Liturgia Dominical
 
Missa da Vigília de Natal - B
 
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"Hoje sabereis que o Senhor vem e nos salva: amanhã vereis a sua glória!"(cf. Ex 16,6-7).

A Vigília de Natal é o grande retiro de preparação para o Natal.

A Primeira Leitura(cf. Is 62,1-5) nos apresenta que Deus volta a seu povo: as núpcias messiânicas. A leitura situa-se no tempo pós-exílico. O profeta desempenha o papel de intercessor e consolador. Deus parece calar-se. Por isso, o profeta fala, lembra a Deus a necessidade de seu povo. Deus o atenderá, pois a Cidade Santa é a sua jóia. Ele a reconstruirá, fará novas núpcias com ela.

Caros fiéis,

Os Atos dos Apóstolos nos apresenta a pregação de Paulo(At 13,16-17.22-25). São Paulo, na sua primeira viagem, é convidado a falar na sinagoga de Antioquia da Pisídia. Resume a história da Salvação, chegada à plenitude em Jesus Cristo, Filho de Davi, anunciado por João Batista, que convocara o povo para a conversão, o que é sempre atual. Aqui está a síntese da História da Salvação. A manifestação da presença salvadora de Deus começou com a libertação do Egito. Mediante a linhagem davídica, chegou à sua plena realização em Jesus, anunciado por João Batista. Paulo lembra as grandes etapas da história da Salvação: patriarcas – libertação do Egito – deserto – conquista da terra – juízes e rei Davi. Nesta linha, Jesus é aquele que dá cumprimento à salvação – salvador – e à promessa feita a Davi. É,  pois, o messias; por isso, segundo a pregação de João, a sua vinda exige do povo mudança de mentalidade, penitência.

Irmãos caríssimos,

São Mateus, em seu evangelho desta vigília(Mt 1,1-25 ou 1,18-25) nos apresenta a genealogia de Jesus Cristo, Filho de Davi, fruto do Espírito Santo. O Filho de Deus entra no mundo como filho de Abrãao e de Davi. Nele, este povo alcança o seu fim. Ele vem para resgatar o seu povo e todas as nações. A Santa Virgem Maria, sua mãe, já está revestida da aura do Mistério de Deus; José, que contempla respeitosamente este Mistério, é o pai legal de Jesus.

Jesus é aquele que dá cumprimento a três grandes etapas da história da salvação e, como descendente de Abraão e de Davi, na linha jurídica de José, é o que dá cumprimento às promessas e é aquele que salva o povo dos seus pecados. Citando, literalmente, o texto de Is 7,14, o evangelista declara que Jesus está na linha das promessas feitas a Davi e é, portanto, filho de Davi segundo a carne, embora seu nascimento virginal exclua a cooperação do homem e é juridicamente filho de Davi só através de José, que fisicamente não é seu pai. José, que é justo, não porque procura separar-se de Maria, mas porque, como exige o termo, procura em todas as coisas o cumprimento da vontade de Deus – reconhece Jesus como seu Filho e lhe transmite, dando-lhe o nome, todos os direitos de um descendente de Davi. O fato demonstra como é Deus que opera a salvação, mas, também, como esta não se concretiza na terra sem a cooperação do homem.

Caros irmãos,

Com alegria se torna novamente presente a vinda do Salvador, que é, ao mesmo tempo, uma preparação para o novo e definitivo encontro, ao fim dos tempos. Jesus Cristo é a luz e, com o seu Natal, se realiza a restauração de todas as coisas. Assim, nesta Vigília, somos chamados a renovar o nosso ser, ao celebrarmos – amanhã – o Natal. Todo o homem é renovado mediante a Encarnação de Cristo, renovação que se torna possível graças à nossa parada para recuperar.

Na agitação, no corre-corre do dia-a-dia, nesta vigília paremos diante da Manjedoura, diante do Mistério de Deus, para admirar, novamente, o Mistério que nos envolve e que será celebrado rapidamente: o amor de Deus, tornando-se carne, existência humana, em Nosso Redentor.



 
 

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