| 5º Domingo do Tempo Comum - A |
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"Entrai, inclinai-vos e prostai-vos: adoremos o Senhor que nos criou, pois ele é o nosso Deus". (Cf. Sl. 94,6s).
Meus queridos Irmãos,
O Evangelho deste domingo é uma continuação do Sermão da Montanha, conforme Mateus, declarando que os que escutam e aceitam a Palavra de Jesus Cristo são sal da terra e a luz do mundo. Os autênticos e verdadeiros discípulos dão cor e sabor a este mundo. Mas quando perdem estas qualidades, também não prestam para mais nada.
A Primeira Leitura oferece um exemplo daquilo que os ouvintes de Jesus, acostumados aos textos do Antigo Testamento, ouviam ressoar nos seus ouvidos ao escutarem tais explicações: “Quando repartes teu pão com o faminto e concedes hospedagem ao pobre, então, tua luz surge como a aurora, tua justiça caminha diante de ti... Se expulsas de tua casa a opressão e sacias o oprimido, então surge tua luz nas trevas e tua escuridão resplandece como o pleno dia”(Cf. Is 58, 6a.7-10).
Assim poderíamos perguntar o que dá sabor e cor à vida? Não é, de maneira alguma, como muitos pensam, o prazer, a ostentação, o luxo; nem mesmo o progresso ou a erudição intelectual; nem mesmo a arte, a música e, muito menos a filosofia. O que oferece cor à vida é ocupar-se dos pobres, dos pequenos, dos lascados, daqueles que "vivem nas periferias existenciais", como nos dá testemunho o Bispo de Roma, o Santo Padre Francisco.
Para os sábios deste mundo, Jesus tem um grande mau gosto! Para Jesus, dar cor e sabor a vida é ocupar-se com o fraco, o impotente, que aos olhos de Deus vale tanto e mais do que o forte. O pequeno, que merece atenção maior, porque não sabe se defender. Uma boa mãe não dedica atenção especial aos filhos mais fracos e desvalidos? Dar cor e sabor a vida não é eliminar o que é fraco, mas abrir espaço para todos os seres queridos por Deus.
Amados Irmãos,
As bem-aventuranças são a estrada a caminhar, ou o campo a cultivar. O ser sal, luz, sinal – as três imagens do Evangelho de hoje – são as conseqüências quase diria, são a colheita de quem plantou no campo das bem-aventuranças. Para ser sal ou um sinal é preciso antes termos assimilado, encarnado as bem-aventuranças.
Três imagens permeam a liturgia de hoje: O SER SAL, LUZ E SINAL. Não são símbolos novos para a vida do judeu. O sal era usado no culto(Cf. Lv 2,13). A Luz perpassa a Sagrada Escritura como “vestimenta de Deus” e era o símbolo da presença do Senhor. Com os três sinais, Deus mostra uma bela pintura em que esta colocada o retrato da pessoa perfeita como o Pai do Céu.
O sal nos recorda três qualidades essenciais para a vida do cristão: A primeira qualidade é a pureza. O sal como que nasce do mar e do sol, dois elementos puros, que se impõem por si mesmos. O tema da pureza esta em toda a Sagrada Escritura: pureza de intenções, pureza de ações, pureza de culto. A criatura perfeita tem uma palavra só: a sinceridade amanhece e anoitece no seu pensamento; a lealdade se espelha em todas as decisões; a honestidade lhe esta tão pegada como a carne aos ossos. A segunda qualidade do sal é o preservar.
Preserva tudo quanto envolve. A criatura bem-aventurada devera ser como o sal: dentro da sociedade será quem conservará sempre intactas as qualidades próprias do cidadão do Reino, entre as quais a piedade genuína, a bondade de coração, a compreensão para com todos, o perdão sem condições, o amor fraterno e o espírito da paz. A terceira qualidade do sal é o dar gosto. Como o sal tempera as coisas, a criatura bem-aventurada dará a sociedade o gosto pelas coisas de Deus, que a Sagrada Escritura chama de “SABEDORIA”. O gosto pela presença de Deus implica necessariamente o gosto pela vida, pela verdadeira vida, que é sempre divina na origem, humana no tempo presente, e divino-humana em seu destino.
Estimados Irmãos,
A segunda imagem da liturgia de hoje é a LUZ DO MUNDO. Repete o sinal do sal e engrandece o mesmo sinal sobremaneira. A luz que clareia. A luz que ilumina. A luz que é necessária para a nossa sobrevivência. Nada vive ou cresce no escuro. E Cristo sabe disso porque Ele disse: “Eu sou a luz do mundo” (Cf. Jo 8,12).
A luz que iluminou os hebreus no exílio e na volta para a terra prometida, demonstra a presença de Deus na humanidade, o Deus vivo, dador da vida, que indica o caminho correto a trilhar. A pessoa bem-aventurada é luz para a humanidade. Mostrar a beleza das criaturas, fecunda e vivifica tudo, e é salvação para a humanidade. O bem aventurado é chamado de “filho da luz” por São Paulo(Cf. 1 Ts 5,5). Jesus é a luz do mundo. Mas pede a cada um de nós que sejamos na nossa casa, no trabalho, na sociedade e na Igreja o sinal desta luz admirável e santificadora.
Meus caros irmãos,
A terceira imagem é a da cidade sobre o monte. Garantia de segurança sempre foi o motivo de se construir sobre o monte. O Bem Aventurado esta protegido como uma cidade sobre o monte. Podem vir às tribulações, tempestades, atentados, sofrimentos, e até a morte e morte de Cruz num calvário. Nada o perturba. Ninguém o aprisiona. Goza da verdadeira liberdade. Ele esta em Deus, a segurança absoluta e o santo refugio. E estando em Deus e com Deus, o homem bem-aventurado se torna segurança para os seus, para os que convivem com ele.
Queridos irmãos,
São Paulo é apresentado, pela segunda leitura de hoje(cf. 1Cor 2,1-5) como modelo perfeito de discípulo, que vivendo o Evangelho, se torna "sal e luz" no mundo.
O povo de Corinto brilhava pela sua sabedoria e eloquência. Mais era um projeto meramente humano, tendo em vista que a sabedoria divina se revela nos que se deixam conduzir por ele, como é o caso do Apóstolo das gentes.
Paulo, prega pela força santificante do Divino Espírito Santo, que o introduz no mistério, no divino, no itinerário de Deus.
O caminho que Paulo prega para se chegar a Jesus não é o caminho do poder, nem do prestígio e nem muito menos da sabedoria humana. O caminho de Paulo é o do abandonar-se, profundamente, em Deus.
Amados Irmãos,
Procuremos viver as bem-aventuranças com autenticidade porque se abrem, assim os portais da terra e do universo, alargando os horizontes do céu. A criatura humana que, no máximo, podia-se imaginar uma candeia, toma as dimensões de sol, que nasce por sobre a montanha e ilumina encostas e planícies: a luz do mundo. Desejemos pois a cidade sobre o monte, a Jerusalém Celeste, extasiante, santa e inesquecível. Assim todos desejarão conhecê-la, amá-la e vivê-la plenamente.
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