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"Senhor, se levardes em conta as nossas faltas, quem poderá subsistir? Mas em vós encontra-se o perdão, Deus de Israel"(cf. Sl 129,3-4).
Irmãos e Irmãs,
Vamos caminhando para o término do ano litúrgico. Assim nesta caminhada cotidiano do tempo comum sempre se abre mais a perspectiva final. Deus nos aguarda para o banquete escatológico, com o qual já sonhava o profeta Isaías sete séculos antes de Cristo.
Exultemos com um festim para todos os povos.
Para um povo que conheceu a fome, como o povo eleito, bem como para a maioria do povo de Deus nos dias de hoje, comida e bebida com fartura é uma imagem capaz de evocar o bem estar pleno e total, embora sempre fique uma imagem... a nossa imaginação não consegue conceber o que Deus prepara para seus amigos, seus filhos. Por isso a leitura exclama: “O Senhor todo-poderoso preparará na montanha santa, para todos os povos, um banquete de vinhos escolhidos e alimentos suculentos”(cf. Is 25,6). A Primeira Leitura(cf. Is 25,6-10a), portanto, nos apresenta o banquete messiânico. Este trecho é um “apocalipse”, de data mais recente do que o restante do livro. Depois do juízo sobre as forças celestes e terrestres(cf. Is 24,21), Deus revela a sua glória para os eleitos e reúne todos os povos para o banquete de sua tomada de posse. Elimina-se a cegueira espiritual; a morte é vencida. Não o julgamento, mas a alegria é a última palavra de Deus sobre o mundo.
Meus irmãos em Cristo Senhor,
O Evangelho de hoje(cf. Mt 22,1-14 ou 22,1-10) nos leva a refletir sobre o banquete do Senhor. Felizes os convidados para o banquete do Senhor. Jesus retoma na parábola deste domingo à figura do banquete nupcial. A figura é conhecida também nos escritos laicos. Comer à mesa do rei expressava o auge da felicidade. Os profetas fizeram o povo sonhar com o dia em que todos se assentariam à mesa do rei.
Jesus compara o Reino de Deus a um banquete nupcial do filho do rei. As núpcias são outro símbolo. Todo o Antigo Testamento fala da Aliança de Deus com a humanidade. Em Cristo essa aliança se torna tão forte e íntima, que é comparada ao matrimônio.
A parábola do Evangelho de hoje faz referência aos finais dos tempos, à escatologia. O povo de Deus são os graus escolhidos no celeiro se viverem em conformidade com a vontade do Senhor. Se não viverem conforme esta salvadora vontade estarão fadados ao fogo do inferno.
Jesus faz uma referência escatológica para afirmar que também está se exaurindo o seu tempo entre nós porque “Deus o exaltou e lhe deu um nome que está acima de todo nome” (cf. Fl 2,9). Jesus é para os homens de todos os tempos e de todas as épocas o modelo perfeito de participante do Reino e dele se tornou cabeça e plenitude.
Todos nós somos convidados ao banquete, ou seja, ao próprio Reino de Deus. O velho sonho do homem se assentar à mesa de Deus é a prefiguração da participação do Reino das Bem-Aventuranças. Ouvir a voz e cumprir os mandamentos de Deus é aceitar o convite para o banquete, é fazer tudo para merecer assentar-se à mesa do rei. A parábola nos ensina que a comunhão da criatura humana com Deus é possível, desde que tenhamos fé e corramos a este encontro, com Deus que nos quer à sua mesa. É Deus que quer a comunhão conosco.
Meus irmãos,
Todos nós somos convidados a amar a Deus sobre todas as coisas. Deus nos dá o livre arbítrio de se assentar ou não assentar na mesa com Ele. Deus respeita a liberdade de suas criaturas em escolher entre a graça e o pecado. Entretanto esta liberdade não dá ao homem o direito de querer ocupar o lugar de Deus. Nós não devemos ser iguais aos primeiros convidados que se fecharam em si mesmo, com auto-suficiência.
Depois Deus convidou outras pessoas: aqueles que não tiveram tempo e foram trabalhar no campo, atrás dos negócios e interesses pessoais, se esquecendo da salvação. Todos nós temos que trabalhar, levar alimento e bem estar para a nossa família, mas quando o trabalho é combinado com a vida de oração e de engajamento pastoral e evangelizador, as coisas na vida dos homens melhoram, porque contam com a proteção de Deus, produzindo frutos mil por um.
O ter e o poder cega, cassando do homem uma das maiores virtudes da vida cristã: o amor sem limites, que provém somente da vivência da vontade do Senhor Deus: “Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus”.
Irmãos e Irmãs,
A veste nupcial é a vivência dos valores evangélicos. Hoje é um dia de valorizarmos os mártires da Santa Igreja de Jesus Cristo. Num contexto de mundo globalizado e cada vez mais secularizado a esperança da Igreja são os homens e as mulheres que, de porta em porta, batem anunciando o Evangelho, a vivência pastoral, a rede de comunidades, o anúncio da pastoral de conjunto e da pastoral social, nunca se esquecendo, se muitos batem às portas pedindo votos, todos nós temos compromisso de pedir voto para o único candidato que nos proporciona a salvação: JESUS CRISTO.
Os primeiros e os segundos convidados se auto-excluíram do banquete. Os terceiros convidados entraram. Quem entrou foram os pobres, os pecadores, os marginalizados socialmente. A parábola nos ensina de que há uma seqüência temporal. Mas o convite é feito para todos os homens, para todos os homens e mulheres de boa vontade, ricos e pobres precisam da veste nupcial. O batismo nos incorpora à Igreja, mas é necessário vivenciar esse batismo com uma inserção pastoral e evangelizadora: “Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas quem fizer a vontade de meu Pai”.
Irmãos e Irmãs,
A segunda leitura(cf. Fl 4,12-14.19-20) contém as frases mais características do agradecimento final da Carta aos Filipenses. Agradecimento a esta Igreja, porque cuidaram tão bem de Paulo embora ele tivesse suportado também a carência, se fosse o caso. Ele não exigiu nada, mas foi muito bom eles terem feito tudo isso por ele, como gratuidade da bondade fraterna.
Com Deus, tudo posso! São Paulo, que fazia questão de se sustentar com o seu próprio trabalho, aceitou, na prisão, dádivas dos fiéis de Filipos; mas não perde, por isso, sua liberdade: ele sabe que tudo por Deus e com Deus. Nas dádivas, ele acolheu os filipenses como participantes de seu sofrimento. Agora, reparte com eles o ministério que na verdade o sustenta: o meu Deus. É um agradecimento a Deus por causa destes fiéis tão dedicados e delicados.
É um exemplo para se levar para casa, no fim desta missa, porque a grande lição da liturgia do banquete e o traje é alimentando-se com Cristo todos participaremos da vida de Deus no já-ainda não da escatologia que começa aqui e agora com a Igreja peregrina rumo à Igreja Triunfante no Céu. Amém!
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