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“A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos, pois não será desiludido quem em vós espera” (Sl 23,1ss.)
Irmãos e irmãs,
Iniciamos, hoje, o Tempo do Advento. Iniciamos, hoje, a meditação de mais um ciclo dos Mistérios da Redenção, denominado Ano B, pela Liturgia da Igreja. Iniciamos, hoje, um novo Ano Litúrgico.
O Advento é o tempo de espera, de esperança, de atenção e de vigilância, à espera da alegre e amorosa chegada do Emanuel - Deus Conosco. Este período reveste-se de dupla característica: tempo de preparação para as solenidades do Natal, nas quais se recorda a primeira vinda do Filho de Deus ao meio dos homens e das mulheres. Concomitantemente, com esta recordação, neste Tempo os espíritos se postam na expectativa da segunda vinda de Cristo, no final dos tempos. Nesta dupla perspectiva, portanto, o Tempo do Advento apresenta-se como tempo de devota e de jubilosa espera.
Advento é um tempo forte de esperança e de conversão.
Conversão e mudança de vida geram um sentimento muito caro em nossa vida: a esperança cristã.
Este Advento é enriquecido com duas opções muito fortes na vida da Igreja no Brasil: a Novena de Natal e a coleta para a Campanha da Evangelização, que financia a vida pastoral das nossas igrejas irmãs, pobres e sofredoras, do Norte, do Nordeste e da Amazônia. A Campanha auxilia, também, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e as Dioceses e Arquidioceses em suas ações pastorais específicas. Esses irmãos aguardam o nosso gesto concreto para que o Evangelho do Deus Menino seja proclamado e difundido naquelas regiões de missão e de miséria deste país continente.
O Advento é composto de quatro semanas. Nas duas primeiras, todos somos convidados a ficar vigilantes e alertas, esperando com grande entusiasmo e alegria a chegada gloriosa do Cristo Salvador. Nas duas últimas semanas, lembramos o que falavam os profetas a respeito da Bem-aventurada Virgem Maria. Preparamo-nos, assim, mais de perto para o nascimento do Redentor na cidade de Belém.
O Advento nos relembra uma realidade muito presente em nossas vidas: a permanente espera da vinda do Senhor Jesus. É o Cristo que vem ao nosso encontro no presente e no futuro, como veio no dia de ontem. É uma peregrinação em direção ao Absoluto.
E ao iniciarmos o novo Ano Litúrgico, passaremos a estudar o Evangelho de São Marcos. Cognominado o “intérprete de Pedro”, Marcos nos apresenta Jesus como Messias, o Filho de Deus, também como o Filho do Homem, o enviado de Deus no fim dos tempos, convidando a todos para a vigilância e para a vida digna.
Todos nós esperamos, todos nós vivemos adventos, aguardando a manifestação cada vez mais visível do Reino de Deus, em que justiça e a paz se abraçarão e todos os povos e culturas se desabrocharão felizes e reconciliados, contemplando o Deus que vem conosco – EMANUEL -, NUMA TERRA SEM MALES, que a todos acolhe, especialmente aqueles que precisam de paz para viver fraternalmente.
Irmãos e irmãs,
Primeiro domingo do Advento, tempo em que exclama a Antífona de Entrada da Sagrada Eucaristia: “A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meus inimigos, pois não será desiludido quem em vós espera” (Sl 23,1ss.).
Vivemos um momento de clímax neste tempo. Neste domingo, o primeiro dos quatro que compõem esse período de preparação, somos convocados para uma preparação geral, para o encontro com o Senhor no último dia.
Este é o domingo da confiança na Misericórdia de Deus.
A vinda do Senhor Jesus não é para o cristão motivo de medo ou de angústia. Muito pelo contrário, a vinda de Jesus deve ser esperada com a doce esperança cristã.
Neste sentido, a Primeira Leitura nos alerta sobre este desejo, clamando que, se necessário, iremos rasgar os céus, para o encontro do Senhor com o seu povo humilhado, povo que peregrina, povo que está na terra de Judá, desarticulado nos anos imediatamente subseqüentes ao exílio, esperando a restauração de sua Nação. Todos estão cansados do castigo, cansados de injustiça, clamando por paz e por esperança.
O encontro definitivo com o Senhor está próximo. Isso tem uma conexão com o ensinamento da Segunda Leitura, da carta dirigida por Paulo aos Coríntios: a tudo devemos dar graças a Deus e nos mantermos firmes na fidelidade ao projeto de Deus e à sua obra redentora.
Irmãos e irmã,
Cristo veio inaugurar a presença do Reino de Deus. Seus discípulos, iluminados pelo Espírito de Amor, entenderam que, depois de Sua elevação à glória, ficava para eles a missão de continuar o que Ele fundara.
Ao sermos convidados a ficar vigilantes pelo Evangelho de hoje, todos nós somos convidados a tornarmo-nos co-responsáveis pela realização e pelo acontecimento entre nós do Reino de Deus. Cristo veio pela primeira vez, para nos revelar o sentido verdadeiro dessa espera; revelou que a causa do Reino de Deus é a causa dos homens e das mulheres deste mundo e que esse Reino se realiza entre nós pela prática do amor fraterno e da caridade benfazeja, repartindo tudo, mesmo que seja um simples sorriso e um aperto de mão ao irmão excluído ou ao favelado.
Enquanto construímos esse Reino no mundo, todos nós, sem distinção, devemos assumir como nossa a causa de Deus. Trata-se de uma vigilância escatológica, estarmo-nos ocupados, com diligência, à missão de construtores do Reino. Cristo se mostra presente, enquanto vnos preparamos para o encontro com Ele, com Sua glória, advinda das boas obras de caridade e da misericórdia.
O trecho do Evangelho de hoje faz um forte apelo para a vigilância. Mas, o que significa vigiar? Esta história de que temos que esperar uma solução miraculosa para os problemas do mundo não é mais admissível. O homem e a mulher devem estar engajados na realização dos projetos e do Reino de Deus na vida concreta do dia-a-dia. Jesus está vivo em nosso meio, até o fim dos tempos. Por isso, devemos interpretar a “volta de Cristo” como sendo um fato isolado que acontecerá num dia e numa hora específicos do calendário que a Ele cabe dentro do tempo de Deus.
O importante, hoje, é a responsabilidade que Deus nos confia: fazer acontecer o seu Reino no dia-a-dia de nossa vida pessoal, espiritual, paroquial, comunitária, em todas as nossas relações, sejam elas pessoais ou profissionais, praticando o bem, promovendo a paz e a justiça.
Cristo resolverá nossos problemas na medida em que permitirmos ao Cristo presente em cada um, pelo Batismo, agir na comunicação das bem-aventuranças da vida cristã. Tudo isso para ajudar a edificar, aqui e agora, um novo tempo, tempo de graça e de paz.
Meus irmãos e minhas irmãs,
Este domingo nos deixa uma reflexão importante sobre a presença permanente de Deus como sentido último de nossa existência e atuação em cada momento, principalmente no testemunho público e social de nossa fé, perante o mundo cada dia mais secularizado e mais longe da santidade pedida pelo Menino encarnado no Seio Virginal e concebido em Belém. Essa presença é de alegria e esperança; é a presença deste Deus que se alegra com nosso compromisso evangelizador e nosso engajamento no encontro com o Senhor que vem, carregando as sementes da Esperança cristã.
Advento é isso: tempo de espera, mas tempo de revisão de vida, em que as coisas velhas vão dando espaço às coisas novas para acontecer, desde já, o Reino de Deus.
Todos somos convidados a enxergar a situação que nos rodeia e acreditar que é possível resolver nossos problemas, sempre contando com a graça e o auxílio de Deus Menino, o Divino Infante.
Que a liturgia inaugural do tempo do Advento contamine nossos corações com o corolário da reflexão que a Palavra de Deus nos propõe nesta celebração: “amar, desde agora, as coisas do céu e, caminhando entre as coisas que passam, abraçar as que não passam”.
Tudo passa, só Cristo permanece pelos séculos dos séculos. Amém!
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