplicamos.
Vós que soprais onde e como desejais, a todos dando a possibilidade de passar, com Jesus, ao Pai: nós vos adoramos, agora e sempre. Amém.
Contemplação (Vida e Missão)
Vivamos no hoje de nossa história como membros comprometidos de uma Igreja alicerçada na fé e na esperança. Seguindo o exemplo de Pedro e Paulo o que você se propõe a viver para ser sinal vivo da presença do Reino?
Bênção
Concedei-nos, Senhor, viver de tal modo na vossa Igreja que, perseverando fiéis aos ensinamentos e testemunho dos apóstolos Pedro e Paulo, e enraizados em vosso amor, sejamos um só coração e uma só alma. Amém.

