| Sons, ruídos, alto-falantes. |
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG |
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Os mais provectos em anos se lembram
da trajetória ruidosa do “radinho de pilha”,
nos anos cinqüenta. Foi uma inovação tão
emocionante que, de repente, o mundo podia entrar em nossa casa,
no ônibus, nos salões, sem a menor cerimônia.
Até , inicialmente, não se revestia de qualquer
conotação caipira, pois seu uso era geral, chegando
a aparentar modernidade.
Haja paciência. No ônibus tinha-se a obrigação,
forçada, de ouvir a irradiação de um jogo
de futebol que não nos interessava. Nas rodas de conversa
tudo ia bem até comparecer alguém com um radinho,
cujas pilhas estavam novas em folha. Felizmente a civilidade
ultrapassou esse tempo. Essa vaidade fútil, foi abandonada.
Mas, curiosamente permaneceram outros lances, que se opõem
a uma convivência civilizada. Ainda se esquece o que Cristo
ensinou sobre a caridade. “Não faças aos
outros o que não queres que te façam” (Lc
6, 31).
Continuam os apitaços no trânsito, os cavalos-de-pau
nas madrugadas, as festinhas até o raiar do dia, as propagandas
sonoras sem critério, os automóveis com um som
de potência continental...
O pior de tudo é o som propagado por certos clubes, boates
e similares. Seus ruídos inúteis e prepotentes
tem a capacidade de manter acordados bairros inteiros, e de
desvalorizar todos os seus imóveis.
Ainda bem que as igrejas, há bom tempo, ficaram livres
de reclamações do povo, por terem restringido
o uso do som ao estritamente necessário. O que ajudou
sobremaneira a diminuir os incômodos sonoros, foram as
emissoras de rádio e de televisão, que avocaram
a si a maior parte das propagandas e dos avisos.
Neste caso, a sintonia é livre, e não há
perturbação do ambiente. Os governantes mostraram
interesse em debelar a poluição sonora. Fizeram-se
leis restritivas. A truculência sonora foi desestimulada.
Mas continuam problemas nesta área: tendo alvará,
há licença oficial para incomodar meio mundo.
E o que é pior. Fazem-se leis restritivas que os poderosos
ultrapassam, e agem como se elas não existissem.
Existem circunstâncias em que devemos ter boa dose de
tolerância. Uma é quando as crianças fazem
os seus alaridos alegres. O barulho faz bem para elas...e também
para nós. A outra é com as extravagâncias
dos jovens. Aí a tolerância deve ir, pelo menos,
até certo ponto. Eles expressam sua insegurança.
Deixemo-los, numa atitude de compreensão, esperando seu
amadurecimento.
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