Ele nada fez para merecer a morte – Lc 22,14-23,56

Domingo de Ramos e da Paixão. Nós nos alegramos com o povo fiel que reconhece Jesus como filho de Davi, como Messias.
Liturgia diária 20 de março de 2016
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A liturgia: Domingo de Ramos e da Paixão. Nós nos alegramos com o povo fiel que reconhece Jesus como filho de Davi, como Messias.

Façamos a oração do dia: Espírito de justiça, que a contemplação da morte de Jesus me torne sensível às injustiças que, ainda hoje, se cometem contra tantos inocentes.


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Domingo de Ramos da Paixão do Senhor – Ano Litúrgico C

Liturgia do dia 10 de abril de 2022

PRIMEIRA LEITURA:  Is 50,4-7

Leitura do Livro do Profeta Isaías:

4O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. 5O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. 6Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. 7Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

SALMO  22(21) 

— Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?

— Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?

— Riem de mim todos aqueles que me veem, torcem os lábios e sacodem a cabeça: ‘Ao Senhor se confiou, ele o liberte e agora o salve, se é verdade que ele o ama!’.

— Cães numerosos me rodeiam furiosos, e por um bando de malvados fui cercado. Transpassaram minhas mãos e os meus pés e eu posso contar todos os meus ossos. Eis que me olham e, ao ver-me, se deleitam!

—Eles repartem entre si as minhas vestes e sorteiam entre si a minha túnica. Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe, ó minha força, vinde logo em meu socorro!

— Anunciarei o vosso nome a meus irmãos e no meio da assembleia hei de louvar-vos! Vós que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores, glorificai-o, descendentes de Jacó, e respeitai-o toda a raça de Israel!

SEGUNDA LEITURA: Fl 2,6-11

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses:

6Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, 7mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, 8humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. 9Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. 10Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, 11e toda língua proclame : ‘Jesus Cristo é o Senhor’, para a glória de Deus Pai.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

EVANGELHO: Lc 23,1-49

Narrador 1: Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo + segundo Lucas.

Naquele tempo, 1toda a multidão se levantou e levou Jesus a Pilatos.2Começaram então a acusá-lo, dizendo:

Ass.: “Achamos este homem fazendo subversão entre o nosso povo, proibindo pagar impostos a César e afirmando ser ele mesmo Cristo, o Rei”.

Narrador: 3Pilatos o interrogou:

Leitor 1: “Tu és o rei dos judeus?”

Narrador: Jesus respondeu, declarando:

Pres.: “Tu o dizes!”

Narrador: 4Então Pilatos disse aos sumos sacerdotes e à multidão:

Leitor 1: “Não encontro neste homem nenhum crime”.

Narrador: 5Eles, porém, insistiam:

Ass.: “Ele agita o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia, onde começou, até aqui”.

Narrador: 6Quando ouviu isto, Pilatos perguntou:

Leitor 1: “Este homem é galileu?”

Narrador: 7Ao saber que Jesus estava sob a autoridade de Herodes, Pilatos enviou-o a este, pois também Herodes estava em Jerusalém naqueles dias. 8Herodes ficou muito contente ao ver Jesus, pois havia muito tempo desejava vê-lo. Já ouvira falar a seu respeito e esperava vê-lo fazer algum milagre. 9Ele interrogou-o com muitas perguntas. Jesus, porém, nada lhe respondeu.

10Os sumos sacerdotes e os mestres da Lei estavam presentes e o acusavam com insistência. 11Herodes, com seus soldados, tratou Jesus com desprezo, zombou dele, vestiu-o com uma roupa vistosa e mandou-o de volta a Pilatos. 12Naquele dia Herodes e Pilatos ficaram amigos um do outro, pois antes eram inimigos.

13Então Pilatos convocou os sumos sacerdotes, os chefes e o povo, e lhes disse:

Leitor 1: 14“Vós me trouxestes este homem como se fosse um agitador do povo. Pois bem! Já o interroguei diante de vós e não encontrei nele nenhum dos crimes de que o acusais; 15nem Herodes, pois o mandou de volta para nós. Como podeis ver, ele nada fez para merecer a morte. 16Portanto, vou castigá-lo e o soltarei”.

Narrador: 18Toda a multidão começou a gritar:

Ass.: “Fora com ele! Solta-nos Barrabás!”

Narrador: 18Barrabás tinha sido preso por causa de uma revolta na cidade e por homicídio.20Pilatos falou outra vez à multidão, pois queria libertar Jesus. 21Mas eles gritaram:

Ass.: “Crucifica-o! Crucifica-o!”

Narrador: 22E Pilatos falou pela terceira vez:

Leitor 1: “Que mal fez este homem? Não encontrei nele nenhum crime que mereça a morte. Portanto, vou castigá-lo e o soltarei”.

Narrador: 23Eles, porém, continuaram a gritar com toda a força, pedindo que fosse crucificado. E a gritaria deles aumentava sempre mais. 24Então Pilatos decidiu que fosse feito o que eles pediam. 25Soltou o homem que eles queriam — aquele que fora preso por revolta e homicídio — e entregou Jesus à vontade deles.

26Enquanto levavam Jesus, pegaram um certo Simão, de Cirene, que voltava do campo, e impuseram-lhe a cruz para carregá-la atrás de Jesus. 27Seguia-o uma grande multidão do povo e de mulheres que batiam no peito e choravam por ele. 28Jesus, porém, voltou-se e disse:

Pres.: “Filhas de Jerusalém, não choreis por mim! Chorai por vós mesmas e por vossos filhos! 29Porque dias virão em que se dirá: ‘Felizes as mulheres que nunca tiveram filhos, os ventres que nunca deram à luz e os seios que nunca amamentaram’. 30Então começarão a pedir às montanhas: ‘Cai sobre nós! e às colinas: ‘Escondei-nos!’ 31Porque, se fazem assim com a árvore verde, o que não farão com a árvore seca?”

Narrador: 32Levavam também outros dois malfeitores para serem mortos junto com Jesus.33Quando chegaram ao lugar chamado “Calvário”, ali crucificaram Jesus e os malfeitores: um à sua direita e outro à sua esquerda. 34Jesus dizia:

Pres.: “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!”

Narrador: Depois fizeram um sorteio, repartindo entre si as roupas de Jesus. 35O povo permanecia lá, olhando. E até os chefes zombavam, dizendo:

Ass.: “A outros ele salvou. Salve-se a si mesmo, se, de fato, é o Cristo de Deus, o Escolhido!”

Narrador: 36Os soldados também caçoavam dele; aproximavam-se, ofereciam-lhe vinagre,37e diziam:

Ass.: “Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!”

Narrador: 38Acima dele havia um letreiro:

Leitor 2: “Este é o Rei dos Judeus”.

Narrador: 39Um dos malfeitores crucificados o insultava, dizendo:

Leitor 2: “Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!”

Narrador: 40 Mas o outro o repreendeu, dizendo:

Leitor 1: “Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma condenação? 41Para nós, é justo, porque estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal”.

Narrador: 42E acrescentou:

Leitor 1: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado”.

Narrador: 43Jesus lhe respondeu:

Pres.: “Em verdade eu te digo: ainda hoje estarás comigo no Paraíso”.

Narrador: 44Já era mais ou menos meio-dia e uma escuridão cobriu toda a terra até as três horas da tarde, 45pois o sol parou de brilhar. A cortina do santuário rasgou-se pelo meio,46e Jesus deu um forte grito:

Pres.: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”.

Narrador: Dizendo isso, expirou.

(Aqui todos se ajoelham e faz-se uma pausa.)

Narrador: 47O oficial do exército romano viu o que acontecera e glorificou a Deus, dizendo:

Leitor 1: “De fato! Este homem era justo!”

Narrador: 48E as multidões, que tinham acorrido para assistir, viram o que havia acontecido e voltaram para casa, batendo no peito. 49Todos os conhecidos de Jesus, bem como as mulheres que o acompanhavam desde a Galileia, ficaram a distância, olhando essas coisas.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIO DO EVANGELHO

Hoje se inicia a Semana Santa, quando a Igreja celebra os últimos acontecimentos da vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus, que são o centro da fé cristã. Is 50,4-7 é o terceiro canto do servo de Javé, figura do perfeito discípulo que, apesar das dificuldades, é fiel, pois sabe que tem Deus a seu lado. Isaías apresenta um messias diferente da perspectiva triunfalista, ou seja, alguém forte que massacra o inimigo. Não, o messias servo é o homem que, na fidelidade a Javé, assume todo sofrimento e humilhação. Jesus se enquadra, por excelência, nesse servo fiel de Isaías. Em Fl 2,6-11, o servo fiel, apesar de ser igual a Deus, esvaziou-se, assumindo a condição dos últimos, até à morte. O sofrimento foi o preço de sua fidelidade. O hino é uma cristologia muito bem elaborada. Jesus era divino (preexistia). Ao encarnar-se, assumiu a condição dos últimos (escravos). A estes cabia a pena de crucificação. Por isso, assumindo essa condição, já na encarnação estava implícita a cruz. Em Jesus, a divindade não se apagou, mas ele se esvaziou e viveu como os últimos e também morreu como eles. Humanamente isso era um fracasso, mas, como também visto na primeira leitura, dessa humilhação brota a vitória, pois ele estava em Deus e Deus com ele. A vitória se dará na ressurreição. O servo/escravo humilhado, mas ressuscitado, é agora o modelo para toda a humanidade, e diante dele dobrem os joelhos. O relato de Lucas 22,14–23,56, fundamentalmente semelhante aos demais, traz, no entanto, algumas características próprias:

1) A cura da orelha decepada (Lc 22,51);

2) Depois da traição e do arrependimento de Pedro, Jesus olhou para ele (Lc 22,61);

3) O encontro com as mulheres (Lc 23,27-31);

4) Jesus diz a célebre frase: “Pai, perdoa-lhes este pecado, porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34);

5) O diálogo com os dois malfeitores e o perdão a um deles (Lc 23,39-43).

Todas essas características exclusivas de Lucas querem apresentar um Jesus que, em meio à paixão e morte, está completamente exercendo a misericórdia para com os pecadores. O Jesus de Lucas é mais humano e compassivo para com as pessoas fracas que têm dificuldades de viver sua proposta radical.

Frei Bruno Godofredo Glaab, ‘A Bíblia dia a dia 2022’, Paulinas

LEITURA ORANTE

Oração Inicial

Entro em oração como de costume e recolho-me para meditar e orar sobre o Evangelho deste dia. Durante as cinco semanas da Quaresma preparamos nosso coração pela oração, pelo jejum, penitência e pela caridade. Hoje, nos unimos a todos os fiéis cristãos, para celebrar a Semana Santa, em preparação à Páscoa de Nosso Senhor. Para realizar o mistério de sua morte e ressurreição, Jesus entrou em Jerusalém, montado num jumento, a montaria dos pobres e humildes. Uma multidão acolhe Jesus com reverência e ardor, aclamando-o com ramos de oliveira. Preparo-me em oração para entender melhor esse Evangelho.
Domingo de Ramos, início da semana Santa. Contemplemos nosso Deus, que por amor veio para o meio de nós, partilhou a vida com nossa humanidade e ainda se fez Servo dos servos, servindo a todos. Ele nos ensina com a vida que ela só tem sentido quando doada. Contemplemos a imensidão do amor de Deus nos dando seu Filho para nos libertar e conduzir pelo caminho da verdadeira vida.

Em comunhão com toda a Igreja, celebremos a Páscoa de nosso Senhor. Celebremos com fé e piedade a memória desta entrada de Jesus em Jerusalém.

Leitura (Verdade)

Num primeiro momento podemos supor que o sofrimento de Jesus está no centro desta semana. Na realidade é a semana de amor. Jesus não escolheu o sofrimento, escolheu o amor e, em força deste amor, aceitou o sofrimento e assumiu os pecados do mundo.

“E este é o Domingo de Ramos e da Paixão. Nós nos alegramos com o povo fiel que reconhece Jesus como filho de Davi, como Messias. E nos surpreendemos com ele na ceia, antecipando sua entrega ao Pai em nosso favor. Mas também nos entristecemos com o calvário. São Paulo explicou: a cruz é escândalo para os judeus, loucura para os pagãos. Nela, vemos a suprema humilhação de Deus, em Jesus crucificado. Sempre pensamos na grandeza de Deus, no seu trono de glória. Na cruz, aparece outra imagem de Deus. O trono de Jesus é o dos condenados, solidário com os sofredores deste mundo. Nele, ele reina dando a vida. Um Deus que nos amou até às últimas consequências. Um filho obediente até à morte, e morte de cruz.” 

Meditação (Caminho)

O que este caminho de dor e amor de Jesus fala para você? Que sentido eu dou à minha cruz e aos meus sofrimentos? Sinto-me discípulo(a) de meu Mestre quando o sofrimento me surpreende? Acredito no infinito amor de Deus na Paixão e Morte de Jesus?

Oração (Vida)

Ó Jesus, verdadeira luz que ilumina a humanidade, viestes do Pai para ser nosso mestre e nos ensinar seu caminho na verdade: vida e espírito são as “palavras” que nos destes.
Concedei-nos conhecer os mistérios de Deus e suas incompreensíveis riquezas.
Mostrai-nos todos os tesouros da sabedoria e da ciência de Deus, que em vós estão guardados.
Oração
Alma de Cristo, santificai-me.
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Água do lado de Cristo, lavai-me.
Paixão de Cristo, confortai-me.
Ó Bom Jesus, ouvi-me.
Dentro das vossas chagas, escondei-me.
Não permitais que eu me separe de Vós.
Do espírito maligno defendei-me.
Na hora da morte,
Na hora da morte chamai-me.
E mandai-me ir para Vós,
Para que com Vossos Santos Vos louve
Por todos os séculos dos séculos, Amém.

Contemplação (Vida e Missão)

Contemplo todo o caminho de Jesus e proponho-me acompanhar a semana santa como se fosse a primeira vez.

Bênção

Benção especial da Quaresma
– Deus Pai de misericórdia, conceda a todos, como concedeu ao filho pródigo, a alegria do retorno a casa. Amém.
– O Senhor Jesus Cristo, modelo de oração e de vida, nos guie nesta jornada quaresmal a uma verdadeira conversão. Amém.
– O Espírito de sabedoria e fortaleza nos sustente na luta contra o mal, para podermos com Cristo celebrar a vitória da Páscoa. Amém.
– Abençoe-nos, Deus misericordioso, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.

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