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No pouco tempo decorrido entre a segunda visita e a carta, apareceu o problema. Alguns judaizantes, talvez ligados aos cristãos de Jerusalém, queriam impor aos gentios convertidos a circuncisão e a observância da Lei mosaica (1,6ss; 5,7-12; 7,10-20) e moviam uma campanha contra Paulo questionando sua legitimidade apostólica (1,1 – 2,9; 5,10). Daí o caráter polêmico e combativo da carta.
Com extremo vigor, Paulo exibe suas credenciais e defende a legitimidade de seu anúncio evangélico (1,6 – 2,10). Como ex-aluno da escola rabínica, Paulo está bem equipado para desmascarar o legalismo judeu-cristão de seus adversários. Nos capítulos 3 e 4, maneja com habilidade a interpretação alegórico-rabínica do Antigo Testamento, fazendo o feitiço voltar-se contra o feiticeiro.
Enfaticamente recorda sua discordância com a atitude dúbia de Pedro em Antioquia (2,11-14) e insiste no lugar central que Jesus Cristo deve ocupar na vida (2,15-21).
Com grande poder de síntese, Paulo apresenta a estrutura da vida cristã: acolher pela fé a ação do Espírito Santo e comunicá-la através do amor (5,5-6). É no amor ao próximo que está a plenitude da Lei (5,4). Não poupa ironia ao referir-se aos judaizantes (5,7-12) e proclama a liberdade cristã e a exuberância da ação do Espírito (5,13-26).
Paulo insiste no essencial do Evangelho, o amor, e não o legalismo. O amor ativo nasce da liberdade, fruto da fé e compromete a totalidade da pessoa em tarefas concretas, frente às situações da vida, levando-o a realizar muito mais do que qualquer lei poderia exigir (6,1-6). Nosso destino final será a conclusão natural de uma escolha de vida: viver segundo os instintos egoístas (segunda a carne) leva à corrupção e à morte, enquanto viver segundo o Espírito ou segundo o amor leva à vida eterna (6,7-10).
Num último ímpeto, Paulo escreve “de seu próprio punho” a conclusão, acusando os judaizantes de orgulho, covardia e falsidade, ao contrário dele, que só se gloria na cruz de Jesus Cristo, cujas marcas estão impressas em seu corpo (6,11-18).
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