Este acolhe os pecadores e come com eles

Não são somente os erros que nos afastam de Deus. A resistência em perdoar cria distâncias e provoca muitas insatisfações. Deus perdoa.
Liturgia diária A parábola do filho pródigo- Lc 15,1-3.11-32
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2ª Semana da Quaresma – Ano Litúrgico – A

Liturgia do dia 11 de março de 2023


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Façamos a oração do dia: Pai, coloca-me no caminho da vida, banindo todo egoísmo que me afasta de ti, e não permitindo que eu jamais duvide de teu amor.

PRIMEIRA LEITURA: Mq 7,14-15.18-20

Leitura da Profecia de Mi­queias.

14Apascenta o teu povo com o cajado da autoridade, o rebanho de tua propriedade, os habitantes dispersos pela mata e pelos campos cultivados; que eles desfrutem a terra de Basã e de Galaad, como nos velhos tempos. 15E, como nos dias em que nos fizeste sair do Egito, faze-nos ver novos prodígios. 18Qual Deus existe, como tu, que apagas a iniquidade e esqueces o pecado daqueles que são resto de tua propriedade? Ele não guarda rancor para sempre, o que ama é a misericórdia. 19Voltará a compadecer-se de nós, esquecerá nossas iniquidades e lançará ao fundo do mar todos os nossos pecados. 20Tu manterás fidelidade a Jacó e terás compaixão de Abraão, como juraste a nossos pais, desde tempos remotos.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

SALMO 103(102) 

— O Senhor é indulgente e favorável.

— O Senhor é indulgente e favorável.

— Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e todo o meu ser, seu santo nome! Bendize, ó minha alma, ao Senhor, não te esqueças de nenhum de seus favores!

— Pois ele te perdoa toda culpa, e cura toda sua enfermidade; da sepultura ele salva a tua vida e te cerca de carinho e compaixão;

— Não fica sempre repetindo as suas queixas, nem guarda eternamente o seu rancor. Não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às nossas culpas.

— Quanto os céus por sobre a terra se elevam, tanto é grande o seu amor aos que o temem; quanto dista o nascente do poente, tanto afasta para longe nossos crimes.

EVANGELHO: Lc 15,1-3.11-32

— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1os publi­canos e pecadores aproximaram-se de Jesus para o escutar. 2Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus: “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”.

3Então Jesus contou-lhes esta parábola: 11“Um homem tinha dois filhos. 12O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. 13Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada.

14Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade. 15Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. 16O rapaz queira matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam.

17Então caiu em si e disse: ‘Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome’. 18Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti; 19já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’.

20Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e cobriu-o de beijos. 21O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’.

22Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. 23Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. 24Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa.

25O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. 26Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. 27O criado respondeu: ‘É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde’.

28Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. 29Ele, porém, respondeu ao pai: ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. 30Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado’.

31Então o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. 32Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado”’.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIO DO EVANGELHO

Os três primeiros versículos nos dão o contexto: publicanos e pecadores aproximam-se e escutam; fariseus e mestres da Lei criticam. A parábola tem três personagens: o filho mais novo, o filho mais velho e o pai. O filho mais novo é irresponsável, esbanjador, aventureiro. Afasta-se da casa paterna. Contudo, ele é humilde, capaz de reconhecer sua miséria e que o pai é bom e pode acolhê-lo de volta. O filho mais velho é trabalhador, honesto, não se afasta da casa do pai; porém, relaciona-se com o pai como se este fosse um patrão carrasco: falta-lhe liberdade, proximidade, confiança.

Poderíamos perguntar: onde está a mãe da parábola? A arte já respondeu: o pai atua com gestos profundamente maternos e compassivos. Ao filho que cai em si e pede perdão, o pai oferece roupa nova, anel no dedo, sandália nos pés e o banquete do novilho gordo. E o filho mais velho, entrará para o banquete? Um irresponsável e outro rancoroso: esses somos nós. Só nos resta um Pai misericordioso. Ele é o centro da parábola e também nos espera, na janela, contemplando o caminho.

Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa

LEITURA ORANTE

Oração Inicial

Acalmo meu ser e procuro apresentar-me ao Senhor com confiança filial. Em comunhão com a comunidade de fé rezo: livrai-me, Senhor, de minha autossuficiência, de meu orgulho, de minhas rebeldias, de todas as minhas maldades. Vede minha fraqueza e perdoai todos os meus pecados.

“Senhor, vosso amor não somente nos deu um coração capaz de amar, mas nos presenteou com duas mãos capazes de fazer tanto bem. Que nossas mãos sejam semelhantes às vossas, Senhor, que saibamos construir o bem em nosso coração e com nossas mãos torná-lo visível para os que nos rodeiam. Que ao longo deste dia nossas mãos possam estar direcionadas apenas para fazer o bem e aí, então, poderemos juntá-las em prece. Amém.”

Leitura (Verdade)

Leia atentamente esta parábola que é uma perola do Evangelho. Repita os verbos e as palavras que mais lhe chamarem a atenção e considere o sentido de cada uma delas. Em seguida responda: Questione, pergunte, analise este texto.

“A acolhida do Reino passa pela relação entre a criatura e o Criador. Jesus, além de mostrar o rosto de Deus, descreve a misericórdia, que perdoa e devolve a dignidade. A parábola do filho pródigo inclui a todos, pois, hoje, somos, por vezes, o filho mais novo ou o filho mais velho. Não são somente os erros que nos afastam de Deus. A resistência em perdoar cria distâncias e provoca muitas insatisfações. Deus simplesmente perdoa, pois não quer nenhum filho distante. O pecado não faz bem para ninguém. Porém, para alcançar o arrependimento é necessário ser humilde e permanecer aberto para experimentar o amor de Deus, que devolve vida e dignidade. É hora de voltar e sentir o pulsar do amor divino.”.

Meditação (Caminho)

Porque os olhos de Deus são bons ele nos vê com amor e nos perdoa sempre. Na casa paterna – comunidade –, sempre haverá um lugar para nós. Somos pecadores, amados por ele.
Como ecoa em meu coração esta parábola?
Com qual dos filhos você mais se identifica?
Você alguma vez já recebeu, fez a experiência, do braço do Pai?

Oração (Vida)

Por causa do teu amor, ó Deus, tem misericórdia de mim. Por causa da tua grande compaixão apaga os meus pecados!

Tende piedade ó meu Deus, misericórdia
Na imensidão do Vosso amor purificai-me
Lavai-me todo inteiro do pecado
E apagai completamente a minha culpa

Eu reconheço toda a minha iniquidade
O meu pecado está sempre a minha frente
Foi contra Vós, só contra Vós que eu pequei
E pratiquei o que é mal aos Vossos olhos

Criai em mim um coração que seja puro
Dai-me de novo um Espírito decidido
Ó Senhor não afastai de mim a Vossa face
Nem retirais de mim o Vosso santo Espírito

Dai-me de novo a alegria de ser salvo
E confirmai-me com espírito generoso
Abre meus lábios ó Senhor para cantar
E minha boca anunciará Vosso louvor

Misericórdia, ó Senhor, pois pequei!
Misericórdia, ó Senhor, pois pequei!
(Salmo 51)

Contemplação (Vida e Missão)

O apelo de conversão, nesta parábola, é antes dirigido ao irmão mais velho, aos supostos justos, ou seja, àqueles que são justos segundo os critérios humanos…
O que me proponho viver hoje como um passo de fidelidade ao Pai que sempre nos espera de coração e braços abertos?

Bênção

Benção especial da Quaresma
– Deus Pai de misericórdia, conceda a todos, como concedeu ao filho pródigo, a alegria do retorno a casa. Amém.
– O Senhor Jesus Cristo, modelo de oração e de vida, nos guie nesta jornada quaresmal a uma verdadeira conversão. Amém.
– O Espírito de sabedoria e fortaleza nos sustente na luta contra o mal, para podermos com Cristo celebrar a vitória da Páscoa. Amém.
– Abençoe-nos, Deus misericordioso, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.

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