Ganhar o céu, uma proposta ou um engano?
Enriqueça a sua fé - Artigos e Espiritualidade para formação católica
Veja bem a expressão de Jesus, A vocês que tudo deixaram e me seguiram, eu darei o cêntuplo e mais a vida eterna.
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É um refrão do velho Catecismo: "Ser bom para ganhar o céu". E quanta gente se firmou nessa frase para garantir "seu lugar" na grande assembleia dos santos.
Na carta aos Gaiatas São Paulo combate o tipo de religião mercantilizante, através da qual se pretende comprar a salvação. Pelas boas ações as pessoas julgam ter direitos adquiridos diante de Deus. A prática de Jesus mostra o contrário: anuncia o amor gratuito de Deus que nos amou primeiro. A esse amor as pessoas se abrem com a fé. E disso se faz uma teologia correta: "O céu é Deus quem dá e ninguém merece ou ganha".
O tema central da carta aos Gaiatas mostra que o homem não se justifica pelas obras da Lei, mas pela fé em Jesus: "Nós abraçamos a fé em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo e não pelas obras da Lei, porque ninguém será justificado pelas obras da Lei" (Gl 2,16).
A religião verdadeira se expressa pela fé no amor de Deus; as boas obras não garantem a salvação, como era o pensamento dos judeus cristãos da época de Paulo. Elas expressam a fé no Deus que nos amou primeiro e são respostas a esse amor. Elas mostram a fé. Paulo diz que já fomos salvos, inocentados e perdoados mediante a oferta de Cristo, que nos amou e se entregou por nós (v. 20). A fé nele é que nos garante a salvação e não nos permite obrigar a Deus a nos salvar.
Parece claro que para ser cristão precisamos estar em clima da gratuidade pelo perdão e pela salvação oferecidos por Deus. O resto é falsa piedade e simonia (querer comprar as coisas de Deus); é excluir-se da salvação que Deus oferece gratuitamente ao tentar ganhá-la por seus próprios merecimentos.
Resta então a pergunta: "Por que ser bom se não for para ganhar o céu?". Entre tantas respostas possíveis, dizemos que cada um precisa ser bom para ser feliz. Deus nos criou para sermos felizes. (Que pena chegar aos 80 anos e ter de admitir que não foi feliz.) Na bondade fazemos acontecer o Reino de Deus, que já está no meio de nós.
A parte que nos toca é a procura da realização pessoal dentro do espírito evangélico que prega a solidariedade, o respeito mútuo, o amor fraterno vivenciado na comunhão e na partilha.
E curioso observar que na Bíblia Jesus fala claramente: "A vida eterna sou eu quem dou". Veja bem a expressão de Jesus: "A vocês que tudo deixaram e me seguiram, eu darei o cêntuplo e mais a vida eterna".