Liturgia Dominical
19º Domingo do Tempo Comum – C
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
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"Considerai, Senhor, vossa aliança, e não abandoneis para sempre o vosso povo. Levantai-vos, Senhor, defendei vossa causa e não desprezeis o clamor de quem vos busca"(Cf. Sl 73,20.19.22.23)

Meus queridos Irmãos,

Este domingo é repleto de significado para a vida da Igreja de Cristo: celebramos o dia dos pais. Os nossos venerandos pais, vivos e abrilhantando a nossa vida de encantamento e de felicidade espiritual com a sua presença que é um presente da misericórdia de Deus para todos nós, e os pais já chamados para a presença santíssima do Pai do Céu gozando das misericórdias eternais. Junto com esta delicada recordação de nossos pais iniciamos, na Igreja que peregrina no Brasil, a Semana Nacional da Família, que em consonância com o projeto pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil tem como tema: “Transmissão e educação da fé cristã na família”. Que doce felicidade contemplarmos a Santíssima Trindade no seio aconchegante de nossas famílias aonde todos nós somos convidados a ver Jesus Caminho, Verdade e Vida.

Meus caros irmãos,

A Primeira Leitura (cf. Sb 18,6-9) nos apresenta a vigilância de Israel na noite da libertação. O trecho do livro da Sabedoria, no capítulo 10,19 descreve a atuação da divina Sabedoria na história de Israel. Na noite do Exodo, ela castigou o Egito pela morte dos primogênitos; foi o juízo de Deus, para salvar Israel. Os pais prepararam-se para essa noite; era a noite da vigilância, em que eles no escondido celebravam Javé. Tal vigilância e fidelidade é tarefa para todas as gerações, até a libertação final.

A Segunda Leitura (cf. Hb 11,1-2.8-19) ensina que a fé é a esperança daquilo que não se vê. Os capítulos 11-12 da Carta aos Hebreus é dedicado ao tema da fé. Esta fé olha para o futuro, como a de Abraaão, como a dos israelitas no tempo do Exodo, como a do discípulo que espera a vinda do Senhor: é esperança. Não deixa o homem instalar-se no presente. Esse mundo não é o termo de seu caminho. Deus preparou uma pátria melhor. O cristão é um estrangeiro neste mundo. Leva este mundo a sério, exatamente no fato de ficar livre diante dele.

Irmãos e Irmãs,

São Lucas nos faz contemplar no Evangelho que hoje refletimos sobre a nossa vida em sua dimensão verdadeira. O ambiente lucano era permeado pelo mercantilismo do Império Romano. Assim, Lucas contempla constantemente o mal causado pelas falsas ilusões de riqueza e bem-estar, além do escândalo da fome e da miséria (cf Lc 16,19-31).

O ambiente histórico é o mesmo de ontem e de hoje, sem muita diferença, por isso o Evangelho é atualíssimo em todos os tempos e em todas as realidades históricas e sociais.

O Evangelho nos ensina a Vigilância, viver para aquilo que realmente é DEFINITIVO. Temos que ficar vigilantes diante das ilusões vãs. A vigilância é uma atitude bíblica, desde a noite da libertação do povo hebreu da escravidão no Egito, quando o anjo exterminador visitou as casas dos egípcios, enquanto os israelitas, de pé, cajado na mão, celebravam Javé pela refeição pascal, prontos para seguir seu único Senhor, que os conduziria através do Mar Vermelho até o deserto, conforme nos ensina a Primeira Leitura.

A vigilância é, assim também, a atitude do cristão, que espera a volta do seu Senhor, que encontrando seus servos a vigiar, os fará sentar à mesa e os servirá. Pois já fez uma vez assim. Jesus é o Senhor Servo.

Meus caros amigos,

Jesus continua a propor as qualidades que o discípulo deve ter para morrer e ressuscitar com Ele em Jerusalém. Jesus faz uma consoladora promessa: “Não tenhais medo: o Pai dar-vos-á o Reino!” (cf. Lc 12,32).  Mas para ganhar o Reino de Deus é necessário deixar tudo para trás e abraçar o Reino como o único tesouro da vida (cf. Lc 12,34).

Para entrar no Reino de Deus é necessário esvaziar o coração dos bens materiais, de tudo o que desperta ganância, avareza e ansiedades. Quando a Sagrada Escritura fala em “coração puro”, entende, em primeiro plano, um coração livre, desapegado de interesses, de tudo o que amarra e totalmente aberto e voltado para Deus.

O ser humano tem a triste tendência em correr ao encontro dos bens materiais. Assim o Evangelho nos ensina que devemos caminhar acordados, conscientes, com atenção, na firme certeza de que não estamos trabalhando em vão: o Senhor virá ao nosso encontro, Ele está no meio de nós!

A vigilância é um tema muito caro na Sagrada Escritura. Vigiar significa, em seu sentido próprio, renunciar ao sono da noite. Pode ser para prolongar o trabalho ou para evitar ser apanhado de surpresa por um inimigo. Os pastores conheciam bem este último significado, porque ficavam acordados para espantar os lobos que quisessem aproximar-se do rebanho. A partir deste primeiro sentido, nasceu o segundo: ficar atento, lutar contra a tentação da negligência e do desânimo, e, por conseguinte, ter paciência e ser fiel.

Jesus ensinou que o ladrão chega escondido e imprevistamente, o patrão que pode voltar para casa a qualquer hora, o pai de família desvelado, o servo fiel, as moças prudentes.
           
Irmãos e Irmãs,

Jesus dá três exemplos no Evangelho de hoje: a do porteiro, a do ladrão e a do administrador. O patrão que volta da festa do casamento lembra a parábola das moças vigilantes, a do porteiro é parecida com a parábola contada por Marcos 13,33-27. A parábola do administrador é contada também por Mt 24,42-51. A figura do Senhor que chega como um ladrão encontramo-la também em 1Ts 5,2; 2Pd 3,10 e Ap 3,3.

Para nós fica claro que o discípulo não pode se comportar como patrão e dono das coisas e das situações. O discípulo é um administrador dos bens que Deus, o verdadeiro patrão, lhe confiou. Bens materiais, sim, mas, sobretudo, os bens espirituais trazidos pelo Cristo e, acima de tudo, o bem dos bens: o próprio Cristo Senhor. A referência à distribuição da “porção do trigo” lembra José do Egito, homem prudente, grande e fiel administrador, que salvara o povo da fome e da morte. Mas, por outro lado, também, há uma referência as palavras de Jesus: “Eu sou o pão da vida descido do céu: quem dele comer não morrerá” (cf Jo 6,48-49). Desse Cristo vivo o discípulo será o administrador responsável. Ninguém tem o Cristo para si. O Cristo deve ser distribuído como se distribuiu o pão aos pobres e desvalidos.

Irmãos e Irmãs,

A segunda leitura nos fala da fé. A fé é como que possuir antecipadamente aquilo que se espera; é uma intuição daquilo que não se vê. Com esta definição é claramente enunciado o teor escatológico da fé. O sentido original da fé não é a adesão da razão a verdades inacessíveis, mas o engajamento da existência naquilo que não é visível e palpável, porém tão real que possa absorver o mais profundo do meu ser. Hebreus cita toda uma lista de exemplos desta fé, pessoas que se empenharam por aquilo que não se enxergava. A fé, baseada na realidade definitiva que se revelou na ressurreição de Cristo, nos dá a firmeza necessária para abandonar tudo em prol da realização última – a razão de nosso existir.

Caríssimos Pais,

A Igreja no Brasil celebra hoje o seu dia. Anônimos ou famosos, pobres ou ricos, empregados ou desempregados, livres ou aprisionados vós sois a grandeza da família cristã. Sigam em tudo o exemplo de São José, o homem mais justo que é exemplo do Pai de Família perfeito, amando a Virgem com o amor que todos os esposos devem dedicar as suas esposas e educando Jesus como os pais devem educar os seus filhos, em tudo imprimindo o AMOR, o SERVIÇO, a CARIDADE e a JUSTIÇA.

Assim, senhores pais e queridos irmãos, o verdadeiro tesouro que não lhes será tirado, é o Reino dos céus. A maneira de acumular um tesouro, que permanece, é assumir a atitude de vigilância, para perceber quando e como o Senhor está chegando, para colocar-se sempre a seu serviço. Então o Senhor os servirá. Já terão a recompensa neste mundo: o Senhor os constituirá sobre todos os seus bens; é a participação nos bens do Reino. Tudo isso é celebrado na Eucaristia. Amém!

 
 

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