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Já diziam os romanos, com toda
a razão: “timeo hominem unius libri” (tenho
medo de um homem que só lê um livro). Os antecessores
de nossa língua portuguesa queriam dizer que, a pessoa
que organiza a sua vida, a partir de um único autor,
torna-se limitada e unilateral.
Perde a descoberta de novas possibilidades. Os mineiros diriam
que tal cidadão se torna “sistemático”.
E, em palavras menos rebuscadas, fica “quadrado”.
Deus, na sua grande sabedoria, fez aparecerem grandes quantidades
de plantas e de animais, numa variedade exuberante, quase infinita.
Existem milhões de espécies animais e vegetais.
Até de pernilongos...O onipotente caprichou, mesmo nas
raças humanas, que apresentam diferenças notáveis,
de um continente a outro.
“E Deus viu que tudo o que fizera era muito bom”
(Gen 1, 31). Por essa razão, respeitando o bom gosto
daquele que é origem de todas as coisas, não se
pode ser a favor da clonagem, quando se trata da raça
humana.
Seria depauperar uma disposição genética,
que garante nuanças matizadas de cores de pele e de cabelos,
de força de músculos, de diferenças de
inteligências, de aptidões e de sentimentos para
todos os gostos.
A clonagem desconhece a potencialidade bilionária dos
cromossomos e dos gens. A raça humana teria uma tendência
insopitável para a monotonia e a falta de bom gosto.
Não lhe parece que entre nós existe uma tendência
a nos tornarmos repetitivos? Por que a cultura unilateral do
esporte bretão? Nas olimpíadas o futebol nos reduz
à precariedade. Por que só pensarmos em monocultura
da soja (talvez menos maléfica)? Mas agora a onda é
a cana.
A curto prazo até pode ser uma solução
para o homem do campo, para se safar de dívidas impagáveis
dos bancos. Mas a longo prazo a monocultura da cana será
portadora de pobreza para muita gente, e de esvaziamento total
do ambiente rural. Dou graças a Deus porque o meu amado
Rio Grande do Sul jamais vai virar um canavial.
A geada, apesar do aquecimento global, permanece uma ameaça
constante. E assim as cidades jamais vão inchar descontroladamente,
nem vai faltar frango, arroz, milho e soja. Vamos estar de sobreaviso.
A monocultura tolhe o espírito criativo. A variedade
nos enriquece.
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