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A Segunda Carta à comunidade cristã de tessalônica, ou aos Tessalonicenses, não é uma carta autêntica de Paulo. Integra as Cartas dêutero-paulinas, isto é, atribuídas mas não escritas por Paulo Apóstolo. Isto significa que 2 Ts pertence à segunda geração cristã, quando Paulo já havia sido morto e seus discípulos levaram adiante o projeto missionário de Paulo.
Para isto, embora com adaptações, uma vez que davam respostas a novas perguntas e dificuldades que surgiam na caminhada das comunidades cristãs, os discípulos de Paulo redigiram vários textos em forma de cartas e um em forma de Evangelho. Deste a primeira parte apresenta a vida de Jesus (Lc) e a segunda parte, a vida das primeiras comunidades cristãs (At).
Chamamos a este período de era subapostólica. A 2 Ts é o primeiro escrito da escola paulina (isto é, do grupo formado por discípulos de Paulo) durante a era subapostólica. Ela está intimamente ligada a 1 Carta aos tessalonicenses.
A 2 Ts é uma carta breve e que responde, portanto, ao problema da parusia. O autor desfaz o entendimento errado de que a vinda de Jesus era eminente. Esse problema da vinda eminente, levou alguns discípulos a abandonarem toda a preocupação pela vida temporal, deixando de trabalhar. Essa situação é duramente advertida (cf. 2 Ts 3, 10). A Carta lembra que Paulo sempre fez questão de se sustentar pelo trabalho das próprias mãos (cf. 3,7-10)
A 2 Ts é atribuída a Paulo, Silvano e Timóteo (cf. 2Ts 1,1; 3,17). Mas provavelmente os autores foram Silvano e Timóteo ou discípulos deles. Dois motivos levam a essa hipótese:
1. O ensinamento de 2 Ts 2,1-12 se opõe ao de 1 Ts 4,13-5,11. Nas cartas autênticas de Paulo, ele nunca faz referência aos sinais precursores da parusia (ou vinda de Jesus) descritos em 2 Ts 2,1-12. A 1 Ts, escrita em 51 da e.C, anuncia a subida e imprevisível chegada da parusia. Quando a 2 Ts foi escrita (a partir dos anos 80 da e.C.), este retorno já se constituía em demora. Diante disto, a 2 Ts 2,1-12 afirma que o retorno do Senhor será precedido por sinais bem visíveis, adiando a volta de Jesus para um tempo indefinido. Os sinais precursores seriam o surgimento da apostasia, isto é, o abandono da fé, e a vinda do Anti-Cristo.
2. O vocabulário, o estilo e a estrutura das duas Cartas têm muitas semelhanças. A 2 Ts retoma frases inteiras da 1 Ts. Por ex.: 1 Ts 1,1-3 e 2 Ts 1,1-3. esta última teria sido escrita vários anos (no mínimo 30!) depois da primeira, com o objetivo de completar os ensinamentos desta sobre os acontecimentos dos últimos tempos.
O Local da redação da 2 Tessalonicenses foi a Ásia Menor ou a Macedônia, a partir dos anos 80 da era cristã.
O objetivo da 2 Ts: apresentar o cenário apocalíptico de 2 ,1-12. Responder às interrogações e às preocupações das comunidades que estranhavam que o Dia do Senhor não chegasse tão depressa, como se esperava quando foi escrita 1 Ts. Ajudar as comunidades a sobreviver e a se manterem firmes na fé.
Assunto da Segunda Tessalonicenses.
A carta recomenda que não se espere de braços cruzados a parusia de Jesus, mas que a fé seja ativa e a esperança não dispense a luta, o engajamento.
O autor da 2 Ts discorda com Paulo Apóstolo, redefinindo o prazo da vinda do Senhor. Esta Carta caracteriza-se pela resistência teimosa daqueles e daquelas que não se conformam com o “mistério da impiedade” (2 Ts 2,7) presente e atuante no meio de nós. Ela não tem, em absoluto, o objetivo de especular sobre o final da história.Quer estimular à resistência na certeza de que o “homem ímpio” (2,3) acabará sendo destruído pelo sopro da boca de Jesus. Não há esperança sem resistência, como não há resistência sem fé na vitória da justiça e da verdade.
Contexto da 2 Tessalonicenses.
Reflete uma situação posterior à 1 Ts, principalmente no que se refere à expectativa da parusia.
(Os primeiros cristãos, inclusive Paulo, acreditavam na vinda eminente de Cristo (1 Cor 7,29; 1 Ts 4,15-18)). Nos anos 80, todos os apóstolos já haviam morrido, e Jesus ainda não retornara. A Carta é escrita para esclarecer dúvidas sobre a demora.
Acima já foi dito da preocupação para que as pessoas não deixassem de trabalhar, devido à expectativa da parusia. O tema trabalho é uma das riquezas em ambas as cartas. Traz o sentido cristão do trabalho, o trabalho com as próprias mãos (1 Ts 4,11; 2 Ts 3,6-12). A Carta dignifica o valor do trabalho manual e rompe com o sistema escravagista romano.
- 1,1-2: Saudações;
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1,3-12: O justo juízo vem de Deus.
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2,1-3,15: Ensinamentos sobre a vinda do Senhor e conseqüências para a vida cristã:
2,1-12: a vinda do senhor e o combate final;
2,13-17: A comunidade não deve temer: firmeza na fé;
3,1-5: Solidariedade através da oração;
3,6-15: quem não quer trabalhar, que não coma.
3,16-18: saudações finais.
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