Liturgia Dominical
 
Missa do Dia de Natal - B
 
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"Lux fulgébit hódie super nos: quia natus est nobis Dóminus: et vocábilitur Admirábilis, Deus, Princeps pacis, Pater futúri saeculi: cujus regni non erit finis".

Meus irmãos,

A missa do dia de Natal realça a eterna grandeza de Nosso Senhor Jesus Cristo, com o desenvolvimento de uma cristologia da glória e do senhorio de Cristo, antecipado na sua “preexistência” divina.

Jesus assumiu nossa condição humana pela encarnação para que nós tenhamos acesso ao seu bondoso e grandioso filho Jesus Cristo, conforme nos exorta a Antífona da Entrada: “Um filho nos foi dado”, ou mais categórico: “Um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado! O poder repousa nos seus ombros. Ele será chamado “Mensageiro do conselho de Deus”(Cf. Is 9,6).

Essa missa é a missa da glória, do glória que irrompemos na noite venturosa de ontem à noite cantando com todo entusiasmo: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens e mulheres de boa vontade”.

E o Verbo de Deus se fez Palavra e habitou entre nós: é a manifestação do Cristo. Cristo é um ato de comunicação de Deus: sua Palavra. Para o autor de Hebreus, Jesus é a Palavra definitiva de Deus, depois de tantas palavras provisórias, incompletas, que nos vieram através dos profetas do Antigo Testamento.

Caros fiéis,

A Primeira Leitura(cf. Is 52,7-10) nos apresenta a boa-nova, a salvação universal. Os reis de Israel não trouxeram a salvação para o seu povo, mas o  abandonaram. Deus, ao contrário não abandona o povo santo. Deus reconduz e reconstrói a cidade destruída. Ressoa, agora, a boa-nova: “Deus é rei”, e não só de Israel e Judá, mas de todos os povos. Ele os outorgará liberdade e paz, se eles quiserem reconhecer e aceitar a sua oferta.

A Segunda Leitura(cf. Hb 1,1-6) nos apresenta as palavras provisórias e a Palavra definitiva de Deus. Em Cristo, o Deus Menino, plenificaram-se todas as manifestações de Deus. Ele venceu a morte e o pecado: a glória de Deus se manifestou nele. A fé na sua obra redentora e glorificação junto ao Pai é a base da esperança de nossa própria arrematação.

Meus Irmãos,

O Evangelho(cf. Jo 1,1-18 ou 1,1-5.9-14) proclama de maneira grandiosa a glória do Cristo: no começo era a Palavra e esta Palavra é aquele que veio ao mundo, mas por ele foi recusado, aquele que se tornou carne como nós, mortal como nós, mas exatamente nesta sua condição carnal, na sua doação até à morte carnal, manifestou-se-nos a glória de Deus mesmo, seu ser, que é amor. Assim nos foi concedida um encontro com Deus mesmo. Tudo o que foi, é e será comunicação de Deus, Jesus o é, desde o começo.

Irmãos e Irmãs,

Assim cantemos com o Dom Hélder Câmara, idealizador da CNBB e pai dos pobres, o resumo da festa deste dia, que é abrilhantado pela penumbra da noite venturosa de ontem, rememória de Belém:

“É verdade, Senhor,
É noite sobre o mundo,
É mesmo meia-noite sobre o mundo.
Mas, como esquecer que Teu Filho
Quis Nascer à meia-noite?
Se Ele temesse as sombras
Teria preferido nascer ao meio-dia.
Preferiu a meia-noite
Porque ele sabe
Que quanto mais negra à noite
Mais bela é a aurora
Que Ela carrega no seu seio”.

Deixemos brilhar a noite venturosa para que este dia esplendoroso seja na vida dos cristãos católicos dia especial, porque nasceu o Salvador, o Redentor do gênero humano: “Ele veio... para dirigir nossos passos nos caminhos da paz”(cf. Lc 1,79).

Diante do Divino Infante, reclinado no presépio de Belém, nascido na eternidade do Pai celeste e de Maria Santíssima na Terra, deixemo-lo nascer em nossas almas pela graça, para que um dia nasçamos, também, para a vida gloriosa no Céu.
           
Caros irmãos,

Não apenas recordamos o fato do nascimento de Jesus Cristo, mas o celebramos, isto é, o tornamos presente, o fazemos perto de nós, o fazemos fato nosso, hoje, dia de Natal, que é tanto de Deus quanto nosso, porque nascemos para a vida divina na vida humana de Deus. Deus nasce na carne humana para que nós tenhamos a vida de Deus e desabrochemos em plenitude as sementes de eternidade que todos trazemos dentro de nós!

Natal é encontro feliz. Natal é encontro simultâneo do tempo e da eternidade; da terra e do céu; Deus e criatura humana. O tempo Jesus-homem na eternidade de Cristo Deus. Por isso os anjos cantam a felicidade das criaturas que tiveram a benevolência do Senhor. A glória divina se une para sempre à esperança humana.

A paz é a plenitude de todos os bens. Hoje nasceu para nós, na gruta de Belém, o Sumo Bem, o Bem Universal, que traz para nós a salvação, que é a realização plena da paz sempre desejada, procurada e sonhada.

O Natal é a festa do Sim. Somos chamados a darmos um Sim a Deus. Somos chamados a dar um Sim a Jesus-Deus que nasce homem, quanto com o homem que recebe a chance da vida divina. Deus deixou a cada um de nós a opção de dar uma resposta afirmativa ou negativa. Podemos aderir a vida que Cristo trouxe ou a morte. Assim, é Natal. Natal quando o sorriso pacífico do Menino amanse o homem violento. Sempre de novo se fará Natal para que a santidade do Menino envergonhe nossos pecados; sempre de novo se fará Natal para que a vida divina, as sementes da imortalidade, renasçam no coração da criatura humana, marcada pela morte. Natal: festa do nascimento da vida. Natal: festa do nascimento do Amor. Natal: festa do nascimento da Paz, plenitude de todos os bens. Natal: seja a festa do nosso Sim ao Deus Menino!

O Natal é a grande festa do amor de Deus por todos nós, seus filhos. Este menino nascido na pobreza de uma gruta é o Filho de Deus, na mesma substância do Pai, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro, como rezamos no Credo. Hoje Ele nasceu no tempo. Entrou na história humana. Mas ele existia antes do tempo. Ele é o Verbo encarnado! Natal é a festa do Amor, porque Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito. Natal é a festa por excelência do acolhimento. Sem acolhimento não pode haver comunicação. Sem comunicação não há comunhão. E o Natal é a festa da comunhão com Deus, que se faz criatura humana e se doa a ela pra que a criatura realize o sonho de assentar-se ao lado de Deus.

Meus irmãos,

Roguemos ao Deus Menino por nossas famílias e pela nossa Pátria, erguida à sombra da Santa Cruz. Que nosso País, ao libertar-se da catastrófica decadência moral e apostasia que assola nossa sociedade, volte a viver dias de Fé, serenidade e de união, como outrora.

E com o nascimento do Cristo a esperança venceu o medo e se instaurou na terra o senhorio do amor e da paz. Amém!

Feliz Natal, que Jesus renasça nos nossos corações e nos faça santos e evangelizadores, dando testemunho do seu Natal.



 
 

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