| Mudou a alma brasileira ? |
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG |
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Quero me valer de um pensamento de Sigmund
Freud, cujo desenvolvimento considero uma pérola. Embora
eu tenha esse psicólogo, junto com Marx e Nietsche, em
conta de um ateu total, nada impede, como diz São Paulo,
de “aproveitar tudo o que é bom”.
Mesmo que provenha de um coração sem fé.
Vou aplicar sua intuição dos níveis de
consciência, à nação brasileira.
Ensina o médico de Viena que temos o “ego”
(consciente), o “id” que é uma espécie
de porão onde permanecem nossas motivações
inconscientes, e o “super-ego” (encarregado de alertar
sobre decisões da vida, e até de fornecer princípios).
O “ego”, na minha interpretação, seria
a atividade normal do povo brasileiro como o trabalho, a vida
de família, a organização da vida política,
a vida religiosa, a educação, a imprensa e a saúde.
Constitui o nível do nosso progresso científico,
e a normalidade da existência humana.
Já o “id” seria a camada reservada às
motivações profundas, não plenamente compreendidas,
mas destinadas a influenciar nosso modo de ser. Afloram com
muito vigor em certos momentos da vida nacional.
É o caso da explosão do futebol e do carnaval.
Devemos ter em mente Gilberto Freire, quando explicou o Brasil
a partir da “casa grande e da senzala”. Se na senzala,
o povo humilde, não vence pelo seu poder, ganha todas
pela esperteza. No futebol vencemos os gringos pela drible endiabrado
e pela surpresa.
O “super-ego” da nação é o
governo, o poder judiciário e também a autoridade
religiosa. Esses chamam a atenção da nação.
Entendo que, atualmente, o governo está desgastado, e
pouca moral tem para ditar comportamentos. O poder judiciário
é alvo de suspeitas. Restaria a autoridade religiosa.
Mas esta foi enfraquecida pelo progresso das seitas. Estas ainda
estão sem autoridade por causa de sua busca desenfreada
pelo dinheiro e pelo poder. A Igreja Católica, por ter
sido combatida diuturnamente, pela grande imprensa, foi desvestida
de seu papel moderador da sociedade. Foi um grande mal. Hoje
os ladrões roubam, os assaltantes matam, os bandalheiros
quebram e saqueiam, as famílias se desunem, a juventude
é levada às drogas. E não há mais
ninguém para advertir, dar um pito, ou chamar ao raciocínio.
Com a redução da Igreja ao silêncio, a nação
está sem uma verdadeira alma. Todos sabemos que a “natureza
tem horror ao vácuo”.
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