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“Povo de Sião, o Senhor vem para salvar as nações! E, na alegria do vosso coração, soará majestosa a sua voz”(cf. Is 30,19.30)
Meus queridos Irmãos,
Vamos caminhando para a metade do tempo do advento: este segundo domingo tem como centro de reflexão o REINO DE DEUS. A liturgia é permeada pela conversão que trata o Evangelho de hoje.
Conversão que está intimamente ligada a Vigilância. Como afirmou Santo Agostinho em uma vigília: “Para nós, cristãos, viver não é outra coisa que vigiar. E vigiar é abrir-se à vida”. No Evangelho, encontramos muitas palavras de Jesus nos exortando à vigilância. Um dos textos que inspirou muito a liturgia do advento é a parábola das virgens sábias, contada em Mt 25,1-13, com sua imagem das lâmpadas acesas e seu mandamento de vigiar.
A temática de hoje nos fala de um Jesus adulto, Jesus pregador da Boa-Nova, de Jesus no exercício de sua doce missão de Messias, e de qual deve ser o nosso comportamento diante de Jesus. Na verdade, não é possível separar muito a vinda do Cristo na noite de Natal e sua passagem por nós na hora da graça, de sua vinda gloriosa no fim dos tempos. Deus não tem a dimensão de tempo e de espaço que são critérios mundanos. Mas Deus, por intermédio de Jesus de Nazaré, quis entrar no espaço e no tempo do homem. Assim celebramos as várias etapas da vida de Jesus.
Caros fiéis,
A Primeira Leitura(cf. Is 11,1-10) nos apresenta o Rebento de Jessé, o Messias-Rei. A justiça em prol dos pequeninos. Quando o carvalho é abatido, sobra o tronco, que pode brotar de novo. No capítulo 11 do Profeta Isaías fala do novo rei Ezequias, mas, a longo prazo, de um ungido – que quer dizer Messias escatológico, que brotará do trono de Jessé. As suas qualidades serão a sabedoria como a sabedoria de Salomão, a inteligência e a fortaleza como as de Davi, a devoção como Moisés e Abraão. Este Messias praticará a justiça de Deus, será um pai para os pobres.
Estimados Irmãos,
Somos convidados hoje a não mudar somente as estruturas do mundo, e mesmo da Igreja instituição. Somos convidados, sim, a mudar as estruturas do coração humano, de nosso coração que deve ser assemelhado ao coração misericordioso de Jesus. Conversão que tem duas dimensões: a conversão pessoal e a conversão comunitária. Evidentemente não existe a conversão comunitária sem a conversão pessoal. De uma maneira muito simples gostamos muito de pedir que os outros se convertam, mas esquecemos nós, primeiramente, de nos converter.
A conversão passa pelo chamado combate espiritual de maneira pessoal e objetiva. Temos que nos converter, custe o que custar. Muitas vezes gostamos de colocar defeito nas pessoas, nas coisas e a inveja e a disputa de poder permeia toda a sociedade moderna. Isso é muito difícil! Temos que abandonar a calúnia, a injúria e a difamação e anunciar o perdão, a acolhida e a misericórdia.
Todos devemos nos converter, partindo da hierarquia que presta o serviço religioso, a todo o povo de Deus. Todos, sem exceção somos pecadores, e devemos correr pressurosos para a santidade e a misericórdia.
A conversão deve ser continua soma de atos, de atitudes, de misericórdia, de acolhida do diferente, de compaixão, de acolhida e de amor.
Para entrarmos no espírito do Natal temos que viver a conversão. A conversão que ilumina a santidade. Seremos santos na medida que nossos critérios de ação e nossos atos se igualarem aos critérios e atos de Deus. A conversão não é acabada, é um processo cíclico. A conversão deve ser diuturna, ou seja, quotidiana.
Conversão que é voltar para o rosto sereno e radioso do nosso Senhor e Redentor. Conversão que não pode ser somente espiritual, mas que tem que ser manifestada nas obras de caridade, na acolhida do pobre, do miserável aos olhos do mundo que se transforma no rico diante de Deus.
Vamos abandonar o pecado e viver a graça santificante. Este é o desafio! Receber Jesus, segundo o Evangelho de hoje, não é apenas aplaudi-lo ou admirar a sua vida e a sua obra. Receber Jesus é largar todos os interesses pessoais e segui-lo até que não haja mais diferença ente o que eu penso, amo e faço e o que Jesus pensa, ama e faz. Ou o Natal do Senhor Jesus me muda e me faz assumir compromissos de bondade, justiça, verdade, santidade e paz, ou o Natal será como as águas de um rio que passam longínquas do terreno da minha história.
O batismo de João Batista, o precursor, nos lembra que as águas nos lavou, pelo batismo, de nossos pecados, nos deve interpelar a lavar o pecado da infidelidade para com Deus, lavar o pecado do orgulho e da auto-suficiência, arraigado no homem desde Adão. Somos chamados a ter uma vida nova, totalmente renovada, fecundando nossas ações e trabalhos pastorais na caridade, no amor e na partilha.
Jesus veio encarnar na Virgem para que o REINO DOS CÉUS acontecesse em nossa história e em nossa vida terrena. Reino dos Céus que se inicia aqui e tem a sua plenitude na ETERNIDADE DAS ALEGRIAS celestes. A construção do nosso Reino dos céus depende de nossa fidelidade a Cristo e do nosso autêntico processo de conversão diária. Corações ao Alto: o nosso coração está em Deus, canta a liturgia eucarística. Assim deve ser a nossa vida, sempre lembrando do alerta do Batista: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo!”(Cf. Mt 4,17). Esta deve ser a nossa atitude. Amém!
Meus queridos irmãos,
Todos nós somos convidados a tomarmos uma atitude fundamental neste belo tempo do advento. Não só neste tempo, mas em nossa vida: A CONVERSÃO! Para nos encontrarmos como Cristo, devemos corresponder a que Jesus espera de nós. Jesus julgará com retidão em favor dos pobres, conforme nos ensina a primeira leitura. O Messias se alinha com os pobres. Será que nós estamos alinhados com ele?
São Paulo, na segunda leitura de hoje(Rm 15,4-9) exorta os fiéis a imitarem o exemplo de Cristo: como Cristo assumiu nossa salvação, executando o projeto do Pai, cabe a nós assumir-nos mutuamente, conforme o ensinamento da Segunda Leitura. Devemos ter os mesmos sentimentos de Cristo, de acolher-nos uns aos outros como Cristo nos acolheu. Na família de Deus existe lugar para todos, pois em relação a todos manifestou-se a misericórdia de Deus em Cristo Jesus. Acolher significa imitar a Cristo, fazer justiça para todos, conviver em harmonia, respeitando as diferenças entre os outros. A paz na situação concreta da comunidade cristã, é ameaçada pela oposição dos fortes e fracos. Provavelmente trata-se também das tensões entre judeu-cristãos e gentios convertidos. Deus os chamou a todos: por isso devem assumir-se mutuamente. A razão e norma disto é Cristo mesmo, que tanto fez e sofreu por nós.
Nós somos chamados a dialogar com os homens e com Deus. Nosso encontro com os outros deve ultrapassar os estreitos limites da pura cortesia e da convivência social; do contrário se esvaziará. A categoria social fundamental é a relação “eu-tu”. Ora o “tu” do outro homem é o “tu” divino. Cada “tu” humano é imagem do “tu” divino. Em conseqüência, o caminho para os outros e o caminho para Deus coincidem; trata-se de aceitar ou de recusar. O relacionamento real com o outro varia conforme o relacionamento com Deus. Somente na comunidade eclesial, a dos que estão voltados para Deus, é que se pode viver realmente o encontro com os outros, dentro de um mesmo amor.
Advento, abrir o nosso coração Aquele que vem vindo para nos salvar. Vivamos bem este tempo!
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