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1. As comunidades eram formadas por pessoas provenientes de vários segmentos da sociedade. No entanto, não encontramos representantes da camada superior na escala social greco-romana, como aristocratas, proprietários de terra, políticos importantes.
2. A lista testemunha uma presença significativa de camada intermediária, gente que possuía casa, escravos, recursos para viajar. É provável que os escravos e empregados também participassem da comunidade, mesmo porque estão incluídos no conceito abrangente de “casa”. Nos seus conselhos, Paulo alude aos senhores e aos servos: “Servos, obedeçam aos seus senhores nesta vida, com temor e tremor, com simplicidade de coração como a Cristo... Senhores, tratem seus servos do mesmo modo. Deixem de Aldo as ameaças: vocês sabem que tanto eles como vocês têm o mesmo Senhor que está no céu e não faz distinção de pessoas” (Ef 6,5.9).
3. Os pequenos comerciantes e artesãos livres estão bem representados. Para esse grupo, Paulo dirige várias instruções: “Que seja para vocês uma questão de honra viver em paz, ocupando-se com as coisas que lhes pertencem e trabalhando com as próprias mãos, conforme recomendamos. Assim vocês levarão uma vida honrada aos olhos dos estranhos e não precisarão de ajuda de ninguém” (1Ts 4,11-12).
4. É de salientar que encontramos várias mulheres ricas e independentes que desempenhavam um papel relevante nas comunidades.
5. O mais importante, porém, é o novo estilo de relacionamento entre as pessoas, o novo clima, a nova convivência, a proposta alternativa concreta de um novo tipo de sociedade, de ambiente de vida impregnado pela fraternidade e igualdade: “Não há mais diferença entre judeu e grego, entre escravo e homem livre, pois todos vocês são um só em Jesus” (Gl 3,8).
Tudo isso permite reafirmar que encontramos representantes de vários níveis sociais nas primeiras comunidades cristãs. As pessoas arroladas geralmente são as que se destacaram como líderes nas comunidades e poderiam representar a minoria. É o que insinua a própria palavra de Paulo: “Portanto, irmãos, vocês que receberam o chamado de Deus, vejam bem quem são vocês: entre vocês não há muitos intelectuais, nem muitos poderosos, nem muitos da alta sociedade. Mas Deus escolheu o que é loucura no mundo para confundir os sábios e Deus escolheu o que é fraqueza no mundo para confundir o que é forte” (1Cor 1,26-27). A maioria da comunidade de Corinto, portanto, era formada por pessoas das camadas mais modestas da sociedade. E nas outras comunidades? A coleta feita nas comunidades da Ásia Menor e Grécia em favor das comunidades da Palestina (At 11,29; 2Cor 8 – 9; Gl 2,10) leva a concluir que, na Palestina, predominavam os pobres e necessitados.
Foi a essas comunidades que Paulo deu o nome reservado à Assembléia dos cidadãos livres, portanto, da elite das cidades gregas: IGREJA. “Igreja, para Paulo, mais que uma determinada instituição, ou melhor, para além de seus necessários aspectos institucionais, é um processo, ao mesmo tempo invisível e visível, uma relação dinâmica que vai das comunidades ao povo de Deus. Essas nascem e vivem como pequenas células de energia do Espírito, cuja finalidade é fermentar a sociedade com novas relações para que, finalmente, os povos todos se tornem povo de Deus. A Igreja não é uma sociedade religiosa à parte, como tantas outras sociedades religiosas pode existir nos vários povos; ela é, antes de tudo, o processo missionário do Espírito pelo qual o Evangelho vai transformando o mundo, de modo que os povos se tornem povo de Deus, caiam os muros da separação e a guerra chegue ao fim pelo ‘reconhecimento ‘ universal (Ef 2).”
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