{"id":23293,"date":"2024-03-20T06:04:38","date_gmt":"2024-03-20T09:04:38","guid":{"rendered":"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/?p=23293"},"modified":"2024-03-20T06:04:46","modified_gmt":"2024-03-20T09:04:46","slug":"domingo-de-ramos-b-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/domingo-de-ramos-b-3\/","title":{"rendered":"Domingo de Ramos \u2013 B"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u201cHosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Rei de Israel, hosana nas alturas!\u201d \u2013 (Cf. Mt 21,9)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus irm\u00e3os e minhas irm\u00e3s,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u00faltimo domingo da Quaresma, chamado Domingo da Paix\u00e3o, nos introduz no mist\u00e9rio grandioso da chamada Semana das Dores de Nossa Senhora. A liturgia resumia bem o que dever\u00edamos retirar como s\u00edntese do grande retiro quaresmal: CONHECER, SOFRER E VIVER JESUS CRISTO. Conhecer e aderir a nossa f\u00e9 em Jesus Cristo. Sofrer como Jesus sofreu por n\u00f3s, um sofrimento incruento, que foi at\u00e9 o grande final de ter que morrer na Cruz pela Salva\u00e7\u00e3o de todo o g\u00eanero humano. E, mais do que tudo isso, conhecendo e sofrendo, todos somos convidados a viver em Jesus Cristo com a vit\u00f3ria do pecado, com a vit\u00f3ria da morte, anunciando a ressurrei\u00e7\u00e3o com a vida eterna em Deus Trindade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A leitura da entrada de Jesus em Jerusal\u00e9m e da Paix\u00e3o segundo o evangelista Marcos (Mc 11,1-10), neste ano, enseja-nos a medita\u00e7\u00e3o da cristologia deste Evangelista. Jesus \u00e9 mais do que o Filho de Davi. Ele \u00e9 o filho querido de Deus, o \u201cservo\u201d que, em obedi\u00eancia ao incans\u00e1vel amor do Pai para com os homens, d\u00e1 sua vida, realizando em plenitude o que prefigurou o servo fiel em Isa\u00edas 52-53, no tempo do ex\u00edlio. Mas, como Filho de Deus, Ele \u00e9 tamb\u00e9m o Filho do Homem, portador de plenos poderes escatol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A condena\u00e7\u00e3o de Jesus sob falsas alega\u00e7\u00f5es religiosas e pol\u00edticas significa o primeiro passo para a sua vinda gloriosa e o ju\u00edzo sobre o mundo, anunciando imediatamente antes da sua paix\u00e3o. \u00c9 a dispers\u00e3o, prel\u00fadio da reuni\u00e3o do rebanho pelo pastor de todos os tempos, depois da ressurrei\u00e7\u00e3o, in\u00edcio do tempo final, prel\u00fadio da vinda definitiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O domingo de hoje abre solenemente as festividades da Semana Santa ou, aqui em Minas, chamada de Semana Maior dos Mist\u00e9rios do Senhor Jesus. Uma semana em que a sagrada liturgia cat\u00f3lica vive na maior profundidade poss\u00edvel \u00e0 paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o do nosso Salvador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A semana culmina com a P\u00e1scoa, que quer dizer passagem. Passagem da morte para a vida eterna. Embora celebrando a paix\u00e3o e morte, nossos olhos est\u00e3o fixos na ressurrei\u00e7\u00e3o do Autor da Vida, como Pedro chamou a Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A missa de hoje tem dois momentos. Um inicial em que s\u00e3o bentos os ramos, compondo a b\u00ean\u00e7\u00e3o e a prociss\u00e3o solene com os ramos. A leitura desse primeiro momento (Mc 11,1-10) conta sobre a entrada triunfal de Jesus em Jerusal\u00e9m. Nesse ano se l\u00ea o Evangelho de Marcos. A prociss\u00e3o nos recorda a vit\u00f3ria de Jesus sobre a morte e a nossa vit\u00f3ria sobre a maldade e a destrui\u00e7\u00e3o eterna. As palmas lembram que renasceram sobre a maldade e a destrui\u00e7\u00e3o eterna. As palmas lembram que renasceram acordadas pelo sangue derramado pelo Senhor Jesus. A mesma lembran\u00e7a nos devem trazer as palmas bentas, quando colocadas na cabeceira de nossa cama ou na sala de estar, ou sob o madeiro de nossos crucifixos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Irm\u00e3os e irm\u00e3s,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Primeira Leitura (cf. Is 50,4-7) d\u00e1 a palavra a um personagem an\u00f4nimo, que fala do seu chamamento por Deus para a miss\u00e3o. Ele n\u00e3o se intitula \u201cprofeta\u201d; por\u00e9m, narra a sua voca\u00e7\u00e3o com os elementos t\u00edpicos dos relatos prof\u00e9ticos de voca\u00e7\u00e3o. Em primeiro lugar, a miss\u00e3o que este \u201cprofeta\u201d recebe de Deus tem claramente a ver com o an\u00fancio da Palavra. O profeta \u00e9 o homem da Palavra, atrav\u00e9s de quem Deus fala; a proposta de reden\u00e7\u00e3o que Deus faz a todos aqueles que necessitam de salva\u00e7\u00e3o\/liberta\u00e7\u00e3o ecoa na palavra prof\u00e9tica. O profeta \u00e9 inteiramente modelado por Deus e n\u00e3o op\u00f5e resist\u00eancia nem ao chamamento, nem \u00e0 Palavra que Deus lhe confia; mas tem de estar, continuamente, numa atitude de escuta de Deus, para que possa depois apresentar \u2013 com fidelidade \u2013 essa Palavra de Deus para os homens. Em segundo lugar, a miss\u00e3o prof\u00e9tica concretiza-se no sofrimento e na dor. \u00c9 um tema sobejamente conhecido da literatura prof\u00e9tica: o an\u00fancio das propostas de Deus provoca resist\u00eancias que, para o profeta, se consubstanciam, quase sempre, em dor e persegui\u00e7\u00e3o. No entanto, o profeta n\u00e3o se demite: a paix\u00e3o pela Palavra sobrep\u00f5e-se ao sofrimento. Em terceiro lugar, vem a express\u00e3o de confian\u00e7a no Senhor, que n\u00e3o abandona aqueles a quem chama. A certeza de que n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3, mas de que tem a for\u00e7a de Deus, torna o profeta mais forte do que a dor, o sofrimento, a persegui\u00e7\u00e3o. Por isso, o profeta \u201cn\u00e3o ser\u00e1 confundido\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jesus: Ele \u00e9 a Palavra de Deus feita carne, que oferece a sua vida para trazer a salva\u00e7\u00e3o\/liberta\u00e7\u00e3o aos homens. A vida de Jesus realiza plenamente esse destino de dom e de entrega da vida em favor de todos; e a sua glorifica\u00e7\u00e3o mostra que uma vida vivida deste jeito n\u00e3o termina no fracasso, mas na ressurrei\u00e7\u00e3o que gera vida nova. Jesus, o \u201cservo\u201d sofredor que faz da sua vida um dom por amor, mostra aos seus seguidores o caminho: a vida, quando \u00e9 posta ao servi\u00e7o da liberta\u00e7\u00e3o dos pobres e dos oprimidos, n\u00e3o \u00e9 perdida mesmo que pare\u00e7a, em termos humanos, fracassada e sem sentido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Prezados irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Segunda Leitura (Cf. Fl 2,6-11) Cristo Jesus \u2013 nomeado no princ\u00edpio, no meio e no fim \u2013 constitui o motivo do hino. Dado que os Filipenses s\u00e3o crist\u00e3os \u2013 quer dizer, dado que Cristo \u00e9 o prot\u00f3tipo a cuja imagem est\u00e3o configurados \u2013 t\u00eam a inilud\u00edvel obriga\u00e7\u00e3o de comportar-se como Cristo. Como \u00e9 o exemplo de Cristo? O hino come\u00e7a por aludir subtilmente ao contraste entre Ad\u00e3o (o homem que reivindicou ser como Deus e lhe desobedeceu \u2013 cf. Gn 3,5.22) e Cristo (o Homem Novo que, ao orgulho e revolta de Ad\u00e3o, responde com a humildade e a obedi\u00eancia ao Pai). A atitude de Ad\u00e3o trouxe fracasso e morte; a atitude de Jesus trouxe exalta\u00e7\u00e3o e vida. O hino define o \u201cdespojamento\u201d (\u201ckenosis\u201d) de Cristo: Ele n\u00e3o afirmou com arrog\u00e2ncia e orgulho a sua condi\u00e7\u00e3o divina, mas aceitou fazer-Se homem, assumindo com humildade a condi\u00e7\u00e3o humana, para servir, para dar a vida, para revelar totalmente aos homens o ser e o amor do Pai. N\u00e3o deixou de ser Deus; mas aceitou descer at\u00e9 aos homens, fazer-Se servidor dos homens, para garantir vida nova para os homens. Esse \u201cabaixamento\u201d assumiu mesmo foros de esc\u00e2ndalo: Jesus aceitou uma morte infamante \u2013 a morte de Cruz \u2013 para nos ensinar a suprema li\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, do amor radical, da entrega total da vida. No entanto, essa entrega completa ao plano do Pai n\u00e3o foi uma perda nem um fracasso: a obedi\u00eancia e entrega de Cristo aos projetos do Pai resultaram em ressurrei\u00e7\u00e3o e gl\u00f3ria. Em consequ\u00eancia da sua obedi\u00eancia, do seu amor, da sua entrega, Deus fez d\u2019Ele o \u201cKyrios\u201d (\u201cSenhor\u201d \u2013 nome que, no Antigo Testamento, substitu\u00eda o nome impronunci\u00e1vel de Deus); e a humanidade inteira (\u201cos c\u00e9us, a terra e os infernos\u201d) reconhece Jesus como \u201co Senhor\u201d que reina sobre toda a terra e que preside \u00e0 hist\u00f3ria. \u00c9 \u00f3bvio o apelo \u00e0 humildade, ao desprendimento, ao dom da vida, que Paulo aqui faz aos Filipenses e a todos os batizados: o crist\u00e3o deve ter como exemplo esse Cristo, servo sofredor e humilde, que fez da sua vida um dom a todos. Esse caminho n\u00e3o levar\u00e1 ao aniquilamento, mas \u00e0 gl\u00f3ria, \u00e0 vida plena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus irm\u00e3os e Minhas irm\u00e3s,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O texto da Paix\u00e3o narrado por Marcos (Mc 14,1-15,47), no segundo momento desta celebra\u00e7\u00e3o, \u00e9 o mais antigo relato deste epis\u00f3dio. O evangelista coloca que Jesus est\u00e1 plenamente consciente de sua morte, entretanto, n\u00e3o comentando detalhes e pormenores. Marcos quer narrar o desfecho final: \u201cVerdadeiramente, este homem era o Filho de Deus\u201d. Na frase do centuri\u00e3o romano est\u00e1 todo o dogma de nossa f\u00e9 cat\u00f3lica e apost\u00f3lica: \u201cJesus Cristo, Filho de Deus\u201d (Mc 1,1).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As duas naturezas de Jesus n\u00e3o se separam no agir, a ponto de devermos dizer que o Cristo-Deus-Homem padeceu a morte na cruz; o Cristo-Homem-Deus nos salvou. Por isso, \u201cver-me-eis assentado \u00e0 direita do poder de Deus, vindo sobre as nuvens do c\u00e9u\u201d (Mc 14,62). Assentar-se \u00e0 direita e vir sobre as nuvens s\u00e3o express\u00f5es b\u00edblicas que afirmam que Jesus tem poderes divinos, permanece como Deus, presente e ativo no mundo, \u00fanico juiz de todas as criaturas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marcos coloca em relevo todos os passos de Jesus e a manifesta\u00e7\u00e3o da gl\u00f3ria de Deus. Cristo agonizante luta com vontade l\u00facida, abandonado por todos os amigos. \u00c9 a converg\u00eancia de todos os cora\u00e7\u00f5es, anunciando a liberdade plena, julgado pelos romanos e judeus, \u00e9 o juiz supremo. Pura contradi\u00e7\u00e3o aos olhos humanos, o que nos leva a refletir: \u201capresentando-se como simples homem, humilhou-se, fez-se obediente at\u00e9 a morte e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou e deu-lhe um nome acima de todo nome\u2026 e diante dele dobrem-se todos os joelhos\u201d (Fl 2,6-11).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje n\u00f3s devemos refletir sobre o protagonismo de Judas Iscariotes e de Sim\u00e3o Pedro. O primeiro porque entregou Jesus e o segundo, constitu\u00eddo Pedra angular de nossa Igreja, o renegou por tr\u00eas vezes. Judas e Pedro representam as atitudes dos homens e mulheres de dois mil anos atr\u00e1s e de hoje. Ambos eram ap\u00f3stolos, tomavam refei\u00e7\u00e3o na mesma mesa com Jesus, companheiros de tr\u00eas anos de prof\u00edcua caminhada. Tudo igualzinho a n\u00f3s outros. Ambos experimentaram do poder milagroso de Jesus. Na verdade, tra\u00edmos como Judas e renegamos como Pedro e muitas vezes n\u00e3o conseguimos explicar para n\u00f3s mesmos as nossas trai\u00e7\u00f5es. Como n\u00e3o conseguimos explicar o comportamento de Judas e a fraqueza de Pedro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o saberia dizer qual dos dois traiu o divino Mestre de maneira mais infame. Judas traiu por decep\u00e7\u00e3o e gan\u00e2ncia; Pedro, por medo e por orgulho. Cada um de n\u00f3s traz dentro de nosso cora\u00e7\u00e3o essas quatro m\u00e1s qualidades: decep\u00e7\u00e3o, gan\u00e2ncia, medo e orgulho. A diferen\u00e7a est\u00e1 nas l\u00e1grimas de arrependimento e na convers\u00e3o sincera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro protagonista da Paix\u00e3o de Nosso Senhor \u00e9 P\u00f4ncio Pilatos. Homem frio, calculista, que odiava os judeus, muito dado \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 tortura, por\u00e9m reconhece a inoc\u00eancia de Jesus, mas lava as suas m\u00e3os, mandando a\u00e7oitar Jesus e soltar Barrab\u00e1s. Pol\u00edtico, agiu como os pol\u00edticos, da pior pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quantas e quantas vezes acontecem gestos semelhantes! Para defender a pr\u00f3pria carreira, a pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o, sacrificamos a justi\u00e7a. A mesma injusti\u00e7a de Pilatos \u00e9 repetida a todos os momentos pelos pol\u00edticos e pelos homens simples. Assim, todos estamos ativos na crucifica\u00e7\u00e3o do Senhor. Como Pilatos ou como os Ap\u00f3stolos: ausentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Celebrar a paix\u00e3o e a morte de Jesus \u00e9 abismar-se na contempla\u00e7\u00e3o de um Deus a quem o amor tornou fr\u00e1gil\u2026 Por amor, Ele veio ao nosso encontro, assumiu os nossos limites e fragilidades, experimentou a fome, o sono, o cansa\u00e7o, conheceu a mordedura das tenta\u00e7\u00f5es, experimentou a ang\u00fastia e o pavor diante da morte; e, estendido no ch\u00e3o, esmagado contra a terra, atrai\u00e7oado, abandonado, incompreendido, continuou a amar. Desse amor resultou vida plena, que Ele quis repartir conosco \u201cat\u00e9 ao fim dos tempos\u201d: esta \u00e9 a mais espantosa hist\u00f3ria de amor que \u00e9 poss\u00edvel contar; ela \u00e9 a boa not\u00edcia que enche de alegria o cora\u00e7\u00e3o dos batizados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contemplar a cruz onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus significa assumir a mesma atitude que Ele assumiu e solidarizar-Se com aqueles que s\u00e3o crucificados neste mundo: os que sofrem viol\u00eancia, os que s\u00e3o explorados, os que s\u00e3o exclu\u00eddos, os que s\u00e3o privados de direitos e de dignidade. Olhar a Cruz de Jesus significa denunciar tudo o que gera \u00f3dio, divis\u00e3o, medo, em termos de estruturas, valores, pr\u00e1ticas, ideologias; significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens; significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor. Viver deste jeito pode conduzir \u00e0 morte; mas o crist\u00e3o sabe que amar como Jesus \u00e9 viver a partir de uma din\u00e2mica que a morte n\u00e3o pode vencer: o amor gera vida nova e introduz na nossa carne os dinamismos da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje \u00e9 um domingo em que poder\u00edamos cham\u00e1-lo de domingo de Jesus pobre e sofredor. Este domingo \u00e9 o dia especial da fraternidade, dentro da Campanha da CNBB, sobretudo porque hoje fazemos a Coleta da Fraternidade. Esse \u00e9 o gesto mais simples que podemos fazer hoje, como um ato de solidariedade para com os milhares de irm\u00e3os nossos que ser\u00e3o atendidos, em n\u00edvel diocesano e em n\u00edvel nacional, nos mais diversos servi\u00e7os da Igreja, principalmente os trabalhos assistenciais desenvolvidos pelas nossas comunidades, par\u00f3quias, Dioceses, a fim de resgatar a dignidade e promover a vida humana, aonde a Fraternidade e o di\u00e1logo deve ser um compromisso de amor, lembrando que a Campanha da Fraternidade 2024 tem o tema <em>Fraternidade e Amizade Social<\/em> e o lema <em>V\u00f3s sois todos irm\u00e3os e irm\u00e3s<\/em> (Mateus 23,8).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Buscando viver a partir do Evangelho, os crist\u00e3os, as comunidades crist\u00e3s, prop\u00f5em modos de conviver, para n\u00e3o excluir ningu\u00e9m. Por isso, est\u00e3o sempre atentos para que nenhuma pessoa seja exclu\u00edda da sociedade. As comunidades cat\u00f3licas, os crist\u00e3os cat\u00f3licos ser\u00e3o sempre ativos quando se trata da justi\u00e7a, da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, da conviv\u00eancia, do cuidado, da solidariedade, da caridade, da autonomia, do acolhimento. Os cat\u00f3licos, as comunidades cat\u00f3licas profundamente ativas na sociedade n\u00e3o se deixar\u00e3o tomar pela globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a. Saber\u00e3o chorar com os que choram e rir com aqueles que riem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O dinheiro arrecadado nessa coleta nacional ampliar\u00e1 e dever\u00e1 melhorar muito o atendimento a esses nossos irm\u00e3os, injustamente condenados \u00e0 exclus\u00e3o da viol\u00eancia, do \u00f3dio, do medo, da inseguran\u00e7a, do fechamento em vistas da viol\u00eancia reinante, enfim, a uma cruz pesada que lhes roubam a alegria de chegar ao termo da vida com um m\u00ednimo de dignidade. Vamos construir pontes de di\u00e1logo e de compromisso de amor. A paz que Deus nos d\u00e1 somente poder\u00e1 ser compartilhada se dividirmos a nossa generosidade em acolher a todos. A eles Cristo tamb\u00e9m se faz solid\u00e1rio e nos apela, hoje, a sairmos do comodismo e nos convertermos a uma nova pr\u00e1tica, baseada no servi\u00e7o, no despojamento de n\u00f3s mesmos, no dom do amor sem reservas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Prezados irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com os Evangelhos deste domingo, somos convidados a acompanhar Jesus nos seus \u00faltimos dias, desde a un\u00e7\u00e3o de Bet\u00e2nia, passando pela entrada em Jerusal\u00e9m, montado no jumentinho e sendo acolhido com os ramos e os mantos, at\u00e9 a trai\u00e7\u00e3o, a nega\u00e7\u00e3o, a solid\u00e3o, o abandono, a cruz e a morte. Na imagem do Servo de Jav\u00e9, desde o sofrimento total, meditamos sobre o caminho para transformar \u201cnossa\u201d condi\u00e7\u00e3o de humilha\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo indica que a estrada \u00e9 assumir em tudo a condi\u00e7\u00e3o humana para, com Jesus, alcan\u00e7ar a salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A experi\u00eancia da f\u00e9 pode envolver o risco de a pessoa viver em uma redoma, fugir do mundo, porque \u201co mundo \u00e9 mau\u201d. Vivendo o tempo da Quaresma e iniciando a Semana Santa, o convite \u00e9 para caminharmos pela estrada da humanidade, construindo sinais de humaniza\u00e7\u00e3o. Em vez da tenta\u00e7\u00e3o de esconder-nos, que acompanha a hist\u00f3ria desde Ad\u00e3o e Eva, nossa voca\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cassumir a condi\u00e7\u00e3o humana\u201d, ou seja, ser totalmente humanos e caminhar na dire\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vivamos nossa identidade mais profunda \u00e9 traduzir a vida em paix\u00e3o, em voca\u00e7\u00e3o de doar-nos, em amar at\u00e9 o fim, n\u00e3o obstante todas as contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Prezados irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A liturgia de Ramos nos faz pensar em nossa peregrina\u00e7\u00e3o existencial: para onde vamos? Quais t\u00eam sido nossas escolhas e que consequ\u00eancias elas t\u00eam trazido para n\u00f3s e para outras pessoas? Uma vida realizada \u00e9 poss\u00edvel quando fitamos o essencial e ousamos olhar para al\u00e9m das apar\u00eancias. O final da vida de Jesus demonstra o contraste entre modelos diferentes de realezas, reinos e projetos de vida. Nosso Senhor Jesus Cristo opta pelo mist\u00e9rio do amor de Deus oculto nas coisas e pessoas, tornando esse amor vis\u00edvel em sua humanidade (Jo 5,20; 14,9; 1Jo 4,9-10). Portanto, quem o segue deve igualmente demonstrar esse amor (Jo 14,12; 1Jo 3,16.18), causa de uma exist\u00eancia e sentido de vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Est\u00e1 aberta, pois, a semana da convers\u00e3o e da mudan\u00e7a de vida. O C\u00f3digo de Direito Can\u00f4nico determina que a forma ordin\u00e1ria de confiss\u00e3o \u00e9 a confiss\u00e3o auricular, ou seja, a confiss\u00e3o pessoal. Por isso, cada um fa\u00e7a o m\u00e1ximo de procurar a reconcilia\u00e7\u00e3o com Deus e com a comunidade com um bom exame de consci\u00eancia e uma perfeita confiss\u00e3o. Enfim, vivamos a paix\u00e3o para cantar as alegrias da ressurrei\u00e7\u00e3o. Am\u00e9m!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste domingo de Ramos, iniciamos a Semana Santa, um tempo de reflex\u00e3o sobre a Paix\u00e3o, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":23296,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_lmt_disableupdate":"","_lmt_disable":"","footnotes":""},"categories":[7034],"tags":[],"class_list":["post-23293","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ano-b-2024"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v26.9 (Yoast SEO v26.9) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Domingo de Ramos \u2013 B - Homilia da Semana Santa<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Neste domingo de Ramos, iniciamos a Semana Santa, um tempo de reflex\u00e3o sobre a Paix\u00e3o, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/domingo-de-ramos-b-3\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Domingo de Ramos \u2013 B\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Neste domingo de Ramos, iniciamos a Semana Santa, um tempo de reflex\u00e3o sobre a Paix\u00e3o, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/domingo-de-ramos-b-3\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Liturgia di\u00e1ria\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2024-03-20T09:04:38+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2024-03-20T09:04:46+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/19-domingo-de-ramos.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"750\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"350\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Anderson\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Anderson\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"16 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/domingo-de-ramos-b-3\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/domingo-de-ramos-b-3\/\"},\"author\":{\"name\":\"Anderson\",\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/#\/schema\/person\/17356e59f62dbc0826c8e730849bca9d\"},\"headline\":\"Domingo de Ramos \u2013 B\",\"datePublished\":\"2024-03-20T09:04:38+00:00\",\"dateModified\":\"2024-03-20T09:04:46+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/domingo-de-ramos-b-3\/\"},\"wordCount\":2980,\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/domingo-de-ramos-b-3\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/19-domingo-de-ramos.jpg\",\"articleSection\":[\"Ano B \u2013 2024\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/domingo-de-ramos-b-3\/\",\"url\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/domingo-de-ramos-b-3\/\",\"name\":\"Domingo de Ramos \u2013 B - 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