{"id":3373,"date":"2017-03-08T15:11:46","date_gmt":"2017-03-08T18:11:46","guid":{"rendered":"http:\/\/liturgia.catequisar.com.br\/?p=3373"},"modified":"2017-03-08T15:12:34","modified_gmt":"2017-03-08T18:12:34","slug":"2o-domingo-da-quaresma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/2o-domingo-da-quaresma\/","title":{"rendered":"2\u00ba Domingo da Quaresma &#8211; A"},"content":{"rendered":"<p>Meus queridos irm\u00e3os,<\/p>\n<p>A liturgia da Santa Igreja nos apresenta, a cada ano, no segundo domingo da Quaresma o Evangelho da Transfigura\u00e7\u00e3o, no in\u00edcio da subida de Jesus a Jerusal\u00e9m, onde ele levar\u00e1 a termo \u00e0 vontade do Pai. Somos hoje convidados a acompanhar Jesus neste caminho. Nesta caminhada, para n\u00e3o desfalecermos em nossa f\u00e9, \u00e9 bom termos diante dos olhos \u2013 como Jo\u00e3o, Tiago e Pedro, as privilegiadas testemunhas, a gl\u00f3ria daquele que vai ser aniquilado, o Filho e Servo de Deus. E somos convidados a escutarmos a voz que sai da nuvem<strong><em>: \u201cEscutai-o\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A primeira leitura(Gn 12,1-4) nos apresenta a voca\u00e7\u00e3o de Abra\u00e3o: <em>\u201cSai da tua terra!\u201d(Cf. Gn 12,1).<\/em> Largar o que consideramos adquirido \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o para caminhar no rumo que Deus indica. A Segunda Leitura \u00e9 um breve coment\u00e1rio a este largar. A Segunda Leitura nos aponta a voca\u00e7\u00e3o santa que recebemos em Cristo, no qual resplandece a vit\u00f3ria sobre a morte. Essa vit\u00f3ria final, Pedro, Tiago e Jo\u00e3o a viram antecipadamente, e atestada por Mois\u00e9s \u2013 a Lei \u2013 e Elias \u2013 os Profetas, no monte da Transfigura\u00e7\u00e3o. A vis\u00e3o desta gl\u00f3ria \u00e9 acompanhada pela voz: <em>\u201cEscutai-o\u201d,<\/em> o que lembra o <em>\u201cOuve Israel\u201d <\/em>de Dt 6,4. \u00c9 um prel\u00fadio da ressurrei\u00e7\u00e3o \u2013 por isso as testemunhas devem guardar o sil\u00eancio at\u00e9 que esta se realize.<\/p>\n<p>Caros irm\u00e3os,<\/p>\n<p>A primeira leitura de hoje tem como tema central a interpela\u00e7\u00e3o de Deus a Abra\u00e3o. Segundo o te\u00f3logo jahwista, Deus chamou Abra\u00e3o, convidou-o a deixar a sua terra e a sua fam\u00edlia e a partir ao encontro de uma outra terra; ligado a este convite, aparece uma b\u00ean\u00e7\u00e3o e a promessa de a fam\u00edlia de Abra\u00e3o se tornar uma grande na\u00e7\u00e3o. Porqu\u00ea esta iniciativa de Deus? Porqu\u00ea o chamamento a este homem, em particular? O catequista jahwista n\u00e3o d\u00e1 qualquer tipo de explica\u00e7\u00e3o. Temos aqui um exemplo perfeito desse mist\u00e9rio, sempre novo e sempre sem explica\u00e7\u00e3o, chamado \u201cvoca\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nComo \u00e9 que Abra\u00e3o reage ao chamamento de Deus? \u00c9 preciso ter em conta que, para os antigos, abandonar a terra (o horizonte natural onde o cl\u00e3 vive e onde tem as suas refer\u00eancias \u2013 inclusive em termos de paisagem), a p\u00e1tria (isto \u00e9, o espa\u00e7o onde o cl\u00e3 encontra o afeto e a solidariedade e, al\u00e9m disso, o seu espa\u00e7o protegido por usos, leis e costumes) e a fam\u00edlia (o c\u00edrculo familiar \u00edntimo, onde o homem encontra o apoio e o seu complemento), era pouco menos do que irrealiz\u00e1vel. Abra\u00e3o ser\u00e1 capaz de arriscar tudo, deixando o seguro para apostar em algo nebuloso e incerto? Diante do desafio de Deus, Abra\u00e3o permanece mudo, sem discutir nem objectar. Com consumada mestria, o autor jahwista limita-se a descrever a sequ\u00eancia dos acontecimentos, como se as a\u00e7\u00f5es de Abra\u00e3o valessem por mil explica\u00e7\u00f5es: o patriarca, simplesmente, p\u00f4s-se a caminho. O verbo \u201cyalak\u201d utilizado no vers. 4 (\u201cir\u201d, \u201cpartir\u201d, \u201cp\u00f4r-se a caminho\u201d) tem uma for\u00e7a extraordin\u00e1ria e expressa a aud\u00e1cia do crente que \u00e9 capaz de arriscar tudo, de deixar o seguro para apostar em algo que n\u00e3o \u00e9 certo, confiando apenas na Palavra de Deus. Trata-se de um rasgo maravilhoso, que define uma atitude de f\u00e9 radical, de confian\u00e7a total, de obedi\u00eancia incondicional aos des\u00edgnios de Deus. Esta \u00e9 uma das passagens onde o que se conta de Abra\u00e3o tem um valor de modelo: o autor jahwista pretende ensinar aos seus concidad\u00e3os a obedi\u00eancia cega \u00e0s propostas de Deus. Deus, por sua vez, compromete-se com Abra\u00e3o e acena-lhe com uma promessa. A promessa expressa-se, neste contexto, atrav\u00e9s da b\u00ean\u00e7\u00e3o (a raiz \u201caben\u00e7oar\u201d \u00e9 repetida cinco vezes, nestes poucos vers\u00edculos). A b\u00ean\u00e7\u00e3o \u00e9 uma comunica\u00e7\u00e3o de vida, atrav\u00e9s da qual Deus realiza a sua promessa de salva\u00e7\u00e3o. Na promessa aqui formulada, a b\u00ean\u00e7\u00e3o concretiza-se como descend\u00eancia numerosa (noutros textos das \u201ctradi\u00e7\u00f5es patriarcais\u201d, a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus \u00e9, al\u00e9m da descend\u00eancia numerosa, promessa de uma terra).<\/p>\n<p>Particularmente importante, neste contexto da promessa \u00e9 a ideia de que o Povo nascido de Abra\u00e3o ser\u00e1 uma fonte de b\u00ean\u00e7\u00e3o para todas as na\u00e7\u00f5es (vers. 3c): inaugura-se, aqui, a ideia de que Israel \u00e9 o centro do mundo e de que a sua \u201cvoca\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 ser testemunha da salva\u00e7\u00e3o de Deus diante de todos os povos da terra. N\u00e3o se trata de um privil\u00e9gio concedido a Israel, mas de uma responsabilidade.<\/p>\n<p>A figura de Abra\u00e3o que nos foi apresentada pelos catequistas de Israel tem sido, ao longo dos tempos, uma figura inspiradora para todos os crentes. Abra\u00e3o \u00e9 o homem que encontra Deus, que est\u00e1 atento aos seus sinais e sabe interpret\u00e1-los, que responde aos desafios de Deus com uma obedi\u00eancia total e com uma entrega confiada. Esta figura constitui uma interpela\u00e7\u00e3o muito forte a esse homem moderno que nunca tem tempo para encontrar Deus nem para perceber os seus sinais, pois est\u00e1 demasiado ocupado a ganhar dinheiro ou a construir a carreira profissional.<\/p>\n<p>A figura de Abra\u00e3o questiona, tamb\u00e9m, o homem instalado e comodista, que prefere apostar na seguran\u00e7a do que j\u00e1 tem, em vez de arriscar na novidade de Deus, ou deixar que a Palavra de Deus ponha em causa os seus velhos h\u00e1bitos, a sua forma de vida e a sua instala\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por detr\u00e1s da hist\u00f3ria da humanidade h\u00e1 um Deus que tem um projeto para os homens e para o mundo e que esse projecto \u00e9 de amor e de salva\u00e7\u00e3o. Apesar de os homens O ignorarem e prescindirem das suas orienta\u00e7\u00f5es e propostas, Deus continua a vir ao seu encontro, a desafi\u00e1-los a caminhar em direc\u00e7\u00e3o ao novo, a propor-lhes ir mais al\u00e9m. O homem, por sua vez, \u00e9 convidado a participar neste projecto, por meio da f\u00e9 (entendida como ades\u00e3o plena aos planos de Deus<\/p>\n<p>Estimados Irm\u00e3os,<\/p>\n<p>Jesus veio refazer em definitivo e ampliar ao m\u00e1ximo a alian\u00e7a de Deus com o povo. A grande alian\u00e7a de Deus com o povo no deserto acontecera no alto do Sinai, e as t\u00e1buas da Lei eram o sinal concreto, vis\u00edvel e vi\u00e1vel do pacto entre Deus e o povo eleito: <em>\u201cEu serei o vosso Deus e v\u00f3s sereis o meu povo\u201d(Cf. Lv 26,12).<\/em> Jesus est\u00e1 agora caminhando para o momento decisivo da recria\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a entre Deus e o povo, est\u00e1 para fazer <em>\u201ca nova e eterna alian\u00e7a\u201d,<\/em> como dizem as palavras da Consagra\u00e7\u00e3o da Missa, j\u00e1 n\u00e3o mais gravada em pedra, mas escrita com seu sangue no cora\u00e7\u00e3o de cada criatura humana.<\/p>\n<p>No Sinai, o povo traiu a alian\u00e7a, e preferiu um bezerro de ouro(Cf. Ex 32). Agora, pouco antes do epis\u00f3dio da Transfigura\u00e7\u00e3o, o povo se divide: a maioria se nega a aceitar a prega\u00e7\u00e3o de Jesus; e a minoria torna-se a dividir: uns esperam para logo um reino terreno de liberdade pol\u00edtica, liderado por Jesus; outros est\u00e3o perplexos, apesar da declara\u00e7\u00e3o de Pedro, que professara em nome dos doze: <em>\u201cTu \u00e9s o Cristo, Filho do Deus vivo\u201d(<\/em>Cf Mt 16,16). Tanto a incredulidade da maioria quanto o comportamento d\u00fabio da minoria v\u00eam anotados por Mateus no contexto da Transfigura\u00e7\u00e3o. Jesus seleciona tr\u00eas entre os que ainda podiam crer, e que se tornariam <em>\u201cas colunas da Igreja\u201d<\/em>(Cf. Gl 2,9), e os leva para o monte, confirma-lhes o caminho da paix\u00e3o como passagem obrigat\u00f3ria para a ressurrei\u00e7\u00e3o, o milagre-prova para todo o sempre da nova e eterna alian\u00e7a.<\/p>\n<p>Amados irm\u00e3os,<\/p>\n<p>Abra\u00e3o vivia em Ur dos Caldeus, aproximadamente 1800 anos antes de Cristo. Ur seria o Iraque atual. Deus o chama e ele obedece. Vamos notar que \u00e9 Deus que o chama. Na hist\u00f3ria da humanidade e na hist\u00f3ria de cada um h\u00e1 sempre um chamado de Deus. Deus sempre precede aos nossos pensamentos e decis\u00f5es. Contudo, o chamado gratuito de Deus se perde, se n\u00e3o houver a colabora\u00e7\u00e3o nossa com respeitosa resposta, pronto atendimento ao chamado do Senhor. Deus nos deu a intelig\u00eancia, \u00e0 vontade e os sentimentos suficientes para perceber o chamado divino e decidir aceitar ou n\u00e3o aceitar a sua convoca\u00e7\u00e3o. O chamado de Deus \u2013 e est\u00e1 t\u00e3o claro na hist\u00f3ria de Abra\u00e3o \u2013 nem sempre vem com explica\u00e7\u00f5es ou com promessa de recompensas; pode ser at\u00e9 muito exigente, como o foi no caso de Abr\u00e3o: teve de deixar sua terra, sua tribo, sua fam\u00edlia; teve de partir para uma terra desconhecida. Teve de <em>\u201cmorrer\u201d<\/em> para um passado e recome\u00e7ar tudo do nada, at\u00e9 mesmo sem saber o que significava esse recome\u00e7ar. Simplesmente confiou, plena e completamente, na vontade de Deus. Essa deve ser, caros amigos, a nossa atitude.<\/p>\n<p>Abra\u00e3o deve ser para n\u00f3s o pai da confian\u00e7a na miseric\u00f3rdia e na vontade de Deus. Confiou profundamente e com tanta un\u00e7\u00e3o que por um fio quase sacrificou o seu filho Isaac(Cf. Gn 21,1-19). Por isso, pela sua f\u00e9 radical, Deus o fez e o proclamou pai de um povo aben\u00e7oado, o povo eleito.<\/p>\n<p>A f\u00e9 de Abra\u00e3o, de sua descend\u00eancia, brotam inumer\u00e1veis b\u00ean\u00e7\u00e3os, das quais a maior de todas \u00e9 Jesus de Nazar\u00e9, o Filho de Deus que se encarna no seio de uma mulher abr\u00e2anica.<\/p>\n<p>Estimados amigos,<\/p>\n<p>Os ap\u00f3stolos estavam na mesma posi\u00e7\u00e3o de Abra\u00e3o. Jesus os convoca para serem testemunhas e protagonistas da nova cria\u00e7\u00e3o, da nova Terra Prometida, que Jesus chamou de <em>\u201cReino de Deus\u201d.<\/em> Mas tudo isso foi poss\u00edvel porque os disc\u00edpulos sa\u00edram de si mesmos, tiveram que deixar de pensar curto com a intelig\u00eancia humana, mas aos olhos da f\u00e9 que tudo vence. Ultrapassaram a vis\u00e3o humana do projeto divino. Acreditaram no desconhecido. Abra\u00e7aram a vontade de Deus. Arrancaram seus pr\u00f3prios interesses para carregar a cruz com Jesus e com Ele morrer no Calv\u00e1rio. Abra\u00e3o creu no Senhor, mesmo quando o Senhor pedia a morte do seu \u00fanico filho. Os ap\u00f3stolos, e n\u00f3s hoje, devemos crer em Jesus, mesmo vendo-o pregado na cruz. Na obedi\u00eancia e no servi\u00e7o solid\u00e1rio vamos haurir as b\u00ean\u00e7\u00e3os celestiais e a filia\u00e7\u00e3o por parte do Senhor Deus.<\/p>\n<p>Abra\u00e3o e o Calv\u00e1rio: duas hist\u00f3rias que nos acompanham por dentro de todo o caminhar de nossa exist\u00eancia. Obedecer \u00e0 vontade de Deus ou compreende-la eis o dilema para nossa vida. A Transfigura\u00e7\u00e3o \u00e9 escola de f\u00e9. A gl\u00f3ria passa pelo ped\u00e1gio da cruz, sem alternativa. Abra\u00e3o caminho sozinho. Os disc\u00edpulos caminham com Jesus. Cristo caminha conosco. Porque Ele \u00e9 o Caminho, a Verdade e a Vida.<\/p>\n<p>Assim, a pr\u00e1tica crist\u00e3 exige convers\u00e3o permanente, para largarmos as falsas seguran\u00e7as que a publicidade da sociedade consumista e as ideologias do proveito pr\u00f3prio e do ego\u00edsmo generalizado nos prometem, para arriscar uma nova caminhada, unida a Cristo e junto com os irm\u00e3os. Somos convidados a dar ouvidos ao Filho de Deus, como diz o Evangelho, e a receber de Cristo nossa voca\u00e7\u00e3o, para caminhar atr\u00e1s dele \u2013 at\u00e9 a gl\u00f3ria, passando, se preciso, pela Cruz. Assim como Abra\u00e3o ouviu a voz de Deus e saiu de sua cidade em busca da terra que Deus lhe prometeu, devemos tamb\u00e9m n\u00f3s largar o que nos prende, para seguir o chamado do Senhor.<\/p>\n<p>Prezados irm\u00e3os,<\/p>\n<p>O Evangelho de hoje \u00e9 bem catequ\u00e9tico, porque \u00e9 destinado a ensinar que Jesus \u00e9 o Filho de Deus e que o projeto que Ele prop\u00f5e vem de Deus, est\u00e1 constru\u00edda sobro elementos simb\u00f3licos tirados do Antigo Testamento. Que elementos s\u00e3o esses?<\/p>\n<p>O monte situa-nos num contexto de revela\u00e7\u00e3o: \u00e9 sempre num monte que Deus Se revela; e, em especial, \u00e9 no cimo de um monte que Ele faz uma alian\u00e7a com o seu Povo. A mudan\u00e7a do rosto e as vestes de brancura resplandecente recordam o resplendor de Mois\u00e9s, ao descer do Sinai (cf. Ex 34,29), depois de se encontrar com Deus e de ter as t\u00e1buas da Lei. A nuvem, por sua vez, indica a presen\u00e7a de Deus: era na nuvem que Deus manifestava a sua presen\u00e7a, quando conduzia o seu Povo atrav\u00e9s do deserto (cf. Ex 40,35; Nm 9,18.22; 10,34).<\/p>\n<p>Mois\u00e9s e Elias representam a Lei e os Profetas (que anunciam Jesus e que permitem entender Jesus); al\u00e9m disso, s\u00e3o personagens que, de acordo com a catequese judaica, deviam aparecer no \u201cdia do Senhor\u201d, quando se manifestasse a salva\u00e7\u00e3o definitiva (cf. Dt 18,15-18; Mal 3,22-23).<\/p>\n<p>O temor e a perturba\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos s\u00e3o a rea\u00e7\u00e3o l\u00f3gica de qualquer homem ou mulher diante da manifesta\u00e7\u00e3o da grandeza, da omnipot\u00eancia e da majestade de Deus (cf. Ex 19,16; 20,18-21).<\/p>\n<p>As tendas parecem aludir \u00e0 \u201cfesta das tendas\u201d, em que se celebrava o tempo do \u00eaxodo, quando o Povo de Deus habitou em \u201ctendas\u201d, no deserto.<\/p>\n<p>A mensagem fundamental, amassada com todos estes elementos, pretende dizer quem \u00e9 Jesus. Recorrendo a simbologias do Antigo Testamento, o autor deixa claro que Jesus \u00e9 o Filho amado de Deus, em quem se manifesta a gl\u00f3ria do Pai. Ele \u00e9, tamb\u00e9m, esse Messias libertador e salvador esperado por Israel, anunciado pela Lei (Mois\u00e9s) e pelos Profetas (Elias). Mais ainda: ele \u00e9 um novo Mois\u00e9s \u2013 isto \u00e9, aquele atrav\u00e9s de quem o pr\u00f3prio Deus d\u00e1 ao seu Povo a nova lei e atrav\u00e9s de quem Deus prop\u00f5e aos homens uma nova alian\u00e7a.<\/p>\n<p>Da a\u00e7\u00e3o libertadora de Jesus, o novo Mois\u00e9s, ir\u00e1 nascer um novo Povo de Deus. Com esse novo Povo, Deus vai fazer uma nova alian\u00e7a; e vai percorrer com ele os caminhos da hist\u00f3ria, conduzindo-o atrav\u00e9s do \u201cdeserto\u201d que leva da escravid\u00e3o \u00e0 liberdade. Esta apresenta\u00e7\u00e3o tem como destinat\u00e1rios os disc\u00edpulos de Jesus (esse grupo desanimado e frustrado porque no horizonte pr\u00f3ximo do seu l\u00edder est\u00e1 a cruz e porque o mestre exige dos disc\u00edpulos que aceitem percorrer um caminho semelhante). Aponta para a ressurrei\u00e7\u00e3o, aqui anunciada pela gl\u00f3ria de Deus que se manifesta em Jesus, pelas vestes resplandecentes (que lembram as vestes resplandecentes dos anjos que anunciam a ressurrei\u00e7\u00e3o \u2013 cf. Mt 28,3) e pelas palavras finais de Jesus (\u201cn\u00e3o conteis a ningu\u00e9m esta vis\u00e3o, at\u00e9 o Filho do Homem ressuscitar dos mortos\u201d \u2013 Mt 17,9): diz-lhes que a cruz n\u00e3o ser\u00e1 a palavra final, pois no fim do caminho de Jesus (e, consequentemente, dos disc\u00edpulos que seguirem Jesus) est\u00e1 a ressurrei\u00e7\u00e3o, a vida plena, a vit\u00f3ria sobre a morte.<\/p>\n<p>Uma palavra final para o desejo \u2013 manifestado por Pedro \u2013 de construir tr\u00eas tendas no cimo do monte, como se pretendesse \u201cassentar arraiais\u201d naquele quadro. O pormenor pode significar que os disc\u00edpulos queriam deter-se nesse momento de revela\u00e7\u00e3o gloriosa, ignorando o destino de sofrimento de Jesus. Jesus nem responde \u00e0 proposta: Ele sabe que o projecto de Deus \u2013 esse projeto de construir um novo Povo de Deus e lev\u00e1-lo da escravid\u00e3o para a liberdade \u2013 tem de passar pelo caminho do dom da vida, da entrega total, do amor at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o fundamental expressa no epis\u00f3dio da transfigura\u00e7\u00e3o est\u00e1 na revela\u00e7\u00e3o de Jesus como o Filho amado de Deus, que vai concretizar o projeto salvador e libertador do Pai em favor dos homens atrav\u00e9s do dom da vida, da entrega total de si pr\u00f3prio por amor. Pela transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus, Deus demonstra aos crentes de todas as \u00e9pocas e lugares que uma exist\u00eancia feita dom n\u00e3o \u00e9 fracassada \u2013 mesmo se termina na cruz. A vida plena e definitiva espera, no final do caminho, todos aqueles que, como Jesus, forem capazes de p\u00f4r a sua vida ao servi\u00e7o dos irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Na verdade, os homens do nosso tempo t\u00eam alguma dificuldade em perceber esta l\u00f3gica. Para muitos dos nossos irm\u00e3os, a vida plena n\u00e3o est\u00e1 no amor levado at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias (at\u00e9 ao dom total da vida), mas sim na preocupa\u00e7\u00e3o ego\u00edsta com os seus interesses pessoais, com o seu orgulho, com o seu pequeno mundo privado; n\u00e3o est\u00e1 no servi\u00e7o simples e humilde em favor dos irm\u00e3os (sobretudo dos mais d\u00e9beis, dos mais marginalizados e dos mais infelizes), mas no assegurar para si pr\u00f3prio uma dose generosa de poder, de influ\u00eancia, de autoridade e de dom\u00ednio, que d\u00ea a sensa\u00e7\u00e3o de pertencer \u00e0 categoria dos vencedores; n\u00e3o est\u00e1 numa vida vivida como dom, com humildade e simplicidade, mas numa vida feita um jogo complicado de conquista de honras, de gl\u00f3rias e de \u00eaxitos.<\/p>\n<p>Prezados irm\u00e3os,<\/p>\n<p>Nos relatos dos Atos dos Ap\u00f3stolos, S\u00e3o Paulo encontrou Tim\u00f3teo em Listra, cidade da Lica\u00f3nia, no decurso da sua segunda viagem mission\u00e1ria. Filho de pai grego e de m\u00e3e judeo-crist\u00e3, Tim\u00f3teo devia ser ainda bastante jovem, nessa altura (cf. Act 16,1). No entanto, Paulo n\u00e3o hesitou em lev\u00e1-lo consigo atrav\u00e9s da \u00c1sia Menor, da Maced\u00f4nia e da Gr\u00e9cia. T\u00edmido e reservado, de sa\u00fade delicada (em 1 Tim 5,23 Paulo aconselha: \u201cn\u00e3o continues a beber s\u00f3 \u00e1gua, mas mistura-a com um pouco de vinho, por causa do teu est\u00f4mago e das tuas frequentes indisposi\u00e7\u00f5es), Tim\u00f3teo tornou-se um companheiro fiel e discreto do ap\u00f3stolo no trabalho mission\u00e1rio. Para n\u00e3o ter problemas com os judeus, Paulo f\u00ea-lo circuncidar (cf. Act 16,3); e, numa data desconhecida para n\u00f3s, Tim\u00f3teo recebeu dos anci\u00e3os a \u201cimposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os\u201d (cf. 1 Tim 4,14) que o designava como enviado da comunidade para anunciar o Evangelho de Jesus.<\/p>\n<p>A atividade de Tim\u00f3teo est\u00e1 bastante ligada a Paulo, como o demonstram as cont\u00ednuas refer\u00eancias que Paulo lhe faz nos seus escritos. Com ternura, Paulo refere-se a Tim\u00f3teo como o \u201cnosso irm\u00e3o, colaborador de Deus na prega\u00e7\u00e3o do Evangelho de Cristo\u201d (1 Tes 3,2); e faz refer\u00eancias a Tim\u00f3teo nas Cartas aos Tessalonicenses (cf. 1 Tes 11,1; 2 Tes 1,1), na 2 Cor\u00edntios (cf. 2 Cor 1,1), na Carta aos Romanos (cf. Rom 16,21), na Carta aos Filipenses (cf. Flp 1,1), na Carta aos Colossenses (cf. Col 1,1) e na Carta a Fil\u00e9mon (cf. Flm 1). Encarregou-o, tamb\u00e9m, de miss\u00f5es particulares entre os Tessalonicenses (cf. 1 Tes 3,2.6) e entre os Cor\u00edntios (cf. 1 Cor 4,17). Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 segunda Carta a Tim\u00f3teo h\u00e1, no entanto, um problema s\u00e9rio: a maioria dos exegetas considera esta carta posterior a Paulo (o mesmo acontece com a 1 Tim\u00f3teo e com a Carta a Tito), sobretudo por a\u00ed aparecer um modelo de organiza\u00e7\u00e3o da Igreja que parece ser de uma \u00e9poca tardia, isto \u00e9, de finais do s\u00e9c. I ou princ\u00edpios do s\u00e9c. II). A quest\u00e3o continua em aberto. Tim\u00f3teo \u00e9, por esta altura, bispo de \u00c9feso, na costa ocidental da \u00c1sia Menor. Est\u00e3o a come\u00e7ar as grandes persegui\u00e7\u00f5es; muitos crist\u00e3os est\u00e3o desanimados e vacilam na f\u00e9. \u00c9 preciso que os l\u00edderes das comunidades \u2013 entre os quais est\u00e1 Tim\u00f3teo \u2013 mantenham o \u00e2nimo e ajudem as comunidades a enfrentar, com fortaleza, as dificuldades que se avizinham.<\/p>\n<p>A segunda leitura apresenta-se como uma exorta\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo a Tim\u00f3teo, convidando-o a superar a sua juventude e timidez e a ser um modelo de fidelidade e de fortaleza no testemunho da f\u00e9. O autor da segunda Carta a Tim\u00f3teo apresenta os motivos que devem impulsionar Tim\u00f3teo a cumprir com fidelidade a sua miss\u00e3o apost\u00f3lica. Neste texto que nos \u00e9 proposto, em concreto, o autor da carta recorda a Tim\u00f3teo o projeto salv\u00edfico de Deus que, de forma gratuita, quer salvar os homens e cham\u00e1-los \u00e0 santidade (cf. 2 Tim 1,9). Esse projeto manifestou-se em Jesus Cristo, o libertador, que destruiu a morte e o pecado e ofereceu a todos os homens a vida plena e definitiva (cf. 2 Tim 1,9-10). Ora Paulo (nesta altura prisioneiro por causa do Evangelho), Tim\u00f3teo e todos os outros s\u00e3o as testemunhas deste projeto de Deus e n\u00e3o podem ficar calados diante do enfraquecimento da vida crist\u00e3 que se constata nas comunidades; mesmo no meio das persegui\u00e7\u00f5es e dificuldades, eles n\u00e3o podem demitir-se da miss\u00e3o que Deus lhes confiou. T\u00eam de ser testemunhas vivas, entusiastas e corajosas do projecto salv\u00edfico e amoroso de Deus.<\/p>\n<p>Mais uma vez somos convidados a recordar que Deus tem um projeto de salva\u00e7\u00e3o e de vida plena para os homens, para todos os homens. Quase todos os domingos, a Palavra de Deus nos exorta a tomar consci\u00eancia desse fato; mas nunca \u00e9 demais lembr\u00e1-lo, at\u00e9 porque os homens do nosso tempo tendem a esquecer Deus e a viver sem a consci\u00eancia da sua presen\u00e7a, do seu amor, da sua preocupa\u00e7\u00e3o com a nossa vida, a nossa realiza\u00e7\u00e3o, a nossa felicidade. Se tiv\u00e9ssemos sempre consci\u00eancia de que temos um lugar cativo no projeto de Deus e que o pr\u00f3prio Deus est\u00e1 a velar pela nossa realiza\u00e7\u00e3o e pela nossa felicidade, certamente a vida teria um outro sentido e no nosso cora\u00e7\u00e3o haveria mais serenidade, mais paz, mais esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Urge termos consci\u00eancia de que n\u00f3s, os batizzados, somos, aqui e agora, as testemunhas vivas de Deus e do seu projeto para os homens e para o mundo. Nada \u2013 e muito menos o nosso comodismo e instala\u00e7\u00e3o \u2013 pode distrair-nos dessa responsabilidade. Os homens, nossos irm\u00e3os, t\u00eam de encontrar em n\u00f3s \u2013 e particularmente naqueles a quem foi confiada a miss\u00e3o de animar e orientar a comunidade \u2013 sinais vivos de Deus, do seu amor, da sua bondade e ternura, da sua preocupa\u00e7\u00e3o com os homens.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser testemunha de Deus e do seu projeto. O mundo de hoje tende a ignorar os apelos de Deus ou at\u00e9 manifesta desprezo pelos valores do Evangelho (esses valores que temos de testemunhar, a fim de sermos sinais do mundo novo que Deus quer propor aos homens). No entanto, as dificuldades n\u00e3o podem ser uma desculpa para nos demitirmos das nossas responsabilidades e de levarmos a s\u00e9rio a voca\u00e7\u00e3o a que Deus nos chama.<\/p>\n<p>Caros irm\u00e3os,<\/p>\n<p>Quando Jesus est\u00e1 em ora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3, Deus seu Pai est\u00e1 com Ele(Mt 17,1-9). O monte \u00e9 o lugar da revela\u00e7\u00e3o de Deus e a nuvem \u00e9 s\u00edmbolo da sua presen\u00e7a. \u00c9, pois, no momento em que Jesus rezava que Deus Se manifesta, n\u00e3o somente a seu Filho, mas tamb\u00e9m aos seus disc\u00edpulos, e a presen\u00e7a de Mois\u00e9s e de Elias recorda a antiga alian\u00e7a \u00e0queles que v\u00e3o beneficiar da nova alian\u00e7a. Ao mesmo tempo que, no monte Sinai, Deus tinha revelado o seu Nome a Mois\u00e9s para fazer sair do Egito o seu povo escolhido, tamb\u00e9m na montanha da Transfigura\u00e7\u00e3o Deus d\u00e1 a identidade de Jesus: \u201cEste \u00e9 o meu Filho, o meu Eleito\u201d. E aos tr\u00eas ap\u00f3stolos, embaixadores de todos aqueles que reconhecer\u00e3o em Jesus o Filho bem-amado, Deus pede para O escutar. \u00c9 antes de ver a nuvem e de ouvir a voz do Pai que Pedro prop\u00f5e para erguer tr\u00eas tendas para Jesus, Mois\u00e9s e Elias, porque pensa que s\u00e3o apenas tr\u00eas. Ser\u00e1 necess\u00e1rio que Deus Se manifeste para que Pedro, um pouco como Jacob, diga talvez: \u201cDeus estava no monte e eu n\u00e3o sabia!\u201d Ser\u00e1 preciso chegar \u00e0 manh\u00e3 de P\u00e1scoa, e o dom do Esp\u00edrito no Pentecostes, para que ele proclame a sua f\u00e9 n\u2019Aquele que Deus fez \u201cSenhor e Messias, este Jesus que crucificaram\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na vida da Comunidade eclesial d\u00e3o-estes momentos de Tabor: a reuni\u00e3o da Assembl\u00e9ia, a escuta da Palavra, a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia e tantos outros. Eles reanimam e fortalecem, para que possamos descer com Cristo o monte Tabor e, tomando a sua Cruz, segui-lo pelas plan\u00edcies da vida a subir com ele a colina do Calv\u00e1rio, que por sua vez se h\u00e1 de transfigurar.<\/p>\n<p>Am\u00e9m!<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>Homilia por: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura..<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor, somos convidados a escutarmos a voz que sai da nuvem: \u201cEscutai-o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3374,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_lmt_disableupdate":"","_lmt_disable":"","footnotes":""},"categories":[66],"tags":[],"class_list":["post-3373","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ano-a-2017"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v26.9 (Yoast SEO v26.9) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Homilia - Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Na Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor, somos convidados a escutarmos a voz que sai da nuvem: \u201cEscutai-o\u201d.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/2o-domingo-da-quaresma\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Na Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor, somos convidados a escutarmos a voz que sai da nuvem: \u201cEscutai-o\u201d.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/2o-domingo-da-quaresma\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Liturgia di\u00e1ria\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-03-08T18:11:46+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2017-03-08T18:12:34+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/24-02-domingo-quaresma.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"750\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"350\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Anderson\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:title\" content=\"Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Anderson\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"21 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/2o-domingo-da-quaresma\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/2o-domingo-da-quaresma\/\"},\"author\":{\"name\":\"Anderson\",\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/#\/schema\/person\/17356e59f62dbc0826c8e730849bca9d\"},\"headline\":\"2\u00ba Domingo da Quaresma &#8211; 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