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As últimas palavras do grande profeta do exílio querem suscitar uma profunda reflexão no povo exilado, para que recupere a confiança em si e em Deus, e assim possa enfrentar com coragem o caminho do retorno. "Buscai a Javé enquanto pode ser encontrado, invocai-o enquanto está perto. Abandone o ímpio o seu caminho e o malvado os seus pensamentos, volte para Javé que terá compaixão dele, e para o nosso Deus porque é rico em perdão.
Com efeito, os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, e os meus caminhos não são os vossos caminhos, palavra de Javé. Pois, assim como os céus estão acima da terra, assim os meus caminhos estão acima dos vossos caminhos, e os meus pensamentos acima dos vossos pensamentos.
Como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam, sem terem regado a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar, dando semente ao semeador e pão ao que come, tal ocorre com a palavra que sai da minha boca: ela não torna a mim sem fruto; antes, ela cumpre a minha vontade e assegura o êxito da missão para a qual a enviei".
Essas palavras revelam um aspecto importante da missão profética. De fato, o profeta exorta os seus ouvintes a perceberem a proximidade de Deus, também durante a experiência de um momento de dor. Mais ainda, ele indica o que fazer para que tudo isso aconteça: antes do retorno 'geográfico' de Babilônia para Jerusalém, é preciso "voltar-se para Javé", é preciso ter confiança nele, abandonando o caminho da maldade, os pensamen-tos iníquos, a falta de coragem, as dúvidas e o desânimo.
É preciso tomar consciência de que Deus tem um projeto de salvação que não coincide com os projetos humanos, e seu modo de agir e de intervir na história nem sempre é compreensível.
Todavia, o fundamento e a razão fundamental da exortação profética baseiam-se numa das mais bonitas e profundas expressões do AT que, em momentos cruciais da história, revelam o verdadeiro rosto de Deus: "Javé tem compaixão, Ele é rico em perdão!" (Cfr. Ex 34,9; 1Rs 8,30; Jr 31,14). Dessa forma, se é verdade que o exílio pode ser interpretado como uma conseqüência da infidelidade do povo que se afastou de Deus, é verdade também que o caminho de volta deve passar primeiro pelo "retorno a Javé". Se a infidelidade provocou o afastamento de Javé, agora chegou o momento propício da "conversão", da "busca e da invocação".
É dessa forma que Israel pode responder à ação de Deus na história: externamente, deve percorrer o caminho que conduz à pátria, eliminando a distância geográfica; interiormente, deve percorrer o caminho que leva a Javé, eliminando a distância da desconfiança e da maldade. Em sentido mais amplo, isso significa que a missão profética consiste em exortar o ser humano, seja quem for, a superar seus projetos geralmente fechados dentro do pequeno horizonte de sua própria auto-suficiência, para se abrir com confiança e entrar no horizonte de Deus.
Para evitar esses perigos extremos, o profeta mostra que entre a proximidade (v.6) e a distância (v.9) está a Palavra de Deus que une o céu e a terra. A belíssima imagem da "chuva" (55,10-11) serve para evidenciar a bênção divina, dom que impregna a terra tornando-a fecunda e fazendo-a germinar. Isso não é fruto da eficiência humana, mas da eficácia da palavra divina.
Com efeito, a chuva coloca em movimento o ciclo vital da fecundidade, faz germinar a semente que se transforma em pão que alimenta e dá vida. Em resumo, podemos dizer que o homem necessita do projeto de Deus para ser mais humano, e que Deus necessita do homem para manifestar sua misericórdia e seu perdão nos caminhos da história.
Autor: Sergio Bradanini
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