Liturgia Dominical
Santíssima Trindade - A
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"O Espírito do Senhor encheu o universo; ele mantém unidas todas as coisas e conhece todas as línguas, aleluia!" (Cf. Sb 1,7).

Meus queridos irmãos,

A Solenidade de Pentecostes é a plenificação do Mistério Pascal: a comunhão com o Ressuscitado só é completa pelo dom do Espírito, que continua em nós a obra do Cristo e sua presença gloriosa. A liturgia deste domingo acentua a manifestação histórica do Espírito no milagre de Pentecostes – como anuncia a primeira leitura dos Atos dos Apóstolos(2,1-11) – e nos carismas da Igreja – como nos adverte a Segunda Leitura retirada da Primeira Carta de São Paulo Apóstolo aos Coríntios(1Cor 12,3b-7,12-13)-, sinais da unidade e da paz que o Cristo veio trazer. Isto, porque a pregação dos apóstolos, anunciando o Ressuscitado, supera a divisão de raças e línguas, e porque a diversidade de dons na Santa Igreja serve para a edificação do povo unido, o Corpo do qual Cristo é a cabeça. Ambos estes temas podem alimentar a reflexão de hoje.

Estimados Irmãos,

Pentecostes significa cinqüenta dias depois da Páscoa. Páscoa que já era para os judeus a festa da libertação. Pentecostes era para os judeus a festa do término da colheita, e por isso tinha um sentido de agradecimento, de alegria pela abundância dos celeiros. Com o decorrer do tempo a Festa de Pentecostes passou a comemorar a promulgação da Lei Mosaica. Por isso, para esta festa acorriam a Jerusalém muitos peregrinos, para agradecer nesse dia a aliança de Deus com a humanidade, com o povo eleito, por isso um dia de abundância de frutos, para enviar da parte do Pai o Espírito Santo, como coroação de sua obra na terra e como garantia da continuidade de sua ação salvadora.

Com a Ressurreição do Cristo, a Páscoa, a Ascensão e Pentecostes são três tempos de um mesmo mistério: o mistério do Cristo Ressuscitado, que acontece historicamente na Páscoa, se confirma na glória da Ascensão e chega à plenitude na descida do Espírito Santo sobre os apóstolos, constituindo-os em novo povo de Deus, a comunidade cristã.

O Espírito Santo que um dia baixou sobre Nossa Senhora e, com ela, gerou o Filho do Deus Salvador. Mais tarde, desceu sobre o Cristo adulto e o levou a transformar o deserto da humanidade em família de Deus. E, no dia de Pentecostes, desceu sobre os apóstolos para lhes dar a “força de serem as testemunhas de Jesus até os confins da terra” (Cf. At 1,8), construindo a comunidade de fé dos cristãos, refazendo as sementes da esperança da humanidade e congregando os homens no amor fraterno. Pentecostes é a festa do Divino Espírito Santo. Pentecostes é a festa da Igreja divina e humana, santa e pecadora, eterna e temporal, corpo místico do Cristo, formado e vivificado pelo Espírito de Deus.

Estimados Irmãos,
        
A Primeira Leitura – retirada dos Atos dos Apóstolos – nos dá uma verdadeira dimensão da festa de hoje: que o Espírito Santo estaria acompanhando, rezando, abençoando e santificando as testemunhas da Ressurreição, os Apóstolos, que tinham a missão de conduzir a Igreja pelo mundo. E, assim, no Evangelho de hoje, Jesus sopra sobre os apóstolos o Espírito Santo e com Ele lhes dá o poder de recriar o mundo – quem perdoa pecados, salva; quem salva, refaz, recria a criatura renovada pelo perdão de suas faltas.

Pentecostes poderia ser um novo mundo sendo recriado, porque Jesus, com um sopro divino: “Envias teu sopro e tudo é recriado; tu renovas a face da terra!” Como a palavra “sopro” e a palavra “Espírito” têm o mesmo significado, o verso passou a ser uma oração de invocação ao Espírito Santo: “Enviai, Senhor, o vosso Espírito e tudo será recriado, e renovareis a face da terra”. Pentecostes é renovação, é recriação. Sobretudo recriação da criatura humana.
        
Irmãos,

Celebramos hoje os dons da Páscoa: primeiro o próprio Ressuscitado, o Redentor e Salvador. Jesus venceu a morte e anunciou a vida plena. Vida plena que gera o segundo dom da Páscoa: a Paz, ou seja, o retorno do equilíbrio no coração da criatura humana, com a dimensão da confiança e da humildade para com Deus; com a dimensão para o próprio eu, o ser íntimo da pessoa, confortado pela certeza de não ter sido enganado e impelido pela esperança; e com a dimensão para os outros, com quem pode criar comunidade e repartir a alegria da caminhada para o céu.

Paz que é vivida a partir da dimensão do perdão, da acolhida do diferente, por isso o próprio Cristo nos anuncia a Paz: A Paz esteja convosco! E a nossa resposta deve ser: O AMOR DE CRISTO NOS UNIU!  

Paz que vem do perdão, nascido da fé, que é enriquecido pela esperança e pela caridade!

O terceiro dom da Páscoa é o Envio. Jesus nos santifica pelo Batismo e nos envia para a missão, para sermos seus discípulos-missionários. Vencido o pecado e vencida a morte, Jesus reparte com os apóstolos a missão de salvar, enviando seus discípulos para anunciar o Evangelho a todos os povos, convertendo-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. E os apóstolos e discípulos, tendo recebido o poder de ligar e de desligar, até o Juízo final, tem a faculdade de perdoar, em nome do Cristo, os pecados e ligar a amizade com o Salvador.

O quarto dom da Páscoa é o ESPÍRITO SANTO, ou seja, o Paráclito, ou ainda, o ADVOGADO seu e dos Apóstolos. Dele, porque haveria de fazer os apóstolos compreenderem o mistério de sua pessoa e de sua missão. Dos apóstolos, porque  lhes daria a coragem e a lucidez de serem as testemunhas da Ressurreição e do Reino de Deus na terra. O Espírito Santo que é o advogado da Igreja, já que a Igreja tem Jesus como cabeça, e como corpo, os discípulos do Senhor. A Igreja celebra a festa de Pentecostes como a data de sua instituição solene.

Que Deus nos ajude a pedir os dons do Espírito Santo, Advogado da Igreja e nosso advogado. Que Deus nos ajude a assimilar os dons da SABEDORIA, da INTELIGÊNCIA, do CONSELHO, da FORTALEZA, da CIÊNCIA, do TEMOR e da PIEDADE.

Estimados Irmãos,

Junto com Pentecostes celebramos o dia em que se homenageia as Mães. As Mães que nos precedem na Casa do Pai, a nossa oração de gratidão e de ação de graças. As Mães que caminham conosco e que nos deram o tesouro da fé junto com o dom da vida, queremos beijar as suas sacrossantas mãos e dizer, Mamãe, muito obrigado, eu te amo!

Que nesta solenidade recordemos o sacramento da crisma em que recebemos. Rendo um pleito de gratidão ao meu amado bispo diocesano, que me crismou na Paróquia Santa Rita, em Boa Esperança. Ao saudoso Dom Aloísio Roque Oppermann, SCJ, a minha gratidão por me tornar maduro na fé, fazendo-me anunciador da plenitude dos dons do Espírito Santo.

O coração humano precisa da Fortaleza de Deus para suportar as dificuldades da vida; da Piedade e do Temor de Deus para reconhecer com respeito e abertura de coração ao amor do Pai; do Conselho, para transmitir palavras de conforto; da Ciência para bem utilizarem a inteligência que cada um traz como dom indispensável para a promoção do bem na continuidade da obra criadora de Deus; da Sabedoria, para viver a vida de acordo com a vontade de Deus; do Entendimento, para que saibamos discernir os caminhos de Deus na história.

Em cada solenidade de Pentecostes, a Santa Igreja reaviva o Espírito que nos foi dado como dom de Deus. Assim, reanimados e fortalecidos, seremos fecundos na gestação do Reino de Deus, levando à plenitude a vida nova recebida pela fé e pelo Batismo. O Espírito Santo quer ser invocado. Por isso, a Liturgia de Pentecostes exclama: “Enviai, Senhor, o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da Terra!” Amém!

 
 

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