| Devemos esperar o paraíso terrestre? |
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG |
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Bem cedo a humanidade desejou uma “vida eterna”. Os anseios de perenidade do ser humano vão muito além da curta existência que nos é dada. O banquete da vida é terminado antes da nossa satisfação plena.
A existência acaba por ser colhida pela morte, como se colhe uma flor em pleno viço. A interrupção da caminhada nos causa uma frustração enorme. A convicção de que a vida continua, em outra dimensão, vem desde os tempos da filosofia grega.
Com a ressurreição de Jesus acabaram-se todas as dúvidas: somos chamados a uma vida sem fim. “Voltai-vos para mim e sereis salvos” (Is 45, 22). A escatologia cristã (fatos que acontecem após a morte), é riquíssima, e tem um poder insuperável de motivação permanente. O paraíso é a recompensa das pessoas de bem. É a garantia de estar na presença do Senhor, numa satisfação plena de todo o nosso ser.
Nos tempos modernos, onde a fé se ofuscou, e surgiram especiosas ideologias substitutivas, foi criada uma nova escatologia. O capitalismo e o comunismo (sobretudo este), baixaram as grandes expectativas humanas para o rés do chão. “O paraíso é aqui mesmo. Para que ficar olhando para além do horizonte? O nosso compromisso é para com este mundo. Aqui é que devemos instalar um céu para a humanidade”.
Embora esse paraíso terrestre não dê mostras de se concretizar, a humanidade fica se esfalfando, perseguindo a miragem que, entretanto, insiste em se procrastinar. Os cristãos estariam rejeitando os deveres deste mundo, para se fixar na pátria celeste. Mas não.
Nossas motivações são muito consistentes e realistas. Não pedimos ao Criador para nos tirar deste mundo. Mas exclamamos: “Vem, Senhor Jesus” (Ap 22, 20). É que queremos que os ideais de Jesus impregnem as realidades deste mundo, com valores eternos. Rezando: “Venha a nós o vosso Reino” (Lc 11, 2), temos o propósito de revestir as realidades da vida com os valores de Jesus. Esta é a condição para recebermos a recompensa eterna.
A prática da solidariedade é a moeda de troca: “Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos” (1 Jo 3, 14). Existe melhor maneira de estar inserido neste mundo? Queremos dar à humanidade uma esperança melhor pois “o paraíso terrestre nunca existirá” (João XXIII, Mater et Magistra, 451).
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