Liturgia Dominical
4º Domingo da Páscoa – C
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
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"A terra está repleta do amor de Deus; por sua palavra foram feitos os céus, aleluia!"(cf. Sl. 32, 5s).

Meus queridos Irmãos,

A liturgia deste domingo nos fala da grandiosidade do mistério de nossa fé. Somos convidados a refletirmos sobre A VIDA DO BOM PASTOR. O Bom Pastor que conhece as suas ovelhas e as chama pelo nome. Assim, sempre no quarto domingo da Páscoa, somos convidados a refletirmos sobre a figura do Bom Pastor, à luz do Cristo vitorioso, presente e ativo no meio da comunidade dos fiéis, única porta de acesso ao Reino das Bem Aventuranças.

Jesus é o Bom Pastor, por isso Jesus não deixa, em tempo algum, nada faltar para as suas ovelhas. O próprio Senhor prometeu dar ao povo pastores dignos, corajosos, responsáveis, capazes de dar a sua vida em benefício de todos os fiéis. Jesus é apresentado no Evangelho como o BOM PASTOR enviado pelo Pai, para apascentar e pastorear o rebanho: “Eu sou o Bom pastor.... Eu dou a vida pelas ovelhas... nenhuma se perderá!”. Isso significa que o Bom Pastor tem que dar, se necessário, a sua vida pelas ovelhas que conhece e chama pelo nome.

Assim três devem ser as atitudes dos pastores que, seguindo os passos do Sumo Pastor Jesus, devem dar a sua vida pelas suas ovelhas: A ESCUTA, O CONHECIMENTO E O SEGUIMENTO de Cristo.
           
Meus caros irmãos,

A Primeira Leitura hodierna(cf. At. 13,14.43-52) apresenta a pregação de Paulo em Antioquia da Psídia, mas como uma orientação para o mundo pagão. À partir de Pentecostes, o Evangelho inicia seu caminho “até os confins da terra”(cf. At 1,8). São Paulo se dirige aos judeus na diáspora, mas, diante da rejeição destes, anuncia o Evangelho aos pagãos, o que os judeus consideram como uma traição. Mistério da vocação de Paulo, o fariseu: chamado para levar o Evangelho aos pagãos! Nesse sentido todos nós devemos ser autênticos discípulos-missionários de Jesus Cristo anunciando o Cordeiro de Deus e anunciando esta verdade a todos os povos e a todas as gentes. Quem está instalado em sua “igrejinha”, não gosta de ouvir este apelo evangélico. Assim aconteceu com Paulo e Barnabé, quando foram pregar para os judeus de Antioquia da Psídia(na Turquia). O resultado foi muito bom para os pagãos, pois rejeitados pelos judeus Paulo e Barnabé se dirigiram a eles(Primeira Leitura).

Irmãos e Irmãs,

O Bom Pastor deve estar intimamente ligado com o Cristo. Todos nós, especialmente, nossos pastores devem estar intimamente ligados às mãos do Cristo Pastor. Depositemos nossa confiança nas mãos do Bom Pastor que se fez Cordeiro de Deus que tira os pecados da humanidade. E depositando nossa confiança e segurança nas mãos de Deus seremos sempre protegidos pelo Senhor da Vida e da História. Sim, estar na mão de Cristo é estar na mão de Deus, porque “Eu e o Pai somos um(cf. Jo 10, 30)”.

Jesus promete a vida eterna para quem o Seguir e Anunciar e Viver o Seu Evangelho. Para São João, a vida eterna é sim, a vida futura no céu, na plenitude do Reino, mas é também a vida presente, quando vivida na intimidade com Deus.

Meus queridos Irmãos,

Todos nós somos convidados hoje a OUVIR A VOZ DE DEUS, CONHECER DE QUEM É A VOZ, SEGUIR QUEM NOS CHAMOU. Esses três passos valem não somente para o caminhar da vocação religiosa ou sacerdotal. Vale, sobremaneira, para a nossa vocação de batizados, para o nosso sacerdócio comum de todos os fiéis que seguem a Cristo e recebem a adesão ao seu Batismo.

Vocação de todos nós: OUVIR A VOZ DE DEUS, CONHECER DE QUEM É A VOZ E SEGUIR QUEM NOS CHAMOU, OU SEJA, JESUS CRISTO MORTO E RESSUSCITADO.

Todos nós somos convidados a estar atento à VOZ DE DEUS. A iniciativa do chamado é sempre de Deus. Costumamos conhecer as pessoas pela voz. Com facilidade distinguimos uma voz da outra. Isso nem sempre acontece com a voz de Deus. Porque ela não se escuta pelos ouvidos, mas pelo coração. Corações para o alto, coração reto, consciência equilibrada e generosa distingue a voz de Deus. Assim todos nos somos convidados a ouvir a voz de Deus com atenção e com unção. Ouvir a voz de Deus com o coração aberto, com toda a nossa inteligência e o nosso ser, para como São Paulo exclamar: “Não sou eu que vivo, é CRISTO QUE VIVE EM MIM!”(cf. Gl 2,20).

Por conseguinte somos, finalmente, convidados, a seguir Jesus e trilhar o seu caminho que é caminho de salvação.

Irmãos e Irmãs,

Deus é “mistério”. Não conseguimos concebê-lo com clareza. Ele é grande demais para que o possamos descrever. É a “instância última” de nossa vida. Mas Jesus o torna acessível, visível. Podemos orientar nossa vida para a instância última graças a Jesus que nos conduz, se a ele nós confiamos. Jesus está unido a Deus que, para nós, ele é a presença de Deus em pessoa. Nele, estamos em Deus. Deus é a pastagem, a felicidade para onde Jesus-Pastor nos conduz.

Na segunda leitura(cf. Ap. 7,9.14b-17), este Pastor é apresentado como sendo o Cordeiro, vítima pascal, que resgata e liberta da escravidão as ovelhas que somos todos nós. Esta imagem vem completar a imagem do pastor. Pois um pastor parece muito chefe. Jesus é também ovelha, igual a nós, porém totalmente consagrada a Deus. Ele nos conduz a Deus, vivendo a nossa própria situação, exceto o pecado. O Cordeiro apascenta as ovelhas. No meio de uma série de catástrofes, o visionário do Apocalipse situa uma visão da assembléia celestial dos justos. O Cordeiro imolado é maior do que as forças negativas que assaltam o mundo. Reúne seu povo de todas as línguas e nações. Os mártires são as primícias do louvor universal ao Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Meus irmãos,

É pelo testemunho dos seus discípulos que Jesus continua a ser o BOM PASTOR no mundo inteiro, para todos os seres humanos. Jesus exerce esta função de modo especial pelos ministros ordenados, bispos, presbíteros e diáconos. Por isso, a Santa Igreja celebra neste domingo o 50o DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES SACERDOTAIS E RELIGIOSAS. O Tema deste ano é: "As vocações sinais da esperança, fundada na fé". Mas todos os cristãos, por seu testemunho, participam do pastoreio universal de Jesus Cristo. Ao mesmo tempo em que somos conduzidos, ouvindo a sua voz, sendo ovelhas, exercemos também a missão de pastores, conduzindo as pessoas até as fontes da vida. Assim Cristo está ressuscitando no mundo. Que este Dia Mundial possa oferecer, uma vez mais, preciosa ocasião para que muitos jovens possam refletir sobre a própria vocação, abrindo-se a ela com simplicidade, confiança e plena disponibilidade. A Virgem Maria, Mãe da Igreja, guarde o mais pequenino gérmen de vocação no coração daqueles que o Senhor chama a segui-lo mais de perto; faça com que se torne uma árvore frondosa, carregada de frutos para o bem da Igreja e de toda a humanidade.

Rezemos para que Deus nos conceda cada dia mais bispos, padres e diáconos configurados com o que Cristo espera de cada um de nós: unção pastoral e novo ardor missionário vivendo aqui e agora a santidade eterna. Aleluia!


 
 

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