Liturgia Dominical
Sexta-feira da Paixão do Senhor – C
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
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"Vinde a mim, aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração e encontrareis o repouso que procurais!"(cf. Mt 11,28-30).

Meus queridos Irmãos,

Hoje é o único dia do ano litúrgico em que não se celebra a Santa Missa. Nós celebramos hoje a chamada Ação Litúrgica com a leitura solene da paixão segundo São João, rezando-se em seguida as orações solenes, prosseguindo com a Adoração da Cruz e, por fim, a Comunhão geral.
Portanto, durante do Tríduo Sagrado, a liturgia segue os passos do Senhor Jesus mais cerradamente ainda do que no tempo da Quaresma. O Tríduo Santo é um grande drama, uma grande encenação do sofrimento do Senhor. Por isso, tendo representado a Instituição da Ceia na tarde da quinta-feira, a liturgia não voltará a celebrar a Eucaristia até a noite pascal – assim como Jesus não voltou a celebrá-la até que a celebrasse no Reino de Deus. Assim, neste dia celebra-se uma evocação de sua morte, que não deixa de estar em íntima união com a missa de Quinta-feira Santa, já que o pão consagrado ontem é consumido hoje.
           
Irmãos e Irmãs,

Jesus veio para dar a vida e nós lhe demos a morte, sob Pôncio Pilatos! Ali está Jesus morto na Cruz! Esta hora está envolta em mistério, com o Calvário se envolveu nas trevas às três horas da tarde de sexta-feira. Envolta no mistério da maldade humana. Envolta no mistério da bondade de Deus.

De um lado a maldade humana que mandou para a Cruz um homem justo. De outro lado à generosidade de Cristo que se fez cordeiro de Deus para tirar os pecados do mundo e nos oferecer a Paz.

Maldita morte que se transformou em ressurreição, em vida abundante (cf. Jo 10,10).  Jesus rejeitado pelos homens e pelos romanos opressores dos hebreus, num abraço de perdão e de misericórdia nos lega o amor.
Jesus morto pelos nossos pecados! Jesus morto para nos salvar!
Jesus morto para que todos pudéssemos viver!

Irmãos e Irmãs,

Jesus, manso e humilde de coração, repete a cada um de nós nesta tarde: “Vinde a mim, aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração e encontrareis o repouso que procurais!”(cf. Mt 11,28-30).

Jesus, terno e misericordioso, traído, preso, caluniado, açoitado, inaugurou um novo modelo de recompensa pelas humilhações recebidas: o AMOR.

Jesus, carregando a cruz, sendo humilhado, pregado e suspenso no madeiro da Cruz, derrama, de seu lado aberto, por sobre a seca estupidez humana, torrentes de amorosa misericórdia. Porque Deus não é um Deus vingativo, mas sim um Deus clemente e justo, o Santo dos Santos.

A traição foi paga com bondade, humildade, amor, perdão, encontro, vida, esperança, enfim, vitória da vida sobre a morte.

Meus prezados Irmãos,

O Senhor está suspenso e morto no madeiro da Cruz! Cruel estupidez humana! Jesus foi colocado fora do convívio humano! Aquele Galileu, que passou por entre os seus compatriotas, fazendo o bem, curando os doentes, ressuscitando os mortos, anunciando o pecado e reescrevendo a nova e eterna aliança com a lei do amor e da misericórdia, hoje recebe o seu prêmio humano: a Cruz!

Aquele que perdoou os pecados e deu a graça santificante, carregando sobre si toda a iniqüidade humana, está morto!

A atitude dos cristãos deve ser de temor e tremor diante dos olhos que choram diante do doce mistério da cruz, do mistério de um Cristo morto. O choro, as lágrimas, a desolação diante da morte do Justo.        
Todos nós, diuturnamente, temos atitudes de traição como Judas e Pedro. Alguns se colocam contra Jesus traindo-o pela busca desenfreada pelo dinheiro. Outros renegam Jesus pelo comodismo. Outros choram desesperadamente como Pedro. Mas, enfim, esperamos de Cristo misericórdia, que nasce de seu lado aberto e generoso.

Desta bendita morte, causada pelos nossos pecados, recebemos “graça sobre graça”(cf. Jo 1,16).
Aonde se multiplicou o pecado, superabundou a graça, conforme a advertência do Apóstolo dos gentios. Assim, com esperança cristã, a Cruz, de instrumento de suplício e maldição, se transformou em trono da graça divina. A Cruz, de momento de frustração e desespero, tornou-se a nascente de todas as esperanças. Sobretudo da esperança de que o irmão e a irmã se convertam, de que você se lave no sangue do Cordeiro de Deus imolado na Cruz, esperança de que você confesse com todas as veras do coração, como o soldado romano aos pés da Cruz: “Verdadeiramente, este homem Jesus é o Filho de Deus!”.(cf. Mc 15,39).

Meus queridos Irmãos,

Reviverá com Cristo somente aqueles que reconhecerem que o Crucificado é o Filho de Deus, que se fez homem para nos salvar e nos salvou através dessa morte. Assim ouviremos de Cristo: “Eu sou a ressurreição e a vida! Quem crer em mim, ainda que esteja morto, viverá!”(cf . Jo 11, 25).

Somos hoje convidados a aniquilar a maldade e fazer brotar a bondade de Deus, porque Cristo anuncia a vida irrompendo a morte.

Somos convocados a acabar com o ódio e inundar as nossas vidas de amor. Apaguemos o desejo de vingança e imprimamos em nossos corações o perdão e a misericórdia.

Deixemos de lado o poder e a dominação e façamos de nossas vidas pregoeiros da bondade e da humildade. Tudo isso nós encontramos na Cruz. Nela Cristo humilhou-se até a morte. Nela Cristo foi exaltado. Nela Cristo morreu para dar-nos vida em plenitude, nos dando a salvação.

Vivamos a plenitude deste mistério, relembrando as palavras de meu zeloso e santo vigário: “Enquanto o mundo gira a cruz permanece de pé!”.

 
 

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