Onde estiver vosso tesouro, estará vosso coração – Lc 12,32-48

O Evangelho de hoje é um apelo à vigilância e à disponibilidade. Convida-nos a permanecer preparados, com “o cinto amarrado e as lâmpadas acesas”
Oração diária Onde estiver vosso tesouro, aí estará vosso coração Lc 12,32-48
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A liturgia: O Evangelho de hoje é um apelo à vigilância e à disponibilidade. Convida-nos a permanecer preparados, com “o cinto amarrado e as lâmpadas acesas”

Façamos a oração do dia: Espírito de prontidão, que eu esteja em contínuo alerta, à espera do Senhor que vem, libertando meu coração do apego exagerado aos bens deste mundo


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19º Domingo do Tempo Comum – Ano Litúrgico C

Liturgia do dia 07 de agosto de 2022

PRIMEIRA LEITURA: Sb 18,6-9

Leitura do Livro da Sabedoria:

6A noite da libertação fora predita a nossos pais, para que, sabendo a que juramento tinham dado crédito, se conservassem intrépidos. 7Ela foi esperada por teu povo, como salvação para os justos e como perdição para os inimigos.

8Com efeito, aquilo com que punistes nossos adversários serviu também para glorificar-nos, chamando-nos a ti.

9Os piedosos filhos dos bons ofereceram sacrifícios secretamente e, de comum acordo, fizeram este pacto divino: que os santos participariam solidariamente dos mesmos bens e dos mesmos perigos. Isso, enquanto entoavam antecipadamente os cânticos de seus pais.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

SALMO 33(32)

— Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!

— Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!

— Ó justos, alegrai-vos no Senhor!/ Aos retos fica bem glorificá-lo./ Feliz o povo cujo Deus é o Senhor,/ e a nação que escolheu por sua herança!

— Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem,/ e que confiam esperando em seu amor,/ para da morte libertar as suas vidas,/ e alimentá-los quando é tempo de penúria.

— No Senhor nós esperamos confiantes,/ porque ele é nosso auxílio e proteção!/ Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça,/ da mesma forma que em vós nós esperamos!

SEGUNDA LEITURA: Hb 11,1-2.8-19 ou Hb 11,1-2.8-12

Leitura da Carta aos Hebreus:

Irmãos: 1A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se veem.

2Foi a fé que valeu aos antepassados um bom testemunho. 8Foi pela fé que Abraão obedeceu à ordem de partir para uma terra que devia receber como herança, e partiu, sem saber para onde ia.

9Foi pela fé que ele residiu como estrangeiro na terra prometida, morando em tendas com Isaac e Jacó, os coerdeiros da mesma promessa. 10Pois esperava a cidade alicerçada que tem Deus mesmo por arquiteto e construtor.

11Foi pela fé também que Sara, embora estéril e já de idade avançada, se tornou capaz de ter filhos, porque considerou fidedigno o autor da promessa.

12É por isso também que de um só homem, já marcado pela morte, nasceu a multidão “comparável às estrelas do céu e inumerável como a areia das praias do mar”.

13Todos estes morreram na fé. Não receberam a realização da promessa, mas a puderam ver e saudar de longe e se declararam estrangeiros e migrantes nesta terra. 14Os que falam assim demonstram que estão buscando uma pátria, 15e se se lembrassem daquela que deixaram, até teriam tempo de voltar para lá. 16Mas agora, eles desejam uma pátria melhor, isto é, a pátria celeste. Por isto, Deus não se envergonha deles, ao ser chamado o seu Deus. Pois preparou mesmo uma cidade para eles.

17Foi pela fé que Abraão, posto à prova, ofereceu Isaac; ele, o depositário da promessa, sacrificava o seu filho único, 18do qual havia sido dito: “É em Isaac que uma descendência levará o teu nome”. 19Ele estava convencido de que Deus tem poder até de ressuscitar os mortos e assim recuperou o filho — o que é também um símbolo.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

EVANGELHO: Lc 12,32-48

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 32“Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do Pai dar a vós o Reino. 33Vendei vossos bens e dai esmola. Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe; ali o ladrão não chega nem a traça corrói. 34Porque onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. 35Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. 36Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrirem, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater.

37Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade eu vos digo: Ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar-se à mesa e, passando, os servirá. 38E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão, se assim os encontrar.

39Mas ficai certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que arrombasse a sua casa. 40Vós também, ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes”.

41Então Pedro disse: “Senhor, tu contas esta parábola para nós ou para todos?” 42E o Senhor respondeu: “Quem é o administrador fiel e prudente, que o senhor vai colocar à frente do pessoal de sua casa para dar comida a todos na hora certa? 43Feliz o empregado que o patrão, ao chegar, encontrar agindo assim! 44Em verdade eu vos digo: o senhor lhe confiará a administração de todos os seus bens. 45Porém, se aquele empregado pensar: ‘Meu patrão está demorando’, e começar a espancar os criados e as criadas, e a comer, a beber e a embriagar-se, 46o senhor daquele empregado chegará num dia inesperado e numa hora imprevista, ele o partirá ao meio e o fará participar do destino dos infiéis. 47Aquele empregado que, conhecendo a vontade do senhor, nada preparou, nem agiu conforme a sua vontade, será chicoteado muitas vezes. 48Porém, o empregado que não conhecia essa vontade e fez coisas que merecem castigo, será chicoteado poucas vezes. A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!”

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIO DO EVANGELHO

É preciso estar vigilantes – hoje se diria “estar antenados” – para perceber a ação de Deus na história. Foi pela fé que homens e mulheres do passado sintonizaram com Deus para a realização de seus desígnios, como na passagem do mar Vermelho (Sb 18,6-8; Ex 14), assim como Abraão e Sara (segunda leitura). É essa fé que Jesus requer dos seus para que não tenham medo e sejam vigilantes (evangelho). Por volta dos anos 50 a.C., em Alexandria, no Egito, nasce o último livro do AT. Lá viviam muitos judeus em diáspora, em meio à cultura helênica, e corriam o risco de perder a própria identidade com sua religião. Com forte espiritualidade, fazem memória do passado (Ex 12–14) na perspectiva sapiencial. O texto de Sb 18,6-9,alerta para a fé e a vigilância no passado, quando aconteceu a libertação dos pais. Do mesmo modo agora, essa fé e vigilância manterão a identidade do povo diante da helenização. Todo o capítulo 11 de Hebreus trata da fé. Homens e mulheres que, através da história, viveram a fé e prepararam a vinda de Jesus (Hb 12,1ss). Nesse sentido, o texto de hoje (Hb 11,1-2.8-19) cita dois personagens símbolos da fé: Abraão e Sara. Para eles havia a promessa de terras e descendência, mas não tinham nenhuma terra nem filhos, e eram idosos. Apesar das aparências contrárias, creem nas promessas de Deus. Sua fé só se realiza séculos mais tarde. Seu único filho Isaac gera descendência, e esta conquista a terra prometida muito mais tarde. Mas Abraão e Sara, pela fé, já tinham a certeza daquilo que esperavam. Em Lc 12,32-48, quem tem a verdadeira fé é vigilante, pois sabe que, apesar da demora, o Senhor voltará. Nunca será pego dormindo. Faltando a fé, também a vigilância desaparece, pois então já não existe nenhuma preocupação, a não ser cuidar dos próprios interesses. “Ficai de prontidão, com o cinto amarrado e as lâmpadas acesas” é uma referência à noite da libertação (Ex 12,21). Os cristãos, pela fé, sabem que o Senhor Jesus virá a fim de servir aos seus, mas para isso é preciso estar preparados, pois a noite dos tempos sombrios dos anos 80 (tempos da redação) dava a impressão de que Jesus jamais se manifestaria. Perceber a salvação é, pela fé e vigilância, discernir os tempos e receber o Senhor. Aqueles que dizem: “Deus está demorando” e começam a levar vida fútil não serão capazes de se abrir à graça e à libertação do Reino de Deus. Hoje, no mundo científico, é difícil para muitos ter a fé de Abraão e já possuir antecipadamente o que em Deus se espera.

Frei Bruno Godofredo Glaab, ‘A Bíblia dia a dia 2022’, Paulinas

LEITURA ORANTE

Oração Inicial

Liturgia do 19º domingo do Tempo Comum. O Evangelho de hoje é um apelo à vigilância e à disponibilidade. Convida-nos a permanecer preparados, com “o cinto amarrado e as lâmpadas acesas”, enquanto aguardamos a vinda do Senhor. Com essas disposições, acolhamos a Palavra que vai nos acompanhar ao longo do dia.

Silenciando o coração, repita algumas vezes a oração: “Jesus Mestre, iluminai minha mente, movei meu coração, para que esta meditação produza em mim frutos de vida. Amém.”

Leitura (Verdade)

Ler o Evangelho quantas vezes for necessário para assimilar as orientações de Jesus.

“Em nossa luta pela sobrevivência, corremos o risco de nos fixar nas coisas que podemos ter, controlar e, nisso, pôr nossa segurança. O corre-corre da vida, por mil razões, pode nos afastar dos valores eternos que não se compram com dinheiro. O Evangelho de hoje nos avisa: nosso verdadeiro tesouro não está nos bancos, nem nos imóveis, nem se desvaloriza com o uso. Nosso tesouro está no céu. Na parábola do dono da casa que está voltando de uma festa de casamento, aprendemos que é preciso estar vigilantes para recebê-lo a qualquer hora. Somos administradores da casa de Deus. E nosso maior compromisso é cuidar daqueles que o Senhor colocou sob nossos cuidados. Prestaremos contas de nosso serviço”.

Meditação (Caminho)

Jesus nos lembra que vigiar será sempre necessário. O discípulo do Senhor sabe discernir a vontade divina em cada momento e em cada ação da história. Somente escutando os apelos do Senhor e acolhendo-os é possível participar na construção de seu Reino.
Você está disponível ao convite que o Senhor lhe faz em sua Palavra? Procura concretizar em sua vida os seus ensinamentos?
Como você avalia a vigilância que você tem sobre seus pensamentos, desejos e atitudes?

Oração (Vida)

“Ó Espírito Santo, dai-me um coração grande, aberto à vossa silenciosa e forte palavra inspiradora, fechado a todas as ambições mesquinhas, alheio a qualquer desprezível competição humana, compenetrado no sentido da santa Igreja. Um coração grande, desejoso de se tornar semelhante ao coração do Senhor Jesus. Um coração grande e forte para amar a todos, para servir a todos, para sofrer por todos. Um coração grande e forte para superar todas as provações, todo tédio, todo cansaço, toda desilusão, toda ofensa. Um coração grande e forte, constante até o sacrifício, quando for necessário. Um coração cuja felicidade é palpitar com o coração de Cristo e cumprir, humilde e fielmente, a vontade do Pai. Amém” (Paulo VI).

Contemplação (Vida e Missão)

Sintetize em poucas palavras o apelo que você sentiu em seu coração, para colocá-lo em prática durante o dia. O que você se propõe a viver hoje?

Bênção

– Que Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
– Que Ele nos mostre a Sua face e se compadeça de nós. Amém.
– Que volte para nós o Seu olhar e nos dê a paz. Amém.
– Abençoe-nos, Deus misericordioso, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém

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