{"id":23367,"date":"2024-03-29T02:01:00","date_gmt":"2024-03-29T05:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/?p=23367"},"modified":"2024-03-29T10:36:31","modified_gmt":"2024-03-29T13:36:31","slug":"sermao-do-calvario-7","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/sermao-do-calvario-7\/","title":{"rendered":"Serm\u00e3o do calv\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-acompanhe-todas-as-homilias-da-semana-santa-e-triduo-pascal\">Acompanhe todas as homilias da Semana Santa e Tr\u00edduo Pascal<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-sermao-do-deposito\"><a href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/sermao-do-deposito-4\/\">Serm\u00e3o do deposito<\/a><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-sermao-do-encontro\"><a href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/sermao-do-encontro-8\/\">Serm\u00e3o do Encontro<\/a><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-missa-do-crisma\"><a href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/missa-do-crisma-7\/\"><strong>Missa do Crisma<\/strong><\/a><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-sermao-das-sete-dores-de-maria\"><strong><a href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/sermao-das-sete-dores-de-maria-4\/\">Serm\u00e3o das Sete Dores de Maria<\/a><\/strong><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-as-sete-palavras-de-cristo-na-cruz\"><a href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/as-sete-palavras-de-cristo-na-cruz-3\/\"><strong>As \u201cSete Palavras de Cristo na Cruz\u201d.<\/strong><\/a><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-sermao-do-calvario\"><a href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/sermao-do-calvario-7\/\"><strong>Serm\u00e3o do calv\u00e1rio<\/strong><\/a><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-descendimento-da-cruz\"><a href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/descendimento-da-cruz-5\/\"><strong>Descendimento da Cruz<\/strong><\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u201cQuando tiverdes elevado o Filho do Homem, ent\u00e3o sabereis quem eu sou\u201d\u00a0 (Jo 8,27)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Introdu\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><strong><em><\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com Maria, a M\u00e3e de Jesus, subimos a colina do Calv\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Guiados por ela viemos at\u00e9 ao G\u00f3lgota,&nbsp;&nbsp; grande c\u00faspide da Hist\u00f3ria,&nbsp; lugar sagrado e culminante no qual se encontram todas as gera\u00e7\u00f5es de todos os tempos. Aqui a Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o tem o seu cap\u00edtulo mais importante, registrando a dramaticidade de um sacrif\u00edcio, doloroso, pungente que resgata a humanidade. Morre um Deus pelas suas criaturas por entre ignom\u00ednia inenarr\u00e1vel, num gesto grandioso de dile\u00e7\u00e3o. Trata-se n\u00e3o unicamente de um ato her\u00f3ico de um homem que se submeteu ao Pai at\u00e9 o fim: a morte numa cruz , mas sacrif\u00edcio de um homem que era Deus. Acontecimento&nbsp; \u00fanico que ultrapassa todas as raz\u00f5es da raz\u00e3o, pois \u00e9 a prova m\u00e1xima da afei\u00e7\u00e3o divina pelos homens fato inaudito, desconsertante diante do qual se comove o universo, a terra treme e se rasga o v\u00e9u do templo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>O Redentor<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jesus havia proclamado que o Filho do Homem viera para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (Mt 20,28).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No alto do madeiro entre o c\u00e9u e a terra ele resgatou a todos, pois, como ensina o Ap\u00f3stolo Paulo: \u201cCristo nos remiu da maldi\u00e7\u00e3o da Lei tornando-se maldi\u00e7\u00e3o por n\u00f3s, porque est\u00e1 escrito: Maldito todo aquele que \u00e9 suspenso no madeiro\u201d ( Gl 3,13).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O abandono do Pai (Mc15,35) \u00e9 o ponto culminante desta situa\u00e7\u00e3o execranda, que marca profundamente sua agonia pregado numa cruz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A suprema hora&nbsp; da morte reserva para todos sofrimentos f\u00edsicos e morais. Entretanto, s\u00f3 para o Salvador tais padecimentos chegariam ao m\u00e1ximo, pois Ele experimentou, enquanto homem, a rejei\u00e7\u00e3o&nbsp; do pr\u00f3prio Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vai morrer no mais total abandono o Filho bem-amado do Pai, desprezado pelos homens, envolto em trevas profundas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tudo para que o mundo soubesse a intensidade do seu amor que foi assim \u00e0s raias do maior sofrer que se registra na Hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para alcan\u00e7ar o grande perd\u00e3o, pois o pecado \u00e9 a ofensa a um Ser infinito, ele beber\u00e1 at\u00e9 \u00e0 \u00faltima gota o c\u00e1lice de um sofrer sem precedentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O homem se desviara de seu Criador, era mister coloc\u00e1-lo novamente na rota divina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todo o mist\u00e9rio do sofrimento de Jesus se resume no fato de se ter Ele feito homem para resgatar uma multid\u00e3o de irm\u00e3os, dando \u00e0 justi\u00e7a do Pai a satisfa\u00e7\u00e3o total.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O drama do Calv\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 um mero acidente hist\u00f3rico, um fato dentre milhares de outros, pois tem sua origem num gesto de amor de Deus: \u201cO Verbo se fez carne e habitou entre n\u00f3s\u201d (Jo 1,l4). Jo\u00e3o Evangelista admirado, pasmo, perplexo ante tal gentileza do Criador, declarou num momento de pulcra inspira\u00e7\u00e3o: \u201cNisto se manifestou o amor de Deus entre n\u00f3s: Deus enviou o seu Filho unig\u00eanito ao mundo para que vivamos por ele. Nisto consiste o amor: n\u00e3o fomos n\u00f3s que amamos a Deus, mas foi ele quem nos amou e enviou-nos o seu Filho como v\u00edtima de expia\u00e7\u00e3o pelos nosso pecados\u201d( l Jo 4,9-10).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O sacrif\u00edcio volunt\u00e1rio de Cristo no Calv\u00e1rio foi a execu\u00e7\u00e3o no tempo do decreto eterno de reden\u00e7\u00e3o pronunciado no c\u00e9u e brotado dos infinitos abismos do amor do Todo-poderoso. Foi por isto que Ele, enquanto homem, \u201cse fez obediente ao Pai at\u00e9 \u00e0 morte e morte de cruz\u201d (Fl 2,8)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando a palavra criadora de Deus chamou do nada tudo que existe, quando Ele revestiu a terra de beleza e tirou de seu seio as mil formas de vida, mostrou-se como Deus Onipotente, cheio de poder, gl\u00f3ria e sabedoria. Quando criou o homem \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a se manifestou como Pai repleto de magnanimidade e o fez participante de sua vida divina, elevando-o \u00e0 ordem sobrenatural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na cruz, por\u00e9m, resplandece novo poder, nova gl\u00f3ria, nova sabedoria, novo amor, nova paternidade. Poder que se despoja para engrandecer a criatura ingrata, gl\u00f3ria que se apaga para repletar de honra quem do para\u00edso fora expulso, amor que se sacrifica para redimir uma ra\u00e7a prevaricadora, paternidade que leva \u00e0 imola\u00e7\u00e3o o Filho dileto para regenera\u00e7\u00e3o de filhos infi\u00e9is.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Algo, realmente, inconceb\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>A revela\u00e7\u00e3o de um grande amor<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;A escola comparativista n\u00e3o logrou jamais descobrir em qualquer religi\u00e3o n\u00e3o-crist\u00e3 uma realidade paralela a este mist\u00e9rio redentor de Jesus Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os falsos deuses&nbsp; da antig\u00fcidade, como os do Egito, da Mesopot\u00e2mia, da P\u00e9rsia, da \u00cdndia, da Gr\u00e9cia, de Roma estavam todos eles submetidos \u00e0s leis cegas da Natureza. As divindades redentoras do helenismo n\u00e3o eram sen\u00e3o partes do complexo natural dos seres. Sofrimento, morte, ressurrei\u00e7\u00e3o, elas experimentavam justamente segundo seu destino. Era algo involunt\u00e1rio, necessidade tr\u00e1gica da qual n\u00e3o sabiam escapar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A teologia grega que se elevou ao mais alto n\u00edvel outra coisa n\u00e3o era, al\u00e9m disto, do que um movimento de<strong><em> an\u00e1basis<\/em><\/strong>, ou&nbsp; seja, de ascens\u00e3o&nbsp; do sens\u00edvel ao intelig\u00edvel e, finalmente, ao Primeiro Princ\u00edpio. O movimento de <strong><em>kat\u00e1basis<\/em><\/strong>, da descida do Absoluto \u00e0 conting\u00eancia do mundo e do ser racional \u00e9 pr\u00f3prio da teologia crist\u00e3, \u00e9 a grande novidade que se manifesta na Hist\u00f3ria e que tem&nbsp; o \u00e1pice de sua manifesta\u00e7\u00e3o num Deus que agoniza e morre numa Cruz de bra\u00e7os abertos para todos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Adite-se que nas religi\u00f5es primitivas a liberta\u00e7\u00e3o do iniciado nos mist\u00e9rios n\u00e3o \u00e9 operada pelas divindades. Antes, se trata de uma atividade do crente que, por uma esp\u00e9cie de sortil\u00e9gio se p\u00f5e ele mesmo a reproduzir, de maneira puramente exterior e gra\u00e7as a ritos e cerim\u00f4nias, posturas que julga ser do agrado do deus que adora. Tudo se passa na esfera cultual e at\u00e9 est\u00e9tica. \u00c9 uma opera\u00e7\u00e3o m\u00e1gica. Busca-se a clem\u00eancia e a identifica\u00e7\u00e3o com a divindade da qual se espera um influxo especial, sobretudo a purifica\u00e7\u00e3o interior e o afastamento de for\u00e7as mal\u00e9ficas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por entre as concep\u00e7\u00f5es pante\u00edstas e manifesta\u00e7\u00f5es religiosas teatrais o mist\u00e9rio sublime de um Deus&nbsp; que se imola por amor no alto de uma cruz transcende&nbsp; tudo que at\u00e9 ent\u00e3o o homem havia imaginado e esperado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 este,&nbsp; n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida, o ato mais solene da Hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todas as outras tentativas de aproxima\u00e7\u00e3o da divindade por mais not\u00e1veis que tivessem sido, enquanto manifesta\u00e7\u00e3o do senso religioso do homem, s\u00e3o insignificantes ante o que se deu no Calv\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os sacrif\u00edcios da Antiga Alian\u00e7a apenas prefiguravam a verdadeira imola\u00e7\u00e3o que repararia totalmente a desobedi\u00eancia de nossos primeiros pais e todos os outros pecados atrav\u00e9s dos tempos. O cordeiro imolado segundo a institui\u00e7\u00e3o mosaica afastava o devastador, mas o verdadeiro Cordeiro de Deus \u00e9 este sacrificado no Calv\u00e1rio, trazendo a verdadeira reden\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que est\u00e1 escrito na carta aos Hebreus: \u201cDe fato, se o sangue de bodes e de novilhos, e se a cinza da novilha, espalhada sobre os seres ritualmente impuros, os santifica purificando os seus corpos, quanto mais o sangue de Cristo que por um esp\u00edrito eterno, se ofereceu a si mesmo a Deus como v\u00edtima sem mancha, h\u00e1 de purificar a nossa consci\u00eancia das obras mortas para que prestemos um culto ao Deus vivo\u201d ( Hb 9,13-14).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Apenas \u00e0 luz de uma f\u00e9 profunda pode esta realidade ele ser penetrada. Tanto isto \u00e9 verdade que S\u00e3o Paulo claramente afirmou: <strong>\u201c<\/strong>N\u00f3s anunciamos Cristo crucificado que, para os judeus \u00e9 esc\u00e2ndalo, para os gentios \u00e9 loucura\u201d (1 Cor 1,23).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Doravante \u00e9 esta cruz que apontar\u00e1 a cada um a rota da salva\u00e7\u00e3o. Ela se fez a bandeira de grandes vit\u00f3rias, guia de todos os santos, sinal de amparo em todos os momentos da vida. Ela transmite a fortaleza interior, d\u00e1 alegria na tribula\u00e7\u00e3o, conduz&nbsp; \u00e0 santidade, ilumina nas trevas do pecado, arranca de profundezas abissais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por ela Cristo se tornou o autor de nossa salva\u00e7\u00e3o e venceu com sua morte a morte de todos os mortais!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>A cruz na vida do crist\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A cruz na qual morreu Jesus \u00e9, assim,&nbsp; o s\u00edmbolo m\u00e1ximo de seu amor para com os homens (Jo 15,13) e, projetada na exist\u00eancia do crist\u00e3o, \u00e9&nbsp; a resposta suprema de dile\u00e7\u00e3o deste para com o seu Redentor. O sofrimento \u00e9 inevit\u00e1vel na exist\u00eancia humana. Dores f\u00edsicas e morais, al\u00e9m da fadiga que \u00e9 inerente ao trabalho cotidiano, quando unidas \u00e0 obra redentora de Jesus ganham uma dimens\u00e3o transcendental, conferindo ao crente fortaleza interior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 imposs\u00edvel chegar \u00e0 gl\u00f3ria da ressurrei\u00e7\u00e3o sem passar pelo Calv\u00e1rio(Lc 14,26). Eis por que S\u00e3o Paulo,&nbsp; o te\u00f3logo da presen\u00e7a da cruz de Cristo na vida crist\u00e3, dizia : \u201cn\u00f3s, por\u00e9m,&nbsp; pregamos Cristo crucificado\u201d (1 Cor 1,23). \u00c9 que a cruz libertou o homem do pecado e da morte, estabelecendo definitivamente a Nova Alian\u00e7a de Deus com a humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O crist\u00e3o \u00e9 ent\u00e3o aquele que vive como quem, no batismo, foi \u201ccrucificado com Cristo\u201d (Gl 2,19 e ss;5,24;Rm 6,1-11;Col 2,11 ss). Isto significa que o disc\u00edpulo do Salvador est\u00e1 morto para o pecado que impede amar a Deus e aos irm\u00e3os , aceitando com paci\u00eancia as tribula\u00e7\u00f5es da trajet\u00f3ria neste mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A paz, a beatitude interior que fluem do Senhor ressuscitado s\u00f3 s\u00e3o poss\u00edveis para quem abra\u00e7a amorosamente a cruz redentora. Os grandes santos atingiram a culmin\u00e2ncia de uma exist\u00eancia autenticamente evang\u00e9lica por terem penetrado a espiritualidade da cruz. Atingiram&nbsp; deste modo a maturidade crist\u00e3, aquela perfei\u00e7\u00e3o proposta por Jesus: \u201c Sede perfeitos como o Pai celeste \u00e9 perfeito\u201d (Mt 5,48),ou seja, num esfor\u00e7o penoso, cont\u00ednuo, buscaram se assemelhar ao Deus tr\u00eas vezes santo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Os te\u00f3logos e a cruz<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos&nbsp; primeiro s\u00e9culos do cristianismo os escritos dos te\u00f3logos revelam como a cruz \u00e9 um instrumento da obra salv\u00edfica e a comparam com a&nbsp; \u00e1rvore da vida do para\u00edso terrestre, com a arca de No\u00e9, com a lenha do sacrif\u00edcio que Isaac levou ao monte Mori\u00e1, com a escada de Jac\u00f3, com a vara de Mois\u00e9s, com a serpente de bronze, a vara de Aar\u00e3o reverdecendo no mesmo dia e revelando o sacerdote leg\u00edtimo. Bel\u00edssimas imagens tiradas do Antigo Testamento. Policarpo, Ireneu e&nbsp; Or\u00edgenes, entre outros, desenvolveram magn\u00edficas considera\u00e7\u00f5es a partir destas analogias. Depois da&nbsp; convers\u00e3o de Constantino&nbsp; a cruz surgiu como s\u00edmbolo oficial do imp\u00e9rio e se tornou ainda mais um est\u00edmulo para que os fi\u00e9is se sacrificassem pela causa do Evangelho e por seus irm\u00e3os na f\u00e9. Tocantes as homilias de&nbsp; Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, Ambr\u00f3sio, Agostinho e muitos outros a exaltarem o papel da morte&nbsp; de Jesus na exist\u00eancia do crente. Na Idade M\u00e9dia&nbsp; grandes te\u00f3logos aprofundaram ainda mais o sentido da paix\u00e3o de Cristo crucificado e not\u00e1veis os textos de Greg\u00f3rio Magno; Beda, o vener\u00e1vel; Tom\u00e1s de Aquino; Bernardo; Boaventura. As comunidades religiosas medievais experimentaram, como havia ocorrido anteriormente, grande crescimento espiritual ao cultuarem a cruz salvadora. A espiritualidade da cruz tamb\u00e9m neste per\u00edodo da Hist\u00f3ria, tornou suport\u00e1vel todos os sofrimentos e produziu multid\u00e3o de santos. \u00c9 o carisma do sofrimento que promanou um dia do Calv\u00e1rio. Na Idade Moderna e Contempor\u00e2nea prosseguiu esta uni\u00e3o dos fi\u00e9is com Jesus sofredor, acentuando-se, sobretudo depois de Vicente de Paulo a vis\u00e3o de Cristo a sofrer nos pobres e desamparados, nos membros padecentes do Corpo M\u00edstico. Te\u00f3logos hodiernos, sobretudo na Alemanha, est\u00e3o a acentuar esta pedagogia da cruz, mostrando&nbsp; que ela \u00e9 \u201ca manifesta\u00e7\u00e3o eminente de Deus&nbsp; e revela o modo como se pode tornar operante a ressurrei\u00e7\u00e3o&nbsp; na vida terrena do crist\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Conclus\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cumpre de fato ao batizado olhar sempre para Cristo crucificado a fim de compartilhar a fidelidade e a caridade de Jesus, Ele \u201cque&nbsp; nos amou e se entregou por n\u00f3s a Deus como obla\u00e7\u00e3o e sacrif\u00edcio de agrad\u00e1vel odor (Ef.5,2).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Saibamos valorizar este tesouro de gra\u00e7as que \u00e9 a precios\u00edssima cruz de Jesus. Ela \u00e9 a \u00e1rvore geradora da vida da gra\u00e7a. \u00c9 farol por entre as tribula\u00e7\u00f5es da exist\u00eancia. \u00c9 a chave do c\u00e9u. Foi por ela que Cristo derrotou o inimigo do g\u00eanero humano e sanou as chagas do pecado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imitemos o ap\u00f3stolo Paulo que podia asseverar: \u201cQuanto a mim n\u00e3o quero gloriar-me a n\u00e3o ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por quem o mundo est\u00e1 crucificado para mim e eu para o mundo\u201d(Gl 6,l4)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cumpre, por\u00e9m, n\u00e3o apenas venerar e exaltar a cruz que contemplamos aqui no G\u00f3lgota , mas \u00e9 mister evangelizar com palavras e obras, com o testemunho de vida, \u201cpara que n\u00e3o se torne in\u00fatil a cruz de Cristo\u201d(1 Cor l,17).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 necess\u00e1rio, al\u00e9m disto, estar crucificado com Cristo (Gl 2l,19), ou seja, morto para o pecado e para tudo que o mundo oferece e que contradiz o que o Mestre divino ensinou, fugindo de tudo que \u00e9 vergonhoso para o crist\u00e3o e apartando os pensamentos do que est\u00e1 sobre a terra. Do contr\u00e1rio se estar\u00e1 entrando no rol dos \u201cinimigos da cruz de Cristo (Fl 3,18).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o Cirilo de Jerusal\u00e9m nos apostrofa: \u201c Jesus foi crucificado em teu favor, Ele n\u00e3o pecara; e tu, n\u00e3o te deixar\u00e1s crucificar por aquele que em teu benef\u00edcio foi pregado na cruz? N\u00e3o estar\u00e1s fazendo um favor; primeiro recebeste. E mostras gratid\u00e3o pagando a d\u00edvida a quem por ti foi crucificado no G\u00f3lgota\u201d ( PG 33,802). \u00c9 que na cruz nos revestimos de Cristo e nos despojamos do velho homem numa valoriza\u00e7\u00e3o de tanto sofrimento, mostrando-nos assim agradecidos pelo grande benef\u00edcio recebido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Aceitar a cruz de Jesus \u00e9 uma grande sensatez. \u00c9 que, como bem se expressou Teodoro Estudita, \u201ca m\u00e1xima&nbsp; sabedoria, aquela que floresceu na cruz, desafia a jact\u00e2ncia da sabedoria do mundo e arrog\u00e2ncia da tolice. O tronco de todos os bens, elevado na cruz, extirpou todos os brotos da maldade e da injusti\u00e7a\u201d(PG 99, 691 ss.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eis a\u00ed as grandes mensagens que devemos levar do Calv\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Farolize a cruz de Cristo toda nossa vida e lembremo-nos sempre que no Calv\u00e1rio algu\u00e9m&nbsp; por n\u00f3s morreu porque muito nos amou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atrav\u00e9s do sofrimento e morte na cruz, Jesus oferece a reden\u00e7\u00e3o e revela a magnitude do amor de Deus, um amor que se manifesta na mais extrema entrega.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":23410,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_lmt_disableupdate":"","_lmt_disable":"","footnotes":""},"categories":[7034],"tags":[],"class_list":["post-23367","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ano-b-2024"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v26.9 (Yoast SEO v26.9) - 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