A correção fraterna e o perdão – Mt 18,21–19,1

O bom relacionamento fraterno precisa de correção e perdão. Não de correção e vingança, mas de compreensão.
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19ª Semana Comum – Ano Litúrgico B

16 de agosto de 2018


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ORAÇÃO DO DIA

Pai, predispõe meu coração para o perdão, e que eu esteja sempre disposto a perdoar e a querer viver reconciliado com meu semelhante.

PRIMEIRA LEITURA: Ez 12,1-12

Leitura da Profecia de Ezequiel – 1A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 2“Filho do homem, estás morando no meio de um povo rebelde. Eles têm olhos para ver e não veem, ouvidos para ouvir e não ouvem, pois são um povo rebelde. 3Quanto a ti, Filho do homem, prepara para ti uma bagagem de exilado, em pleno dia, à vista deles. Emigrarás do lugar onde estás, à vista deles, para outro lugar. Talvez percebam que são um povo rebelde. 4Deverás tirar a bagagem em pleno dia, à vista deles, como se fosse a bagagem de um exilado. Mas deverás sair à tarde, à vista deles, como quem vai para o exílio.
5À vista deles deverás cavar para ti um buraco no muro, pelo qual sairás; 6deverás carregar a bagagem nas costas e retirá-la no escuro. Deverás cobrir a face para não ver o país, pois eu fiz de ti um sinal para a casa de Israel”.
7Eu fiz assim como me foi ordenado. Tirei a bagagem durante o dia, como se fosse a bagagem de exilado; à tarde, abri com a mão um buraco no muro. Saí no escuro, carregando a bagagem às costas, diante deles. 8De manhã, a palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 9“Filho do homem, não te perguntaram os da casa de Israel, essa gente rebelde, o que estavas fazendo?
10Dize-lhes: Assim fala o Senhor Deus: Este oráculo refere-se ao príncipe de Jerusalém e a toda a casa de Israel que está na cidade. 11Dize: Eu sou um sinal para vós. Assim como eu fiz, assim será feito com eles: irão cativos para o exílio. 12O príncipe que está no meio deles levará a bagagem às costas e sairá no escuro. Farão no muro um buraco para sair por ele. O príncipe cobrirá o rosto para não ver com seus olhos o país.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

SALMO 78(77)

— Das obras do Senhor não se esqueçam.
— Das obras do Senhor não se esqueçam.

— Mesmo assim, eles tentaram o Altíssimo, recusando-se a guardar os seus preceitos. Como seus pais, se transviaram, e o traíram como um arco enganador que volta atrás;

— Irritaram-no com seus lugares altos, provocaram-lhe o ciúme com seus ídolos. Deus ouviu e enfureceu-se contra eles, e repeliu com violência a Israel.

— Entregou a sua arca ao cativeiro, e às mãos do inimigo a sua glória; fez perecer seu povo eleito pela espada, e contra a sua herança enfureceu-se

EVANGELHO: Mt 18,21-19,1

– O Senhor esteja convosco.
          – Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São Mateus.
          – Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 18,21Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” 22Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna.
25Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. 26O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo! e eu te pagarei tudo’. 27Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida. 28Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’.
29O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo! e eu te pagarei’. 30Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muitos tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. 32Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: ‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’
34O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”. 19,1Ao terminar estes discursos, Jesus deixou a Galileia e veio para o território da Judeia além do Jordão.

– Palavra da Salvação
– Glória a vós Senhor.

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Comentário do Evangelho

O bom relacionamento fraterno precisa de correção e perdão. Não de correção e vingança, mas de compreensão. Os dogmas de fé continuam os mesmos, os princípios morais são os de sempre: não dizemos que está certo o que está errado e, no entanto, abraçamos e acolhemos todo mundo. O irmão pecou contra mim, me ofendeu, me deu prejuízo, me caluniou mais de uma vez. Quantas vezes devo perdoá-lo? Setenta vezes sete vezes. Podemos começar a contar. Se quisermos ser exatos, serão 490 vezes. E se pecar contra Deus, contra as verdades da fé, se blasfemar contra Jesus? Ele mesmo já disse uma vez que tudo será perdoado, menos o pecado contra o Espírito Santo. Deixemos por conta de Deus a vingança e a punição. Da nossa parte, acolhamos quem quer que seja para sermos também acolhidos pelo Pai. Acolhamos e andemos juntos no rumo certo. Podemos empurrar o irmão e jogá-lo precipício abaixo pelos erros que cometeu, e podemos entrelaçar os braços e caminhar juntos num esforço fraterno, até alcançarmos o lugar onde estão as verdadeiras alegrias. No fim dos quatro primeiros Sermões, São Mateus escreve que Jesus terminou essas palavras e foi para outro lugar. Ao término do último Sermão, Mateus escreverá: “Quando Jesus terminou todas essas palavras…”. É assim que ele organiza as palavras de Jesus no seu Evangelho.

Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2018’, Paulinas

LEITURA ORANTE

Oração Inicial
O Evangelho de hoje, mais uma vez, nos convida a refletir sobre o perdão e a caridade. É Pedro quem questiona Jesus: “Quantas vezes devo perdoar se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?”. Para Jesus, porém, o perdão não tem limites: “Não apenas sete vezes, mas até setenta vezes sete.”
Peçamos as luzes do Espírito Santo para compreendermos os ensinamentos de Jesus por meio de sua Palavra: “Senhor Jesus, dá-me um coração simples para compreender a riqueza de ensinamentos escondida em tua Palavra. Envia teu Espírito Santo para que eu não tenha medo de escutá-la e vivê-la conforme a tua vontade. Que a Palavra transforme o meu coração através da fé e confiança que eu deposito em ti. Amém.”

Leitura (Verdade)
Leia o texto pausadamente e procure imaginar a narrativa. Faça uma segunda leitura e se detenha nos personagens. Quais são as palavras que se repetem? Faça um paralelo entre os dois personagens que pedem o perdão de suas dívidas. Por que um recebeu o perdão e o outro não? Como você compreende as palavras de Jesus em relação ao perdão: “Não apenas sete vezes, mas até setenta vezes sete”?
“Há um limite para o perdão? Essa é a pergunta matemática de Pedro: ‘Quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim?’. A parábola vai explicitar a imensa generosidade do Rei que perdoa, não importa qual seja o montante da dívida. É a compaixão do Rei que é enfatizada na parábola. Para não ter a sorte daquele que foi perdoado, mas se recusou a perdoar, é necessário ‘perdoar de coração ao seu irmão’” (Carlos Alberto Contieri, sj, em “A Bíblia dia a dia”, da Paulinas Editora).

Meditação (Caminho)
Vamos trazer o texto para a nossa vida. De que forma a Palavra de Deus está em sintonia com a realidade que você vive? É fácil perdoar? É fácil dar o perdão quando alguém nos pede? É fácil pedir o perdão quando ofendemos alguém? Quais sentimentos a Palavra de Deus despertou em você? Permaneça alguns instantes em silêncio para compreender melhor esta Palavra em sua vida.

Oração (Vida)
Hoje, peça ao Senhor a graça de perdoar as pessoas que o(a) ofenderam e de dar o perdão sem medidas. Apresente ao Senhor os sentimentos que estão presentes em seu coração e os apelos que a Palavra o(a) convida a viver neste dia.

Contemplação (Vida e Missão)
Com a Palavra na mente e no coração, qual atitude você se propõe a viver hoje?

Bênção
– Que Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
– Que Ele nos mostre a Sua face e se compadeça de nós. Amém.
– Que volte para nós o Seu olhar e nos dê a paz. Amém.
– Abençoe-nos, Deus misericordioso, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.

Paulinas

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