A oração sempre é gerada dentro do coração

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Na oração devemos procurar manifestar tudo o que sentimos nascer no mais íntimo de nós mesmos.

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A oração sempre é gerada dentro do coração. É uma lenta e maravilhosa gestação que no silencio do amor toma corpo e vida. Mas ela não permanece escondida, às vezes nasce delicada, como uma nascente que, borbulhando vida, fecunda tudo por onde passa. Em outros momentos a oração se manifesta com a violência de um grito que rompe a solidão e pede para ser escutado, acolhido por alguém. Não é o grito seco, vazio do eco que re-envia a voz distorcida. Nem um triste solilóquio no qual a amargura da vida nos leva a escutar a nossa própria voz.

Na fé sabemos que Deus nos ouve e escuta, mas necessitamos dize-lo em voz alta. A oração em voz alta é uma necessidade dor ser humano, é expressar e dar vazão aos sentimentos que não conseguem mais ficar dentro de nós. Na Bíblia e ao longo da história da oração, encontramos essa manifestação com bastante freqüência.

Silêncio e palavras se alternam no processo de diálogo com qualquer pessoa. A própria liturgia exige essa alternância constante.

O sentimento humano é profundo e às vezes impossível de ser traduzido em palavras. Somente suspiros podem revelar o que se passa dentro de nós. Grandes sofrimentos e grandes alegrias não encontram palavras suficientes para manifesta-los. São como um não-sei-que que, perpassando todo o ser, revelam como o homem é mistério para os outros e para si mesmo.

O Evangelho nos transmite como Jesus, nas suas orações e nos momentos mais fortes de sua vida, elevando os olhos para o céu, suspirava...

Na oração devemos procurar manifestar tudo o que sentimos nascer no mais íntimo de nós mesmos. Aproximar-nos de Deus como somos, com nossas cargas emocionais e os sofrimentos que podem vir a perturbar a tranqüilidade do coração.

Frei Patrício Sciadini