{"id":23355,"date":"2024-03-25T07:59:20","date_gmt":"2024-03-25T10:59:20","guid":{"rendered":"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/?p=23355"},"modified":"2024-03-26T10:59:51","modified_gmt":"2024-03-26T13:59:51","slug":"sermao-das-sete-dores-de-maria-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/sermao-das-sete-dores-de-maria-4\/","title":{"rendered":"Serm\u00e3o das Sete Dores de Maria"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-acompanhe-todas-as-homilias-da-semana-santa-e-triduo-pascal\">Acompanhe todas as homilias da Semana Santa e Tr\u00edduo Pascal<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-sermao-do-deposito\"><a href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/sermao-do-deposito-4\/\">Serm\u00e3o do deposito<\/a><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-sermao-do-encontro\"><a href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/sermao-do-encontro-8\/\">Serm\u00e3o do Encontro<\/a><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-missa-do-crisma\"><a href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/missa-do-crisma-7\/\"><strong>Missa do Crisma<\/strong><\/a><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-sermao-das-sete-dores-de-maria\"><strong><a href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/sermao-das-sete-dores-de-maria-4\/\">Serm\u00e3o das Sete Dores de Maria<\/a><\/strong><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-as-sete-palavras-de-cristo-na-cruz\"><a href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/as-sete-palavras-de-cristo-na-cruz-3\/\"><strong>As \u201cSete Palavras de Cristo na Cruz\u201d.<\/strong><\/a><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-sermao-do-calvario\"><a href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/sermao-do-calvario-7\/\"><strong>Serm\u00e3o do calv\u00e1rio<\/strong><\/a><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-descendimento-da-cruz\"><a href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/descendimento-da-cruz-5\/\"><strong>Descendimento da Cruz<\/strong><\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RAINHA DOS M\u00c1RTIRES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SERM\u00c3O DAS SETE DORES DE MARIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos t\u00edtulos mais expressivos dados \u00e0 Virgem Maria \u00e9 o de Rainha dos M\u00e1rtires. Ele enseja reflex\u00f5es profundas sobre a obra redentora de Cristo e a co-participa\u00e7\u00e3o de Maria na mesma. Al\u00e9m disto, as li\u00e7\u00f5es da Senhora das Dores s\u00e3o valios\u00edssimas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Santo Isidoro assevera que os m\u00e1rtires s\u00e3o testemunhas \u201cporque sofreram para dar testemunho de Cristo e lutarem at\u00e9 \u00e0 morte pela verdade\u201d<sup>1<\/sup>. Segundo a teologia, o mart\u00edrio inclui a morte ou padecimentos mortais que assemelham aquele que padece a Jesus Cristo, uma vez que o m\u00f3vel de tal sofrimento \u00e9 sobrenatural. O amor a Deus \u00e9 a ess\u00eancia daquela atitude.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Grandes as tribula\u00e7\u00f5es que suportou Maria. A ela a Liturgia aplica as palavras de Jeremias: \u201cA quem te compararei, ou a quem te assemelharei, \u00f3 filha de Jerusal\u00e9m? A quem te igualarei, \u00f3 virgem, filha de Si\u00e3o? \u00c9 grande como o mar a tua tribula\u00e7\u00e3o; quem poder\u00e1 curar-te\u201d<sup>2<\/sup>?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A intensidade das dores desta Senhora foi na propor\u00e7\u00e3o mesma de sua imensa dile\u00e7\u00e3o para com seu divino Filho. Este era o Deus encarnado em seu seio materno, bem infinito a quem ela duplamente amava. \u00c9 este Ser ao qual estava singularmente unida que ela contemplou entregue \u00e0s maiores dores f\u00edsicas e morais que a uma criatura foi dado experimentar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, com raz\u00e3o, ela \u00e9 chamada Rainha dos M\u00e1rtires. Seus padecimentos foram todos morais e seu verdugo implac\u00e1vel o seu tern\u00edssimo cora\u00e7\u00e3o materno. Maria foi m\u00e1rtir n\u00e3o por paix\u00e3o, mas por compaix\u00e3o; n\u00e3o pela espada de um carrasco, mas pela pujante ang\u00fastia interior, t\u00e3o grande que, se n\u00e3o fora a gra\u00e7a divina, ela teria sido fulminada em cada transe doloroso pelo qual passou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As dores morais s\u00e3o muito mais cru\u00e9is do que as corporais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria registra a capacidade incr\u00edvel que as pessoas t\u00eam para anos e anos, conviver com terr\u00edveis padecimentos f\u00edsicos. A dor moral, por\u00e9m, quando aguda, ou leva \u00e0 loucura ou causa fulminante morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez que Deus quis associar Maria \u00e0 obra salvadora, Ele lhe deu o suporte divino de sua for\u00e7a sobrenatural para que ela n\u00e3o desfalecesse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O papa Bonif\u00e1cio IV, quando incorporou ao cristianismo, a 13 de maio de 609, o antigo Pante\u00e3o, o dedicou, apropositadamente, a <em>Sancta Maria ad Martyres<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela porque muito padeceu, se tornou co-redentora da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os te\u00f3logos que tratam deste aspecto da mariologia s\u00e3o un\u00e2nimes em frisar que os sofrimentos de Maria n\u00e3o eram absolutamente necess\u00e1rios \u00e0 reden\u00e7\u00e3o. No sentido pr\u00f3prio da palavra s\u00f3 Cristo \u00e9 o Redentor do mundo. Ele n\u00e3o precisa da coopera\u00e7\u00e3o de nenhuma criatura. Isto \u00e9 ponto pac\u00edfico. Entretanto, h\u00e1 uma palavra de S\u00e3o Paulo sumamente expressiva: \u201cEu que agora me alegro nos sofrimentos por v\u00f3s, e que completo na minha carne o que falta ao sofrimento de Cristo pelo seu corpo, que \u00e9 Igreja\u201d<sup>3<\/sup>. N\u00e3o obstante a paix\u00e3o do Salvador ser dum m\u00e9rito infinito, e por isto completa, nada a lhe acrescentar os padeceres dos homens, o Ap\u00f3stolo mostra que se coisa alguma faltou a Jesus sofrer no seu f\u00edsico, no seu corpo m\u00edstico, de que somos membros, h\u00e1 algo a ser completado pelo sofrimento. Deste modo, num sentido subordinado e participativo existe uma coopera\u00e7\u00e3o com o Salvador na reden\u00e7\u00e3o do mundo. \u00c9 neste aspecto que, como ningu\u00e9m, Maria co-participou. Suas tribula\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam similar nos anais dos povos. Adite-se que ela \u00e9 co-redentora tamb\u00e9m neste sentido de que, por des\u00edgnios imperscrut\u00e1veis de Deus, ela foi inclu\u00edda no plano soteriol\u00f3gico. Dela, de fato, recebeu Cristo a natureza humana e dela se fez dependente em uma parte de sua vida. As atribula\u00e7\u00f5es desta Senhora, conseq\u00fc\u00eancia inevit\u00e1vel de sua maternidade divina, se inserem ent\u00e3o, de modo peculiar, no processo salv\u00edfico. O Todo-Poderoso, realmente, n\u00e3o iria permitir tantos desgostos sem motivos especiais. Seriam inteiramente il\u00f3gicos os dissabores e desares desta Mulher bendita se estes n\u00e3o tivessem uma destina\u00e7\u00e3o superior. O Pe. Faber declara: \u201cSendo, pois, simult\u00e2neas a Compaix\u00e3o de Maria e a Paix\u00e3o de Jesus, ou melhor dizendo, sendo aquela uma parte integrante desta, participa de seu car\u00e1ter de sacrif\u00edcios e de expia\u00e7\u00e3o, e isto de modo e em grau singulares e incomunic\u00e1veis a quaisquer padecimentos expiat\u00f3rios dos santos. A Paix\u00e3o foi o sacrif\u00edcio de Jesus Cristo na Cruz e a Compaix\u00e3o foi o sacrif\u00edcio de Maria ao p\u00e9 da Cruz, sua oferenda ao Eterno Pai, oferenda de uma criatura sem pecado, consumada para expiar culpas alheias\u201d<sup>4<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A compaix\u00e3o de Maria por vontade de Deus integrou a Paix\u00e3o de Cristo. Suas afli\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram um mero ornato nos passos atribulados de seu Filho. N\u00e3o foram sem sentido. Se Deus as permitiu \u00e9 porque, como soe acontecer na ordem universal, havia uma destina\u00e7\u00e3o sublime a tantos padeceres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pelo Evangelho se sabe de momentos cruciais para Maria, nos quais as fibras mais sens\u00edveis de seu cora\u00e7\u00e3o perceberam ang\u00fastias horripilas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Consider\u00e1-las \u00e9 haurir preciosas li\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PRIMEIRA DOR<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dor moral imensa, antecipa\u00e7\u00e3o de todas as demais que deveria suportar \u00e9 a que se abateu sobre Maria na apresenta\u00e7\u00e3o de Jesus no templo. Com efeito, foi uma antecipa\u00e7\u00e3o terr\u00edvel de instantes lancinantes e cuja imprevisibilidade agu\u00e7ou o sofrer da terna m\u00e3e. S\u00e3o Lucas narra o fato. Diz ele que, conclu\u00eddos os dias da purifica\u00e7\u00e3o de Maria, segundo a lei de Mois\u00e9s, ela e S\u00e3o Jos\u00e9 levaram o menino a Jerusal\u00e9m para o apresentarem ao Senhor. O velho Sime\u00e3o, conduzido pelo Esp\u00edrito Santo, foi ao templo e l\u00e1 tomou Cristo nos bra\u00e7os e o exaltou como \u201cluz para iluminar as na\u00e7\u00f5es e gl\u00f3ria de Israel\u201d<sup>5<\/sup>. Ap\u00f3s aben\u00e7oar Jos\u00e9 e Maria disse a esta: \u201cEis que este (Menino) est\u00e1 posto para ru\u00edna e para ressurrei\u00e7\u00e3o de muitos em Israel, e para ser alvo de contradi\u00e7\u00e3o. E uma espada traspassar\u00e1 a tua alma, a fim de se descobrirem os pensamentos escondidos nos cora\u00e7\u00f5es de muitos\u201d<sup>6<\/sup>. Profecia terr\u00edvel que obscurece para sempre a dita daquela m\u00e3e. Toda a trag\u00e9dia messi\u00e2nica se lhe antolha com rudeza singular. Ela sofre menos com a perspectiva de uma l\u00e2mina pontiaguda a lhe dilacerar o peito do que com a triste realidade sobre o seu dileto filho, signo paradoxal de vida e de morte. Da\u00ed por diante todas as vezes que ela contemplasse seu meigo Jesus as palavras cortantes do anci\u00e3o hierosolimita seriam lembradas, furtando-lhe acremente as naturais alegrias que a inf\u00e2ncia oferece aos pais. Pondera Faber: \u201cDaquela hora em diante, cada ato de Maria foi para ela um padecimento; cada gozo, uma fonte de amarguras. N\u00e3o havia em sua alma um s\u00f3 recanto onde a afli\u00e7\u00e3o n\u00e3o penetrasse. Cada um de seus olhares para Jesus, cada movimento, cada palavra do Menino-Deus, suscitavam e exacerbavam sua amarga pena. O mero passar do tempo aumentava sua dor, porquanto apressava as l\u00fagubres horas do Gethsemani, os tredos momentos do Calv\u00e1rio\u201d<sup>7<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Importante, por\u00e9m, \u00e9 o fruto espiritual que se deve tirar de tanta ang\u00fastia. O apre\u00e7o que o crist\u00e3o tiver pela gra\u00e7a divina, a qual custou inauditos tormentos a Jesus e a Maria, \u00e9 como se revela gratid\u00e3o por generosidade assim repleta de amor. Ao viver em plenitude esta vida divina, obtida \u00e0 custa de exulcera\u00e7\u00f5es t\u00e3o cheias de acridez, se valoriza o sangue de Cristo e o sacrif\u00edcio incruento da Virgem Santa. Al\u00e9m disto, lembra Fulton Sheen: \u201cSe Maria, sem pecado, aceita com alegria a espada que Lhe vem da Divindade sem mancha, qual de n\u00f3s, pecadores, se lamentaria, quando o pr\u00f3prio Jesus nos permite sofrer pela remiss\u00e3o de suas faltas\u201d<sup>8<\/sup>?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira ferida fora aberta. O mart\u00edrio apenas iniciara.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SEGUNDA DOR<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o demorou muito e o vatic\u00ednio sombrio de Sime\u00e3o se desdobraria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Jos\u00e9 um anjo transmite uma ordem vinda do c\u00e9u. S\u00e3o Mateus registra o fato. Nem bem os Reis magos haviam partido, ap\u00f3s renderem suas homenagens ao divino infante, \u201ceis que um anjo do Senhor apareceu em sonhos a Jos\u00e9 e lhe disse: Levanta-te, toma o menino e sua m\u00e3e, e foge para o Egito, e fica l\u00e1 at\u00e9 que eu te avise; porque Herodes vai procurar o menino para o matar. E ele, levantando se, tomou de noite o menino e sua m\u00e3e e retirou-se para o Egito. E l\u00e1 esteve at\u00e9 \u00e0 morte de Herodes\u201d<sup>9<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bem se pode aquilatar os sobressaltos da Virgem Santa ante a antevis\u00e3o de um rei Todo-Poderoso a querer assassinar-lhe aquele que era as del\u00edcias de seu cora\u00e7\u00e3o. As incertezas de um ex\u00edlio, a penosa viagem para regi\u00f5es desconhecidas foram, entre outras, preocupa\u00e7\u00f5es a pungir-lhe o esp\u00edrito. Durante o desconfort\u00e1vel percurso, o horror se apoderava constantemente dela. Qualquer ru\u00eddo que poderia pressagiar a aproxima\u00e7\u00e3o dos \u00edmpios verdugos em busca de seu Jesus, proporcionava \u00e0 m\u00e3e agoniada novos sobressaltos. As prova\u00e7\u00f5es e priva\u00e7\u00f5es que suportou em terra estranha fizeram deste epis\u00f3dio um dos mais horrendos vividos pela Sagrada Fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ante o mal Maria foge. Que belo ensinamento! A fuga de tudo que pode matar a vida da alma \u00e9 t\u00e1tica espiritual de valia inestim\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Herodes quer matar a crian\u00e7a. Maria a salva e repara com este gesto os assassinatos de tantos inocentes, ceifados barbaramente pela ignominia do aborto, crime execrando. M\u00e3os sat\u00e2nicas de quem o pratica, desalmadas como as dos soldados de Herodes que trucidam e massacram. Cora\u00e7\u00f5es de pedra que movidos pela cupidez, pela obsess\u00e3o do poder cometem os maiores desvarios. Espezinham impiamente o mandamento sagrado: \u201cN\u00e3o matar\u00e1s\u201d. Maria sofre para defender a vida de Jesus e \u00e9 um convite vivo \u00e0s m\u00e3es para que nunca se fa\u00e7am c\u00famplices de um assassinato, atrav\u00e9s do aborto criminoso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muito atormentada a M\u00e3e ao fugir com um Beb\u00ea nos bra\u00e7os. Entretanto, \u201cse fosse necess\u00e1rio, mil vezes Ela fugiria para o Egito, mil vezes suportaria temores, para impedir que uma s\u00f3 alma cometesse qualquer pecado, tudo por amor de Seu Filho, por amor de Deus\u201d<sup>10<\/sup>. A\u00ed est\u00e1 um outro pensamento para uma profunda reflex\u00e3o dos que cultuam as dores da M\u00e3e sofredora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TERCEIRA DOR<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora Jesus tem doze anos e \u201ccrescia em sabedoria, em idade e em gra\u00e7a diante de Deus e dos homens\u201d<sup>11<\/sup>. \u00c9 ent\u00e3o que a Provid\u00eancia reserva a Maria outra dram\u00e1tica ocorr\u00eancia. Est\u00e1 tamb\u00e9m no Evangelho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos os anos Jos\u00e9 e Maria iam a Jerusal\u00e9m por ocasi\u00e3o da P\u00e1scoa. Ao regressarem da cidade santa o Menino Jesus l\u00e1 ficou. Era costume caminharem os homens e as mulheres em grupo separados. Foi natural que os pais n\u00e3o dessem falta do filho amado. ao perceberem sua aus\u00eancia, imediatamente, voltam a Jerusal\u00e9m e, durante tr\u00eas dias, se p\u00f5em a procur\u00e1-lo. Encontram-no no templo entre os doutores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As palavras de Maria revelam o que fora o pesar daquelas horrentes horas: \u201cFilho, por que procedeste assim conosco? Eis que teu pai e eu te procur\u00e1vamos cheios de afli\u00e7\u00e3o\u201d<sup>12<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram, de fato, de esquisita acrid\u00e3o aqueles dias horror\u00edficos. No Egito, apesar dos pesares, ela tinha Cristo junto a si e isto mitigava-lhe um pouco as ang\u00fastias. Doridos foram, por\u00e9m, os instantes sem Ele e, na verdade, sem saber onde ele estava. Maria perguntava a si mesma se n\u00e3o teria sido inc\u00faria sua aquela triste perda. Por entre ansiedade horr\u00edfica vasculhou a capital, onde os transeuntes indiferentes em nada dulcificavam sua agonia. Sua alma foi envolta por caliginosas trevas. Estar longe daquele que era seu amor supremo significava um mart\u00edrio de incalcul\u00e1veis propor\u00e7\u00f5es. Nada a podia confortar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Qual a raz\u00e3o daquela acerba afli\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para ensinar aos homens a buscarem a Cristo sempre que o perderem pelo pecado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reflete Fulton Sheen: \u201cMostra-nos Ela que, quando perdemos a Deus, n\u00e3o devemos limitar-nos a esperar que Ele volte. Devemos ir procur\u00e1-lo, e \u00e9 ela que, para a alegria de nossa alma, sabe onde o pode encontrar\u201d<sup>13<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 ela que conduz o pecador arrependido ao templo para, atrav\u00e9s da absolvi\u00e7\u00e3o, reaver a presen\u00e7a de Deus dentro de si. \u00c9 ela que leva o sacerdote ao pecador moribundo e o faz reconciliar de novo com Cristo Salvador. \u00c9 ela, pelo que sofreu nesta busca de seu Filho, que mereceu a convers\u00e3o de tantos esp\u00edritos rebeldes e reparou a indiferen\u00e7a de muitos que vivem longe do redil do Bom Pastor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muito importa ao devoto de Maria mentalizar realidades t\u00e3o consoladoras. Ela revela que h\u00e1 sempre um caminho para reencontrar Cristo longe do qual prolifera a tristeza e a ang\u00fastia existencial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUARTA DOR<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O quarto ato do drama pungente de Maria foi seu encontro com Cristo na Rua da Amargura. Ela, que estaria junto \u00e0 cruz como atesta S\u00e3o Jo\u00e3o<sup>14<\/sup>, \u201co seguia na grande multid\u00e3o de povo e de mulheres\u201d conforme nos relata S\u00e3o Lucas<sup>15<\/sup>. Espet\u00e1culo dantesco: a mais terna das m\u00e3es a ver seu filho dileto retalhado de feridas, levando pesado lenho \u00e0s costas rumo ao local onde iria ser impiedosamente crucificado. Ouve estarrecida inj\u00farias, insultos, blasf\u00eamias. Contempla-O escarrado, ensang\u00fcentado a caminhar envolto em horr\u00edferas tribula\u00e7\u00f5es. Chocante para a m\u00e3e atribulada vislumbrar a cabe\u00e7a de seu dileto filho coroada de penetrantes e agudos espinhos. Ela o percebe d\u00e9bil a cair diversas vezes por terra. Nada, contudo, pode fazer por ele. Nunca uma m\u00e3e fora submetida a tamanho vexame. Admir\u00e1vel, entretanto, a fortaleza daquela mulher extraordin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Adite-se que, enquanto Jesus com sua palavra divina deslumbrou as multid\u00f5es e arrastou admiradores ou enquanto ele deixava manifestar fulgores do c\u00e9u, por meio de seus portentosos milagres, Maria, a humilde Madona, como que temerosa de atrair sobre si algo da gl\u00f3ria do filho, ocultava-se inteiramente. Agora, por\u00e9m, que Jesus se despojar\u00e1 de seu poder e \u00e9 perseguido, desprezado, caluniado e \u00e9 conduzido como vil criminoso rumo ao pat\u00edbulo, eis Maria presente, humilhando-se e com ele se sacrificando. Muitos crist\u00e3os seguem a Cristo em suas prega\u00e7\u00f5es e prod\u00edgios. Gostam de estar nos cimos iluminados do Tabor. Amam os resplendores da gl\u00f3ria das palmas e triunfos do dia de Ramos em Jerusal\u00e9m. A\u00ed, contudo, encerram sua religiosidade. Seu bruxoleante amor n\u00e3o os leva ao Pret\u00f3rio, \u00e0 Rua da Amargura ou ao G\u00f3lgota. N\u00e3o prezam a ren\u00fancia, o sacrif\u00edcio. Est\u00e3o presos \u00e0s veleidades de suas paix\u00f5es. Insensatez total! O cristianismo n\u00e3o \u00e9 isto! As palavras de Cristo foram claras: \u201cSe algu\u00e9m quiser vir ap\u00f3s mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua e siga-me\u201d<sup>16<\/sup>. Dizeres que refor\u00e7am estes outros: \u201cE o que n\u00e3o toma a sua cruz e me segue, n\u00e3o \u00e9 digno de mim\u201d<sup>17<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria seguindo a Cristo nas sangrentas sendas que levam ao Calv\u00e1rio \u00e9 uma admoesta\u00e7\u00e3o aos crist\u00e3os e um convite para que eles se revistam do esp\u00edrito de Cristo e vivam uma exist\u00eancia de sacrif\u00edcio, sob pena de n\u00e3o conseguirem a salva\u00e7\u00e3o de suas almas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Exemplo sublime de humildade! Com esta atitude ela fulmina a soberba e o ego\u00edsmo de tantos que s\u00f3 procuram a pr\u00f3pria exalta\u00e7\u00e3o, muitas vezes, \u00e0s custas do sofrer alheio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fulton Sheen aborda outro aspecto n\u00e3o menos importante: \u201cSe uma m\u00e3e absolutamente santa como Maria, que merecia a poupassem a todo mal, pode, pela provid\u00eancia de seu filho levar uma cruz, como \u00e9 que n\u00f3s \u2011 que t\u00e3o longe nos encontramos de sua pureza \u2011 podemos escapar \u00e0s nossas\u201d<sup>18<\/sup>?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disto, o encontro de Maria com seu Filho na via dolorosa \u00e9 uma repara\u00e7\u00e3o de todos os encontros dos crist\u00e3os com o pecado nos muitos desencontros com Deus e seus sagrados preceitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUINTA DOR<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A espada de Sime\u00e3o dar\u00e1 no Calv\u00e1rio o seu golpe mais cruel. S\u00e3o Jo\u00e3o historiou a cena, ap\u00f3s descrever a crucifica\u00e7\u00e3o do Redentor: \u201cEntretanto estavam de p\u00e9 junto \u00e0 cruz de Jesus sua M\u00e3e, a irm\u00e3 de sua M\u00e3e, Maria, mulher de Cl\u00e9ofas, e Maria Madalena\u201d.19 Sem pondera\u00e7\u00e3o o que padeceu a Senhora durante as tr\u00eas horas de agonia de Cristo. N\u00e3o foi apenas assistir um carrasco a executar uma in\u00edqua senten\u00e7a, sen\u00e3o presenciar os requintes da malvadez nos \u00faltimos limites da insensibilidade humana. Feridas abertas, a tentania terrifica, a febre ardente, a sede h\u00f3rrida atormentava o filho e ela impotente impossibilitada de lhe propiciar qualquer refrig\u00e9rio. Quais l\u00ednguas de cadente fogo percorriam o corpo chagado de Jesus e a m\u00e3e percebia o quanto Ele padecia. Como se n\u00e3o bastassem as tribula\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, a irris\u00e3o, as gargalhadas, os ultrajes somavam-se \u00e0quele sofrer imenso do Filho dileto. As sete palavras de Cristo foram outras tantas feridas para o cora\u00e7\u00e3o de Maria, que nelas percebia outras facetas do enorme sofrimento. Os inimigos de Jesus quais negros abutres sugavam as carnes divinas e estra\u00e7alhavam a angustiada alma do Homem-Deus. Maria n\u00e3o caiu fulminada porque a onipot\u00eancia divina a sustentava admiravelmente. Foge a qualquer tentativa humana descrever com propriedade momento t\u00e3o plangente. \u00c9 imposs\u00edvel ao esp\u00edrito do homem penetrar amargor t\u00e3o profundo. Pobre m\u00e3e! Era preciso que, assim como Eva perdera a humana linhagem deleitando seus olhos na \u00e1rvore paradis\u00edaca e colhendo dela o fruto de perdi\u00e7\u00e3o, ela ajudasse a salva\u00e7\u00e3o do g\u00eanero humano sofrendo terr\u00edvel mart\u00edrio ante a vis\u00e3o do Filho pendente da \u00e1rvore da cruz, experimentando no seu intimo o fruto santo, mas repleto de acrid\u00e3o de um sofrer t\u00e3o grande.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O amor exige correspond\u00eancia. Se Cristo padeceu e morreu numa Cruz e a seu lado tanto foi atormentada sua M\u00e3e, tudo isto por causa da dile\u00e7\u00e3o que votavam aos homens, cumpre retribuir a estes afetos com toda a generosidade e gratid\u00e3o. Amor com amor se paga, diz o brocardo popular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O crist\u00e3o que trabalha pela sua santifica\u00e7\u00e3o e luta tenazmente contra o mal est\u00e1 valorizando o que o Salvador e sua M\u00e3e fizeram por ele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Cruz de Cristo \u00e9 a partilha do crist\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os olhares amorosos para o Crucificado insuflam coragem na pugna cotidiana para fazer da paix\u00e3o de Jesus e da compaix\u00e3o de Maria a reden\u00e7\u00e3o de todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SEXTA DOR<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cristo desfalecido \u00e9 tirado da cruz por Nicodemos e Jos\u00e9 de Arimat\u00e9ia<sup>20<\/sup>. Oh instante lancinante! Maria que nada pudera fazer at\u00e9 ent\u00e3o por seu amado filho, percebe, de fato, ao vivo que s\u00f3 restava a ela curtir o oceano de dor, cujas vagas lhe inundavam o ser. De perto v\u00ea agora o corpo de seu Jesus coberto de equimoses. Era uma chaga dorida todo ele, maltratado e estra\u00e7alhado. Transe angustiante e de indescrit\u00edvel amargura! Aquele que era o mais belo dos filhos dos homens a\u00ed est\u00e1 desfigurado e marcado com o ferrete da ignom\u00ednia, totalmente deformado. Diante de um quadro assim penoso e triste se compreende melhor qu\u00e3o indesej\u00e1vel \u00e9 o pecado. Foram as transgress\u00f5es humanas \u00e0 lei divina que reduziram Cristo a este lastim\u00e1vel estado. A\u00ed a causa de todo aquele tormento para Maria. A fim de recuperar a formosura das almas, Jesus foi deste modo reduzido a um frangalho humano, afeiado e triturado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Donde, se as prevarica\u00e7\u00f5es dos homens exigiram estes sacrif\u00edcios, \u00e9 mister que se tenha na devida conta a gra\u00e7a santificante. T\u00e3o s\u00f3 deste modo se demonstra a Maria e ao divino Redentor uma real gratid\u00e3o por tudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Escreveu belamente Fulton Sheen que \u201cnesse instante, transforma-se ela na m\u00e3e de todos os filhos pr\u00f3digos do mundo, preparando-os \u2014 pelos misteriosos ung\u00fcentos de sua intercess\u00e3o \u2013\u2013 para o dia long\u00ednquo, em que a vida e a ressurrei\u00e7\u00e3o correr\u00e3o em suas veias, quando eles avan\u00e7arem nas asas da manh\u00e3\u201d<sup>21<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desolada m\u00e3e que ainda n\u00e3o ver\u00e1 o fim de seus tormentos! Se sem medidas era sua tristeza por ver o lament\u00e1vel estado de seu amant\u00edssimo Jesus, todavia ela ainda o tinha perto de si. Mais um pouco e nem este pequeno consolo ela o ter\u00e1. A antevis\u00e3o do sepultamento de Cristo a atribula mais ainda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Admir\u00e1vel, por\u00e9m, sua fortaleza interior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela ir\u00e1 at\u00e9 o fim nestas trilhas tenebrosas da dor para continuar dando sua contribui\u00e7\u00e3o de co-redentora \u00e0 regenera\u00e7\u00e3o da humanidade, lembrando aos homens a cota de sacrif\u00edcio que Deus exige de cada um no processo salv\u00edfico pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>S\u00c9TIMA DOR<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A soledade imergiria a m\u00e3e dorida num p\u00e9lago ainda mais profundo. Diz S\u00e3o Jo\u00e3o: \u201cOra no lugar em que Jesus foi crucificado, havia um horto e no horto um sepulcro novo em que ningu\u00e9m ainda tinha sido sepultado. Portanto, por ser o dia de Parasceve dos Judeus, visto que o sepulcro estava perto, depositaram a\u00ed Jesus\u201d<sup>22<\/sup>. Naquela hora, ao ouvir o golpe da pedra sepulcral fechando o t\u00famulo, o cora\u00e7\u00e3o desfibrado de Maria foi inundado numa m\u00e1goa sem par. A saudade, com todas as suas garras pontiagudas, estra\u00e7alhou ainda mais o \u00e2nimo daquela Madona sofredora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A soledade \u00e9 o tormento mais cruel para as almas aflitas e tomadas por constante padecer. Qualquer casa, quando a morte a deixou vazia, \u00e9 fria e massacrante pelo ar l\u00fagubre que nela reina. Em cada canto uma lembran\u00e7a. Foi ao regressar \u00e0 sua habita\u00e7\u00e3o, no sil\u00eancio da noite, que todo o pesar da solid\u00e3o se abateu sobre a M\u00e3e angustiada. Sua imagina\u00e7\u00e3o, exaltada pelos eventos daquele dia, lhe trazia \u00e0 mem\u00f3ria as cenas sangrentas do mart\u00edrio do Filho. Com detalhes ela revivia detalhadamente os aspectos de tudo que com Ele ocorrera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tr\u00eas dias de pranto e dor que consumaram o sofrer daquela Senhora e lhe deram definitivamente o t\u00edtulo de Rainha dos M\u00e1rtires.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Abandonada \u00e0 sua dor, ela, contudo, n\u00e3o se revolta e renova sua aceita\u00e7\u00e3o dos des\u00edgnios divinos e sua inteira submiss\u00e3o \u00e0 vontade de Deus. Perdoa os inimigos e algozes de seu Filho e acata inteiramente os misteriosos decretos do Onipotente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ensinamentos valiosos a serem assimilados pelos devotos de Maria. Ela ouvira h\u00e1 pouco Jesus dizer: \u201cPai, perdoai-lhes, porque n\u00e3o sabem o que fazem\u201d<sup>23<\/sup>. Segue ent\u00e3o os gestos de Cristo e anistia completamente todos que maltrataram t\u00e3o duramente o seu Filho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pelos caminhos da vida, batidos por tantas agruras, \u00e9 aos p\u00e9s da m\u00e3e sofredora que o crist\u00e3o depara, sempre, al\u00edvio e conforto. Pelo muito que padeceu, Maria pode aquilatar o amargor da l\u00e1grima de cada um e lhe propicia o lenitivo e o b\u00e1lsamo. Ela confere a quem a s\u00faplica \u00e2nimo e inspira sentimentos de perd\u00e3o cordial ante a cal\u00fania, a persegui\u00e7\u00e3o, as afrontas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos instantes de solid\u00e3o, a lembran\u00e7a do padecimento da M\u00e3e celeste a sofrer os rigores de sua soledade, ap\u00f3s o sepultamento de seu Filho at\u00e9 sua gloriosa ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos, \u00e9 luz que guia, impedindo qualquer des\u00e2nimo. Ela est\u00e1 sempre a dizer a cada um que, por mais impetuosa que seja a borrasca, brilhar\u00e1 o sol a qualquer momento. O amanh\u00e3 ser\u00e1 melhor!&nbsp; Al\u00e9m de todos os dissabores deste ex\u00edlio est\u00e1 o fulgente dia da eternidade bem-aventurada. Basta que se imite a Virgem M\u00e1rtir que n\u00e3o desfaleceu e n\u00e3o teve o m\u00ednimo rasgo de desespero. N\u00e3o sucumbiu \u00e0 dor e, por isto, conheceu depois o j\u00fabilo pascal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A devo\u00e7\u00e3o \u00e0 M\u00e3e das Dores, Rainha dos M\u00e1rtires, sobre ser um culto de gratid\u00e3o, significa estar matriculado na escola de uma Mestra admir\u00e1vel, que ensina preciosas li\u00e7\u00f5es que formam o crist\u00e3o e lhe retemperam o \u00e2nimo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resigna\u00e7\u00e3o com que ela suportou, por amor a seus filhos espirituais, tamanhos sofrimentos, \u00e9 realmente digna de imita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela patenteia que a tribula\u00e7\u00e3o e a dor s\u00e3o caminho real por onde as almas piedosas sobem ao cume da perfei\u00e7\u00e3o e entram nas regi\u00f5es beatificantes da mais profunda comunh\u00e3o com Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Honrar Nossa Senhora das Dores implica num imediato e radical aborrecimento do maior de todos os males que \u00e9 o pecado, morte da alma e causa dos dissabores que ela experimentou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A exemplo de Maria cumpre cooperar na obra da salva\u00e7\u00e3o empreendida por Cristo, levando os cora\u00e7\u00f5es empedermidos a aceitarem as gra\u00e7as que jorraram das cinco chagas sagradas do Redentor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Venerar a Rainha dos M\u00e1rtires \u00e9 receber especial fortaleza, energia celestial para os embates da exist\u00eancia at\u00e9 \u00e0 vit\u00f3ria final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O muito que ela sofreu insufla, por outra, confian\u00e7a na sua dile\u00e7\u00e3o materna. N\u00e3o apenas ela compreende as decep\u00e7\u00f5es humanas, como ainda, l\u00e1 do c\u00e9u, continua sua tarefa de co-redentora dos filhos que ainda atravessam o ex\u00edlio terreno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Declara o Pe. Faber: \u201cCrescer na devo\u00e7\u00e3o a Maria \u00e9 penhor seguro de progredir em toda a esp\u00e9cie das boas obras. N\u00e3o h\u00e1 tempo mais bem empregado, nem meio mais infal\u00edvel de se assegurar a bem-aveturan\u00e7a. Mas a devo\u00e7\u00e3o, em resumo, n\u00e3o nasce tanto da venera\u00e7\u00e3o como do amor, por mais que esteja unido a este. Nada, contudo, mais adequado para excitar nosso amor \u00e0 Sant\u00edssima Virgem como suas dores\u201d<sup>24<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, refletir sobre elas \u00e9 ver crescer a dile\u00e7\u00e3o para como esta M\u00e3e sofredora e aspirar um dia estar com ela por toda a eternidade, a fim de render-lhe um pleito perene por tudo quanto padeceu pela regenera\u00e7\u00e3o dos homens. Na Jerusal\u00e9m celeste ela \u00e9 a Senhora da Gl\u00f3ria, a espera daqueles que ela ajudou tanto a regenerar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como, por\u00e9m, per <em>crucem ad lucem<\/em> \u2013- \u00e9 pela cruz que se chega \u00e0 luz sempiterna, cultuar a Senhora das Dores significa estar sempre junto \u00e0 cruz redentora, jamais deixando a cruz que a cada um Deus reservou nesta peregrina\u00e7\u00e3o, cujo fim \u00e9 uma ventura perene, merecida pelos sofrimentos de Jesus e pela compaix\u00e3o de Maria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">1 Santo Isidoro, Etym. 7 c 11.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2 Lamenta\u00e7\u00f5es 2,13.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3 1 Colossenses 1,24.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">4 Frederico G. Faber, <strong>Al pie de la Cruz<\/strong>, Madrid, Hijos de Greg\u00f3rio del Amo, S. L. Libreros Editores, 1952, p. 435.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">5 Lucas 2,32.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">6 Idem, ibidem 34.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">7 F. Faber, <strong>op. cit.,<\/strong> p. 100.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">8 Fulton Sheen, <strong>O Primeiro Amor do Mundo<\/strong>, Porto, Editora Educa\u00e7\u00e3o Nacional, 1954, p. 315.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">9 Mateus 2,13 ss.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">10 Fulton Sheen, <strong>op. cit<\/strong>., p. 318.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">11 Lucas 2,52.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">12 Idem, ibidem 48.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">13 Fulton Sheen, <strong>op. cit<\/strong>., p. 325.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">14 S\u00e3o Jo\u00e3o 19,25.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">15 S\u00e3o Lucas 23,27.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">16 Mateus 16,24; Marcos 8,34.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">17 Mateus 10,38.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">18 Fulton Sheen, <strong>op. cit<\/strong>., p. 329.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">19 S\u00e3o Jo\u00e3o 19,25.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">20 Idem, ibidem 38 ss.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">21 Fulton Sheen, <strong>op. cit<\/strong>., p. 340.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">22 Jo\u00e3o 19,41.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">23 Lucas 23,34.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">24 F. Faber, <strong>op. cit<\/strong>., p. 83.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A narrativa das Dores de Maria enfatiza a singularidade de Maria no plano divino de salva\u00e7\u00e3o, onde sua maternidade e sofrimento se entrela\u00e7am com a reden\u00e7\u00e3o da humanidade.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":23408,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_lmt_disableupdate":"","_lmt_disable":"","footnotes":""},"categories":[7034],"tags":[],"class_list":["post-23355","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ano-b-2024"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v26.9 (Yoast SEO v26.9) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Serm\u00e3o das Sete Dores de Maria - Homilia da Semana Santa<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"A narrativa das Dores de Maria enfatiza a singularidade de Maria no plano divino de salva\u00e7\u00e3o, onde sua maternidade e sofrimento se entrela\u00e7am com a reden\u00e7\u00e3o da humanidade.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/sermao-das-sete-dores-de-maria-4\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Serm\u00e3o das Sete Dores de Maria\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"A narrativa das Dores de Maria enfatiza a singularidade de Maria no plano divino de salva\u00e7\u00e3o, onde sua maternidade e sofrimento se entrela\u00e7am com a reden\u00e7\u00e3o da humanidade.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/sermao-das-sete-dores-de-maria-4\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Liturgia di\u00e1ria\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2024-03-25T10:59:20+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2024-03-26T13:59:51+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/22-dores-de-Maria.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"750\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"350\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Anderson\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Anderson\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"48 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/sermao-das-sete-dores-de-maria-4\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/sermao-das-sete-dores-de-maria-4\/\"},\"author\":{\"name\":\"Anderson\",\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/#\/schema\/person\/17356e59f62dbc0826c8e730849bca9d\"},\"headline\":\"Serm\u00e3o das Sete Dores de Maria\",\"datePublished\":\"2024-03-25T10:59:20+00:00\",\"dateModified\":\"2024-03-26T13:59:51+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/sermao-das-sete-dores-de-maria-4\/\"},\"wordCount\":4593,\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/sermao-das-sete-dores-de-maria-4\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/22-dores-de-Maria.jpg\",\"articleSection\":[\"Ano B \u2013 2024\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/sermao-das-sete-dores-de-maria-4\/\",\"url\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/sermao-das-sete-dores-de-maria-4\/\",\"name\":\"Serm\u00e3o das Sete Dores de Maria - 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