Enriqueça a sua fé - Artigos e Espiritualidade para formação católica
Mais que satisfação, um presente de Deus veio em minhas mãos.
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Imaginamos Deus em seu trono de glória e poder. Quase inacessível. Sentado em seu trono e cercado por querubins, serafins, arcanjos e anjos, tendo à mão seu cetro de justiça. Nem sempre o imaginamos no meio de nós, como habitante terreno e participante de nossa história, nossas vidas, nossa pobreza... Ou morador de uma favela, ou quiçá uma cabana isolada no meio da mata... Pois foi isso que imaginou o escritor William Young, autor do belíssimo best seller A Cabana, que tive a satisfação de ler recentemente. Mais que satisfação, um presente de Deus que caiu em minhas mãos.
Raríssimos autores possuem unção para escrever com clareza e sensibilidade quase poética sobre tema tão profundo quanto o que este livro aborda: o mistério da Santíssima Trindade. Por si só, o tema nos parece complexo, pois que ainda levitamos entre a realidade do mundo, suas lógicas, suas objetividades e a complexidade de um Deus uno e trino, um só ser e três pessoas. Santo Agostinho foi quem mais se aproximou de uma explicação plausível para a nossa linguagem. Dizia: “No vocábulo “Deus”, eu entendia já o Pai que criou todas as coisas e pela palavra “princípio” significava o Filho, no qual tudo foi criado pelo Pai. E, como eu acreditasse que o meu Deus é Trino, procurava a Trindade nas vossas Escrituras e via que o vosso Espírito “pairava sobre as águas”. Eis a vossa Trindade, meu Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. Eis o Criador de toda criatura”.
Mas a experiência de Deus e a compreensão de sua Trindade é algo muito pessoal. Passa pela visão de nossas misérias e insignificância diante dos mistérios que nos rodeiam. Passa também pela dor, pelas fatalidades que nos afetam. Foi o que imaginou o autor: um pai perde tragicamente sua filha caçula, violentada numa cabana abandonada. A revolta contra Deus e contra a sociedade faz desse pai uma criatura amarga, que por vários anos busca explicações e culpados. E conclui: se Deus verdadeiramente existe, Ele é o culpado.
Quando tudo se esvai nessa única conclusão, Deus o inspira a voltar à cabana, local do crime, e ali se manifesta a ele sob a forma das três pessoas. Aqui a história ganha cores da beleza divina. Deus Pai também é Mãe. Deus Filho se faz um conosco e Deus Espírito age em nós e nos revela a Palavra, a Vontade do Pai. “Não somos três deuses e não estamos falando de um deus com três atitudes, como um homem que é marido, pai e trabalhador. Sou um só Deus e sou três pessoas, e cada uma das três é total e inteiramente o um”- diz o texto, que ainda aprofunda: “Para que eu tenha um objeto para amar ou, mais exatamente, um alguém para amar, é preciso que exista esse relacionamento dentro de mim. Caso contrário, eu não seria capaz de amar. Você teria um deus incapaz de amar. Ou, talvez pior, você teria um deus que, quando escolhesse amar, só poderia fazê-lo com uma limitação de sua natureza. Esse tipo de deus possivelmente poderia agir sem amor e seria um desastre. E isso não sou eu”.
Então como ficam as fatalidades que nos afligem? Por que Deus as permite? Essa é a pergunta que todos nos fazemos, quando a fé se põe à prova. Eis a resposta que encontrei no livro: “Não sou quem você pensa... Não preciso castigar as pessoas pelos pecados. O pecado é o próprio castigo, pois devora as pessoas por dentro. Meu objetivo não é castigar. Minha alegria é curar”. Aquela cabana representa cada um de nós, onde Deus age e purifica nossas dores, nossa insegurança. Deus atua em nós!
A Trindade é o Amor, a Revelação do Amor, o Advogado da Verdade divina. Um poema como aquele da Criação, que resultou na mais perfeita criatura, o ser humano, imagem e semelhança divina. Então vejamos a poesia dessa saga: Aquele Cristo crucificado/ Pelo amor à Revelação/ Um dia nos foi dado/ Pelo Pai da Criação/ Que nos deixou um Advogado/ Como prova de sua Paixão.
Wagner Pedro Menezes