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"O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem poderia eu temer? O Senhor é o baluarte de minha vida, perante quem tremerei? Meus opressores e inimigos, são eles que vacilam e sucumbem"(Sl 26,1-2).
Neste domingo nós nos colocaremos diante dos verdadeiros irmãos e os adversários de Nosso Senhor Jesus Cristo. O pecado de Adão e a ameaça à serpente nos é anunciado na Primeira Leitura(Gn 3,9-16). “Adão” significa “o Homem”. O pecado de Adão e de o todos nós é: o orgulho de querer ser igual a Deus, querer ser seu próprio Deus. O resultado do “abrir os olhos”(Gn 3,5.7) não é o que o homem procurou, ou seja, ser igual a Deus, mas apenas a consciência de sua nudez e desproteção: medo perante Deus. Porém, Deus não rejeita ao homem, mas apenas à serpente. A descendência humana há de esmagar a serpente, ou seja, o demônio: prefiguração de que Jesus vence o pecado.
Caros irmãos,
O Evangelho deste domingo(Mc 3,20-35) nos apresenta Jesus e Beelzebul; adversários e irmãos de Jesus. Depois de que os escribas decidiram matar Jesus, este, em meio a uma intensa atividade messiânica, constituiu um discipulado, os doze, não, porém, entre seus irmãos de sangue; pois estes o acham extravagante, enquanto Jesus recusa suas prerrogativas parentais apontando como sua verdadeira família os fazedores da vontade do Pai. No meio do episódio dos parentes é inserida uma discussão com os escribas. Ao mesmo tempo que mostra a incompatibilidade de Jesus com as autoridades religiosas, esta inserção sugere, também, o quanto Jesus se afastou do “senso comum” de seus parentes, que não o entendem. A discussão trata do seguinte: Quando Jesus expulsa demônios, os escribas acusam-no de exorcizar pela própria força do demônio. A resposta de Jesus é significativa: 1. Um reino ou uma casa dividida contra si mesma, não fica em pé; 2. Para penetrar numa casa, o saqueador – Jesus – deve amarrar o valentão lá dentro – o demônio. 3. Quem não quer entender isso, a saber, que Jesus age com autoridade de Deus vencer o demônio, blasfema contra o Espírito de Deus, que age em Cristo de modo visível.
Prezados irmãos,
Devemos ter claro a pessoa e a missão de Jesus. Jesus não faz a sua reunião numa sinagoga. Ele se reúne com os seus em uma casa. Jesus veio para a multidão que está como “rebanho de ovelhas sem pastor”(Mc 6,34), que Jesus, auxiliado pelos Apóstolos, deverá transformar em novo povo eleito, em nova família de Deus, em nova comunidade de santos. Não será o laço de parentesco, não será o sangue de raça que decidirá a entrada ou não entrada na nova família. Entrarão, na nova família, os que estão dispostos a “cumprir a vontade de Deus”.
A lição do Evangelho deste domingo é fácil. Todos nós experimentamos a fragmentação entre tempo de graça e tempo de maldade. Todos nós temos esta experiência. Muitos procuram explicações para o pecado, que marca profundamente a criatura humana. O Magistério da Igreja nos ensina que: “Sem o conhecimento que a Revelação nos dá de Deus não se pode reconhecer com clareza o pecado, sendo-se tentado a explicá-lo unicamente como uma falta de crescimento, como uma fraqueza psicológica, um erro, a conseqüência necessária de uma estrutura social inadequada”(Cf. Catecismo da Igreja Católica n. 387).
O homem de dupla face: que São Paulo chama de carne/espírito, está presente no Evangelho deste domingo. A luta entre o bem e o mal, que acompanha o ser humano desde o paraíso terrestre. A maior expressão do mal é o próprio demônio. Negar que Jesus tenha o poder de perdoar pecados, de expulsar os demônios e de vencer as forças do mal, negar-lhe o seu poder divino e redentor, opor-se à sua obra salvadora é “blasfemar contra o Espírito Santo”.
Caros fiéis,
Os fariseus ensinavam que no mundo havia dois espíritos em luta para governá-lo: um o espírito do bem – que é Deus – e o outro o espírito do mal – o dem6onio – e que o espírito do mal estaria governando. Mas chegaria um tempo em que o espírito do bem haveria de vencer e libertaria o mundo do mal. Assim o lindo e poético texto de Isaías: “Israel, meu eleito, derramarei água no solo árido e torrentes na terra seca; derramarei o meu espírito sobre a tua descendência e a minha bênção sobre a sua prole... e então um dirá: Eu pertenço ao Senhor; e o outro tatuará no braço: Sou do Senhor!”(Is 44,2-5). O resultado do Espírito era a certeza da pertença e a fidelidade a toda prova ao Senhor.
O sonho do povo de Israel realiza-se: aí estava Jesus de Nazaré. Ele começara a sua vida pública exatamente com estas palavras: “O Espírito do Senhor está sobre mim, ele me ungiu para evangelizar os pobres e anunciar a libertação”(Lc 4,18). Seus gestos, seus sinais, suas palavras e doutrina se orientavam nessa direção. Curava os enfermos atacados pelas piores doenças, perdoava os pecados, expulsava os demônios. Essas obras “do espírito”os fariseus viam com os próprios olhos. Em vez de se abrirem à novidade divina, em vez de verem que era chegada a plenitude dos tempos, jogavam-lhe na cara que ele fazia essas obras pela força dos demônios. Aliás, como as obras de Jesus eram grandes, diziam que era pela força do chefe de todos os demônios que ele agia. Ao chefe dos demônios os fariseus chamavam com o nome de um deus cananeu: Belzebu, que significa o “deus do esterco”. Um ataque, portanto, violento e baixo a Jesus e as suas obras. Equiparar Deus ao Demônio é blasfêmia, porque atenta contra a santidade divina. A essa blasfêmia Jesus chama de “blasfêmia contra o Espírito Santo”.
Jesus nos chama a fazer parte da nova família de Deus, que ele mesmo fundou, não ligada pelos laços familiares, por maiores que fossem, que daria direito à pertença. Fazem parte da família de Deus, quem faz a vontade de Deus.
Caros fiéis,
São Paulo(2Cor 4,13-5,1) mostra a perspectiva escatológica do apostolado. Continuando o tema do dom passado, este trecho mostra a força do Espírito da fé, a força carismática, leva o apóstolo a testemunhar a sua fé, sustentada pela esperança do encontro escatológico com Cristo.
A existência cristã começa com a vitória radical sobre o mal e sobre satanás, no batismo. A vitória de Cristo pelos sacramentos nos anima sempre, em nossa vida, a ser toda a vida, como a de Cristo, de uma luta, um duelo com o mal e as potências do maligno.
Cristo vence o pecado! Cristo vence o demônio! Cristo inaugura um novo tempo da graça e da salvação. Assim vivamos a nossa vida renunciando sempre o pecado, fugindo as tentações do demônio, e procurando a via ordinária da santidade que brota do Redentor!
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