Enriqueça a sua fé - Artigos e Espiritualidade para formação católica
A vida eterna é a realização e a satisfação de todas as carências e potencialidades ocultas no coração humano.
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Em todos os domingos, o cristão que participa da missa é convidado a renovar a fé nas principais verdades que sustentam sua vida. Para tanto, após a homilia do celebrante, ele recita o “Creio”. Em sua forma abreviada, o texto é conhecido como “Símbolo dos Apóstolos”, e na mais extensa, como “Símbolo Nicenoconstantinopolitano”. O termo “símbolo” é de origem grega, e significa uma coletânea de verdades que identificam um cristão. É denominado “dos apóstolos”, por ser considerado o resumo fiel da fé dos apóstolos. Ou então “nicenoconstantinopolitano”, por ter sua origem nos dois primeiros Concílios Ecumênicos da Igreja: Nicéia, em 325, e Constantinopla, em 381.
O “Creio” termina com uma afirmação solene, capaz de imprimir um sentido à existência terrena: “Creio na vida eterna”. O “amém” que se segue é a conclusão natural de quem vive desta convicção, e que poderia ser traduzida desta forma: “Assim é e assim será. É esta esperança que sustenta a minha jornada terrena!”.
Mas, o que é vida eterna? Em 2001, a revista evangélica “Ultimato” publicou o questionamento de um brasileiro residente nos Estados Unidos: «Qual a vantagem real e prática de se ter a vida eterna? Viver eternamente no céu não parece um conto de fadas apropriado para crianças de três a seis anos? Não seria monótono viver eternamente, observando lá do céu, o sofrimento inevitável de pessoas normais aqui na terra?» E terminava convicto: «Estamos aqui na terra como “animais” que procuram apenas sobreviver e procriar, embora tenhamos a vantagem sobre os “concorrentes” de poder pensar».
Pelo que parece, a crença numa vida após a morte acompanha a caminhada da humanidade desde as suas origens. Praticamente todas as religiões a sustentam, pois lhes custa admitir que tudo termine no nada e no vazio. Mas há também quem não consegue aceitá-la e prefere, como escreve São Paulo, «comer e beber, pois amanhã morreremos» (1Cor 15,32).
Na missa dos finados, afirma-se que «a vida não é tirada, mas transformada. E, desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível». Isso significa que é o ser humano, em seu sentido mais completo de corpo, alma e espírito (Cf. 1Tes 5,23), que atinge a sua plena realização no paraíso. De acordo com o Catecismo da Igreja Católica, «o céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva. Os eleitos lá encontram a sua verdadeira identidade, o seu próprio nome».
Um pouco antes de sua partida, Jesus reuniu os apóstolos e os consolou dizendo: «Não fiquem tristes. Creiam em Deus e creiam em mim também. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Vou preparar-lhes um lugar. Quando eu for e o tiver preparado, voltarei para levá-los comigo, para que estejam onde eu estou» (Jo 14,1-3). Para São Paulo, a “casa” preparada por Deus supera quaisquer expectativas humanas: «O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam» (1Cor 2,9).
Para que tudo isso não se assemelhe a um conto da carochinha – ou de fadas, como disse acima o emigrante brasileiro –, é preciso acreditar com o coração (Cf. Rm 10,10). «Onde está o teu tesouro, ali está o teu coração» (Mt 6,21). Para quem se deixa escravizar pelos bens deste mundo ou por seus instintos egoístas, o paraíso e a vida eterna nada significam.
Não é segredo para ninguém: a todo instante, somos atraídos por desejos e anseios que ameaçam tornar-se necessidades. Desejos, anseios e necessidades que, uma vez satisfeitos, nem sempre se identificam com a felicidade. Nada, nem mesmo a criatura mais encantadora, consegue saciar o ser carente que somos, como experimentou Santo Agostinho: «Senhor, o nosso coração foi feito para ti, e ele anda inquieto até não descansar em ti!» Pelo contrário, a vida eterna é a realização e a satisfação de todas as carências e potencialidades ocultas no coração humano.
Dom Redovino Rizzardo