Guardai-vos de todo tipo de ganância – Lc 12,13-21

A parábola de hoje é uma chamada de atenção sobre a ganância e sobre a confiança que pomos na posse de riquezas.
Oração diária A vida não consiste na abundância de bens - Lc 12,13-21
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A liturgia: A parábola de hoje é uma chamada de atenção sobre a ganância e sobre a confiança que pomos na posse de riquezas.

Façamos a oração do dia: Pai, preserva-me do apego exagerado às riquezas, as quais me tornam insensível às necessidades do meu próximo. Que eu descubra na partilha um caminho de salvação


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18º Domingo do Tempo Comum – Ano Litúrgico C

Liturgia do dia 31 de julho de 2022

PRIMEIRA LEITURA: Ecl 1,2, 2,21-23

Leitura do Livro do Eclesiastes:

2“Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade”. 2,21Por exemplo: um homem que trabalhou com inteligência, competência e sucesso, vê-se obrigado a deixar tudo em herança a outro que em nada colaborou. Também isso é vaidade e grande desgraça.

22De fato, que resta ao homem de todos os trabalhos e preocupações que o desgastam debaixo do sol? 23Toda a sua vida é sofrimento, sua ocupação, um tormento. Nem mesmo de noite repousa o seu coração. Também isso é vaidade.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

SALMO 90(89)

— Vós fostes, ó Senhor, um refúgio para nós.

— Vós fostes, ó Senhor, um refúgio para nós.

— Vós fazeis voltar ao pó todo mortal,/ quando dizeis: “Voltai ao pó, filhos de Adão!”/ Pois mil anos para vós são como ontem,/ qual vigília de uma noite que passou.

— Eles passam como o sono da manhã,/ são iguais à erva verde pelos campos:/ de manhã ela floresce vicejante,/ mas à tarde é cortada e logo seca.

— Ensinai-nos a contar os nossos dias,/ e dai ao nosso coração sabedoria!/ Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis?/ Tende piedade e compaixão de vossos servos!

— Saciai-nos de manhã com vosso amor,/ e exultaremos de alegria todo o dia!/ Que a bondade do Senhor e nosso Deus/ repouse sobre nós e nos conduza!/ Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho.

SEGUNDA LEITURA: Cl 3,1-5.9-11

Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses:

Irmãos: 1Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; 2aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. 3Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus.

4Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória.

5Portanto, fazei morrer o que em vós pertence à terra: imoralidade, impureza, paixão, maus desejos e a cobiça, que é idolatria.

9Não mintais uns aos outros. Já vos despojastes do homem velho e da sua maneira de agir 10e vos revestistes do homem novo, que se renova segundo a imagem do seu Criador, em ordem ao conhecimento.

11Aí não se faz distinção entre judeu e grego, circunciso e incircunciso, inculto, selvagem, escravo e livre, mas Cristo é tudo em todos.

– Palavra do Senhor.

– Graças a Deus.

EVANGELHO: Lc 12,13-21

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 13alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: “Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo”. 14Jesus respondeu: “Homem, quem me encarregou de julgar ou de dividir vossos bens?”

15E disse-lhes: “Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens”.

16E contou-lhes uma parábola: “A terra de um homem rico deu uma grande colheita. 17Ele pensava consigo mesmo: ‘O que vou fazer? Não tenho onde guardar minha colheita’.

18Então resolveu: ‘Já sei o que fazer! Vou derrubar meus celeiros e fazer maiores; neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. 19Então poderei dizer a mim mesmo: Meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, aproveita!’20Mas Deus lhe disse: ‘Louco! Ainda esta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?’21Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

COMENTÁRIO DO EVANGELHO

Todos os bens – dinheiro, casas, terras, conforto, preparo intelectual – são bênçãos de Deus que devem servir a todos. É vontade de Deus que os humanos vivam com dignidade e tenham tudo o que seja necessário para tanto. O mal é quando alguém se apropria deles e os têm como fim último da vida. A ganância é uma idolatria (segunda leitura).

Nesse caso, os bens ocupam o lugar de Deus. Quem é de Cristo relativiza tudo, não permite que nada substitua Deus em sua vida. O texto Ecl 1,2; 2,21-23 nos mostra que tudo é precário e passa. Portanto, empenhar-se apenas em vista de conquistar coisas é vaidade. Cedo ou tarde, acaba. A palavra hebraica hebel, aqui traduzida por “vaidade”, talvez seja mais bem traduzida por “sopro, oco, névoa, nada”.

Daqui vem também o nome de Abel, aquele que teve vida curta. Ocupar-se durante a vida toda, com todas as forças e inteligência, só em vista dos bens, é vaidade, pois outros vão usufruí-los. Nenhuma coisa ou bem, em si, pode realizar uma vida humana. O evangelho de Lc 12,13-21 vai dar a verdadeira resposta às questões do Eclesiastes. Cl 3,1-5.9-11 relata que, em Cristo, os discípulos se despiram do homem velho e se revestiram do homem novo. Isso requer nova maneira de agir, mas ainda sujeita ao pecado. Por isso mesmo é preciso renunciar às obras da terra, principalmente à ganância, que é idolatria. Assim se revelará, no homem novo, a imagem de seu criador que congregará todos os povos.

Quem está em Cristo, está em constante conversão. Segundo Lc 12,13-21, produzir bens, boas colheitas, ter sucesso nos empreendimentos não contraria a vontade de Deus. O dono da rica safra é reprovado não por ter tido uma excelente colheita, mas porque teve ganância. Acumulou sem partilhar e colocou nos grãos e nos novos celeiros a sua segurança. Para ele, o trigo ocupou o lugar de Deus. Isso, como diz a segunda leitura, é idolatria. Para ele, agora era possível viver tranquilo, pois seu deus, sua segurança, eram as suas posses.

Tudo o que ele deveria buscar em Deus, buscou nos bens acumulados. O acúmulo ou a absolutização dos bens é a raiz de tantos males que afligem o mundo todo. A miséria de tantas pessoas nas favelas, nas periferias, é fruto da exploração que o acúmulo nas mãos de alguns provoca. Muitas pessoas vivem como se os bens acumulados fossem absolutos. O amor devido a Deus é dedicado ao que conseguiram acumular. Por isso se fecham aos irmãos, usam as pessoas e, se preciso for, as sacrificam em vista desse ídolo.

Vivem em função disso e relativizam tudo mais: o amor a Deus e o amor ao próximo. Quem, diante do acúmulo, se fecha aos irmãos, também se fecha a Deus. Esse ídolo não pode dar segurança nem plena realização humana. É vaidade das vaidades (cf. primeira leitura), embora vicie muita gente, deixando-a cega. Chegará a morte e o que vai sobrar para tais pessoas?

LEITURA ORANTE

Oração Inicial

18º Domingo do Tempo Comum. A Palavra de hoje nos faz refletir e discernir o que é essencial e o que relativo. Nossa vida é uma gama enorme de entrelaçamentos e necessidades, ela exige vigilância para que nos mantenhamos firmes no que é essencial.
“Senhor Jesus, dá-me um coração simples para compreender a riqueza de ensinamentos escondida em tua Palavra. Envia teu Espírito Santo para que eu não tenha medo de escutá-la e vivê-la conforme a tua vontade. Que a Palavra transforme o meu coração através da fé e confiança que eu deposito em ti. Amém.”

Leitura (Verdade)

O Evangelho de hoje é uma profunda lição para a sensatez e o discernimento.

“Vivemos em uma cultura materialista, que estimula o apego aos bens, a busca de riqueza e a ostentação. Uma coisa é a busca responsável pela vida com dignidade, outra é a corrida gananciosa de ter sempre mais, deixando os outros para trás e, às vezes, à custa da própria saúde. A parábola de hoje é uma chamada de atenção sobre a ganância e sobre a confiança que pomos na posse de riquezas. Depois de ter acumulado tanto, o homem rico da parábola morre sem ter podido usufruir de tantos bens. Ser rico diante de Deus é não permitir que os bens materiais tomem o lugar de Deus. Ter para viver com dignidade e para compartilhar com generosidade. Não viver para acumular.”

Meditação (Caminho)

Todos nós somos responsáveis na construção de uma vida digna e segura. Não é sobre esse quesito que o Evangelho nos questiona, mas onde buscamos nossa segurança e dignidade. Na resposta de Jesus ao homem que lhe pede para dividir os bens Jesus remete à responsabilidade pessoal. Como administramos nossos bens?
A sensatez e a generosidade nos ajudam neste casos.

Oração (Vida)

Apresente ao Senhor o apelo que brotou em seu coração e peça a graça de vivê-lo durante o dia. Faça a sua prece de agradecimento ou pedido.
“Jesus, princípio e realização do homem novo, convertei a vós os nossos corações, para que, deixando as sendas do erro, sigamos os vossos passos no caminho que conduz à vida. Fazei que, fiéis às promessas do batismo, vivamos, com coerência, a nossa fé, testemunhando com solicitude a vossa palavra, para que, na família e na sociedade, resplandeça a luz vivificante do Evangelho. Jesus, poder e sabedoria de Deus, acendei em nós o amor à Sagrada Escritura, onde ressoa a voz do Pai, que ilumina e abrasa, nutre e consola. Vós, Palavra de Deus Vivo, renovai na Igreja o ardor missionário, para que todos os povos cheguem a conhecer-vos como verdadeiro Filho de Deus e verdadeiro Filho do homem, único Mediador entre o homem e Deus. Jesus, fonte de unidade e de paz, fortalecei a comunhão na vossa Igreja, para que, pela força do vosso Espírito, todos os vossos discípulos sejam um só. Vós que nos destes como regra de vida o mandamento novo do amor, tornai-nos construtores de um mundo solidário, onde a guerra seja suplantada pela paz, a cultura da morte, pelo empenho em favor da vida. Amém” (São João Paulo II).

Contemplação (Vida e Missão)

Com a Palavra de Deus na mente e no coração, qual atitude você se propõe a viver hoje?

Bênção

– Que Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
– Que Ele nos mostre a Sua face e se compadeça de nós. Amém.
– Que volte para nós o Seu olhar e nos dê a paz. Amém.
– Abençoe-nos, Deus misericordioso, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém

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