Liturgia Dominical
 
2º Domingo do Tempo Comum – C
Por: Padre Wagner Augusto Portugal
 
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"Que toda a terra se proste diante de vós, ó Deus, e cante louvores ao vosso nome, Deus altíssimo!"(Sl 65,4).
Meus queridos Irmãos,

Retornamos ao chamado tempo comum. Por que tempo comum? É o tempo litúrgico das coisas ordinárias na vida da Igreja Católica. Vamos retomar a normalidade de nossa vida na ordinariedade da vida da Igreja de Cristo.

Caminhando com Cristo rumo ao Pai somos convidados a confiar no poder de Jesus Cristo que leva Maria a pedir algo inusitado. A mesma certeza de que Jesus atenderá o pedido de Maria deve mobilizar os filhos e as filhas de Deus na busca do rosto sereno e radioso de Cristo. Pela fé e pela vida nos aproximamos de Jesus e do Pai e devemos, neste tempo comum, colocar nas suas redentoras impressões digitais os nossos pedidos, as nossas agruras, as nossas necessidades, as nossas alegrias, a doce esperança e alegria cristã. A esperança, a fé e a ação concreta andam sempre juntas e devem iluminar todo o novo tempo que estamos inaugurando com este domingo.

Meus caros irmãos,

A Primeira Leitura(cf. Is 62,1-5) fala que depois do fim do Exílio, veio do difícil período da restauração. O povo pergunta se isso é a salvação. O profeta responde: “Esperança!” Não pode calar-se de anunciar, com nomes carinhosos, quanto Deus ama seu povo. É a renovação dos esponsais.

A Segunda Leitura(cf. 1Cor 12,4-11) nos fala da diversidade de dons, mas um só Espírito. Trata-se do início de uma seqüência de leituras de 1Cor 12-15. Nestes capítulos nos é apresentado os carismas que são diversos, mas isso não pode causar divisão, pois têm a mesma fonte: a riqueza de Deus e o amor do Espírito, mandado pelo Filho por parte do Pai. Cada cristão está com seu dom específico: a serviço de toda a comunidade.

Irmãos e Irmãs,

Está inaugurado o tempo comum depois da celebração do Batismo do Senhor e o encerramento do tempo do Natal. O tempo comum é inaugurado pela reflexão do Evangelho(cf. Jo. 2,1-11) que nos apresenta a narrativa das Bodas de Caná. Ali Jesus iniciou a sua vida pública de maneira festiva, de maneira solene, num casamento, na celebração de bodas de amigos. O gesto de Caná demonstrado por São João quer significar que Jesus é o Verbo de Deus que contraiu com a natureza humana um casamento, um pacto nupcial.

Entre Deus e o povo do Antigo Testamento, o povo israelita, existia um pacto, uma aliança, como se fosse um casamento. Mas Israel foi infiel e traiu a confiança de Deus. Por causa de presumidas vantagens materiais, correu atrás de Deuses dos povos pagãos. Este acontecimento é conhecido como prostituição. O resultado foi que Israel caiu nas mãos dos povos estrangeiros narrado pela primeira leitura e conhecido como Exílio. Os israelitas foram levados para o cativeiro na Babilônia, daí o Exílio da Babilônia. Entretanto, agora, o profeta anuncia, em nome de Deus, a salvação. Deus vai acolher de novo sua esposa fiel, proclama e ensina a primeira leitura(cf. Is. 62,1-5).

O amor de Deus pela humanidade ao amor ao esposo, e a aliança entre Deus e as criaturas humanas como um amor esponsalício, amor dialogante, repleto de alegria de ambas as partes.

Meus caros Irmãos,

O Evangelho de hoje anuncia a origem divina e missão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Houve o casamento. Estiverem testemunhando este casamento Jesus, os discípulos e a Virgem Maria. Faltou vinho. Houve a transformação de água em vinho. Por detrás desses fatos há muito mais do que a realidade que eles contam. O vinho era considerado uma bebida de imortalidade, a bebida do amor divino, a expressão da força de Deus que penetra e inebria o coração dos viventes.

A água sempre representou a matéria-prima da vida. Água que dá vida e que embala a vida de todos os homens. Vinho que significa a vida divina e água que significa a vida humana, a humanidade. Jesus ao transformar a água em vinho anuncia que dará ao homem a eternidade. Assim, depois que Jesus desposou a humanidade, introduziu-a no lugar de Cristo, porque “quem está em Cristo, é criatura nova” e “Cristo será tudo em todos” e todos formamos “um só Corpo em Cristo”.

Irmãos e Irmãs,

A água transformada em vinho encontrava-se em seis talhas de pedra, porque era a água reservada para as purificações legais, e os hebreus preferiam as de pedra às de terracota, porque essas nem sempre correspondiam às exigências legais da pureza. Jesus transformou 500 litros de água em vinho. Abundância para que? O tempo que Jesus inaugura é um tempo de abundância. Aquele que nasceu pobre numa gruta à beira da estrada e morreu nu pregado numa cruz trouxe para a humanidade graça sobre graça. Deus é sempre abundantemente; o homem é que estabelece limites, exatamente como acontece na vida prática. Deus cria os campos sem horizontes e o homem súbito lhes põe uma cerca.

Jesus fala de hora e de glória no Evangelho de hoje. A hora de Jesus é a sua glorificação. E essa hora lhe foi fixada pelo Pai do Céu: será o momento de sua morte na Cruz. Assim João já prefigura que com a inauguração da vida pública de Jesus, manifestando o seu poder e a sua glória em Cana, Jesus tem ciência de que sua existência e sua missão era um caminho que ultimaria na paixão e na morte. Paixão e morte que se transformarão em ressurreição, em vida eterna, em salvação do mundo, em vitória da morte e anúncio da vida plena, da vida em abundância, em Glória eternal.

Irmãos e Irmãs,

Junto de Jesus está a sua Mãe que dá uma esplêndida manifestação do Poder e do Senhorio do Redentor: “Fazei tudo que Ele vos Disser!”. João estabelece um paralelo entre Eva e Maria, querendo dizer que, a partir do nascimento de Jesus, Eva foi substituída por Maria. Eva significa a mãe dos viventes. A cena da entrega de Maria a João como Mãe, quando do alto do Madeiro da Cruz, prestes a expiar o pecado de Adão e de Eva, o pecado original, Jesus recria o universo, para entregá-lo purificado ao Pai numa aliança eterna e definitiva. Na nova e eterna aliança anunciada por Jesus, Maria é a nova mãe de todos os que viverão pelo Cristo.

A fé é virtude, atitude habitual da alma, inclinação permanente a julgar e agir segundo o pensamento do Cristo, com espontaneidade e vigor, como convém aos homens justificados. Com a graça do Espírito Santo, cresce a virtude da fé, se a mensagem cristã é entendida e assimilada como boa nova, no sentido salvífico que tem para a vida cotidiana do homem.

Todos nós devemos contribuir de maneira diversa para formar o Corpo de Cristo. Todos agirão a partir da fé em Jesus Cristo, a exemplo de Maria, que disse aos serventes: “FAZEI TUDO O QUE ELE VOS DISSER!”

Em cada Missa somos convidados a participar do banquete das bodas que Deus celebra com a humanidade, onde Jesus Cristo é ao mesmo tempo esposo e alimento e a Comunidade cristã, esposa alimentada pela vida e o amor de Deus, onde todos nós queremos ascender ao apelo do episcopado brasileiro: QUEREMOS VER JESUS, CAMINHO, VERDADE E VIDA.

 
 

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