Liturgia Dominical
 
17º Domingo do Tempo Comum - B
 
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"Deus habita em seu templo santo, reúne seus filhos em sua casa; é ele que dá força e poder a seu povo." (Sl 67, 6s.,36)

Meus queridos irmãos e minhas queridas irmãs,
A auto-revelação de Jesus é colocada no Evangelho de hoje, lido segundo a tradição joanina, para demonstrar um momento decisivo de fé dos discípulos. Refletimos o episódio da multiplicação dos pães, numa seqüência às leituras dos domingos precedentes(cf Jo 6,1-15). João fala da multiplicação dos pães como ponto de partida do discurso eucarístico e como seu sinal. Entretanto, a parte principal do trecho da multiplicação dos pães nós iremos refletir nos domingos seguintes.

Nós nos lembramos que, depois que os discípulos foram enviados para a missão pastoral, no domingo passado, foram convidados por Jesus para um retiro espiritual, para um momento de privilegiada oração e de súplicas ao Pai, para abençoar a missão que era feita em Seu nome. E, mais do que tudo isso, os discípulos que receberam um mandato de anunciar o Senhor deveriam voltar a Ele próprio para se enriquecerem com a água viva que saía de sua boca. Quando foram para o retiro espiritual nós vimos que a multidão que estava sem pastor pediu que Jesus viesse ao seu encontro.

É essa mesma multidão que caminhava para Jerusalém, que faz uma estadia em Cafarnaum. E o que fazem em Cafarnaum? Querem ver a Jesus, quer ouvir aquele que cura, aquele que é um profeta, que dá o pão da palavra e o pão da vida eterna.

Nós vimos no domingo precedente que Jesus teve compaixão do povo que estava naquela relva. Era tempo da Páscoa, esses peregrinos caminhavam para Jerusalém, para a Páscoa. Grande multidão que quer significar que o povo simples acolhia os ensinamentos de Jesus e caminhava à sua procura para ouvi-Lo, para converter-se ao seu Evangelho, para vivenciar os seus conselhos e para caminhar com Ele.

Queridos irmãos,

Na primeira leitura observamos que Eliseu sacia milagrosamente o povo(2Rs 4,42-44). Elias e Eliseu renovam os “grandes feitos”de Javé no tempo do Êxodo. Eliseu sacia cem pessoas com vinte pãezinhos de cevada, lembrando a fartura do maná no tempo de Moisés(Ex 16). Fica até sobrando. Alimento à vontade é um bendito sinal do tempo messiânico, que se realiza em Jesus Cristo, conforme nos anuncia o Evangelho de hoje.

Irmãos e irmãs,

Jesus subiu ao monte para rezar ao Pai, para depois descer à planície para saciar a fome daquela multidão que, próxima da Páscoa, caminhava em busca daquele que era considerado o Salvador, o novo Messias.

Os montes sempre foram para os judeus a habitação de Deus. Ao falar de cima do monte, Jesus fala com a autoridade divina e, ao descer do monte, para fazer o discurso eucarístico na planície de Cafarnaum, vem revestido da força de Deus. Cristo é o novo mestre e guia. Jesus oferece seu corpo como alimento vindo do céu. A fartura do alimento distribuído, de cinco pães comem cinco mil pessoas e sobram doze cestos, sem contar as crianças e as mulheres, essa fartura indicava a bênção do Onipotente, dos céus, sinal da era messiânica, intervenção direta de Deus.

A Eucaristia será a maior de todas as bênçãos, porque será o próprio Filho de Deus que não só intervém com força divina, mas se deixa comer como fonte inesgotável de graças salvadoras. Quem lhe come o corpo e lhe bebe o sangue não terá mais fome nem sede, o que significa uma vida de alegria e de graça, que se completa na posse da divindade, da comunhão com Deus.

Irmãos e irmãs,

O pão que alimentou essas pessoas na planície de Cafarnaum tem um significado profundo para todos nós: Cristo é o próprio pão, o maná que desceu do Céu, dado em cada Santa Missa pela nossa salvação, alimento que nos conduz a Deus, que nos sacia para os embates da vida, alimento de salvação, alimento que pavimenta uma auto-estrada para o céu, o Reino das alegrias eternas. 

Jesus, ao repartir o pão para cinco mil homens, inaugura um novo tempo na vida comunitária. Por isso, todos nós devemos repartir o pão como alimento que sacia e pão da palavra que alimenta nossa vida de fé. Palavra de fé, palavra de vida que é plenificada na Missa, com o alimento do Cristo, que se dá a nós como alimento de salvação.

Irmãos e Irmãs,

A segunda leitura ajuda-nos a sentir o ambiente de reunião escatológica que marca a multiplicação dos pães, realização do banquete escatológico anunciado em Is 25,6-8. Esse banquete é para todos os povos,
demonstrando o universalismo da unidade e da salvação da Igreja, resumida na leitura de Ef 4,4-6: “Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos”.

Jesus não veio propriamente para distribuir cestas básicas e ser eleito político, para resolver problemas sociais. É preciso caminhar para o fundamental: que conheçam o Deus de amor e de justiça que se revela em Jesus. É para isso que o Mestre vai pronunciar o Sermão do Pão da Vida, como veremos nos domingos seguintes.

A Igreja mudará de fisionomia na medida em que os cristãos e os responsáveis pelas instituições eclesiais tomarem consciência das exigências que o mundo coloca à sua fé e à sua caridade. O essencial é reestruturarmos a vocação evangélica da Igreja na verdade, para que ela continue sendo o sinal de Deus para todos os que têm fome do pão da Eucaristia e da vida eterna.

Oremos, irmãos, para que Deus nos ensine cada vez mais a repartir o pão da vida e o pão da palavra. Lembre-se que a sua parte deve ser feita, porque o pouco com Deus é muito e o muito sem Deus é nada. A política de Deus é a da partilha, do amor, da acolhida e da solidariedade. Estas políticas pessoais, cada vez mais esquecidas por nós.

Ajude-nos a Providência a caminhar e a repartir, valorizando a Eucaristia como momento privilegiado de nossa caminhada de fé. Amém!



 
 

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