Liturgia Dominical
 
31º Domingo do Tempo Comum - A
 
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"Não me abandoneis jamais, Senhor, meu Deus, não fiqueis longe de mim! Depressa, vinde em meu auxílio, ó Senhor, minha salvação". (cf. Sl. 37, 22s).

Meus queridos irmãos,

A simplicidade do coração do líder religioso, daquele que age “in persona Christi” é ouvir e anunciar, com generosidade, a um único Pai, o Pastor Supremo das Ovelhas.(cf. Ml 2,9; Mt 23,9). 

A Santa Igreja Católica materna nasceu do judaísmo e estava em concorrência com a Sinagoga. Este conflito ocupa amplo espaço. Mateus critica a “hipocrisia”, o engodo, a falsidade, o formalismo religioso e social de então. Os escribas e os fariseus apoderaram-se da cátedra de Moisés. Na medida em que eles realmente ensinam a Lei, convém fazer o que dizem. Mas não se deve imitar o que fazem. Complicam a vida alheia com a sua interpretação perfeccionista da Lei, mas inventam subterfúgios para si mesmos (como aqueles padres que, vivendo bem protegidos, complicam por futilidades a vida dos simples fiéis). O que fazem, fazem-no para serem vistos pelos outros, até vestindo-se de modo chamativo. Gostam de precedência e de privilégio (como aqueles padres que sempre querem alguma exceção, algum abatimento, etc...). Gostam de ser chamados “rabi”(que significa mestre). Mas, entre os cristãos não deve ser assim. Os líderes cristãos não precisam se impor como mestre, doutor ou “pai”: só o Cristo é o Sumo Mestre o Doutor e Deus, ai; todos aqueles que Cristo reuniu são irmãos e irmãs.

Ser grande no Reino de Deus é entrar na pedagogia do Serviço. Ser grande é ser o primeiro servidor. “Rabi” significava, literalmente, “grande”. O cristão só é grande no serviço, na caridade e no amor. Se ele ensina, não é para se colocar acima dos outros, mas para servir. Se ele governa, também, não é para oprimir, mas para ser o primeiro que serve com generosidade e largueza, sem reducionismos. Se o cristão serve, não é para se tornar importante, mas para se tornar supérfluo. Quem se torna grande será rebaixado; quem se rebaixa será engrandecido: o exemplo por excelência é o próprio Cristo ressuscitado.

Irmãos e Irmãs,

Jesus é muito duro com os fariseus hoje(cf. Mt 23,1-12). Porque? Porque faltava aos fariseus a pureza, isto é, a limpidez de intenção e de coração. Jesus não se contrapõe a cumprir a Lei de Deus e dos Profetas. Jesus critica a observância hipócrita, interesseira e orgulhosa. Assim é bom lembrar que fariseus são aqueles que se dispuseram a estudar profundamente as leis de Moisés e as tradições dos antepassados e propunham uma observância rigorosa. Fariseu, passou para a história, como aquele que é hipócrita. Por profissão o hipócrita assumia o que era declamado e como que encarnava outra personalidade, como fazem os atores das novelas. Era ele e não era ele ao mesmo tempo. O hipócrita, o fariseu é aquele que diz uma coisa e faz outra.

O povo hebreu era massacrado pelas cruéis exigências dos fariseus no cumprimento e na observância de leis e de “leizinhas”. Jesus procurava aliviar a consciência do povo e reanimá-los a procurar o Deus único e verdadeiro, em “espírito e verdade”(Cf. Jo 4,24).

Jesus convoca o povo e os seus discípulos a ter uma pureza de intenção que leva a uma autentica pureza religiosa. As leis não foram abolidas por Jesus. As leis foram interpretadas como libertadoras, que conduzem a salvação e não como opressoras. Assim, quando o amor e a caridade perpassa o cumprimento da lei, ela se torna apoio suave e seguro. O amor não dispensa o cumprimento da lei, mas modifica radicalmente o modo de sua observância.

Todos os homens e mulheres que anunciam o Evangelho: pregadores, lideranças religiosas, lideranças leigas, catequistas, consagrados, diáconos, sacerdotes e bispos. Todos, indistintamente, sacerdotes pelo mesmo e único sacerdócio de Cristo devem assumir, diante de Deus e da comunidade de fiéis, a obrigação de ser sinal, de ser luz e sal para o povo santo que caminha para o céu. As palavras voam e os testemunhos de vida e de santidade permanecem como grande riqueza da Igreja.

Queridos Irmãos,

As leis, a começar pelas tábuas ou mandamentos que foram confiados por Deus a Moisés, passando por todas as prescrições orais e escritas, e até as legislações civis, como as canônicas tem que ter como ponto de partida a caridade e a misericórdia. As leis, que no antigo testamento, estava codificada na Tora deveria ser cumprida por todos. Os fariseus eram o grupo mais observante desta Lei. Mas havia muita observância por mera formalidade, muitas vezes uma observância em público e outra em privado, muitas vezes uma observância ensinada e outra observância praticada.

Era o costume carregar fragmentos escritos da lei em caixinhas preciosas penduradas nas vestimentas, para cumprir o que pedia o Deuteronômio: “Incuti as minhas palavras em vosso coração e em vossa alma! Atai-as, como sinal, a vossas mãos, e ponde-as como faixas em vossas cabeças. Ensinai-as a vossos filhos, falando-lhes delas, seja quando estiverdes sentados em casa, seja andando pelos caminhos, tanto ao deitardes quanto ao levantardes”(cf. Dt 11,18-19).  Jesus não condena esses costumes. O que Jesus condenou e condena até nossos dias é usar esses objetos, e aí entram as medalhas, fitinhas, anéis, escapulários, terços, quando são portados por vaidade pessoal, para chamar a atenção e ser admirado e não para expressar um compromisso libertador, aonde todos procurem ver, crer, viver e anunciar o Cristo Ressuscitado, nosso caminho, nossa verdade e nossa vida.

Estimados Irmãos,

Jesus ataca, ainda, a vaidade dos que, por serem cumpridores das leis, pensam merecer os primeiros lugares, ser elogiados em público e ser distinguidos com títulos. Jesus, por sua vez, ensina que a nova família de Deus é composta de irmãos, de comunidade de fiéis, porque todas as criaturas humanas procedem de um único Pai, o Pai do Céu; tem um único Mestre, o Filho de Deus feito homem, o Cristo, o Enviado do Senhor. Por isso, fora às aparências, vamos marcar os nossos corações com as palavras do Cristo: “Um só é o vosso coração!”. “Um só é vosso Mestre, Cristo”. “Vós sóis todos irmãos”(Mt23-8-10).

Se Jesus é o Magno vamos aprender dele que a Grandeza vem da partilha, da misericórdia, da graça superabundante, que a todos acolhe com generosidade. A fé autentica dos homens e mulheres é aquela que parece o que realmente é, uma fé viva e edificante. Fé limpa. Fé pura. Fé coerente no pensar e no agir, entre o rezar e o fazer, entre o crer e o comportar-se. Quem é vaidoso e soberbo não testemunha o Cristo e não pode anuncia-lo. A soberba mata a caridade e atira à escuridão as obras de misericórdia.

Irmãos,

A Primeira Leitura(cf. Ml 1,14b-2,2b.8-10) é uma repetição da história: Malaquias, um dos precursores do movimento dos fariseus, critica os chefes do judaísmo, que, no seu tempo, eram os sacerdotes. No tempo de Malaquias, o Templo estava restaurado, mas o culto era uma vergonha. Ml 1,6-2,9 critica estes abusos – censura aos sacerdotes. Ele lembra a aliança levítica, ou seja, o compromisso sacerdotal, que exige serviço dedicado e fiel: se os sacerdotes se tornam indignos, que será o povo então? Quatro séculos depois, Jesus tem de criticar os próprios fariseus, pelas mesmas razões. Hoje é preciso criticar os pretensos seguidores de Cristo, ainda pelas mesmas razões.

A Segunda Leitura(cf. 1Ts 2,7b-9.13) forma um nítido contraste com essas duras críticas. Mostra a abundante ternura do apostolo em relação aos seus discípulos: “Queríamos dar-vos não só o Evangelho, mas a nossa própria vida” (cf. 1Ts 2,8). A atitude de Paulo pode ser igualada a do Cristo. Paulo foi acolhido como Palavra de Deus. A leitura apresenta a ternura de São Paulo para com os fiéis e o senso da fé. A palavra da pregação é a palavra de Deus, atuante nos fiéis. Não é a palavra humana. Mas para que seja reconhecida como palavra de Deus, importa muito o empenho de seu porta-voz, inspirado pelo mesmo amor que a palavra proclama. O empenho do apóstolo deve mostrar as qualidades de sua mensagem. Paulo dá o exemplo de si mesmo.

Que Deus nos ajude a todos sermos mais irmãos. Na Eucaristia que celebramos somos convidados a renovar nossa fé proclamada e professada na sua verdadeira expressão e vivo sentido: a partilha e a comunhão caritativa. só seremos homens e mulheres mais cristãos, se no silencio da vivencia eucarística, procurarmos o auxilio de Deus, porque só pode ser feliz quem coloca a sua confiança em Deus, o Redentor.



 
 

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