Meu Deus, tem compaixão de mim – Lc 18,9-14

Jesus continua a nos ensinar sobre a oração. Acolhe a Palavra quem ama de verdade e sabe que sem Deus nada é possível.
Oração diária O fariseu e o publicano
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A liturgia: Jesus continua a nos ensinar sobre a oração. Acolhe a Palavra quem ama de verdade e sabe que sem Deus nada é possível.

Façamos a oração do dia: Pai, faze-me consciente de minha condição de pecador, livrando-me da soberba que me dá a falsa ilusão de ser superior a meu próximo e mais digno de me dirigir a ti.

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30º Domingo do Tempo Comum – Ano Litúrgico C

Liturgia do dia 23 de outubro de 2022

PRIMEIRA LEITURA: Eclo 35,15b-17.20-22a

Leitura do Livro do Eclesiástico:

15bO Senhor é um juiz que não faz discriminação de pessoas. 16Ele não é parcial em prejuízo do pobre, mas escuta, sim, as súplicas dos oprimidos; 17jamais despreza a súplica do órfão, nem da viúva, quando desabafa suas mágoas.

20Quem serve a Deus como ele o quer, será bem acolhido e suas súplicas subirão até as nuvens. 21A prece do humilde atravessa as nuvens: enquanto não chegar não terá repouso; e não descansará até que o Altíssimo intervenha, 22afaça justiça aos justos e execute o julgamento.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

SALMO 34(33) 

— O pobre clama a Deus e ele escuta: o Senhor liberta a vida dos seus servos.

— O pobre clama a Deus e ele escuta: o Senhor liberta a vida dos seus servos.

— Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo,/ seu louvor estará sempre em minha boca./ Minha alma se gloria no Senhor;/ que ouçam os humildes e se alegrem!

— Mas ele volta a sua face contra os maus,/ para da terra apagar sua lembrança./ Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta/ e de todas as angústias os liberta.

— Do coração atribulado ele está perto/ e conforta os de espírito abatido./ Mas o Senhor liberta a vida dos seus servos,/ e castigado não será quem nele espera.

SEGUNDA LEITURA: 2Tm 4,6-8.16-18

Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo:

Caríssimo: 6Quanto a mim, eu já estou para ser oferecido em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. 7Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé.

8Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos que esperam com amor a sua manifestação gloriosa.

16Na minha primeira defesa, ninguém me assistiu; todos me abandonaram. Oxalá que não lhes seja levado em conta.

17Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças; ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão.

18O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

EVANGELHO:  Lc 18,9-14

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 9Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros: 10“Dois homens subiram ao Templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos.

11O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: ‘Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. 12Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda’.

13O cobrador de impostos, porém, ficou a distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!’ 14Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIO DO EVANGELHO

Na sociedade, na política, na justiça humana, até na religião, muitas vezes as pessoas são tratadas de forma distinta devido à posição social que ocupam. Isso acontece porque se faz acepção de pessoas, ou porque se tem preconceito contra os pobres, fracos e indigentes. Devido a todos esses limites, muitas injustiças acontecem na sociedade humana. Mas esse modelo não se pode transportar para o relacionamento com Deus. Ele é justo e não faz acepção de pessoas.

Não aceita suborno nem bajulação de quem se considera melhor que os demais e busca a segurança na própria justiça. Ele olha o coração sincero e não a mentira. Ele é imparcial. Diante dele ninguém tem méritos acumulados que o justifiquem. Em Eclo 35,15b-17.20-22a, parece uma contradição dizer que Deus é imparcial e não faz acepção de pessoas, mas escuta a súplica do injustiçado, do órfão e da viúva. Poderia se dizer: “Então Deus tem preferência pelos miseráveis”, e isso não seria acepção de pessoas? Deus é como a mãe que tem dois filhos: um de vinte anos e outro de cinco.

Ela ama os dois com o mesmo amor, mas, se aquele de vinte anos maltrata o de cinco, do lado de quem ela fica? Se essa mãe protege o de cinco, não poderá ser acusada de parcial. Em 2Tm 4,6-8.16-18, Paulo, encarcerado, sabe que seu fim está próximo. Ainda que fosse o momento de estar angustiado e agitado, ele se mostra tranquilo, pois confia em quem acreditou e em quem gastou sua vida. Ele espera serenamente a recompensa que receberá do justo juiz que é Deus. Segundo Lc 18,9-14, como é possível aprovar o publicano e reprovar o fariseu? O fariseu é uma pessoa correta, guarda os mandamentos até mais do que é exigido pela Lei. Já os publicanos, via de regra, eram desonestos, exploradores dos pobres e fracos, dos pequenos agricultores. Eles enriqueciam com suas roubalheiras.

Agora, só porque o fariseu se exaltou e o publicano bateu no peito, tudo foi invertido? Uma boa compreensão vai além. O que justifica o ser humano não são as obras, mas é Deus. O fariseu confiava na própria justiça. Ele também tinha pecados, talvez não tantos quanto o outro, e, para ser justificado, também precisava da misericórdia de Deus. Mas ele não reconheceu isso, pois pensava que sua própria justiça fosse o suficiente.

Além do mais, julgava os outros e queria domesticar a Deus, impondo-lhe sua teologia retribucionista. O publicano, que não tinha nada para apresentar, confiou apenas na justiça de Deus. Só este pode justificar. Além do orgulho do fariseu e da humildade do publicano, é preciso entender que o ser humano nunca poderá se justificar.

A justificação só vem de Deus, juiz imparcial. Diante dele não valem autojustificações. Ele acolhe o ser humano que busca nele sua justiça. Ninguém pode querer se justificar por conta própria. Tanto o fariseu como o publicano precisavam da misericórdia de Deus. O publicano fez isso, mas o fariseu, dada a sua autoconfiança, não foi capaz de fazê-lo. Concluindo, pode-se dizer: o publicano buscou sua justificação em Deus, enquanto o fariseu buscou a justificação nas suas obras. Ficam as perguntas: o que conta mais, as obras humanas ou Deus? Em quem os cristãos de hoje confiam mais? Como entender certas práticas religiosas vigentes na teologia da retribuição?

Frei Bruno Godofredo Glaab, ‘A Bíblia dia a dia 2022’, Paulinas

LEITURA ORANTE

Oração Inicial

Liturgia do 30º domingo do Tempo Comum. Jesus continua a nos ensinar sobre a oração. Acolhe a Palavra quem ama de verdade e sabe que sem Deus nada é possível. É a atitude do humilde e do simples.

“Senhor, sei que estás aqui. Ajuda-me a permanecer na tua presença.”

Leitura (Verdade)

Leia o Evangelho procurando colher a grande lição da parábola que Jesus nos deixa: as disposições para nos relacionar com Ele.

“Deus fica ouvindo as orações de seus filhos. Ele ouve a todos. Com alguns, ele fica muito satisfeito. Com outros, fica, no mínimo, preocupado. Na história que Jesus contou, Deus se agradou da oração do publicano, porque ele foi verdadeiro: reconheceu a necessidade que tinha do perdão de Deus, já que era um grande pecador. Mas Deus se “entristeceu” com a oração do outro filho, o fariseu, porque ele apenas exibiu sua “bondade” e sua piedade impecável. E, ainda mais, desprezou seu irmão publicano. O mesmo aconteceu na história do filho pródigo: o filho mais velho não quis reconhecer o irmão que voltou para casa sem nada. Dois ensinamentos importantes para nossa oração: humildade e fraternidade”. 

Meditação (Caminho)

Temos sempre que aprender a orar como nos ensina o Evangelho de hoje. Orar é despojar-se de si mesmo, É querer estar diante de Deus de peito aberto. è um estado de humildade e de alegria, que envolve necessariamente o corpo. A oração mais do que palavras é estar com Deus.
Com que disposições eu me coloco na presença de Deus?
Preocupa-me mais as palavras ou a humildade de coração?

Oração (Vida)

Os humildes reconhecem suas limitações e sabem quanto precisam de Deus.
Este é o momento do diálogo direto com Deus, por isso, apresente a Ele a oração que brotou em seu coração. Peça também a graça de apreender orar como jesus orou, rezar pelos missionários, pelo Sínodo da Igreja, pela nossa nação, pelas famílias, pelos jovens e pelas crianças, etc.

Contemplação (Vida e Missão)

Jesus deixa claro que acolhe a oração daquele que sabe ocupar o seu lugar diante de Deus, e sabe o que Deus realmente pode fazer em sua vida. E sabe também qual é sua humilde, mas necessária colaboração. O que a Palavra o(a) convida a viver neste dia?

Bênção

O Senhor, Deus de amor e paz, habite em vossos corações, oriente os vossos passos e confirme os vossos corações em seu amor.

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