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Ser humilde, dentro da tradição cristã, tem um significado muito típico. Jesus chegou a falar: “sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).
Aparentemente é uma sentença que poderia soar a jactância e refinado orgulho. Mas é só um serviço real que Jesus queria prestar a seus irmãos. Por isso pôde exclamar: “aprendei de mim porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29).
Ele podia falar isso porque é a mais pura verdade, revestida de absoluta retidão. O que deduzimos disso? Ser humilde não é rastejar. Não é ausência de espinha dorsal. Mas é ter um conceito sobre si mesmo que corresponda à verdade.
Alguém pode ser o homem mais humilde da terra, e ter ao mesmo tempo de si uma grande autoestima. Isso não exclui a humildade de reconhecer erros, quando eles existem.
Observamos que o Divino Mestre jamais deu qualquer sinal de complexo de inferioridade. Jamais se humilhou perante os poderosos, para se livrar de mal-entendidos, ou reconheceu erros inexistentes para contornar situações.
O nosso querido Papa Bento XVI, durante vários dias, esteve no olho de um furacão devastador. Por ter aludido a uma afirmação de juízo histórico que, interiormente, todos parecem confirmar, desabou sobre ele uma tempestade desproporcional, vinda de líderes islamitas.
Foi uma intolerância suprema, sinalizando nervo exposto. A reação levanta suspeitas de que os fatos aludidos tem alguma consistência. Jesus já passara pela mesma experiência: “Os fariseus procuravam matá-lo” (Jo 5, 18).
O que se exigia do Papa, sob pena de um apocalipse final? Uma retratação mentirosa e humilhante.
Uma capitulação vergonhosa. Alguém pode criticar o Papa pela sua “diplomacia germânica” ao levantar a questão.
Mas ninguém pode dar-lhe maus conselhos - como ouvi de piedosas pessoas - sugerindo-lhe uma humilhação, para escapar de funestas conseqüências. Essa onda nos atinge também a nós. “Ferirei o pastor e as ovelhas se dispersarão” (Mt 26, 31).
Diante desse quadro cabe-nos rezar constantemente pelo sucessor de São Pedro. Ele muito merece e precisa de nossas sinceras orações.
Mas o infeliz episódio não deve provocar cansaço no diálogo com representantes qualificados do islamismo, que estejam de coração aberto.
A busca de aproximação deve continuar, porque eles também são, de alguma forma, da descendência de Abraão.
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