Liturgia Dominical
Santa Maria Mãe de Deus - A
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"Salve, ó santa mãe de Deus, vós destes à luz o rei que governa o céu e a terra pelos séculos eternos"(Sedúlio).

Meus queridos irmãos,

No dia de hoje iniciamos mais um ano civil. E, reverentemente, vamos agradecer a Mãe de Deus, a Bem Aventurada Virgem Maria por nos ter dado um imenso presente que é o Salvador: “Hoje surgiu a luz para o mundo!”.

Toda a liturgia de hoje canta a chamada “cidadania” de Jesus: seu nome, a sua identidade, o seu lugar na sociedade humana. O essencial em qualquer carteira de identidade é o nome. Identifica a pessoa no meio da massa, e diz também como se pode “chamar” ou “nomear”, bem como, interpelar, pedir a contribuição desta pessoa, e por aí adiante. O nome individualiza a pessoa, as também a socializa.

Assim, na Segunda Leitura da Carta de São Paulo aos cristãos de Gálatas, contemplamos os dois cenários de inserção de Jesus na sociedade humana: nasceu de mulher, membro da família humana; e nasceu sujeito à lei, cidadão de uma comunidade política e religiosa. E, concretamente, assumindo a lei de uma comunidade Jesus é o verdadeiro representante da humanidade.

Estimados Irmãos,

Hoje somos convidados, uma vez mais, a olharmos para a Bem Aventurada Virgem Maria, encerrando a semana do Natal. E contemplamos a maternidade de Nossa Senhora no início do novo ano civil, para assinalar a grande novidade que Maria, por obra e graça do Espírito Santo, nos trouxe: ela fora o instrumento de Deus para dar ao mundo o Salvador e Redentor Jesus.

A humanidade está toda representada no Evangelho de hoje pelos Pastores(Cf. Lc 2, 16), criaturas pecadores, pobres e necessitadas, a quem, em primeiro lugar, veio Nosso Senhor Jesus. Os pastores vão ver a quem na gruta? O Filho de Maria, Maria sem o Filho seria apenas mais uma das mil Marias. Com o Filho, é a bendita entre todas as mulheres, a sem mancha. A mulher que mais agradou aos olhos do Pai do Céu e a quem o Pai, na sua imensa misericórdia, bondade e mansidão, mais enriqueceu de qualidades, conforme cantou o Anjo Gabriel: “Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor está contigo”(Cf. Lc 1,28).

Estimados amigos,

Maria guardava as maravilhas do Menino Deus. Maria transformava estas maravilhas em comportamento de vida, em fé prática, orante. Maria vivenciava a grandeza do mistério que estava diante de seus olhos. Maria, ao dar o seu FIAT, o seu SIM, assimilou tudo de tal maneira que caminhou até a cruz com o Filho, em total sintonia com a grande vontade do PAI, que era cumprir a missão de a todos salvar do pecado.

O Evangelho de hoje nos fala da “circuncisão”(Cf. Lc 2, 21) do Menino. Isso vem simbolizar não a aliança humana, mas a aliança para a vida eterna que Jesus vem fazer com a humanidade pela sua encarnação e redenção. Jesus foi circuncidado para demonstrar que era um menino como os muitos meninos de seu tempo. Circuncisão que demonstrava a pertença ao povo hebreu. Circuncisão que demonstrava que o menino era um aliado de Deus.

Jesus, o Deus que Salva, fez a aliança com Deus e com a humanidade, uma nova e eterna aliança, para a eternidade.  Maria não foi, assim, somente a Mãe do Redentor. Mas ela transformou-se na protagonista, na predestinada desde a eternidade, Mãe do próprio Redentor, a generosa companheira, a humilde serva do Senhor, a mãe, na ordem da graça, de todos os seres humanos. Enfim, Maria é a Mãe de Deus, a Mãe da Igreja e a Mãe de todos os viventes.

Estimados Irmãos,

Junto com esta solenidade comemoramos o dia da Paz. Por isso rezamos com entusiasmo a benção que a primeira leitura nos ensina retirada do livro dos Números: “Que Deus te abençõe e te guarde! Que Deus lhe mostre o seu rosto e tenha piedade de vós! Que Deus lhe mostre a sua face e se compadeça de vós!”(Cf. Nm 6,22-26). É esta benção que queremos para toda a família humana, especialmente aos cristãos e aos homens e mulheres de boa vontade.

Se Maria é a Mãe de todos os redimidos nos recorda a nossa condição de irmãos. Nesse sentido o Sumo Pontífice Francisco, na sua primeira mensagem pelo dia da Paz, chama a atenção da FRATERNIDADE, FUNDAMENTO E CAMINHO PARA A PAZ.

Ensina o Bispo de Roma que: "Surge espontaneamente a pergunta: poderão um dia os homens e as mulheres deste mundo corresponder plenamente ao anseio de fraternidade, gravado neles por Deus Pai? Conseguirão, meramente com as suas forças, vencer a indiferença, o egoísmo e o ódio, aceitar as legítimas diferenças que caracterizam os irmãos e as irmãs? Parafraseando as palavras do Senhor Jesus, poderemos sintetizar assim a resposta que Ele nos dá: dado que há um só Pai, que é Deus, vós sois todos irmãos (cf. Mt 23, 8-9).

A raiz da fraternidade está contida na paternidade de Deus. Não se trata de uma paternidade genérica, indistinta e historicamente ineficaz, mas do amor pessoal, solícito e extraordinariamente concreto de Deus por cada um dos homens (cf. Mt 6, 25-30).

Trata-se, por conseguinte, de uma paternidade eficazmente geradora de fraternidade, porque o amor de Deus, quando é acolhido, torna-se no mais admirável agente de transformação da vida e das relações com o outro, abrindo os seres humanos à solidariedade e à partilha ativa. Em particular, a fraternidade humana foi regenerada em e por Jesus Cristo, com a sua morte e ressurreição. A cruz é o "lugar" definitivo de fundação da fraternidade que os homens, por si sós, não são capazes de gerar. Jesus Cristo, que assumiu a natureza humana para a redimir, amando o Pai até à morte e morte de cruz (cf. Fl 2, 8), por meio da sua ressurreição constitui-nos como humanidade nova, em plena comunhão com a vontade de Deus, com o seu projeto, que inclui a realização plena da vocação à fraternidade. Jesus retoma o projeto inicial do Pai, reconhecendo-Lhe a primazia sobre todas as coisas.

Mas Cristo, com o seu abandono até à morte por amor do Pai, torna-Se princípio novo e definitivo de todos nós, chamados a reconhecer-nos n’Ele como irmãos, porque filhos do mesmo Pai. Ele é a própria Aliança, o espaço pessoal da reconciliação do homem com Deus e dos irmãos entre si. Na morte de Jesus na cruz, ficou superada também a separação entre os povos, entre o povo da Aliança e o povo dos Gentios, privado de esperança porque permanecera até então alheio aos pactos da Promessa.

Como se lê na Carta aos Efésios, Jesus Cristo é Aquele que reconcilia em Si todos os homens. Ele é a paz, porque, dos dois povos, fez um só, derrubando o muro de separação que os dividia, ou seja, a inimizade. Criou em Si mesmo um só povo, um só homem novo, uma só humanidade nova (cf. 2,14-16).

Assim, queridos amigos, a paz trazida por Cristo, mas sempre de novo buscada e desejada pelos homens e mulheres só poderá ser encontrada somente quando a humanidade se reconciliar com Deus com o próximo e com toda a criação por Cristo e em Cristo. E tudo isso deve passar pela ternura e pela presença terna e amorosa da Virgem da Boa Esperança, Amém!

 
 

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