{"id":9818,"date":"2019-11-16T08:23:14","date_gmt":"2019-11-16T11:23:14","guid":{"rendered":"http:\/\/liturgia.catequisar.com.br\/?p=9818"},"modified":"2019-11-16T08:30:23","modified_gmt":"2019-11-16T11:30:23","slug":"33o-domingo-do-tempo-comum-c-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/33o-domingo-do-tempo-comum-c-2\/","title":{"rendered":"33\u00ba Domingo do Tempo Comum C"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus\nqueridos irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estamos\nchegando ao fim do ano lit\u00fargico em que o Evangelho que n\u00f3s refletimos foi o de\nS\u00e3o Lucas. Hoje n\u00f3s relembramos que a vinda do Senhor deve ser motivo de\nesperan\u00e7a, alegria, plenitude e completa liberta\u00e7\u00e3o de todas as amarras que\noprimem o povo de Deus. O existir do crist\u00e3o batizado consiste na cont\u00ednua e\npersistente espera e no clamor para que Cristo venha em nosso aux\u00edlio. Assim\ntodos n\u00f3s devemos clamar: <em>\u201cVem Senhor Jesus!\u201d, <\/em>por isso todos n\u00f3s somos\nconvidados para a vigil\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o\nLucas colocou a Igreja dentro do contexto de persegui\u00e7\u00e3o da \u00e9poca de Jesus, de\nmaneira que esta persegui\u00e7\u00e3o reflorescesse na Igreja um compromisso de firmeza\nda profiss\u00e3o de f\u00e9. As persegui\u00e7\u00f5es v\u00e1rias s\u00e3o o prel\u00fadio do Ju\u00edzo de Deus\nsobre a hist\u00f3ria, quando ele fizer justi\u00e7a aos justos e destruir os \u00edmpios,\nconforme nos ensina a Primeira Leitura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caros\nirm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira leitura fala do livro de Malaquias(Ml\n3,19-20a).O nome \u201cMalaquias\u201d n\u00e3o \u00e9 um nome pr\u00f3prio. Malaquias significa \u201co meu\nmensageiro\u201d; \u00e9 o t\u00edtulo tomado por um profeta an\u00f4nimo, sobre o qual\npraticamente nada sabemos e que se apresenta como \u201cmensageiro\u201d de Deus.\nTrata-se de um profeta do per\u00edodo p\u00f3s-ex\u00edlico, estamos falando na primeira\nmetade do s\u00e9culo V a.C.(entre os anos 480 e 450 a.C.), em que o Templo de\nJerusal\u00e9m j\u00e1 havia sido reconstru\u00eddo(cf. Mal 1,10) e o culto j\u00e1 funcionava \u2013\nainda que mal (cf. Mal 1,7-9.12-13)\u2026 No entanto, o entusiasmo pela reconstru\u00e7\u00e3o\nestava apagado; desanimado ao ver que as antigas promessas de Deus n\u00e3o se\ntinham cumprido, o Povo havia ca\u00eddo na apatia religiosa e na absoluta falta de\nconfian\u00e7a em Deus\u2026 O povo de Israel duvidava do amor de Deus, da sua justi\u00e7a,\ndo seu interesse por Jud\u00e1. Todo este ceticismo tinha repercuss\u00f5es no culto, que\nestava cada vez mais desleixado, e na \u00e9tica em que, infelizmente, multiplicavam-se\nas falhas, as injusti\u00e7as, as arbitrariedades. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este \u201cmensageiro de Deus\u201d reage vigorosamente\ncontra a situa\u00e7\u00e3o em que o Povo de Jud\u00e1 est\u00e1 a cair. Coloca cada um diante das\nsuas responsabilidades para com Jahw\u00e9h e para com o pr\u00f3ximo, exige a convers\u00e3o\ndo Povo e a reforma da vida cultual. A sua l\u00f3gica \u00e9 a l\u00f3gica deuteronomista: se\no Povo se obstinar em percorrer caminhos de infidelidade \u00e0 Alian\u00e7a, voltar\u00e1 a\nconhecer a morte e a infelicidade; mas se o Povo se voltar para Deus e cumprir\nos mandamentos, voltar\u00e1 a gozar da vida e da felicidade que Deus oferece\n\u00e0queles que seguem os seus caminhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A per\u00edcope de hoje \u2013 Ml\n3,19-20a- refere-se ao \u201cdia do julgamento\u201d \u2013 isto \u00e9, ao dia em que Deus vai\nintervir na hist\u00f3ria, no sentido de destruir o mal, a injusti\u00e7a, a opress\u00e3o, o\npecado e fazer triunfar o bem, a justi\u00e7a, a verdade. Diante do fogo do Senhor\nque purifica e renova, \u201cser\u00e3o como palha os soberbos e malfeitores\u201d e o Senhor\n\u201cn\u00e3o lhes deixar\u00e1 nem raiz nem ramos\u201d; em contrapartida, para os que se mant\u00eam\nnos caminhos da alian\u00e7a e dos mandamentos, \u201cnascer\u00e1 o sol da justi\u00e7a, trazendo\nnos seus raios a salva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u201cmensageiro de Deus\u201d est\u00e1\na referir-se ao \u201cdia do Senhor\u201d \u2013 um conceito que aparece com frequ\u00eancia na\nliteratura prof\u00e9tica (cf. Am 5,18; Sof 1,14-18; Jl 2,11) para designar o\nmomento da interven\u00e7\u00e3o de Deus na hist\u00f3ria, o momento em que Deus vai oferecer\nao seu Povo a salva\u00e7\u00e3o definitiva. O profeta est\u00e1 \u2013 utilizando uma linguagem e\nimagens tipicamente prof\u00e9ticas \u2013 a pedir aos seus concidad\u00e3os que n\u00e3o desanimem\nnem desesperem, pois Deus vai intervir no mundo para fazer aparecer um mundo\nnovo. Trata-se, fundamentalmente, de um apelo \u00e0 esperan\u00e7a: \u201capesar da situa\u00e7\u00e3o\nca\u00f3tica em que estamos, n\u00e3o desanimemos, mantenhamo-nos fi\u00e9is a Deus, pois Deus\nvai fazer aparecer um mundo novo, de vida e de felicidade para todos\u201d. As\nimagens do \u201cfogo\u201d devorador e da \u201cpalha\u201d que \u00e9 integralmente queimada s\u00e3o\nimagens b\u00edblicas muito comuns na \u00e9poca (sobretudo entre os autores\napocal\u00edpticos) para significar a interven\u00e7\u00e3o de Deus, a atua\u00e7\u00e3o libertadora de\nDeus no mundo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante da\nmensagem da primeira leitura \u00e9 preciso ter consci\u00eancia de que a interven\u00e7\u00e3o\nlibertadora de Deus n\u00e3o deve ser projetada apenas para o \u201c\u00faltimo dia\u201d do mundo.\nEla acontece a cada instante; e n\u00f3s devemos estar numa espera vigilante e\nativa, a fim de sabermos reconhecer e acolher de bra\u00e7os abertos a interven\u00e7\u00e3o\nsalvadora e libertadora de Deus na nossa hist\u00f3ria e na nossa vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus\nirm\u00e3os queridos,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jesus\nveio uma vez ao mundo em carne humana, n\u00e3o se prevalecendo da condi\u00e7\u00e3o\ndivina(Cf. Fl 2,6), fazendo-se em tudo igual as criaturas humanas, exceto no\npecado(Cf. Hb 4,15). Na segunda vinda de Cristo, o Senhor vir\u00e1 glorioso, Senhor\ndo c\u00e9u e da terra, juiz de todas as criaturas. N\u00f3s vivemos, assim, entre a primeira\nvinda e a vinda que aguardamos. Vivemos na doce certeza da primeira e na\nexpectativa da segunda. \u00c9 um itiner\u00e1rio ou uma caminhada de f\u00e9 e esperan\u00e7a. A\ncaminhada que todos n\u00f3s somos convidados a percorrer pessoalmente, tendo sempre\npresente que Cristo nos acompanha, nos anima e nos fortalece porque: <em>\u201cEstarei\nconvosco at\u00e9 o fim dos tempos\u201d(Cf. Mt 28,20).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim\nhoje Jesus nos fala do momento em que passamos dessa vida para a outra, o fim\ndo tempo presente e o in\u00edcio da eternidade. A nossa morte repete, de certo\nmodo, o natal de Jesus: ele passou da eternidade para o tempo, n\u00f3s passamos do\ntempo para a eternidade. Penar no <em>\u201cmundo vindouro\u201d <\/em>\u00e9 imensamente\npositivo. \u00c9 nele que se coloca a esperan\u00e7a crist\u00e3 porque <em>\u201cA morte \u00e9 o\ncoroamento da felicidade da alma e o come\u00e7o da felicidade do corpo\u201d, <\/em>nas\npalavras de Blaise Pascal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caros\nirm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Evangelho deste domingo(Cf. Lc 21,5-19)\noferece-nos uma reflex\u00e3o sobre o percurso que a Igreja \u00e9 chamada a percorrer,\nat\u00e9 \u00e0 segunda vinda de Jesus. A miss\u00e3o dos disc\u00edpulos em caminhada na hist\u00f3ria\n\u00e9 comprometer-se na transforma\u00e7\u00e3o do mundo, de forma a que a velha realidade\ndesapare\u00e7a e nas\u00e7a o Reino. Esse \u201ccaminho\u201d ser\u00e1 percorrido no meio de\ndificuldades e persegui\u00e7\u00f5es; mas os disc\u00edpulos ter\u00e3o sempre a ajuda e a for\u00e7a\nde Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ambiente deste Evangelho \u00e9 a\ncidade de Jerusal\u00e9m, daqueles \u00faltimos dias antes da paix\u00e3o. Como acontece com\nos outros Evangelhos sin\u00f3pticos (cf. Mt 24-25; Mc 13), tamb\u00e9m S\u00e3o Lucas conclui\na prega\u00e7\u00e3o de Jesus com um discurso escatol\u00f3gico onde se misturam refer\u00eancias \u00e0\nqueda de Jerusal\u00e9m e ao \u201cfim dos tempos\u201d. Para S\u00e3o Lucas, Jesus est\u00e1 nos \u00e1trios\ndo Templo com os disc\u00edpulos (na vers\u00e3o de Mateus e de Marcos, Jesus est\u00e1 no\nmonte das Oliveiras); \u00e9 a contempla\u00e7\u00e3o das belas pedras do Templo, que leva\nJesus a esta catequese escatol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00f3s vamos dividir o evangelho em tr\u00eas momentos da\nhist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o: a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, o tempo da miss\u00e3o da Igreja e\na vinda do Filho do Homem (que por\u00e1 fim ao \u201ctempo da Igreja\u201d e trar\u00e1 a\nplenitude do \u201cReino de Deus\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Evangelho inicia com o an\u00fancio da destrui\u00e7\u00e3o de\nJerusal\u00e9m (vers. 5-6). Na perspectiva prof\u00e9tica, Jerusal\u00e9m \u00e9 o lugar onde deve\nirromper a salva\u00e7\u00e3o de Deus (cf. Is 4,5-6; 54,12-17; 62; 65,18-25) e para onde\nconvergir\u00e3o todos os povos empenhados em ter acesso a essa salva\u00e7\u00e3o (cf. Is\n2,2-3; 56,6-8; 60,3; 66,20-23). No entanto, Jerusal\u00e9m recusou a oferta de\nsalva\u00e7\u00e3o que Jesus veio trazer. A destrui\u00e7\u00e3o da cidade e do Templo significa\nque Jerusal\u00e9m deixou de ser o lugar exclusivo e definitivo da salva\u00e7\u00e3o. A Boa\nNova de Jesus vai, portanto, deixar Jerusal\u00e9m e partir ao encontro de todos os\npovos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Come\u00e7a, assim, uma outra fase da hist\u00f3ria da\nsalva\u00e7\u00e3o: come\u00e7a o \u201ctempo da Igreja\u201d \u2013 o tempo em que a comunidade dos\ndisc\u00edpulos, caminhando na hist\u00f3ria, testemunhar\u00e1 a salva\u00e7\u00e3o a todos os povos da\nterra. A reflex\u00e3o continua com uma reflex\u00e3o sobre o \u201ctempo da Igreja\u201d, que\nculminar\u00e1 com a segunda vinda de Jesus (vers. 7-19). S\u00e3o Lucas, primeiramente,\nsugere que, ap\u00f3s a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, surgir\u00e3o falsos messias e\nvision\u00e1rios que anunciar\u00e3o o fim (o que \u00e9, ali\u00e1s, vulgar em \u00e9pocas de crise e\nde cat\u00e1strofe). S\u00e3o Lucas avisa: \u201cn\u00e3o sigais atr\u00e1s deles\u201d (vers. 8); e\nesclarece: \u201cn\u00e3o ser\u00e1 logo o fim\u201d (vers. 9). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m no ano 70 pelas tropas\nde Tito deve ter parecido aos crist\u00e3os o pren\u00fancio da segunda vinda de Jesus e\nalguns pregadores populares deviam alimentar essas ilus\u00f5es. Mas S\u00e3o Lucas (que\nescreve o seu evangelho durante os anos 80) est\u00e1 apostado em eliminar essa\nfebre escatol\u00f3gica que crescia em certos sectores crist\u00e3os: em lugar de viverem\nobcecados com o fim, os crist\u00e3os devem preocupar-se em viver uma vida crist\u00e3\ncada vez mais comprometida com a transforma\u00e7\u00e3o \u201cdeste\u201d mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em segundo lugar, Lucas diz aos crist\u00e3os o que\nacontecer\u00e1 nesse \u201ctempo de espera\u201d: paulatinamente, ir\u00e1 surgindo um mundo novo.\nPara dizer isto, Lucas recorre a imagens apocal\u00edpticas (\u201cum povo se levantar\u00e1\ncontra outro povo, um pa\u00eds atacar\u00e1 outro pa\u00eds\u201d \u2013 vers. 10, cf. Is 19,2; 2 Cr\n15,6; \u201chaver\u00e1 grandes terramotos, fomes e pestes em muitos lugares acontecer\u00e3o\ncoisas pavorosas e grandes sinais ser\u00e3o vistos no c\u00e9u\u201d \u2013 vers. 11), muito\nusadas pelos pregadores populares da \u00e9poca para falar da queda do mundo velho \u2013\no mundo do pecado, do ego\u00edsmo, da explora\u00e7\u00e3o \u2013 e do surgimento de um mundo novo.\nA quest\u00e3o \u00e9, portanto, esta: no tempo que medeia entre a queda de Jerusal\u00e9m e a\nsegunda vinda de Jesus, o \u201cReino de Deus\u201d ir-se-\u00e1 manifestando; o mundo velho\ndesaparecer\u00e1 e nascer\u00e1 um mundo novo (recordemos que os disc\u00edpulos n\u00e3o devem esper\u00e1-lo\nde bra\u00e7os cruzados, \u00e0 espera que Deus fa\u00e7a tudo, mas devem empenhar-se na sua\nconstru\u00e7\u00e3o). \u00c9 claro que a liberta\u00e7\u00e3o plena e definitiva s\u00f3 acontecer\u00e1 com a\nsegunda vinda de Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em terceiro lugar, S\u00e3o Lucas coloca e adverte os\ncrist\u00e3os de sobreaviso para as dificuldades e persegui\u00e7\u00f5es que marcar\u00e3o a\ncaminhada hist\u00f3rica da Igreja pelo tempo fora, at\u00e9 \u00e0 segunda vinda de Jesus.\nS\u00e3o Lucas lembra-lhes, contudo, que n\u00e3o estar\u00e3o s\u00f3s, pois Deus estar\u00e1 sempre\npresente; ser\u00e1 com a for\u00e7a de Deus que eles enfrentar\u00e3o os advers\u00e1rios e que\nresistir\u00e3o \u00e0 tortura, \u00e0 pris\u00e3o e \u00e0 morte; ser\u00e1 com a ajuda de Deus que eles\npoder\u00e3o, at\u00e9, resistir \u00e0 dor de ser atrai\u00e7oados pelos pr\u00f3prios familiares e\namigos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando S\u00e3o Lucas escreve este texto, tem bem\npresente a experi\u00eancia de uma Igreja que caminha e luta na hist\u00f3ria para tornar\nrealidade o \u201cReino\u201d e que, nessa luta, conhece os sofrimentos, as dificuldades,\na persegui\u00e7\u00e3o e o mart\u00edrio; as palavras de alento que ele aqui deixa \u2013\nsobretudo a certeza de que Deus est\u00e1 presente e n\u00e3o abandona os seus filhos \u2013\ndevem ter constitu\u00eddo uma ajuda inestim\u00e1vel para esses crist\u00e3os a quem o\nEvangelho se destinava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fica evidente que o discurso\nescatol\u00f3gico define, portanto, a miss\u00e3o da Igreja na hist\u00f3ria (at\u00e9 \u00e0 segunda\nvinda de Jesus): dar testemunho da Boa Nova e construir o Reino. Os disc\u00edpulos\nnada dever\u00e3o temer: haver\u00e1 dificuldades, mas eles ter\u00e3o sempre a ajuda e a\nfor\u00e7a de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O seguimento crist\u00e3o \u00e9 uma caminhada que n\u00e3o nos leva ao\naniquilamento, \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o absoluta, ao fracasso total, mas \u00e0 vida nova, \u00e0\nvida plena; por isso, deve ser uma caminhada que devemos percorrer de cabe\u00e7a\nlevantada, cheios de alegria e de esperan\u00e7a. O seguimento crist\u00e3o, \u00e9 antes de\ntudo, uma caminhada eivada de dificuldades, de lutas, onde o bem e o mal se confrontar\u00e3o\nsem cessar; mas \u00e9 um percurso onde o mundo novo ir\u00e1 surgindo \u2013 embora com\navan\u00e7os e recuos \u2013 e onde a semente do \u201cReino\u201d ir\u00e1 germinando. Os batizados s\u00e3o\nchamados a reconhecer os \u201csinais\u201d do \u201cReino\u201d, para na alegria do servi\u00e7o\ngeneroso viverem a alegria porque o \u201cReino\u201d est\u00e1 presente e todos devem fazer o\nesfor\u00e7o, cotidiano, para tornar poss\u00edvel essa nova realidade. A nossa vida n\u00e3o\npode se resumir em ficar de bra\u00e7os cruzados olhando passivamente para o c\u00e9u,\nmas um compromisso s\u00e9rio e empenhado, de forma a que flores\u00e7a o mundo novo da\njusti\u00e7a, do amor e da paz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Irm\u00e3os\ncar\u00edssimos,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\nmorte \u00e9 o doce encontro com o Redentor, por isso n\u00e3o deve apavorar o homem. \u00c9 o\nponto inicial de uma vida nova diante da Trindade Sant\u00edssima. Mas para sermos\nassociados ao Reino de Deus devemos estar em cont\u00ednua vigil\u00e2ncia. Morte que se\napresenta nas guerras, nas revolu\u00e7\u00f5es, nas pestes, nos terremotos, nas\ncarestias, nos tuf\u00f5es, nas tempestades, nas persegui\u00e7\u00f5es, nas pris\u00f5es, nas\ntrai\u00e7\u00f5es, nos \u00f3dios, nas injusti\u00e7as, na mis\u00e9ria e na exclus\u00e3o social. V\u00e1rias\nfacetas da irm\u00e3 morte que deve nos interpelar e nos encaminhar para a convers\u00e3o\ndi\u00e1ria e necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O\nfim dos tempos deve estar sempre presente em nossa vida espiritual,\nprincipalmente para a convers\u00e3o e a mudan\u00e7a de vida. E \u00e9 isso que a Igreja nos\nprop\u00f5e no fim do ano lit\u00fargico e no in\u00edcio do novo tempo da Igreja que \u00e9 sempre\ninaugurado com os exerc\u00edcios espirituais do Advento. Tudo isso para demonstrar\nque Cristo \u00e9 o Alfa e o Omega, ou seja, o Princ\u00edpio e o Fim, conforme nos\nrelembra a Igreja pelo C\u00edrio Pascal que inscreve estas letras para simbolizar o\nCristo Ressuscitado. Assim a morte deve ser lembrada como a Luz do Cristo que\nnos tirou da escravid\u00e3o do pecado e nos elevou a condi\u00e7\u00e3o de filhos e filhas de\nDeus. A morte \u00e9 como um ponto num c\u00edrculo: nunca se sabe se \u00e9 o ponto inicial\nou o ponto final; ou melhor, \u00e9, ao mesmo tempo, final e inicial, porque\ndependendo de nossa ades\u00e3o a Cristo iremos para a vida eterna e a n\u00e3o ades\u00e3o\npara a condena\u00e7\u00e3o sem fim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O\ntemplo de Deus \u00e9 o Cristo Ressuscitado. Jesus mesmo afirmou ser o nosso templo\nde Deus. O mais importante, ent\u00e3o, \u00e9 reconhecer em Jesus algu\u00e9m que pode dar a\nDeus a adora\u00e7\u00e3o plena, e \u00e0 criatura humana, a salva\u00e7\u00e3o para poder louvar a\nDeus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caros\nirm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Segunda Leitura \u00e9 da Segunda Carta de S\u00e3o Paulo aos\nTessalonicenses(Cf. 2Ts 3,7-12). Esta carta \u00e9\ndirigida uma comunidade que vive com entusiasmo a sua f\u00e9 e que d\u00e1 um testemunho\nvigoroso e comprometido da sua ades\u00e3o ao Evangelho de Jesus, mesmo no meio das\ndificuldades e das persegui\u00e7\u00f5es. No entanto, a partida precipitada de S\u00e3o\nPaulo, que teve de deixar Tessal\u00f4nica \u00e0s pressas para fugir a uma cilada armada\ncontra ele pelos judeus da cidade, n\u00e3o permitiu que a catequese ficasse\ncompleta e que certas quest\u00f5es de f\u00e9 fossem suficientemente desenvolvidas e\namadurecidas. Uma dessas quest\u00f5es \u2013 que inquietava grandemente os\ntessalonicenses \u2013 era a da segunda vinda do Senhor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta carta percebe-se, claramente, que alguns\ncrist\u00e3os de Tessal\u00f4nica, persuadidos de que a vinda do Senhor estava muito\npr\u00f3xima, viviam \u201cnas nuvens\u201d, negligenciando os seus deveres de todos os dias\n(2 Ts 2,1-2). Agora, a \u00fanica coisa que faz sentido \u2013 dizem eles \u2013 \u00e9 ter os\nbra\u00e7os, os olhos e o cora\u00e7\u00e3o voltados para o c\u00e9u, esperando a vinda gloriosa do\nSenhor. Esta atitude compreende-se ainda melhor \u00e0 luz da antropologia grega,\nsegundo a qual o homem deve viver voltado para o mundo ideal e espiritual,\nfugindo o mais poss\u00edvel do terreno e material; o trabalho manual \u2013 de acordo\ncom esta perspectiva \u2013 \u00e9 degradante, sem valor algum para a constru\u00e7\u00e3o da\npessoa e deve ser evitado a todo o custo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A carta de S\u00e3o Paulo \u00e9 um duro recado para\naqueles que vivem ocupados com futilidades e n\u00e3o fazem nada de \u00fatil. Nas\nentrelinhas percebemos a perspectiva de inspira\u00e7\u00e3o semita, segundo a qual a\ncondi\u00e7\u00e3o corporal do homem n\u00e3o \u00e9 um castigo; portanto, o trabalho manual n\u00e3o\nenvelhece, mas dignifica. De resto, o autor da carta d\u00e1 como exemplo o pr\u00f3prio\nPaulo: ele nunca escolheu a ociosidade, nem viveu \u00e0 custa de quem quer que fosse\n(\u201ctrabalhamos noite e dia com esfor\u00e7o e fadiga, para n\u00e3o sermos pesados a\nnenhum de v\u00f3s\u201d \u2013 vers. 8); at\u00e9 mesmo durante as suas viagens mission\u00e1rias,\nPaulo nunca aceitou qualquer pagamento \u2013 o que mostra que o seu amor pelos\ncrist\u00e3os e pelas comunidades \u00e9 sincero e nunca teve qualquer interesse\nmaterial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O centro teol\u00f3gico desta passagem \u00e9 exigente,\nsolene, autorit\u00e1rio, pois est\u00e1 em jogo algo de fundamental \u2013 a harmonia da\ncomunidade. \u00c9 que, se numa comunidade houver parasitas que vivem \u00e0 custa dos\ndemais, rapidamente a comunidade chegar\u00e1 a uma situa\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel: o\nequil\u00edbrio romper-se-\u00e1, surgir\u00e3o os conflitos, as acusa\u00e7\u00f5es, as divis\u00f5es e a\nfraternidade ser\u00e1 uma miragem. Viver em comunidade exige a reparti\u00e7\u00e3o\nequitativa dos recursos a que a comunidade tem acesso; mas exige, tamb\u00e9m, a\nresponsabiliza\u00e7\u00e3o de todos os membros, a fim de que todos ponham ao servi\u00e7o dos\nirm\u00e3os os pr\u00f3prios dons e contribuam para a constru\u00e7\u00e3o, para o equil\u00edbrio e\npara a harmonia comunit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cristianismo, o que prega a M\u00e3e Igreja, n\u00e3o fomenta a evas\u00e3o\ndeste mundo, nem pretende fazer alienados que vivam de olhos postos no c\u00e9u e\npassem ao lado das lutas dos outros homens. Pelo contr\u00e1rio, o cristianismo\nvivido com verdade, seriedade e coer\u00eancia credencia um empenhamento sincero na\nconstru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo e mais fraterno, todos os dias, vinte e\nquatro horas por dia. O \u201cReino de Deus\u201d \u00e9 uma realidade que atingir\u00e1 o ponto\nculminante na vida futura; mas come\u00e7a a construir-se aqui e agora e exige o\nesfor\u00e7o e o empenho de todos. Infelizmente, nas comunidades crist\u00e3s\nencontramos, com frequ\u00eancia, pessoas que falam muito e mandam muito, mas fazem\nmuito pouco e, muitas vezes, ainda se aproveitam dos trabalhos dos outros para\nse enfeitar de louros\u2026 Tamb\u00e9m encontramos aqueles que s\u00e3o apenas \u201cconsumidores\npassivos\u201d daquilo que a comunidade constr\u00f3i, mas n\u00e3o se esfor\u00e7am minimamente\npor colaborar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus\nirm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\nesperan\u00e7a sempre deve ser a marca do crist\u00e3o, mesmo que devemos caminhar contra\ntodas as esperan\u00e7as dos homens, que s\u00e3o transit\u00f3rias. Jesus \u00e9 a vida\nverdadeira, que se d\u00e1 a n\u00f3s, criaturas. Mas s\u00f3 a conseguir\u00e3o os que\nperseverarem firmes na f\u00e9. A f\u00e9 ser\u00e1 provada de muitos modos, dentro e fora de\ncasa, e de forma at\u00e9 mesmo violentas e inesperadas, que Jesus simboliza na figura\ndo pai e da m\u00e3e. Que ningu\u00e9m desanime! Pode at\u00e9 acabar a terra. Mas n\u00e3o acabar\u00e1\na Palavra de Deus, feita vida terrena para transmitir a vida eterna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E,\nafinal, quando ser\u00e1 o fim, conforme muitos perguntaram a Jesus? Jesus n\u00e3o \u00e9 um adivinho,\nmas um Mestre e Senhor. Ele n\u00e3o fala nem o dia e nem a hora. Entretanto, nos d\u00e1\npistas e crit\u00e9rios de orienta\u00e7\u00e3o dentro da hist\u00f3ria e as decis\u00f5es que se devem\ntomar para n\u00e3o perder de vista a meta final. Em vez de dizer o dia e a hora\nJesus, na sua segunda vinda, nos trar\u00e1 a liberta\u00e7\u00e3o total e plena. Assim vamos\nvivendo a esperan\u00e7a crist\u00e3 e vamos depositar a nossa confian\u00e7a unicamente em\nJesus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O\nprovis\u00f3rio em seu valor. Relativo, decerto, mas real. \u00c9 a encarna\u00e7\u00e3o da nossa\naspira\u00e7\u00e3o \u00e0 justi\u00e7a de Deus, que tem a \u00faltima palavra. Trabalhemos para que\nfique as obras de caridade porque o corpo, como o templo, ser\u00e1 destru\u00eddo, mas o\ntemplo de Deus permanecer\u00e1 de p\u00e9, adornado de belas pedras das virtudes\ncristas, esculpidas na perseveran\u00e7a no bem, na caridade e na justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Padre Wagner Augusto\nPortugal.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A segunda vinda de Jesus, nos trar\u00e1 a liberta\u00e7\u00e3o plena. 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