Liturgia Dominical
12º Domingo do Tempo Comum – C
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
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"O Senhor é a força de seu povo, fortaleza e salvação do seu ungido. Salvai, Senhor, vosso povo, abençoai vossa herança e governai para sempre os vossos servos"(cf. Sl 27,8s).


Meus queridos Irmãos,

Na liturgia de hoje nós refletimos que Jesus vive um dos seus grandes momentos de intimidade com Deus, talvez refletindo sobre o sentido dos sinais messiânicos que lhe é dado fazer. Quer conscientizar seus discípulos daquilo que o Pai lhe faz ver. Pergunta quem, na opinião dos homens, ele é; e, depois de respostas aproximativas, que poderia ser João Batista ou Elias, pergunta também por quem os discípulos o têm. Pedro se torna porta-voz dos seus companheiros e diz: “Tu és o messias de Deus”. Jesus manda Pedro guardar esta intuição para si e explica por quê: o Filho do Homem deve sofrer e morrer, mas também ser ressuscitado. O povo ainda não entenderia isso. Só o entenderão depois de o ter transpassado, o que não deixa de ser mais um cumprimento das Escrituras, ou seja, da estranha lógica de Deus. Pois Jesus é o ponto final e a plenitude de toda uma linhagem de profetas rejeitados, messias assassinados, e de todos os servos e pobres de Deus. A pedagogia de Deus, que consiste em converter o homem não pela força, mas pelo exemplo do amor até o fim, atinge a plenitude em Jesus de Nazaré.

Caros irmãos,

Na Primeira Leitura(cf. Zc 12,10-11) não se sabe quem foi, historicamente, o “transpassado” de Zacarias 12. Foi um profeta, um “pastor”. Foi um mártir: sua morte significou uma catástrofe para o povo, mas também um novo início, conversão e volta a Deus. A liturgia de hoje relaciona este texto com a predição da Paixão de Jesus. Infundindo um espírito de graça e de consolação fará com que os habitantes de Jerusalém se arrependam contemplando "aquele a quem transpassaram" e o corem tanto quanto por um primogênito. A era da salvação depende, pois, de um sofrimento e morte misteriosa, comparável à do Servo.

Na Segunda Leitura(cf. Gl. 3,26-29) observamos a superação de todas as discriminações em Cristo. Jesus é o fim da Lei. Nele se cumpre a promessa feita a Abraão. Nele são benditos todos os povos da terra, judeus e gentios: “todos” pela fé e o batismo, tornam-se semelhantes ao Filho, sendo eles mesmos filhos e co-herdeiros. Todas as diferenças tornam-se irrelevantes. Só o Cristo importa. Na comunhão em Cristo, já começam a desfazer-se as diferenças que dividem os homens. Jesus sabe que a fidelidade a esta decisão, de realizar o plano do Pai, num mundo dominado pelo pecado, lhe causará muito sofrimento, a recusa da parte do poder de então, por isso aceita livremente esta consequência da sua decisão, para não trair o amor fiel ao Pai e ao homem.

Irmãos e Irmãs,

Naquele tempo comentava-se que Jesus provinha de família pobre, que não fizera estudos especializados, mas ensinava coisas sábias, cheias de sentido, e com autoridade. Havia quem o julgasse um demagogo, outros um agitador. Na verdade, entretanto, ele fugia dos aplausos políticos. Alguns o acusavam de contestar o domínio romano sobre o país, mas Jesus mandara dar a César o que era de César. Outras viam nela a força do príncipe dos demônios, mas Jesus dava prova de santidade, incompatível com o mal. Acusavam-no de não observar o sábado, nem os jejuns prescritos, de comer com pecadores públicos. Então Jesus veio abolir todo este rigorismo, ou jurisdicismo para anunciar a vida plena, a salvação pela conversão e pela mudança de vida.

O comportamento de Cristo no Evangelho de hoje(cf. Lc. 9,18-24) deve ser o comportamento dos homens e das mulheres que seguem o Ressuscitado: a atitude de conversão, de mudança de vida e de busca da santidade. Os Apóstolos que conviviam com Jesus sabiam que ele era homem como eles, mas envolto em mistério. E o mistério tinha a ver com o divino. Todos conheciam a família de Jesus, mas suas palavra era maior que a doutrina dos rabis. Pedro expressou o que eles pensavam: era o Cristo, o enviado de Deus. Era preciso, aos poucos, que eles se convencessem de que o Cristo, o ungido de Deus, viera para restaurar a integridade das criaturas humanas, manchadas e fragmentadas pelo pecado. Era o Cordeiro de Deus que viera tirar o pecado do mundo e cumpriria essa missão, deixando-se pregar numa cruz. Sua morte, longe de ser um fim, tornar-se-ia fonte de graça sobre graça. Era a luz do mundo. Era o Filho de Deus vivo com poder de dar a vida divina a quantos nele acreditassem.

Meus queridos Irmãos,

Porque Jesus pediu a Pedro que não revelasse que Jesus era o Messias, o Cristo esperado? Isso porque o conceito de Messias, tanto na cabeça do povo quanto na cabeça dos doze apóstolos estava intimamente ligado à idéia do restabelecimento do Reino de Israel, como o único povo de Deus, plantando no coração do mundo. E o povo andava convencido de que isso só poderia acontecer através de uma revolução armada. Jesus precisava mudar esta mentalidade, porque o seu reino não era deste mundo, e era e é o Reino da paz, da partilha, da misericórdia, da acolhida, do perdão e do amor.

Jesus não podia morrer antes da hora, por isso era preciso calar a Pedro e seus companheiros. Deveriam primeiro ser testemunhas do ministério de Cristo, de seus ensinamentos, dentro de uma missão de retiro, um período de humildade e reclusão. O Cristo Ressuscitado é que é o Senhor. Páscoa que ele revela a plenitude de sua divindade salvadora.

Irmãos e Irmãs,

O MESSIAS se revela pelo sofrimento da Paixão redentora, que ele anuncia depois de impor silêncio aos discípulos. Vencer a morte pela morte é a manifestação como o Cristo de Deus.

Todo mundo sabe que existem distinções e, muitas vezes, discriminações no tratamento das pessoas. O que fazemos com isso na Igreja, na comunidade de Cristo? São Paulo, na segunda leitura de hoje, anuncia a igualdade de todos no sistema do senhor Jesus. Acabou o regime da lei judaica, que considerava o ser judeu um privilegio, por causa da aliança com Abraão e Moisés. A crucificação de Jesus, em nome desse regime antigo, marcou a chegada de um regime novo. Simplesmente observar a lei de Moisés já não é salvação para quem conhece Jesus, para quem sabe o que ele pregou e como ele deu sua vida por sua nova mensagem e por aqueles que nela acreditassem. Eles constituem o povo da Nova Aliança. São todos iguais para Deus, como filhos queridos e irmãos de Jesus – filhos com o Filho e co-herdeiros de seu Reino, continuadores do projeto que ele iniciou.

Não há mais judeu, nem grego, nem escravo, nem livre, nem homem e nem mulher. Não há mais rico ou pobre, analfabeto ou doutor: todos, todos, indistintamente são igualmente filhos de Deus pelo batismo. É preciso perder a sua vida, renunciar ao pecado, para encontrar o rosto sereno e radioso de Cristo ressuscitado. Quem se apega aos seus privilégios não vai encontrar a vida em Cristo. Só quem coloca suas vantagens a serviço dos irmãos, especialmente dos mais pobres, poderá participar da vida igual à de Cristo, na comunidade dos irmãos. O resumo é simples: é tomar a cruz todos os dias e seguir a Jesus. É perder a vida por causa de Cristo para que Cristo nos salve, Amém!

 
 

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