A quem bate, a porta será aberta – Lc 11,1-13

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A liturgia: O Evangelho de hoje ensina-nos a importância da oração e como devemos nos colocar na presença de Deus.

Façamos a oração do dia: Espírito que despoja do egoísmo, sintoniza-me com a misericórdia do Pai, tirando de mim tudo quanto me fecha nos estreitos limites de minhas ambições pessoais


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17º Domingo do Tempo Comum – Ano Litúrgico C

Liturgia do dia 24 de julho de 2022

PRIMEIRA LEITURA: Gn 18,20-32

Leitura do Livro do Gênesis:

Naqueles dias, 20o Senhor disse a Abraão: “O clamor contra Sodoma e Gomorra cresceu, e agravou-se muito o seu pecado. 21Vou descer para verificar se as suas obras correspondem ou não ao clamor que chegou até mim”.

22Partindo dali, os homens dirigiram-se a Sodoma, enquanto Abraão ficou na presença do Senhor.

23Então, aproximando-se, disse Abraão: “Vais realmente exterminar o justo com o ímpio? 24Se houvesse cinquenta justos na cidade, acaso irias exterminá-los? Não pouparias o lugar por causa dos cinquenta justos que ali vivem? 25Longe de ti agir assim, fazendo morrer o justo com o ímpio, como se o justo fosse igual ao ímpio. Longe de ti! O juiz de toda a terra não faria justiça?”

26O Senhor respondeu: “Se eu encontrasse em Sodoma cinquenta justos, pouparia por causa deles a cidade inteira”.

27Abraão prosseguiu dizendo: “Estou sendo atrevido em falar ao meu Senhor, eu, que sou pó e cinza. 28Se dos cinquenta justos faltassem cinco, destruirias por causa dos cinco a cidade inteira?” O Senhor respondeu: “Não destruiria, se achasse ali quarenta e cinco justos”.

29Insistiu ainda Abraão e disse: “E se houvesse quarenta?” Ele respondeu: “Por causa dos quarenta, não o faria”. 30Abraão tornou a insistir: “Não se irrite o meu Senhor, se ainda falo. E se houvesse apenas trinta justos?” Ele respondeu: “Também não o faria, se encontrasse trinta”.

31Tornou Abraão a insistir: “Já que me atrevi a falar a meu Senhor, e se houver vinte justos?” Ele respondeu: “Não a iria destruir por causa dos vinte”.

32Abraão disse: “Que o meu Senhor não se irrite, se eu falar só mais uma vez: e se houvesse apenas dez?” Ele respondeu: “Por causa dos dez, não a destruiria”.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

SALMO 138(137) 

— Naquele dia em que gritei, vós me escutastes, ó Senhor!

— Naquele dia em que gritei, vós me escutastes, ó Senhor!

— Ó Senhor, de coração eu vos dou graças,/ porque ouvistes as palavras dos meus lábios!/ Perante os vossos anjos vou cantar-vos/ e ante o vosso templo vou prostrar-me.

— Eu agradeço vosso amor, vossa verdade,/ porque fizestes muito mais que prometestes;/ naquele dia em que gritei, vós me escutastes/ e aumentastes o vigor da minha alma.

— Altíssimo é o Senhor, mas olha os pobres,/ e de longe reconhece os orgulhosos./ Se no meio da desgraça eu caminhar,/ vós me fazeis tornar à vida novamente;/ quando os meus perseguidores me atacarem/ e com ira investirem contra mim,/ estendereis o vosso braço em meu auxílio/ e havereis de me salvar com vossa destra.

— Completai em mim a obra começada;/ ó Senhor, vossa bondade é para sempre!/ Eu vos peço: não deixeis inacabada/ esta obra que fizeram vossas mãos!

SEGUNDA LEITURA: Cl 2,12-14

Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses:

Irmãos: 12Com Cristo fostes sepultados no batismo; com ele também fostes ressuscitados por meio da fé no poder de Deus, que ressuscitou a Cristo dentre os mortos.

13Ora, vós estáveis mortos por causa dos vossos pecados, e vossos corpos não tinham recebido a circuncisão, até que Deus vos trouxe para a vida, junto com Cristo, e a todos nós perdoou os pecados.

14Existia contra nós uma conta a ser paga, mas ele a cancelou, apesar das obrigações legais, e a eliminou, pregando-a na cruz.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

EVANGELHO:  Lc 11,1-13

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor.

1Jesus estava rezando num certo lugar. Quando terminou, um dos seus discípulos pediu-lhe: “Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos”.

2Jesus respondeu: “Quando rezardes, dizei: ‘Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. 3Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos, 4e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação’”.

5E Jesus acrescentou: “Se um de vós tiver um amigo e for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: ‘Amigo, empresta-me três pães, 6porque um amigo meu chegou de viagem e nada tenho para lhe oferecer’, 7e se o outro responder lá de dentro: ‘Não me incomodes! Já tranquei a porta, e meus filhos e eu já estamos deitados; não me posso levantar para te dar os pães’; 8eu vos declaro: mesmo que o outro não se levante para dá-los porque é seu amigo, vai levantar-se ao menos por causa da impertinência dele e lhe dará quanto for necessário.

9Portanto, eu vos digo: pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. 10Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra; e, para quem bate, se abrirá.

11Será que algum de vós, que é pai, se o filho lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra? 12Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião?

13Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!”

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIO DO EVANGELHO

Os cristãos batizados em Cristo morreram para um tipo de vida e ressuscitaram com ele para uma vida nova. Mas essa nova vida tem exigências. É preciso estar próximo a Deus pela oração incessante, quase impertinente, pois, sem ele, a vida nova do batismo pode submergir. O texto de Gn 18,20-32 quase parece uma anedota. Deus é apresentado aí de forma humana: ele precisa descer para verificar a maldade dos moradores de Sodoma, como também na Torre de Babel (Gn 11,5). Além do mais, ele muda de opinião diante da insistência de Abraão, que é impertinente. Ele dialoga com Deus, mas de forma pouco comum entre amigos. Mas, note-se bem, é uma oração a favor de uma cidade. Não é uma oração decorada e repetida à maneira dos papagaios, mas é espontânea. Ele não pede nada para si, mas intercede pela comunidade. Está aqui uma imagem de oração persistente e a de um Deus que se deixa demover de seu intento pela oração do patriarca. Segundo Cl 2,12-14, na cruz de Jesus aconteceu a superação da situação pecadora. Ninguém foi justificado por méritos próprios, mas tão somente pelo sacrifício de Cristo.

Ele assumiu a culpa humana e a anulou na cruz. Em Lc 11,1-13, antes de ensinar a rezar, o próprio Jesus rezou. Por que ele precisava rezar, se podia fazer milagres? A oração não é mágica. Ele rezava para estar em comunhão com o Pai e conhecer sua vontade. Jesus ensina que o orante chame a Deus de Pai. Trata-se de um novo relacionamento com ele, diferente daquele do AT, em que ele é visto apenas como amigo de Abraão. Santificar o nome do Pai é assumir um compromisso: empenhar-se pela justiça e pela fraternidade. O Reino vem quando os cristãos se abrem ao projeto de Jesus, isto é, vida para todos. Pedir o pão é mais do que esperar recebê-lo de Deus. É partilhá-lo (cf. At 2,42ss; 4,32ss), assim haverá pão para todos.

O perdão é traduzido na comunidade, pois se pede que Deus perdoe assim como cada um perdoa. Não cair em tentação é não se desviar do projeto do Reino (Lc 4,1-13). A insistência na oração (vizinho impertinente) não é para mudar Deus, mas sim para mudar o coração do orante. Se a oração não for constante, o discípulo não sintoniza com Deus, pois isso leva tempo e só acontece com quem se dirige a Deus com insistência e perseverança. Deus é melhor que todos os pais deste mundo, que dão coisas boas a seus filhos. Ele sempre dá o Espírito para sintonizar com Jesus.

LEITURA ORANTE

Oração Inicial

17º Domingo Comum. O Evangelho de hoje ensina-nos a importância da oração e como devemos nos colocar na presença de Deus. Na oração podemos experimentar a bondade e a gratuidade de Deus nosso Pai.

Abramo-nos à ação do Espírito Santo que reza em nós, dizendo: “Ó divino Espírito, ensina-me tudo quanto Jesus ensinou. Dá-me inteligência para entender; memória para lembrar; vontade dócil para praticar; coração generoso para corresponder aos teus convites. Amém.”

Leitura (Verdade)

Escutemos este Evangelho sentados aos pés do Mestre e degustemos essa oração que nos fala do Pai do céu, através de linguagem humana.

“Todos valorizamos a oração. Mas nem todo mundo gosta de rezar. E a razão é simples: falta-lhe uma verdadeira experiência de oração. Os discípulos de Jesus pediram que ele os ensinasse a rezar. Ele mostrou logo na prática com que palavras e com que sentimentos devemos nos dirigir a Deus. Essas palavras, os discípulos guardaram com muito carinho. É o Pai-Nosso, que é mais desenvolvido no Evangelho de São Mateus. A primeira coisa a aprender é tratar a Deus com a confiança e o afeto filial, chamando-o de Pai. Antes de mencionar nossas dificuldades e necessidades, ensinou Jesus, nos unamos a Deus querendo realizar sua vontade e acolher seu reinado.”

Meditação (Caminho)

Os discípulos pediram: “Senhor, ensina-nos a orar”. Jesus fez como eles pediram. Ele os ensinou como orar, tanto por suas palavras como por seu exemplo. Ele orava frequentemente, fervorosamente e com grande fé naquele que estava ouvindo aquelas orações. Através do exemplo de sua vida, ele está ainda nos ensinando a orar.
Como avalio minha vida de oração?
Procuro crescer sempre mais neste aprendizado?

Oração (Vida)

Tomemos consciência de que Deus é Pai misericordioso que nos acolhe em seus braços como filhos. E espera que em seu colo lhe falemos de nossas necessidades, nossas lutas, desafios, tentações, medos, desejos e sonhos.
De coração sincero fale com Deus sobre tudo isso… Confie. Ele lhe responderá .

Contemplação (Vida e Missão)

“Jesus Mestre, agradeço-vos as luzes que me destes nesta meditação. Perdoai-me pelos limites que me impediram de fazê-la melhor. Ofereço-vos a resolução que tomei, e que espero viver, pela vossa graça. Amém.”

Bênção

O Senhor Jesus Cristo esteja ao meu lado para me sustentar,
Dentro de mim para me encorajar,
Diante de mim para me orientar,
Atrás de mim para me proteger,
Acima de mim para me abençoar.
Ele que vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.
Que a bênção de Deus Pai de amor e bondade desça sobre mim e sobre toda a humanidade, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

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