Missa da Aurora da Solenidade do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Desejo a todos uma Santa Aurora de Natal! Que Jesus continue transformando a nossas vidas pela sua luz divina!
Missa da noite de Natal - B
Home Homilia DominicalAno C – 2022 Missa da Aurora da Solenidade do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo!

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Na aurora deste dia da Solenidade do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, somos transformados pela Luz que é Jesus, o Filho de Deus, que nasce para nos salvar!

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Alegremo-nos com a notícia que recebemos. Vamos a Belém ver o Rei do mundo. Glória a Deus nas alturas e paz a todos os que agem com retidão.

A missa da aurora do Natal é, substancialmente, a continuação da missa da noite de Natal. Já o canto de entrada retoma o tema da luz nas trevas de Isaías 9, que era a Primeira Leitura da Missa da Noite. Também, a segunda leitura da missa matutina, tomada de Tito 3, aproximava-se daquela da celebração anterior, e o Evangelho é a continuação direta do da “Missa do Galo”. Se, para nossos antepassados, as duas celebrações formavam uma continuidade – as pessoas que podiam, assistiam as três liturgias natalinas –, nós, diante das mudanças nos costumes e na sociedade, podemos considerar as duas primeiras como alternativas, quanto à participação. Em que pese o correto deveria ser participar da Missa da Vigília, da Missa da Noite, da Missa da Aurora e da Missa do Dia, sorvendo esta riqueza litúrgica que ilumina o dia de Natal.

O centro da liturgia da missa da aurora são a fé e a transformação interior que recebem a atenção. A presteza dos pastores deve ser o centro da nossa reflexão.

Prezados irmãos,

A primeira leitura – Is 62,11-12 – anuncia: Eis que está chegando o teu Salvador! O profeta, qual um arauto, dirige-se à “Filha de Sião”, isto é, aos habitantes de Jerusalém, para anunciar a Salvação de Deus; ele readotou o seu povo, chamando-o de volta do exílio (Is 62,10-12). Não porque o povo o “mereceu”, mas porque Deus assim quis fazer (Is 62,11). Os nomes que a Cidade agora recebe ultrapassam sua libertação política: só ganham seu pleno sentido no novo povo dos redimidos, na nova e eterna Aliança.

O Salmo Responsorial (Sl 97(96), 1+6.11.12) é a proclamação universal da realeza de Deus e da luz que ele faz surgir.

Caríssimos irmãos,

A segunda leitura – Tt 3,4-7 – sublinha: ele salvou-nos pela misericórdia. “Apareceu o carinho e o amor de Deus para com os homens”. Em Jesus, manifestou-se a bondade de Deus, que faz ver que diante de Deus ninguém é bom por si mesmo. A autojustificação é autoilusão! Por isso, Deus nos liberta em Jesus Cristo. O tema do “amor humano” de Deus, que se manifestou para nós é ressaltado pela leitura. É uma variante da graça, da misericórdia, da qual falava a segunda leitura da missa da noite de ontem. A ideia é fundamentalmente a mesma: Deus é movido pelo amor por nós, não pelos nossos méritos e obras. Ele sente por nós benignidade e ternura, como uma mãe por seus filhos. Ele nos justifica, de graça. Sua única exigência é que aceitemos sua “benignidade e amor humano”; e aceitar é a fé fiducial, a confiança que nos leva a dar pleno crédito a Deus. Neste espírito, a presente liturgia nos convida a aceitar radicalmente a incompreensível novidade que o amor de Deus realiza em Jesus Cristo, tal como o Esposo que transforma Jerusalém – no fim do Exílio – de desemparada em desejada.

Caros irmãos,

O Evangelho – Lc 2,15-20 – anuncia que os pastores encontraram Maria e José e o recém-nascido. A adoração dos pastores: os tropeiros são pouco contados na sociedade. Não são “graúdos”, nem “cultos”, nem “piedosos”. São insignificantes. Mas recebem por primeiro a Boa-Nova. Acreditam na Palavra e reconhecem na pobre criança o Salvador. Maria guarda suas palavras no coração, até o momento de as entender plenamente. A presteza dos pastores em atender o convite do anjo, nos leva a uma meditação sobre a fé. Não a fé doutrinária, mas a fé que consiste em ter confiança no Mistério que envolve nossa existência com uma luz inesperada – acreditar numa voz de anjo, adorar um menino numa manjedoura, constatar que Deus é diferente, bem mais próximo de nós do que imaginávamos. A própria figura de Maria nos serve aqui de exemplo: ela guardava no seu coração e medita o que os pastores lhe contaram. Homenagem à fé dos simples, pois ela é guardada no coração da Mãe do Salvador.

A Palavra de Deus não é apenas um som que a boca produz. Ela é, sobretudo, um acontecimento! Os pastores dizem, literalmente: “Vamos ver esta palavra que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer!” Em seguida, Lucas diz que “Maria conservava estas palavras (acontecimentos) em seu coração” e as ruminava. São duas maneiras de se perceber e acolher a Palavra de Deus: 1) os pastores se levantam para ir ver os fatos e verificar neles o sinal que foi dado pelo anjo; 2) Maria conserva os fatos na memória e as confere no coração. Ou seja, ela conhece a Bíblia e tenta entender os fatos novos iluminando-os com a luz da Palavra de Deus.

Celebramos hoje a fé que transforma em nossas ações práticas. Reconhecendo a obra de Deus – os pastores – e, conformando-se com ela, acreditando na humildade e na pobreza – Jesus continua brilhando no mundo e em cada um de nós. Jesus, neste Natal, continua sendo em nós a Luz que para nós brilhou. Por isso, esta luz tem que encher os nossos corações da alegria cristã que é o centro do Natal. Diante da superficialidade comercial do Natal, anexas às férias escolares, recesso de trabalho profissional, procuremos celebrar o Natal na sua essência: Jesus nasce para iluminar as trevas e transformar a nossa vida pela sua Luz. Natal é transformação de trevas em luz, de solidão em alegria messiânica.

Desejo a todos uma Santa Aurora de Natal! Que Jesus continue transformando a nossas vidas pela sua luz divina!

Nesta aurora vamos, com os pobres, ao presépio: aí está a síntese entre a contemplação e a ação social. A fria superioridade ideológica não tem vez diante deste mistério da glória de Deus no meio dos pobres. Quem pensa em termos de eficiência política apenas, pode passar pelo pobre sem saudá-lo. Mas Deus preferiu deixar saudar seu Filho primeiro pelos pobres. Vamos imitar a Deus Pai e adorar a Deus Menino!

Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura..

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