{"id":23373,"date":"2024-03-29T03:10:00","date_gmt":"2024-03-29T06:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/?p=23373"},"modified":"2024-03-29T10:36:42","modified_gmt":"2024-03-29T13:36:42","slug":"descendimento-da-cruz-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/descendimento-da-cruz-5\/","title":{"rendered":"Descendimento da Cruz"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-acompanhe-todas-as-homilias-da-semana-santa-e-triduo-pascal\">Acompanhe todas as homilias da Semana Santa e Tr\u00edduo Pascal<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-sermao-do-deposito\"><a href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/sermao-do-deposito-4\/\">Serm\u00e3o do deposito<\/a><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-sermao-do-encontro\"><a href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/sermao-do-encontro-8\/\">Serm\u00e3o do Encontro<\/a><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-missa-do-crisma\"><a href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/missa-do-crisma-7\/\"><strong>Missa do Crisma<\/strong><\/a><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-sermao-das-sete-dores-de-maria\"><strong><a href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/sermao-das-sete-dores-de-maria-4\/\">Serm\u00e3o das Sete Dores de Maria<\/a><\/strong><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-as-sete-palavras-de-cristo-na-cruz\"><a href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/as-sete-palavras-de-cristo-na-cruz-3\/\"><strong>As \u201cSete Palavras de Cristo na Cruz\u201d.<\/strong><\/a><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-sermao-do-calvario\"><a href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/sermao-do-calvario-7\/\"><strong>Serm\u00e3o do calv\u00e1rio<\/strong><\/a><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-descendimento-da-cruz\"><a href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/descendimento-da-cruz-5\/\"><strong>Descendimento da Cruz<\/strong><\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cEle tomou sobre si nossas enfermidades e carregou os nossos sofrimentos.\u201d<\/em> (Is 53,4)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cEis o homem!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ecoa desde h\u00e1 dois mil anos a infame apresenta\u00e7\u00e3o que o pusil\u00e2nime P\u00f4ncio Pilatos fez de Nosso Senhor, do balc\u00e3o do pret\u00f3rio, enquanto a turba indecorosa, ululante, escarnecedora, mais uma vez preferia as trevas \u00e0 Luz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEis o homem!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estamos agora diante do l\u00fagubre Calv\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aquele ambiente de desola\u00e7\u00e3o se estende por todo o mundo, alcan\u00e7a o c\u00e9u, influencia a natureza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOu um deus est\u00e1 morrendo, ou o mundo est\u00e1 se acabando\u201d, teria exclamado, espantado, um astr\u00f4nomo distante daquelas terras, alheio ao que acontecia em Jerusal\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEra desprezado, era a esc\u00f3ria da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto, era amaldi\u00e7oado e n\u00e3o faz\u00edamos caso dele\u201d (Is 53,3).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Estava ali, suspenso no madeiro da ignom\u00ednia, a v\u00edtima em holocausto pela remiss\u00e3o dos pecados do primeiro homem. Ali, naquele Lugar da Caveira, sobre a caveira do primeiro homem \u2013 conforme rezava a tradi\u00e7\u00e3o -, onde brotara a \u00e1rvore da vida, que resgataria das trevas a dignidade humana perante Deus, que tiraria do ex\u00edlio o novo homem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cJerusal\u00e9m, limpa o cora\u00e7\u00e3o da maldade, a fim de que consigas a salva\u00e7\u00e3o\u201d (Jr 4,14). \u00c9 preciso que o sangue que jorra da \u00e1rvore da vida escorra pelo monte, alcance Jerusal\u00e9m e a lave da corrup\u00e7\u00e3o do mal que inebria o cora\u00e7\u00e3o dos homens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cAnunciam-se desastres sobre desastres\u201d (Jr 4,20).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jerusal\u00e9m est\u00e1 desolada. O mundo todo est\u00e1 devastado. O universo fechou-se em luto. Do c\u00e9u, repartido por raios, derrama-se o pranto da natureza, pela frialdade dos homens que levam \u00e0 morte o seu Deus e Senhor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cJerusal\u00e9m, Jerusal\u00e9m, converte-te ao Senhor teu Deus!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Estamos diante do l\u00fagubre Calv\u00e1rio. \u00c9 o altar do sacrif\u00edcio. \u00c9 onde o Cristo se entregou ao Pai, em holocausto, para a nossa reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Estamos diante o altar onde o Deus humanado restitui-nos a gra\u00e7a, a vida eterna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cOu\u00e7o gritos como os da mulher ao dar \u00e0 luz, gritos de ang\u00fastia quais os do primeiro parto. S\u00e3o os clamores da filha de Si\u00e3o; geme e ergue as m\u00e3os: Desgra\u00e7ada de mim! Desfale\u00e7o ante os algozes.\u201d (Jr 4,31).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses gritos, por\u00e9m, se ouve ao longe. \u00c9 o arrependimento daqueles que lan\u00e7aram \u00e0s m\u00e3os malditas o corpo de nosso amado Jesus, que entregaram ao seu ju\u00edzo a dignidade do Pr\u00edncipe da Paz, Rei dos S\u00e9culos Futuros. \u00c9 o grito da trai\u00e7\u00e3o de quantos abandonam Nosso Senhor pelo pecado. \u00c9 o grito dos celerados que promovem a viol\u00eancia, que corrompem a paz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEra desprezado, era a esc\u00f3ria da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto, era amaldi\u00e7oado e n\u00e3o faz\u00edamos caso dele\u201d (Is 53,3).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vemos, hoje, esse rosto desfigurado, esse corpo chagado, esse estado deplor\u00e1vel em cada irm\u00e3o desprezado pelos poderes p\u00fablicos, em cada marginalizado pela sociedade, em cada crian\u00e7a abandonada pela sorte e pela caridade fraterna que pouco se pratica, em cada v\u00edtima da viol\u00eancia neste mundo em que o capitalismo e o hedonismo disputam a convers\u00e3o de almas, afastando-as de Nosso Senhor, distraindo-as do caminho da salva\u00e7\u00e3o e seduzindo-as para a perdi\u00e7\u00e3o eterna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cEra desprezado&#8230;\u201d e ainda o \u00e9 pelos cat\u00f3licos que, por respeito humano, se calam diante das heresias que se dizem em todos os lugares e se omitem ante os sacril\u00e9gios e profana\u00e7\u00f5es que se cometem em nossas comunidades. Cat\u00f3licos relaxados que buscam se informar sobre tudo e sobre todos, menos conhecer a Doutrina \u2013 o Catecismo ao menos \u2013 e contestam veementes as decis\u00f5es da Igreja e de seu Magist\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aquele que se julga capaz de discordar da autoridade do Papa no que diz respeito aos dogmas e \u00e0 moral cat\u00f3lica \u00e9 um infame. N\u00e3o \u00e9 cat\u00f3lico. \u00c9 um seduzido por L\u00facifer, no seio da Igreja, para corromp\u00ea-la. E temos muitos desses por a\u00ed, at\u00e9 no meio do clero, infelizmente, escandalizando muitos \u201ccristos\u201d de sua prepot\u00eancia e ignor\u00e2ncia. Rezemos pela convers\u00e3o dessas pobres almas, pois por elas tamb\u00e9m verte o sangue redentor desta cruz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEra desprezado&#8230;\u201d e ainda o \u00e9 pelos pais que se sujeitam aos paparicos dos filhos mal-educados pela televis\u00e3o, pela internet, pelas m\u00e1s companhias, soltos no mundo, \u00e0 merc\u00ea da carne e do dem\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEra desprezado&#8230;\u201d e ainda o \u00e9 pelos governantes e homens p\u00fablicos que se regalam com o poder diante de bocas famintas, vendo corpos esqu\u00e1lidos pela enfermidade e sem nenhuma assist\u00eancia, omissos \u00e0s v\u00edtimas das drogas, assistindo e por vezes promovendo a beliger\u00e2ncia entre os povos, alheios a tudo o que assegura uma vida digna aos pobres, aos pequeninos acolhidos por Nosso Senhor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEra desprezado&#8230;\u201d pois estava destinado a descer aos infernos para libertar os cativos do pecado de Ad\u00e3o. \u201c\u00c6stimatus sum cum descendentibus in lacum, factus sum sicut homo sine adjut\u00f3rio, inter mortuos l\u00edber\u201d \u2013 \u201cChegou a ser homem como sem socorro, <em>livre entre os mortos\u201d, canta o Salmista (Sl 87).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cChristus factus est pro nobis obediens, usque ad mortem, mortem autem crucis\u201d \u2013 \u201c<\/em>Humilhou-se a si mesmo, feito obediente at\u00e9 \u00e0 morte, e morte de cruz&#8221; (Fl 2, 8).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>(&#8230;)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Meus irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Estamos diante do mais belo cen\u00e1rio da hist\u00f3ria da humanidade. Assistimos \u00e0 representa\u00e7\u00e3o do mais importante drama de amor de todos os tempos. \u201cDe tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho \u00fanico, para que todo o que nele crer n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna. Pois Deus n\u00e3o enviou o Filho ao mundo para conden\u00e1-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele\u201d (Jo 3,16-17).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E na contempla\u00e7\u00e3o desse quadro que aos c\u00e9ticos causa espanto, mas aos fi\u00e9is deve inflamar a devo\u00e7\u00e3o a Deus, deparamo-nos com uma s\u00edntese da vida do crist\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O mandamento maior \u00e9 o primeiro pelo qual, segundo os relatos do Evangelho, Nosso Senhor teria clamado do alto do pat\u00edbulo: \u201cPai, perdoa-lhes porque n\u00e3o sabem o que fazem\u201d (Lc 23,34). \u00c9 o amor ao pr\u00f3ximo que nos lega como primeira de suas \u00faltimas li\u00e7\u00f5es. Ele perdoa seus algozes. Ele se compadece da humanidade pecadora e, n\u00e3o bastasse morrer por amor, ainda suplica a Deus por aqueles que o maltratam. E constatamos as palavras de Santo Agostinho, quando nos diz que \u201ca Cruz n\u00e3o foi apenas lugar de sofrimento, mas c\u00e1tedra de ensino\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na sua agonia, v\u00edtima dos mais cru\u00e9is opr\u00f3brios dos infames verdugos que o prenderam, o a\u00e7oitaram, o maltrataram e, por fim, o pregaram na cruz, suas palavras ainda resvalam esperan\u00e7a. \u201cEm verdade te digo: hoje estar\u00e1s comigo no para\u00edso\u201d (Lc 23,43), \u00e9 a promessa de salva\u00e7\u00e3o para aquele pobre homem, sabe-se l\u00e1 por que estava ali, crucificado ao lado de Jesus&#8230; \u00c9 a esperan\u00e7a decorrente da confian\u00e7a em Deus. Os pecados daquele pobre homem que se definhava ao lado de Jesus n\u00e3o foram t\u00e3o s\u00f3rdidos, a ponto de reconhecer a inoc\u00eancia do Redentor e confiar, humildemente, nele: \u201cJesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino\u201d (Lc 23,42). Jesus, clamamos hoje, lembra-te de n\u00f3s, m\u00edseros pecadores, compassivo, agora e na hora de nossa morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A caridade mais uma vez se esvai da Paix\u00e3o de Cristo, fonte de miseric\u00f3rdia; caridade para com os seus, caridade para com todo o mundo. Primeiramente se dirige \u00e0 sua m\u00e3e, a Virgem Dolorosa que ao p\u00e9 da Cruz, em sil\u00eancio, contempla aquele mart\u00edrio e medita sobre os des\u00edgnios de Deus. \u201cMulher, eis a\u00ed teu filho\u201d (Jo 19,26). Quebrava o sil\u00eancio aquelas palavras de Jesus. Na pessoa do disc\u00edpulo amado, Jo\u00e3o, aquele que O acompanhou at\u00e9 o \u00faltimo instante, estavam representados todos aqueles que acreditaram n\u2019Ele e que O veriam em sua gl\u00f3ria, assim como Pedro, Tiago e Jo\u00e3o assistiram no Tabor, \u201ccheio de gra\u00e7a e de verdade\u201d (Jo 1,14). E confirmavam esse com\u00e9rcio de seu amor as palavras dirigidas a Jo\u00e3o: \u201cEis a\u00ed tua m\u00e3e\u201d (Jo 19,27). Maria nos \u00e9 dada como m\u00e3e, m\u00e3e de seu Corpo M\u00edstico, m\u00e3e dos pecadores, m\u00e3e de todos aqueles que professam a mesma f\u00e9, que Cristo \u00e9 o Filho de Deus que veio ao mundo para redimir as nossas culpas, nascido das entranhas pur\u00edssimas de uma Virgem predestinada, que naquele instante derradeiro tornava-se co-redentora da humanidade, medianeira de todas as gra\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E em meio a todo aquele tormento, Jesus nos rege a li\u00e7\u00e3o da ora\u00e7\u00e3o, a ora\u00e7\u00e3o no sofrimento, a ora\u00e7\u00e3o na confian\u00e7a nos des\u00edgnios de Deus, a ora\u00e7\u00e3o nas adversidades, na escurid\u00e3o da vida espiritual. \u201cMeu Deus, meu Deus, por que me abandonastes\u201d (Mt 27, 46b). N\u00e3o era uma blasf\u00eamia, mas uma ora\u00e7\u00e3o confiante que se desprendia dos divinos l\u00e1bios, assim como fizera tantas vezes junto de seus pais, Jos\u00e9 e Maria, nas sinagogas, nos momentos de recolhimento em que se unia ao Eterno Pai. \u00c9 a paci\u00eancia nas adversidades que o Salmista em ora\u00e7\u00e3o nos ensina: \u201cFiquei mudo, em sil\u00eancio, privado da felicidade, mas a minha dor exacerbou-se\u201d (Sl 38,2). Na ora\u00e7\u00e3o, oferecia-se Jesus a Deus pela nossa salva\u00e7\u00e3o. Na ora\u00e7\u00e3o, apresentemo-nos indefesos a Nosso Senhor para que ele fa\u00e7a de n\u00f3s instrumentos para a evangeliza\u00e7\u00e3o, concedendo-nos a gra\u00e7a da piedade, do desapego, da compaix\u00e3o, do abandono, do desejo intermin\u00e1vel de poder contempl\u00e1-lo face a face um dia, a gra\u00e7a da perseveran\u00e7a final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na medita\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o de Jesus, diante deste cen\u00e1rio, deparamo-nos com a figura da Pecadora, agarrada ao p\u00e9 da Cruz, presa como \u00e0 t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o. Sim! Jesus foi a salva\u00e7\u00e3o daquela mulher que doravante tornou-se \u201ca penitente\u201d: Maria Madalena. A beleza externa, as vestes insinuantes, as fragr\u00e2ncias sedutoras, as j\u00f3ias reluzentes&#8230; Nada mais tinha valor para aquela que n\u00e3o desejava outro amor, sen\u00e3o a miseric\u00f3rdia do seu Senhor. E \u00e9 a essa v\u00edtima da sedu\u00e7\u00e3o do dem\u00f4nio, da fragilidade da carne e da pervers\u00e3o do homem que Jesus suplica: \u201cSitio\u201d \u2013 \u201cTenho sede\u201d (19,28).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cD\u00e1-me de beber\u201d (Jo 4,7), foi a s\u00faplica do Mestre no po\u00e7o de Jac\u00f3 \u00e0 Samaritana. Ele tinha sede do amor da humanidade, de todos os homens, prefigurada naquela mulher discriminada pela sua naturalidade. E \u00e9 a ela que Jesus, cansado da viagem, pede que lhe sacie. Ele quer o amor de todos, indistintamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cTenho sede\u201d \u00e9 a s\u00faplica de Jesus na Cruz, dirigindo-se \u00e0 penitente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diz uma lenda que, ao ouvir a s\u00faplica, Maria Madalena correu at\u00e9 uma talha com \u00e1gua que estaria por perto e tentara matar a sede do Senhor, mas ele recusou a beber. E teria novamente insistido: \u201cTenho sede\u201d. Lembrara, ent\u00e3o a disc\u00edpula que no pal\u00e1cio de Pilatos havia um licor considerado saboroso, vindo de Roma. Em disparada desceu Madalena do monte Calv\u00e1rio e foi conseguir, por meio de influ\u00eancias, um pouco daquela bebida considerada refrescante, querendo proporcionar al\u00edvio ao seu Mestre. E Jesus tamb\u00e9m recusou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ah, a dedicada mulher que acompanhava Jesus e seus disc\u00edpulos desde a Galil\u00e9ia n\u00e3o desanimou. Desta vez foi at\u00e9 o Templo para buscar uma ta\u00e7a de um vinho considerado puro e de t\u00e3o seleta safra de uvas que era oferecido naquele lugar sagrada. Debalde retornou pressurosa, a tempo de saciar a sede de Jesus. Ele recusou tomar do saboroso l\u00edquido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sem saber o que fazer, quedou-se em convulsivo pranto ao p\u00e9 da Cruz. Sentia-se incapaz de atender ao \u00faltimo pedido que lhe dirigia seu amado Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mais uma vez o Senhor lhe pedia: \u201cTenho sede\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E como numa inspira\u00e7\u00e3o sobrenatural, Madalena sentiu-se tocada pela gra\u00e7a e com as m\u00e3os concavadas, recolheu suas l\u00e1grimas e as ofereceu ao seu Redentor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tinha sede, Nosso Senhor, das l\u00e1grimas daquela mulher; ainda tem sede, Nosso Senhor, de nosso arrependimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Eis, car\u00edssimos irm\u00e3os, neste passo o fruto da convers\u00e3o: a miseric\u00f3rdia, o amor. Diz-nos a bem-aventurada Teresa de Calcut\u00e1 que \u201c\u2019Tenho sede\u2019 \u00e9 uma palavra muito mais profunda do que se Jesus tivesse simplesmente dito \u2018Amo-vos\u2019\u201d. Foi seu \u00faltimo pedido \u00e0 humanidade pecadora antes de se entregar definitivamente ao Pai: \u201cTenho sede de vosso amor\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cTudo est\u00e1 consumado\u201d ( Jo 19,30).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPai, nas tuas m\u00e3os entrego o meu esp\u00edrito\u201d (Lc 23,46)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Deixam-nos, suas \u00faltimas palavras de abandono \u00e0 vontade do Pai, o exemplo da perseveran\u00e7a final em tudo, pois ele perseverou at\u00e9 \u00e0 morte. E se isso o fez, foi t\u00e3o somente por amor, sob a influ\u00eancia do sentimento da Trindade em que as aspira\u00e7\u00f5es s\u00e3o comuns. E com S\u00e3o Bernardo aprendemos, ainda melhor, a li\u00e7\u00e3o do amor. Diz-nos o abade de Claraval: \u201cA medida para amar a Deus \u00e9 am\u00e1-lo sem medida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, meu caros irm\u00e3os, pois Deus nos amou de tal modo que nos deu seu filho para remir os nossos pecados e assegurar-nos a bem-aventuran\u00e7a eterna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTudo est\u00e1 consumado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cessaram-se os trov\u00f5es, n\u00e3o se ouve nenhum ru\u00eddo estranho, revolto. Apenas a chuva ainda insiste em prantos pela morte de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Avan\u00e7a a hora nona. Daqui a pouco cai a noite. J\u00e1 ser\u00e1 o dia da P\u00e1scoa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Maria Sant\u00edssima e aqueles amigos que ali estavam o tempo n\u00e3o mais importava. Queriam ficar naquele monte, altar sagrado, em adora\u00e7\u00e3o perene.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas n\u00e3o podiam. Tudo j\u00e1 estava consumado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E aquele instante de adora\u00e7\u00e3o se interrompe com a chegada de Jos\u00e9 de Arimat\u00e9ia e Nicodemos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Era a manifesta\u00e7\u00e3o que faltava, daqueles que acompanhavam o Senhor \u00e0 dist\u00e2ncia, durante toda a sua vida p\u00fablica, mas por respeito humano n\u00e3o se manifestavam. Eram figuras proeminentes entre os judeus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jos\u00e9 de Arimat\u00e9ia fazia parte do Conselho que condenou Jesus, mesmo tendo concordado com aquele desfecho. \u201cEle n\u00e3o havia concordado com a decis\u00e3o dos outros nem com os atos deles. Origin\u00e1rio de Arimat\u00e9ia, cidade da Jud\u00e9ia, esperava ele o Reino de Deus\u201d, relata-nos S\u00e3o Lucas (Lc 23,51). J\u00e1 Nicodemos era fariseu, pr\u00edncipe dos judeus. Certa vez procurou o Mestre \u00e0 noite, \u00e0s escondidas, e Jesus o preparou para aquilo que vira: \u201cComo Mois\u00e9s levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem, para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna\u201d (Jo 3,14-15). Nicodemos estava convencido da divindade de Nosso Senhor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E neste momento, em que os amigos de Jesus, quase todos, os seus seguidores se escondem na penumbra da covardia, esses dois homens n\u00e3o temem seus pares no Conselho infame que condenou o Senhor e v\u00e3o at\u00e9 Pilatos reclamar o corpo do Divino Redentor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chegam os dois senhores ao monte Calv\u00e1rio, com as faixas, os len\u00e7\u00f3is e os ung\u00fcentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aproximam-se de Maria e lhe pedem permiss\u00e3o para enterrar seu filho, nosso amado Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante da cruz s\u00e3o tomados por admira\u00e7\u00e3o e como o centuri\u00e3o exclamam no \u00edntimo de seu cora\u00e7\u00e3o: \u201cNa verdade, este homem era um justo\u201d (Lc 23,47).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Primeiro, retiram a TABULETA que n\u00e3o escarnecia os crist\u00e3os, nem afrontava os judeus. Era a simples revela\u00e7\u00e3o constatada, ainda que indeliberadamente, por Pilatos: \u201cJesus Nazareno Rei dos Judeus\u201d. Estas palavras era uma profiss\u00e3o de f\u00e9 incontest\u00e1vel, por isso, os dois bons homens n\u00e3o se contiveram e certamente depuseram-lhe um \u00f3sculo de devo\u00e7\u00e3o. Cumpriam-se as palavras de Zacarias: \u201cNaquele dia, procurarei exterminar todo o povo que vier contra Jerusal\u00e9m. Suscitarei sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusal\u00e9m um esp\u00edrito de boa vontade e de prece, e eles voltar\u00e3o os seus olhos para mim. Far\u00e3o lamenta\u00e7\u00f5es sobre aquele que traspassaram, como se fosse um filho \u00fanico; chor\u00e1-lo-\u00e3o amargamente como se chora um primog\u00eanito! Naquele dia haver\u00e1 um grande luto em Jerusal\u00e9m, como o luto de Adadremon no vale de Magedo. A terra inteira celebrar\u00e1 esse luto, fam\u00edlia por fam\u00edlia; a fam\u00edlia da casa de Davi \u00e0 parte, com suas mulheres separadamente\u201d (Zc 12,9-12).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, retiram com muito cuidado a COROA DE ESPINHOS que est\u00e1 escalpelando a fronte do Redentor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ah, os espinhos!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os espinhos que menos simbolizam o pecado, mas muito as suas conseq\u00fc\u00eancias. A terra \u201cte produzir\u00e1 espinhos e abrolhos, e tu comer\u00e1s a erva da terra\u201d (Gen 3,18). Esta foi a senten\u00e7a de Deus, ap\u00f3s a trai\u00e7\u00e3o de Ad\u00e3o. \u201cOs perversos sofrem com os espinhos\u201d (Pv 22,5). Os espinhos \u00e9 conseq\u00fc\u00eancia da desobedi\u00eancia, por isso Nosso Senhor os tinha em sua fronte, ele carregava nossas culpas at\u00e9 a morte. \u201cEle tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e n\u00f3s o reput\u00e1vamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniq\u00fcidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados gra\u00e7as \u00e0s suas chagas\u201d (Is 53,4-5). Jesus usou uma coroa de espinhos, para que pud\u00e9ssemos merecer a coroa imperec\u00edvel da gl\u00f3ria, como nos assegura S\u00e3o Pedro em sua primeira carta (5,4), a coroa da vida (Tg 1,12), coroa da justi\u00e7a (2Tm 4,8). \u201cS\u00ea fiel at\u00e9 a morte e dar-te-ei a coroa da vida\u201d (Ap 2,10)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00d3 vos omnes qui transitis per viam, attendite et videte si es dolor sicut dolor meus\u201d \u2013 \u201c\u00d3 v\u00f3s todos os que passais pelo caminho, atendei e vede se h\u00e1 dor semelhante \u00e0 dor que me atormenta\u201d (Lm 1, 12).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eis o corpo desfigurado!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aos poucos vai-se notando qu\u00e3o ferido est\u00e1 pregado \u00e0 Cruz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ai, meu Redentor! Miser\u00e1vel sou, por ser causa de tantos tormentos com meus pecados, reabrindo-lhes as chagas que, misericordiosas, me lavam com o Seu sangue sacrossanto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eis o corpo desfigurado de meu Senhor!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contemplemo-lo, cheio de opr\u00f3brios, v\u00edtima das mais cru\u00e9is viol\u00eancias, desde as blasf\u00eamias contra um Deus at\u00e9 as mais torpes bofetadas, agress\u00f5es morais e f\u00edsicas que a soldadesca indecorosa, instigada pelos p\u00e9rfidos judeus, lan\u00e7aram contra nosso amant\u00edssimo Senhor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAttendite et videte&#8230;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Avan\u00e7a a hora&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A noite se aproxima&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 preciso que retirem depressa o corpo de Nosso Senhor da Cruz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com muito cuidado retiram o prego que prende a M\u00c3O DIREITA do Divino Redentor ao madeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00d3 m\u00e3o bendita, que aben\u00e7oou as multid\u00f5es!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00d3 m\u00e3o sacrossanta, que tocou nas feridas dos enfermos e as curou!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00d3 m\u00e3o benfazeja, que acenou o caminho a seguir!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00d3 m\u00e3o paterna, que apontou o erro para que n\u00e3o mais fosse cometido!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00d3 m\u00e3o fraterna, que a estendeu ao pr\u00f3ximo!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Retirai, pois, esse agudo cravo, para que possa retribuir, com esse ato de miseric\u00f3rdia, tantos benef\u00edcios!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Retirai, tamb\u00e9m, \u00f3 bons homens, o crave que prende a M\u00c3O ESQUERDA de Jesus \u00e0 Cruz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Permite-me, Senhor, que eu esteja ao menos \u00e0 tua esquerda, contemplando essa m\u00e3o com a qual te amparavas no cajado enquanto guiavas o Teu redil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Permite-me, Senhor, venerar essa m\u00e3o que, oculta de tua destra, tamb\u00e9m acariciava a tantos que em Ti buscavam consolo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Permite-me, Senhor, oscular essa m\u00e3o chagada para que minha palavra jamais seja confundida ou causa de esc\u00e2ndalo e sirva, t\u00e3o somente, para cantar as Tuas gl\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Retirai, por fim, o cravo que prende os P\u00c9S de Nosso Senhor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Retirai-o com cuidado, para que nossa aspereza n\u00e3o fira ainda mais o corpo j\u00e1 inerte de Jesus Cristo, machucado terrivelmente pela viol\u00eancia daqueles que n\u00e3o aceitam o seu Reino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cRodeia-me uma malta de c\u00e3es, cerca-me um bando de malfeitores. Traspassaram minhas m\u00e3os e meus p\u00e9s\u201d (Sl 21,17).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C\u00e3es numerosos rodeiam o Calv\u00e1rio at\u00e9 nossos dias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C\u00e3es de uma moral corrompida&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C\u00e3es de uma conduta infame, que se debru\u00e7am sobre suas mis\u00e9rias, ocultando-as, e obstam como podem o projeto de salva\u00e7\u00e3o para o qual devemos todos cooperar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desgra\u00e7ados, aqueles que preferem mais as trevas \u00e0 Luz. N\u00e3o querem que estes bra\u00e7os voltem a aben\u00e7oar, n\u00e3o permitir\u00e3o que estes p\u00e9s pisem novamente o p\u00f3 dos caminhos humanos, levando a Boa Nova da paz e da esperan\u00e7a aos pobres e exclu\u00eddos (Is 52,7). Preferem que Deus continue encerrado e controlado dentro de seus templos suntuosos, rejeitando o templo vivo somos cada um de n\u00f3s, que \u00e9 o Corpo M\u00edstico de Cristo (1Cor 6,19), pois pretendem continuar usando-o, manipulando-o, violentando-o, e massacrando-o a seu bel prazer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desceram o corpo de Jesus da Cruz. Des\u00e7amos a imagem da cruz, em sil\u00eancio. Des\u00e7amo-la com&nbsp; cuidado para que a nossa aspereza, nossa falta de f\u00e9 e de sensibilidade n\u00e3o fira ainda mais o corpo de nosso Senhor, j\u00e1 t\u00e3o ultrajado pelos a\u00e7oites e pelos nossos pecados. Vamos&nbsp; coloc\u00e1-la no esquife&nbsp; para sair em prociss\u00e3o. Em sil\u00eancio vamos pensando: como tenho correspondido a t\u00e3o grande amor? como posso corresponder ainda mais? Vamos caminhado com f\u00e9 e esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Levai agora, Jos\u00e9 de Arimat\u00e9ia e Nicodemos, o corpo sacrossanto de Jesus at\u00e9 Sua M\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela o toma nos bra\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria que embalou o corpo fr\u00e1gil do Menino Jesus, antes de reclin\u00e1-lo no pres\u00e9pio, agora o tem, fr\u00e1gil, maltratado, desfigurado, em seus bra\u00e7os antes de entreg\u00e1-lo \u00e0 sepultura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cDolores inferni circumdederunt me\u201d \u2013 \u201cDores de inferno me cercaram\u201d (Sl 17,6).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Relata-nos o c\u00e9lebre padre Ant\u00f4nio Vieira que \u201cforam t\u00e3o excessivos os tormentos da Virgem na Paix\u00e3o de seu Filho, que diz S. Bernardo que, se se repartissem por todas as criaturas viventes, bastariam a tirar a vida a todas. Mais. Era t\u00e3o grande o amor da Senhora, e o afeto tem\u00edssimo com que desejava n\u00e3o se apartar da presen\u00e7a e vista de seu Filho, que teria por grande benef\u00edcio ou morrer, para que ele n\u00e3o morresse, como dizia Davi na morte de Absal\u00e3o, e j\u00e1 que isto n\u00e3o pudesse ser, ao menos morrer juntamente com ele\u201d (\u201cSerm\u00e3os das Dores da Sacrat\u00edssima Virgem Maria\u201d, 1642).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPlorans ploravit in nocte\u2026\u201d \u2013 \u201cEla chora pela noite adentro, l\u00e1grimas lhe inundam as faces\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNon est qui consoletur eam\u2026\u201d \u2013 \u201cNingu\u00e9m mais a consola de quantos a amavam. Seus amigos todos a tra\u00edram, e se tornaram seus inimigos\u201d (Lm 1,2).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNesta vida temem os homens a morte, e todos andam fugindo dela\u201d, brada, ainda, das cent\u00farias passadas o Cris\u00f3stomo Portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta vida temem os homens a morte, repito, porque temem ter que se apresentar ao Tribunal Divino e responder pelas atrocidades que tanto afligem o Cora\u00e7\u00e3o Sagrado de Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Correi, infelizes. Correi pressurosos em busca do perd\u00e3o de vossos pecados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Celerados que renovam os flagelos a Nosso Senhor, emendai de vida enquanto h\u00e1 tempo, porque a \u201cpropriedade dos tormentos do inferno n\u00e3o s\u00f3 dura porque atormenta duramente, sen\u00e3o tamb\u00e9m porque, atormentando, endurece a quem atormenta, e matando, imortaliza para sempre matar. Nesta vida temem os homens a morte, e todos andam fugindo dela; no inferno, pelo contr\u00e1rio, todos desejam morrer, e a morte foge de todos\u201d (VIEIRA op. cit.).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 o que vos espera, todos aqueles que abandonam sua Cruz no caminho e fogem do jugo de Nosso Senhor. Hip\u00f3critas, covardes, infelizes, preferem os regalos da vida mundana, da riqueza vil, das divers\u00f5es, da sensualidade, dos prazeres anormais, da pederastia, de toda forma de incontin\u00eancia, \u00e9 o que vos espera: o inferno, pois \u201ctalis vita, finis ita\u201d, diz o jarg\u00e3o latino \u2013 \u201cTal como se vive, se finda\u201d. Vivestes longe de Deus, na sua aus\u00eancia permanecer\u00e3o ap\u00f3s a morte. Desejar\u00e3o, ent\u00e3o, morrer, mas a morte fugir\u00e1 de v\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diz-nos Santo Agostinho que foi \u201cDeus quem se cansou, pois est\u00e1 nessa estrada h\u00e1 s\u00e9culos, mil\u00eanios&#8230; em busca da humanidade. Deus est\u00e1 em busca do homem. Onde Ele poderia parar, pousar, repousar? No po\u00e7o de nosso cora\u00e7\u00e3o, na alma de cada um de n\u00f3s. Talvez cada um de n\u00f3s j\u00e1 tenha vivido o essencial da experi\u00eancia m\u00edstica e espiritual: a descoberta de que n\u00e3o somos n\u00f3s, mas Deus quem nos busca. Era Deus quem nos buscava esse tempo todo. \u00c9 dif\u00edcil deixar-se achar, deixar-se amar \u2018tal como somos\u2019. A estrada \u00e9 longa at\u00e9 esse ponto da aceita\u00e7\u00e3o total.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Iniciemos, car\u00edssimos, agora, essa caminhada que nos conduzir\u00e1 ao Pai.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Iniciemos, agora, essa caminhada, contritos, penitentes, com sinceros prop\u00f3sitos de emenda de vida, para que no dia em que formos chamados a ju\u00edzo, possamos ouvir de nosso amant\u00edssimo Jesus: \u201cVinde, benditos de meu Pai, recebei em heran\u00e7a o Reino que foi preparado para v\u00f3s\u201d (Mt 25,34).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cena do Calv\u00e1rio transmite a magnitude do sacrif\u00edcio de Cristo, que ao carregar as enfermidades e sofrimentos da humanidade, oferece reden\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a. <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":23411,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_lmt_disableupdate":"","_lmt_disable":"","footnotes":""},"categories":[7034],"tags":[],"class_list":["post-23373","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ano-b-2024"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v26.9 (Yoast SEO v26.9) - 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