{"id":9720,"date":"2019-11-01T13:09:20","date_gmt":"2019-11-01T16:09:20","guid":{"rendered":"http:\/\/liturgia.catequisar.com.br\/?p=9720"},"modified":"2019-11-02T10:34:39","modified_gmt":"2019-11-02T13:34:39","slug":"solenidade-de-todos-os-santos-c-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/solenidade-de-todos-os-santos-c-2\/","title":{"rendered":"Solenidade de Todos os Santos &#8211; C"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Irm\u00e3os e Irm\u00e3s,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Solenidade de todos os santos\nengloba os tr\u00eas momentos do tempo, al\u00e9m da dimens\u00e3o universal do espa\u00e7o.\nRealmente, celebramos os justos do passado, celebrando a voca\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade\nfutura \u2013 ou seja, o c\u00e9u \u2013 e celebramos a santidade como dom \u2013 gra\u00e7a \u2013 presente\ne atuante na hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A santidade presente ou atual,\nque muitas vezes \u00e9 menosprezada, \u00e9 o centro da liturgia desta festa, pela\nmensagem do Santo Evangelho: as Bem-aventuran\u00e7as devem ser entendidas como uma\nproclama\u00e7\u00e3o, pronta e acabada, do Reino de Deus para as pessoas que v\u00e3o ficar\nfelizes com o acontecimento do Reino entre n\u00f3s. S\u00e3o, por conseguinte, ao mesmo\ntempo, a proclama\u00e7\u00e3o da amizade de Deus para aqueles que participam do esp\u00edrito\nque \u00e9 evocado num programa de vida que todos n\u00f3s somos chamados a viver: a\npobreza, a consola\u00e7\u00e3o, a mansid\u00e3o, a justi\u00e7a, a miseric\u00f3rdia, a pureza e a paz.\nTudo que vem de Deus e retorna para o mesmo Deus, o da vida plena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus queridos irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Celebramos hoje o mist\u00e9rio pascal\nde Cristo. E isto n\u00e3o \u00e9 novidade, porque em todas as missas o que celebramos \u00e9\na vida no Cristo Ressuscitado. Todos n\u00f3s somos convidados por S\u00e3o Mateus \u00e0\nalegria da presen\u00e7a de Cristo em nossa vida e na hist\u00f3ria: <strong><em>\u201cAlegrai-vos e\nexultai, porque ser\u00e1 grande a vossa recompensa nos c\u00e9us\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alegria da solenidade de hoje que\nvem muito bem colocada junto \u00e0 comemora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is Defuntos. As duas\ncelebra\u00e7\u00f5es, a da \u00faltima quarta-feira e a de hoje est\u00e3o ligadas pela f\u00e9 e pela\ndoce esperan\u00e7a crist\u00e3 no destino eterno da criatura humana, redimida por Jesus\nCristo. Os santos lembram a meta alcan\u00e7ada, onde n\u00e3o precisam mais da f\u00e9 e da\nesperan\u00e7a, porque tudo \u00e9 amor. A celebra\u00e7\u00e3o de hoje \u00e9 envolvida de esperan\u00e7a e\nde f\u00e9 e, por isso, bastante voltada para as boas obras realizadas por nossos\nmortos, quando vivos, ou que devemos fazer n\u00f3s, para alcan\u00e7ar a coroa da vida\nplena, da vida eterna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na noite santa da Vig\u00edlia Pascal,\nao entoarmos o <em>\u201cExsultet\u201d, <\/em>cantamos\njubilosos: <em>\u201cA Luz do Rei eterno venceu as\ntrevas do mundo&#8230; Cristo libertou-nos da escurid\u00e3o do pecado e da corrup\u00e7\u00e3o do\nmundo e nos consagrou ao amor do Pai e nos uniu na comunh\u00e3o dos santos!\u201d<\/em> E\ncom as velas em punho, elevando a nossa alegria, renovamos as promessas do\nBatismo, isto \u00e9, o nosso ingente compromisso de caminhar na santidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Luz, o pr\u00f3prio Cristo\nRessuscitado, celebrado no Batismo e reafirmado em cada Eucaristia \u00e9 a mesma\nLuz que adv\u00e9m das velas acessas por ocasi\u00e3o de um vel\u00f3rio ou sepultamento. \u00c9 a\nmesma Luz, o mesmo Cristo, luz do mundo e salva\u00e7\u00e3o dos homens e das mulheres,\nque arrancou-nos das trevas do erro e da condena\u00e7\u00e3o, revestindo-nos da gloriosa\ncondi\u00e7\u00e3o de filhos de Deus, e que nos conduz para a luz eterna, onde <em>\u201co Senhor Deus nos iluminar\u00e1 e reinaremos\npelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos\u201d(cf. Ap 22,5).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus queridos Irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caminho natural da vida \u00e9\nnascer e um dia morrer. Ningu\u00e9m vai fugir da \u00fanica certeza que \u00e9 a morte. De\nDeus viemos e para Deus voltaremos, porque Cristo conseguiu a vit\u00f3ria sobre a\nmorte e levou a criatura a participar da vida incorrupt\u00edvel e eterna de Deus. O\nmesmo Senhor que nos legou a vida nos d\u00e1 a morte: <em>\u201cTu, Senhor, tens poder sobre a vida e sobre a morte\u201d(cf. Sb 16,13).<\/em>\nAssim, o mesmo Senhor que nos criou por amor, acolhe-nos para um amor infinito,\npara uma perfeita comunh\u00e3o com Ele. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00f3s, homens e mulheres, de\nmaneira completa, corpo e alma, pertencemos ao Senhor. A morte \u00e9 um encontro\nfestivo do amor divino e da vida humana. S\u00e3o Paulo mostra-nos que \u00e9 <em>\u201cpreciso que este corpo corrupt\u00edvel se\nrevista de incorrup\u00e7\u00e3o e que este ser mortal se revista de imortalidade\u201d(cf.\n1Cor 15,53).<\/em> A morte, portanto, \u00e9 a ponte entre a bela vida terrena e\npassageira para a bel\u00edssima vida celeste, divina e eterna junto de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os mortos n\u00e3o retornam a este\nmundo, mas n\u00f3s formamos com eles que se encontram na chamada COMUNHAO DOS\nSANTOS, uma verdadeira comunh\u00e3o. O que significa que h\u00e1 uma possibilidade de\ncomunicar-nos com eles pela ora\u00e7\u00e3o, pelas missas que celebramos pelo seu eterno\nrepouso. Nos ajudamos mutuamente, rezando pelos falecidos que est\u00e3o na comunh\u00e3o\ndos santos, fazendo a sua mem\u00f3ria no Cristo Ressuscitado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caros irm\u00e3os, <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Primeira Leitura desta\nsolenidade(Ap 7,2-4.9-14) nos fala de uma grande multid\u00e3o, que ningu\u00e9m podia\ncontar. Entre as vis\u00f5es das cat\u00e1strofes do fim do mundo, surge a vis\u00e3o da\ngl\u00f3ria dos eleitos, fruto da salva\u00e7\u00e3o que vem \u201cde nosso Deus&#8230; e do\nCordeiro\u201d(cf. Ap 7,10). Por seu sacrif\u00edcio, o Cordeiro venceu a morte. Desta\nvit\u00f3ria participam os que, especialmente no sacrif\u00edcio do mart\u00edrio,\n\u201cbranquearam suas vestes no sangue do Cordeiro\u201d. N\u00e3o o n\u00famero dos eleitos \u00e9 o\nque esta leitura quer mostrar, mas a vit\u00f3ria sobre as for\u00e7as que se op\u00f5em a\nCristo e a sua comunidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As primeiras persegui\u00e7\u00f5es tinham\nfeito cru\u00e9is destrui\u00e7\u00f5es nas comunidades crist\u00e3s, ainda t\u00e3o jovens. Iriam estas\ncomunidades desaparecer, acabadas de fundar? As vis\u00f5es do profeta trazem uma\nmensagem de esperan\u00e7a nesta prova\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma linguagem codificada, que evoca\nRoma, perseguidora dos crist\u00e3os, sem a nomear diretamente, aplicando-lhe o\nqualificativo de Babil\u00f3nia. A revela\u00e7\u00e3o proclamada \u00e9 a da vit\u00f3ria do Cordeiro.\nQue paradoxo! O pr\u00f3prio Cordeiro foi imolado. Mas \u00e9 o Cordeiro da P\u00e1scoa\ndefinitiva, o Ressuscitado. Ele transformou o caminho de morte em caminho de\nvida para todos aqueles que O seguem, em particular pelo mart\u00edrio, e eles s\u00e3o\nnumerosos; participam doravante ao seu triunfo, numa festa eterna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Prezados irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Segunda Leitura(cf. 1 Jo 3,1-3)\nnos mostra que j\u00e1 somos filhos de Deus, e ainda n\u00e3o \u00e9 manifesto o que seremos \u2013\nQuem n\u00e3o se sabe amado por Deus n\u00e3o entende o que significa ser \u201cfilho de\nDeus\u201d. E sabe-o quem o pratica. Mas este saber fica ainda velado. S\u00f3 na gl\u00f3ria\nmanifesta-se em plena clareza. Mas na esperan\u00e7a j\u00e1 participamos da santidade de\nDeus, se vivermos como seus filhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estamos diante de uma segunda\nmensagem de esperan\u00e7a. Ela responde \u00e0s nossas interroga\u00e7\u00f5es sobre o destino dos\nfi\u00e9is defuntos. Que vieram a ser? Como sab\u00ea-lo, pois desapareceram dos nossos\nolhos? E n\u00f3s pr\u00f3prios, que o seremos? A resposta \u00e9 uma dedu\u00e7\u00e3o absolutamente\nl\u00f3gica: se Deus, no seu imenso amor, faz de n\u00f3s seus filhos, n\u00e3o nos pode\nabandonar. Ora, em Jesus, vemos j\u00e1 a que futuro nos conduz a perten\u00e7a \u00e0 fam\u00edlia\ndivina: seremos semelhantes a Ele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Amados e amadas de Deus,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Evangelho(Mt 5,1-12a) nos\napresenta as Bem Aventuran\u00e7as. Bem-Aventurados: a felicidade prometida por esta\nper\u00edcope, pertence somente aos que temem o Senhor. Foi prometida por Jesus a\nv\u00e1rias categorias de pessoas, entre as quais predomina a dos pobres, sendo tudo\nmais apenas especifica\u00e7\u00e3o do que comporta a pobreza em esp\u00edrito. Ora, a esses\npobres, a esses deserdados, a essa gente que n\u00e3o conta na sociedade \u00e9 agora\noferecida a felicidade, se souberem por sua confian\u00e7a no Senhor. De fato, ela \u00e9\nposs\u00edvel porque Jesus est\u00e1 presente, e \u00e9 oferecida aos que o ouvem com f\u00e9,\napesar da dura realidade de sua situa\u00e7\u00e3o atual. Aqueles que forem perseguidos e\ninjuriados pelo seguimento de Cristo estes ser\u00e3o recompensados no c\u00e9u. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <em>liturgia fala unicamente de santidade. <\/em>Por\u00e9m, para sabermos qual \u00e9 o caminho da santidade, devemos subir com os Ap\u00f3stolos ao monte das Bem-Aventuran\u00e7as, aproximar-nos de Jesus e colocar-nos \u00e0 escuta das palavras de vida que saem dos seus l\u00e1bios. Tamb\u00e9m hoje Ele nos repete:&nbsp;<em>Bem-aventurados os pobres em esp\u00edrito, porque possuir\u00e3o o reino dos c\u00e9us! <\/em>O Mestre divino proclama &#8220;beatos&#8221; e, poder\u00edamos dizer, &#8220;canoniza&#8221; em primeiro lugar os <em>pobres em esp\u00edrito, <\/em>ou seja, aqueles que t\u00eam o cora\u00e7\u00e3o livre de preconceitos e condicionamentos e por isso s\u00e3o totalmente dispon\u00edveis \u00e0 vontade divina. A ades\u00e3o integral e confiante a Deus sup\u00f5e o despojamento e o desapego coerente de si mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> <em>Bem-aventurados os aflitos! <\/em>\u00c9 a bem-aventuran\u00e7a n\u00e3o s\u00f3 daqueles que sofrem pelas inumer\u00e1veis mis\u00e9rias inerentes \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana mortal, mas tamb\u00e9m de quantos aceitam com coragem os sofrimentos derivantes da profiss\u00e3o sincera da moral evang\u00e9lica. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Bem-aventurados os puros de cora\u00e7\u00e3o! <\/em>S\u00e3o proclamados ditosos aqueles que n\u00e3o se contentam com a pureza exterior ou ritual, mas procuram a absoluta retid\u00e3o interior que exclui qualquer mentira e ambiguidade. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Bem-aventurados os que t\u00eam fome e sede de justi\u00e7a! <\/em>A justi\u00e7a humana j\u00e1 \u00e9 uma meta excelsa, que enobrece o \u00e2nimo de quem a procura, mas o pensamento de Jesus tem em vista a justi\u00e7a mais elevada, que consiste na busca da vontade salv\u00edfica de Deus:&nbsp; feliz \u00e9 sobretudo quem tem fome e sede desta justi\u00e7a. Com efeito, Jesus diz:&nbsp; &#8220;S\u00f3 entrar\u00e1 [no Reino do C\u00e9u] aquele que p\u00f5e em pr\u00e1tica a vontade do meu Pai que est\u00e1 no C\u00e9u&#8221; (Mt 7, 21). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Bem-aventurados os misericordiosos! <\/em>Ditosos s\u00e3o aqueles que vencem a dureza de cora\u00e7\u00e3o e a indiferen\u00e7a, para reconhecerem de forma concreta a primazia do amor compassivo a exemplo do Bom Samaritano e, em \u00faltima an\u00e1lise, do Pai &#8220;rico em miseric\u00f3rdia&#8221; (Ef 2, 4). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Bem-aventurados os pacificadores! <\/em>A paz, s\u00edntese dos bens messi\u00e2nicos, constitui uma tarefa exigente. Num mundo que apresenta tremendos antagonismos e obst\u00e1culos, \u00e9 necess\u00e1rio promover uma conviv\u00eancia fraterna inspirada no amor e na partilha, superando inimizades e contrastes. Felizes aqueles que se comprometem neste nobil\u00edssimo empreendimento. Os Santos levaram a s\u00e9rio estas palavras de Jesus. Acreditaram que a &#8220;felicidade&#8221; haveria de lhes advir se a traduzissem concretamente na sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. E experimentaram a sua verdade no confronto quotidiano com a experi\u00eancia:&nbsp; n\u00e3o obstante as prova\u00e7\u00f5es, as obscuridades e as adversidades, saborearam j\u00e1 aqui na terra a profunda alegria da comunh\u00e3o com Cristo. N&#8217;Ele descobriram, presente no tempo, o g\u00e9rmen inicial da futura gl\u00f3ria do Reino de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ades\u00e3o integral e confiante a Deus sup\u00f5e o despojamento e o desapego coerente de si mesmo. <em>Bem-aventurados os aflitos! <\/em>\u00c9 a bem-aventuran\u00e7a n\u00e3o s\u00f3 daqueles que sofrem pelas inumer\u00e1veis mis\u00e9rias inerentes \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana mortal, mas tamb\u00e9m de quantos aceitam com coragem os sofrimentos derivantes da profiss\u00e3o sincera da moral evang\u00e9lica. <em>Bem-aventurados os puros de cora\u00e7\u00e3o! <\/em>S\u00e3o proclamados ditosos aqueles que n\u00e3o se contentam com a pureza exterior ou ritual, mas procuram a absoluta retid\u00e3o interior que exclui qualquer mentira e ambiguidade. <em>Bem-aventurados os que t\u00eam fome e sede de justi\u00e7a! <\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A justi\u00e7a humana j\u00e1 \u00e9 uma meta excelsa, que enobrece o \u00e2nimo de quem a procura, mas o pensamento de Jesus tem em vista a justi\u00e7a mais elevada, que consiste na busca da vontade salv\u00edfica de Deus:&nbsp; feliz \u00e9 sobretudo quem tem fome e sede desta justi\u00e7a. Com efeito, Jesus diz:&nbsp; &#8220;S\u00f3 entrar\u00e1 [no Reino do C\u00e9u] aquele que p\u00f5e em pr\u00e1tica a vontade do meu Pai que est\u00e1 no C\u00e9u&#8221; (Mt 7, 21).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> <em>Bem-aventurados os misericordiosos! <\/em>Ditosos s\u00e3o aqueles que vencem a dureza de cora\u00e7\u00e3o e a indiferen\u00e7a, para reconhecerem de forma concreta a primazia do amor compassivo a exemplo do Bom Samaritano e, em \u00faltima an\u00e1lise, do Pai &#8220;rico em miseric\u00f3rdia&#8221; (Ef 2, 4). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Bem-aventurados os pacificadores! <\/em>A paz, s\u00edntese dos bens messi\u00e2nicos, constitui uma tarefa exigente. Num mundo que apresenta tremendos antagonismos e obst\u00e1culos, \u00e9 necess\u00e1rio promover uma conviv\u00eancia fraterna inspirada no amor e na partilha, superando inimizades e contrastes. Felizes aqueles que se comprometem neste nobil\u00edssimo empreendimento. Os Santos levaram a s\u00e9rio estas palavras de Jesus. Acreditaram que a &#8220;felicidade&#8221; haveria de lhes advir se a traduzissem concretamente na sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. E experimentaram a sua verdade no confronto quotidiano com a experi\u00eancia:&nbsp; n\u00e3o obstante as prova\u00e7\u00f5es, as obscuridades e as adversidades, saborearam j\u00e1 aqui na terra a profunda alegria da comunh\u00e3o com Cristo. N&#8217;Ele descobriram, presente no tempo, o g\u00e9rmen inicial da futura gl\u00f3ria do Reino de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caros irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d que, neste\nprimeiro discurso, Mateus coloca na boca de Jesus, s\u00e3o consideravelmente\ndiferentes das \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d propostas por Lucas (cf. Lc 6,20-26). Mateus\ntem nove \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d, enquanto que Lucas s\u00f3 apresenta quatro; al\u00e9m\ndisso, Lucas prossegue com quatro \u201cmaldi\u00e7\u00f5es\u201d, que est\u00e3o ausentes da per\u00edcope\nde S\u00e3o Mateus. Outras notas caracter\u00edsticas da vers\u00e3o de Mateus s\u00e3o a\nespiritualiza\u00e7\u00e3o (os \u201cpobres\u201d de Lucas s\u00e3o, para Mateus, os \u201cpobres em\nesp\u00edrito\u201d) e a aplica\u00e7\u00e3o dos \u201cditos\u201d originais de Jesus \u00e0 vida da comunidade e\nao comportamento dos crist\u00e3os. \u00c9 muito prov\u00e1vel que o texto de Lucas seja mais\nfiel \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o original e que o texto de Mateus tenha sido mais trabalhado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d s\u00e3o\nf\u00f3rmulas relativamente frequentes na tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica e judaica. Aparecem, quer\nnos an\u00fancios prof\u00e9ticos de alegria futura (cf. Is 30,18; 32,20; Dn 12,12), quer\nnas a\u00e7\u00f5es de gra\u00e7as pela alegria presente (cf. Sl 32,1-2; 33,12; 84,5.6.13),\nquer nas exorta\u00e7\u00f5es a uma vida s\u00e1bia, refletida e prudente (cf. Prov 3,13;\n8,32.34; Sir 14,1-2.20; 25,8-9; Sl 1,1; 2,12; 34,9). Contudo, elas definem\nsempre uma alegria oferecida por Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d evang\u00e9licas\ndevem ser entendidas no contexto da prega\u00e7\u00e3o sobre o \u201cReino\u201d. Jesus proclama\n\u201cbem-aventurados\u201d aqueles que est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o de debilidade, de pobreza,\nporque Deus est\u00e1 a ponto de instaurar o \u201cReino\u201d e a situa\u00e7\u00e3o destes \u201cpobres\u201d\nvai mudar radicalmente; al\u00e9m disso, s\u00e3o \u201cbem-aventurados\u201d porque, na sua\nfragilidade, debilidade e depend\u00eancia, est\u00e3o de esp\u00edrito aberto e cora\u00e7\u00e3o\ndispon\u00edvel para acolher a proposta de salva\u00e7\u00e3o e liberta\u00e7\u00e3o que Deus lhes\noferece em Jesus (a proposta do \u201cReino\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As quatro primeiras\n\u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d referidas por Mateus (vers. 3-6) est\u00e3o relacionadas entre\nsi. Dirigem-se aos \u201cpobres\u201d (as segunda, terceira e quarta \u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d\ns\u00e3o apenas desenvolvimentos da primeira, que proclama: \u201cbem-aventurados os\npobres em esp\u00edrito\u201d). Sa\u00fadam a felicidade daqueles que se entregam\nconfiadamente nas m\u00e3os de Deus e procuram fazer sempre a sua vontade; daqueles\nque, de forma consciente, deixam de colocar a sua confian\u00e7a e a sua esperan\u00e7a\nnos bens, no poder, no \u00eaxito, nos homens, para esperar e confiar em Deus;\ndaqueles que aceitam renunciar ao ego\u00edsmo, que aceitam despojar-se de si\npr\u00f3prios e estar dispon\u00edveis para Deus e para os outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os \u201cpobres em esp\u00edrito\u201d s\u00e3o aqueles\nque aceitam renunciar, livremente, aos bens, ao pr\u00f3prio orgulho e\nauto-sufici\u00eancia, para se colocarem, incondicionalmente, nas m\u00e3os de Deus, para\nservirem os irm\u00e3os e partilharem tudo com eles.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os \u201cmansos\u201d n\u00e3o s\u00e3o os fracos, os\nque suportam passivamente as injusti\u00e7as, os que se conformam com as viol\u00eancias\norquestradas pelos poderosos; mas s\u00e3o aqueles que recusam a viol\u00eancia, que s\u00e3o\ntolerantes e pac\u00edficos, embora sejam, muitas vezes, v\u00edtimas dos abusos e\nprepot\u00eancias dos injustos\u2026 A sua atitude pac\u00edfica e tolerante torn\u00e1-los-\u00e1\nmembros de pleno direito do \u201cReino\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os \u201cque choram\u201d s\u00e3o aqueles que\nvivem na afli\u00e7\u00e3o, na dor, no sofrimento provocados pela injusti\u00e7a, pela\nmis\u00e9ria, pelo ego\u00edsmo; a chegada do \u201cReino\u201d vai fazer com que a sua triste\nsitua\u00e7\u00e3o se mude em consola\u00e7\u00e3o e alegria\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quarta bem-aventuran\u00e7a proclama\nfelizes \u201cos que t\u00eam fome e sede de justi\u00e7a\u201d. Provavelmente, a justi\u00e7a deve\nentender-se, aqui, em sentido b\u00edblico \u2013 isto \u00e9, no sentido da fidelidade total\naos compromissos assumidos para com Deus e para com os irm\u00e3os. Jesus d\u00e1-lhes a\nesperan\u00e7a de verem essa sede de fidelidade saciada, no Reino que vai chegar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O segundo grupo de\n\u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d (vers. 7-11) est\u00e1 mais orientado para definir o\ncomportamento crist\u00e3o. Enquanto que no primeiro grupo se constatam situa\u00e7\u00f5es,\nneste segundo grupo prop\u00f5em-se atitudes que os disc\u00edpulos devem assumir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os \u201cmisericordiosos\u201d s\u00e3o aqueles\nque t\u00eam um cora\u00e7\u00e3o capaz de compadecer-se, de amar sem limites, que se deixam\ntocar pelos sofrimentos e alegrias dos outros homens e mulheres, que s\u00e3o\ncapazes de ir ao encontro dos irm\u00e3os e estender-lhes a m\u00e3o, mesmo quando eles\nfalharam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os \u201cpuros de cora\u00e7\u00e3o\u201d s\u00e3o aqueles\nque t\u00eam um cora\u00e7\u00e3o honesto e leal, que n\u00e3o pactua com a duplicidade e o engano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os \u201cque constroem a paz\u201d s\u00e3o aqueles\nque se recusam a aceitar que a viol\u00eancia e a lei do mais forte rejam as\nrela\u00e7\u00f5es humanas; e s\u00e3o aqueles que procuram ser \u2013 \u00e0s vezes com o risco da\npr\u00f3pria vida \u2013 instrumentos de reconcilia\u00e7\u00e3o entre os homens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os \u201cque s\u00e3o perseguidos por causa\nda justi\u00e7a\u201d s\u00e3o aqueles que lutam pela instaura\u00e7\u00e3o do \u201cReino\u201d e s\u00e3o\ndesautorizados, humilhados, agredidos, marginalizados por parte daqueles que\npraticam a injusti\u00e7a, que fomentam a opress\u00e3o, que constroem a morte\u2026 Jesus\ngarante-lhes: o mal n\u00e3o vos poder\u00e1 vencer; e, no final do caminho, espera-vos o\ntriunfo, a vida plena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na \u00faltima \u201cbem-aventuran\u00e7a\u201d\n(vers. 11), o evangelista dirige-se, em jeito de exorta\u00e7\u00e3o, aos membros da sua\ncomunidade que t\u00eam a experi\u00eancia de ser perseguidos por causa de Jesus e\nconvida-os a resistir ao sofrimento e \u00e0 adversidade. Esta \u00faltima exorta\u00e7\u00e3o \u00e9,\nna pr\u00e1tica, uma aplica\u00e7\u00e3o concreta da oitava \u201cbem-aventuran\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No seu conjunto, as\n\u201cbem-aventuran\u00e7as\u201d deixam uma mensagem de esperan\u00e7a e de alento para os pobres\ne d\u00e9beis. Anunciam que Deus os ama e que est\u00e1 do lado deles; confirmam que a\nliberta\u00e7\u00e3o est\u00e1 a chegar e que a sua situa\u00e7\u00e3o vai mudar; asseguram que eles\nvivem j\u00e1 na din\u00e2mica desse \u201cReino\u201d onde v\u00e3o encontrar a felicidade e a vida\nplena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caros irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O Papa Bento XVI ensinou que: \u201cNo mundo terrestre, a Igreja \u00e9 o in\u00edcio\ndeste mist\u00e9rio de comunh\u00e3o que une a humanidade, um mist\u00e9rio totalmente\ncentrado sobre Jesus Cristo: Ele introduziu no g\u00eanero humano esta din\u00e2mica\nnova, um movimento que o conduz para Deus e ao mesmo tempo para a unidade, para\na paz em sentido profundo\u201d. O Papa <\/strong>Bento XVI precisou tamb\u00e9m que \u201cos Santos \u2013aqueles que a\nIgreja proclama como tais, mas tamb\u00e9m todos os santos e as santas que s\u00f3 Deus\nconhece, e que tamb\u00e9m hoje celebramos\u2013 viveram intensamente esta din\u00e2mica. Em\ncada um deles, de maneira pessoal, fez-se presente Cristo, gra\u00e7as a seu\nEsp\u00edrito que age mediante a Palavra e os <a href=\"https:\/\/www.acidigital.com\/sacramentos\/index.html\">Sacramentos<\/a>\u201d.\n\u201cDe fato, o estar unidos a Cristo, na Igreja, n\u00e3o anula a personalidade, mas, a\ntransforma com a for\u00e7a do amor, e lhe confere, j\u00e1 aqui sore a terra, uma\ndimens\u00e3o eterna\u201d, sublinhou o Papa(01 de Novembro de 2012).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Irm\u00e3os e Irm\u00e3s,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A solenidade de hoje como a festa\nde finados tem um vi\u00e9s todo pascal, de ressurrei\u00e7\u00e3o, de vida eterna. De dentro\nda escurid\u00e3o da morte, nos levantaremos como o Cristo, como o sol de uma aurora\nsem ocaso. E da noite da nossa morte se poder\u00e1 dizer o que se canta na noite\npascal: <em>\u201c\u00d3 noite verdadeiramente\ngloriosa, que une a terra ao c\u00e9u, o homem criado ao seu Criador!\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A santidade n\u00e3o \u00e9 o destino de\nuns poucos, mas de uma imensa multid\u00e3o conforme nos ensina a primeira leitura:\ntodos aqueles que, de alguma maneira, at\u00e9 sem o saber, aderiram e aderir\u00e3o \u00e0\ncausa do Cristo e do Reino entrar\u00e3o na comunh\u00e3o ou comunidade dos santos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o Jo\u00e3o nos ensina na segunda\nleitura o mesmo pensamento: j\u00e1 somos filhos de Deus, e nem imaginamos o que\nseremos! Mas uma coisa temos certeza: seremos semelhantes a Ele, realizaremos a\nvoca\u00e7\u00e3o de nossa cria\u00e7\u00e3o. O amor de Deus tomar\u00e1 totalmente conta de nosso ser,\nao ponto de nos tornar iguais a Ele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ser santo significa ser de Deus.\nN\u00e3o \u00e9 preciso ser anjo para ser santo. Santidade n\u00e3o \u00e9 angelicalismo. Significa\numa f\u00e9 encarnada, libertadora, modo de vida aut\u00eantico baseado no santo\nEvangelho. Sair de si e ir ao encontro do outro, especialmente do mais humilde\ne necessitado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso elevemos nossos olhos a\nDeus e demos gra\u00e7as pela vit\u00f3ria de sua gra\u00e7a em todos os eleitos; somos\nimpelidos a alegrar-nos com sua felicidade e somos encorajados a viver no\nesp\u00edrito dos pobres, ou seja, das bem-aventuran\u00e7as. A Igreja militante deste\nmundo se une a Igreja padecente na prece humilde para que a Igreja triunfante\ndo c\u00e9u venha ao nosso socorro, nos fazendo cidad\u00e3os do c\u00e9u e peregrinos do infinito\nna Trindade. Am\u00e9m!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Padre Wagner Augusto\nPortugal.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser santo significa ser de Deus. N\u00e3o \u00e9 preciso ser anjo para ser santo. 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