Liturgia Dominical
26º Domingo do Tempo Comum - A
Leia as outras homilias
Para enviar essa homilia automaticamente no FACEBOOK, clique no botão abaixo:
Você tem muitos amigos e envia e-mails para todos? Então você pode enviar essa homilia para todos seus amigos de uma única vez, basta copiar a url abaixo e colar em seu e-mail.
Para enviar manualmente, copie CTRL C o c�digo acima e cole CTRL V no mural ou mensagens de e-mails dos seus amigos:
Leia as outras homilias

"Senhor, tudo o que fizestes conosco, com razão o fizestes, pois pecamos contra vós e não obedecemos aos vossos mandamentos. Mas honrai o vosso nome, tratando-nos segundo vossa misericórdia"(Cf. Dn 3,31.29s.43-42).

O arrependimento que é colocado nesta celebração deste domingo, dentro do mês da Bíblia, nos leva a uma reflexão necessária: todo erro é anulado com o arrependimento, nos dando a oportunidade de ver nossa vida reaberta para a graça de Deus, para a construção de redes de comunidade, e mais do que tudo isso, para a vivência de nossa fé no bem do tempo de Deus, o tempo da graça, da misericórdia, da acolhida e da gratuidade porque somos conclamados a refletir sobre a misericórdia de Deus, porque TENDE EM VÓS OS MESMOS SENTIMENTOS DE JESUS CRISTO!

Meus irmãos e minhas irmãs,

A conversão e a graça são os temas da liturgia deste domingo, que de uma maneira paulatina se aproxima do final do ano litúrgico, desenhando como sempre a maior nitidez da perspectiva final. Na primeira leitura de hoje, tirada no livro de Ezequiel(cf. Ez 18,25-28) Deus se defende da acusação de injustiça. Acusação, por duas razões: quando um “justo” se transvia ele se pode perder e quando um malvado se converte, ele se salva. Ora, a lição desta perícope Jesus a expõe, uma vez mais, em forma de uma parábola, própria de Mateus: a parábola dos dois filhos do agricultor. O do “sim, senhor”, que não faz o que promete, e a do “não”, que se arrepende e faz, apesar de ter recusado. Qual dos dois faz o que o pai deseja? O último. Então, é este o “justo”, o que vai bem com Deus. E, para explicar mais uma vez que “os últimos serão os primeiros”, Jesus ensina aos “bons” – os fariseus – que os publicanos e as meretrizes lhes precederão no Reino de Deus. Pois estes acreditaram na pregação da penitência de João Batista, e se converteram. Eles não.

Irmãos e Irmãs,

Jesus Cristo não foi sim e depois não, mas sempre foi sim (Cf. 2Cor 1,19). A religião das aparências e a religião da responsabilidade é uma vertente de nossa reflexão neste domingo. A parábola de hoje encontra-se naquelas que Jesus fez na cidade santa, quando o diálogo se tornou duro e penoso. Todos nós somos chamados a trabalhar no Reino e pelo Reino de Deus. Os fariseus e os escribas dividiam os homens em duas classes: os que eles consideravam bons e os que eles consideravam maus. Ou seja: em santos e pecadores, nas categorias muito recontes nos dias de hoje. Bons eram aqueles que cumpriam formalmente as 366 leis judaicas; eram aqueles que faziam parte da elite, daqueles que tinham posses, daqueles que cumpriam rituais e não viviam a essência do projeto de Javé, o Salvador. Maus eram todos os outros, desde os gentios até os que exerciam profissões incompatíveis com os horários da prática da lei – como pastores e pescadores, por exemplo. A imensa maioria do povo estava nesta segunda classe, por serem os pobres e os excluídos.

Os dois filhos da parábola representam as duas classes sociais. A vinha é o que Jesus chamou de “Reino dos Céus”, ou seja, um modo de viver na presença de Deus. O dono deste Reino é Deus, que convida a ambos os filhos para adentrar neste Reino. A classe que se julgava eleita e santa diz “sim”. Mas é um “sim” formal, da boca para fora, sem gerar compromisso real. Não vai para a vinha. A outra classe, a dos pecadores, pelo pecado dizem “não”, mas se arrependem do pecado e vão para a vinha, isto é, aceitam Jesus e seus ensinamentos, se convertem e participam do novo povo de Deus, da nova vinha do Senhor, do seguimento do Senhor da Vida.

Jesus toma na parábola dois tipos de maus: as prostitutas, consideradas as pecadoras públicas, se pegas em flagrante; e o publicano, que era o cobrador de impostos, detestado pela elite, porque trabalhava para os romanos, povo opressor. Jesus se dirige tanto para uma classe como para outra classe.

Meus prezados irmãos,

Palavras e obras devem se cobrir, porque Jesus com esta parábola ataca frontalmente aqueles que seguem a religião dos rituais, formalistas, tradicionalistas, que não gera um compromisso interior, comunitário, pastoral, evangelizador. O fiel pode até no primeiro momento dizer não, mas depois com todo empenho se embrenha de corpo e alma na vivência do seguimento cristão, gerando compromisso e vivência pastoral.
Mateus como bom publicano que foi é o único a relatar esta parábola. Jesus defendia com esta parábola o seu comportamento misericordioso, que escandalizava, defendia os pobres e os doentes que o cercavam e condenava a atitude dos fariseus de dizer com a boca e não praticar com a vida. E a ambos convidava a trabalhar na vida, mediante a conversão, a mudança de vida, unindo fé e vida, vivência pastoral com compromisso com aqueles que vivem à margem da sociedade.

Jesus é o modelo da verdadeira religião, aquele que cumpriu plenamente à vontade do Pai morrendo na Cruz pela remissão de todo o gênero humano. Jesus se torna o verdadeiro modelo de cristão, cumprindo toda à vontade do Pai.

Na parábola apresentada por Jesus no Evangelho deste domingo, não chega dizer um “sim” inicial a Deus; mas é preciso que esse “sim” inicial se confirme, depois, num verdadeiro empenho na “vinha” do Senhor. Ou seja: não bastam palavras e declarações de boas intenções; é preciso viver antes e imediatamente, dia a dia, os valores do Evangelho, seguir Jesus nesse caminho de amor e de entrega que Ele percorreu, construir, com gestos concretos, um mundo de justiça, de bondade, de solidariedade, de perdão, de paz. Como me situo face a isto: sou um cristão “de senso demográfico”, que tem o nome nos livros da paróquia, nos censos do IBGE, ou sou um cristão “de fato”, que dia a dia procura acolher a novidade de Deus, perceber os seus desafios, responder aos seus apelos e colaborar com Ele na construção de uma nova terra, de justiça, de paz, de fraternidade, de felicidade para todos os homens?

Meus irmãos e irmãs,

A Segunda Leitura nos chama a uma profunda conversão, a recebermos em nós o espírito de Jesus Cristo que, em verdadeira obediência ao plano do amor do Pai, se esvaziou por nós, tomando a figura de escravo, do último dos homens. Se Jesus se esvaziou de sua justa grandeza, a glória divina, porque não nos esvaziaríamos de uma grandeza enganadora, a justiça que nos atribuímos aos nossos próprios olhos. Ou, de qualquer outra forma de grandeza passageira, como os bens materiais, a honra, a auto-suficiência, para sermos completamente doados aos nossos irmãos.

A Segunda Leitura(cf. Filipenses 2,1-11) é um verdadeiro cântico de louvor: “Tende em vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus. Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte e morte de cruz”(cf. Fl 2, 5-8).

Todos somos convidados a nos ajoelharmos no sacrário de nossas caminhadas para adorar a Jesus Cristo, modelo da autenticidade cristã e caminho seguro para o verdadeiro relacionamento com Deus, porque a obediência pode ser considerada como a sabedoria e a justiça. Obediência ao projeto da Salvação em Jesus Cristo, que por amor morreu na Cruz. Obediência que é amor gratuito, de conversão diária com a plena participação no mistério do Cristo, no mistério da Cruz Redentora, obediência salvadora que nos credencia para o Reino das Bem-Aventuranças.

 
 

xm732