{"id":21389,"date":"2023-09-15T15:05:00","date_gmt":"2023-09-15T18:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/?p=21389"},"modified":"2023-09-23T08:01:41","modified_gmt":"2023-09-23T11:01:41","slug":"24o-domingo-do-tempo-comum-a-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/24o-domingo-do-tempo-comum-a-2\/","title":{"rendered":"24\u00ba Domingo do Tempo Comum \u2013 A"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cOuvi, Senhor, as preces do vosso servo e do vosso povo eleito: da\u00ed a paz \u00e0queles que esperam em v\u00f3s, para que os vossos profetas sejam verdadeiros\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Celebramos no 24\u00ba. Domingo do Tempo Comum \u2013 do ano lit\u00fargico A \u2013 &nbsp;o mist\u00e9rio e a realidade do perd\u00e3o. Perd\u00e3o que \u00e9 uma necessidade ou apan\u00e1gio da vida crist\u00e3, do \u201cDNA\u201d de todos os crist\u00e3os. Perdoar hoje, amanh\u00e3 e sempre deve ser a bandeira diuturna dos seguidores de Nosso Senhor Jesus Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira leitura retirada do livro de Eclesi\u00e1stico(Eclo 27,33-28,9) nos diz que quem \u00e9 capaz de perdoar o pr\u00f3ximo, recebe o perd\u00e3o de Deus. O perd\u00e3o deve ser ilimitado, generoso e gratuito, sem nada em troca, muito menos com condicionamentos. O perd\u00e3o \u00e9 a m\u00e1xima liberalidade dos crist\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O livro do Eclesi\u00e1stico nos ensina que a verdadeira \u201csabedoria\u201d est\u00e1 em n\u00e3o se deixar dominar pelo rancor, pela ira e pelos sentimento de vingan\u00e7a. O \u201cs\u00e1bio\u201d (isto \u00e9, aquele que quer ter \u00eaxito e ser feliz) \u00e9 aquele que \u00e9 capaz de perdoar as ofensas e de ter compaix\u00e3o pelo seu semelhante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Observamos na primeira leitura a rela\u00e7\u00e3o estabelecida aqui entre o perd\u00e3o humano e o perd\u00e3o divino: quem se recusa a perdoar ao irm\u00e3o, como poder\u00e1 ter a coragem de pedir o perd\u00e3o de Deus? Mas quem perdoa as ofensas dos outros, poder\u00e1 pedir e esperar o perd\u00e3o do Senhor para as suas pr\u00f3prias falhas. Ao menos dois s\u00e9culos antes de Cristo o juda\u00edsmo j\u00e1 tinha descoberto que existe uma rela\u00e7\u00e3o entre o perd\u00e3o que Deus nos oferece e o perd\u00e3o que ele nos convida a oferecer aos irm\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O livro do Eclesi\u00e1stico convida os seus concidad\u00e3os a lembrarem-se da morte: \u201cpensa no teu fim e deixa de ter \u00f3dio\u201d(cf. Eclo 28,6). Diante da realidade final que nos espera, que sentido \u00e9 que fazem os sentimentos de rancor, de ira, de vingan\u00e7a que alimentamos nesta terra? E podemos, com coer\u00eancia, esperar o perd\u00e3o final de Deus, se a nossa vida foi vivida numa l\u00f3gica de \u00f3dio e de vingan\u00e7a? Fundamentalmente, temos aqui um apelo a invertermos a l\u00f3gica do \u201colho por olho, dente por dente\u201d, de forma a que as nossas rela\u00e7\u00f5es com os irm\u00e3os sejam marcadas por sentimentos de perd\u00e3o e de miseric\u00f3rdia. \u00c9 dessa forma que o homem construir\u00e1 a sua felicidade nesta terra; e \u00e9 assumindo est\u00e1 l\u00f3gica que o homem poder\u00e1 pedir e esperar de Deus o perd\u00e3o para as suas falhas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitos homens do nosso tempo pensam que s\u00f3 nos afirmamos, s\u00f3 nos realizamos e s\u00f3 triunfamos quando somos fortes e respondemos com for\u00e7a e agressividade \u00e0 for\u00e7a e agressividade dos outros. O livro do Eclesi\u00e1stico, contudo, ensina que a \u201csabedoria\u201d, o \u00eaxito e a felicidade do homem n\u00e3o passam por cultivar sentimentos de \u00f3dio e de rancor, mas por cultivar sentimentos de perd\u00e3o e de miseric\u00f3rdia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caros irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Evangelho de hoje(cf. Mt 18,21-35), leitura do trecho final de Mt 18, vem todo dedicado sobre a fraternidade na vida de cada dia da comunidade dos batizados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que \u00e9 colocado em evid\u00eancia na leitura de hoje \u00e9 a absoluta necessidade da fraternidade para poder acontecer o Reino de Deus na terra. Fraternidade que \u00e9 sin\u00f4nimo de toler\u00e2ncia e que tem como consequ\u00eancia \u00e0 paz, a paz de Deus entre os homens e mulheres aqui na terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Reino de Deus \u00e9 reservado para quem tem alma de crian\u00e7a, paix\u00e3o e comprometimento com a salva\u00e7\u00e3o dos irm\u00e3os e da comunidade de fi\u00e9is, perdoando sempre, com generosidade e gratuidade: seria isso o <em><strong>\u201cindex\u201d<\/strong><\/em> das \u201cpr\u00e1xis\u201d da vida crist\u00e3, porque quem n\u00e3o sabe perdoar n\u00e3o sabe acolher. Perd\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de cora\u00e7\u00e3o generoso, sem orgulho, sempre aberto \u00e0 alteridade e a constru\u00e7\u00e3o da Jerusal\u00e9m Celeste aqui e agora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Irm\u00e3os e Irm\u00e3s,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Reino de Deus pressup\u00f5e a corre\u00e7\u00e3o fraterna e o perd\u00e3o, porque o Reino de Deus se vive aqui e se plenifica na gl\u00f3ria. O Evangelho ilumina a eternidade a partir da caminhada cotidiana que \u00e9 feita e realizada aqui e agora. De conformidade com nossas atitudes, compromissos, relacionamentos, virtudes e agir crist\u00e3o seremos assimilados na gl\u00f3ria das bem-aventuran\u00e7as. Construir o Reino de Deus, viver o Reino, pertencer a esse reino \u00e9 tornar presente a parte divina que est\u00e1 no homem, imitando a pr\u00e1tica humana de Jesus Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Deus nos perdoou uma grande d\u00edvida, porque o perd\u00e3o das ofensas \u00e9 um dos pontos mais real\u00e7ados pelos Evangelhos e pelas Cartas apost\u00f3licas. O perd\u00e3o constitui-se na condi\u00e7\u00e3o fundamental para se entrar e permanecer no Reino de Deus. A salva\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel a partir da dimens\u00e3o do perd\u00e3o como o pr\u00f3prio Cristo anunciou do alto da Cruz: <em><strong>\u201cPai, perdoai-lhes, eles n\u00e3o sabem o que fazem!\u201d.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Olhando e refletindo detidamente a ora\u00e7\u00e3o da comunidade, o Pai-Nosso, Jesus nos ensina que o perd\u00e3o \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o cotidiana da vida crist\u00e3: <em><strong>\u201cperdoai-nos as nossas ofensas como n\u00f3s perdoamos a quem nos tem ofendido\u201d<\/strong><\/em> (Cf. Mt 6,12).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora a dimens\u00e3o do perd\u00e3o \u00e9 a metodologia da alegria, da generosidade, da vis\u00e3o gratuita deste dom de Deus. O perd\u00e3o dado ao primeiro devedor, isto \u00e9, o perd\u00e3o da parte de Deus \u00e9 t\u00e3o grande e generoso que n\u00f3s dever\u00edamos envergonhar quando n\u00e3o perdoamos. Se Deus perdoa uma d\u00edvida t\u00e3o grande, porque n\u00e3o perdoamos as nossas d\u00edvidas morais, bem menores, \u00e0s vezes, pesadas, mas conting\u00eancias de nossa condi\u00e7\u00e3o de pecadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo deve ser voltado para o perd\u00e3o, principalmente aquilo que nos atinge como as decep\u00e7\u00f5es, menosprezos, trai\u00e7\u00f5es, explora\u00e7\u00f5es, antipatias e, especialmente as ingratid\u00f5es. Perdoar a atitude, mas mais do que isso, as pessoas, a pessoa ofensora e aqueles que tiveram participa\u00e7\u00e3o nestes atos. Nosso pecado ofende a Deus, e Ele nos perdoa. Porque n\u00f3s n\u00e3o podemos perdoar aos irm\u00e3os?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Prezados irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A par\u00e1bola que marca a segunda parte do Evangelho deste domingo desdobra-se em tr\u00eas atos: o primeiro \u00e9 entre o rei e seus servos; o segundo, entre os pr\u00f3prios servos reais; o terceiro retorna ao rei e seu servo implac\u00e1vel. A par\u00e1bola ensina, de forma sum\u00e1ria, a necessidade de imitar a miseric\u00f3rdia divina. Ela mostra duas cenas, uma \u00e9tica e outra anti\u00e9tica, formando uma cena antit\u00e9tica, que n\u00e3o deve ser seguida como exemplar por ningu\u00e9m. A primeira destaca, no v. 24, que o rei perdoa a um devedor dez mil talentos, literalmente \u201cuma mir\u00edade de talentos\u201d \u2013 uma quantidade exorbitante. O Senhor teve compaix\u00e3o \u2013 em grego, <em>splachnisteis<\/em> (como o revirar das entranhas de uma mulher que est\u00e1 para dar \u00e0 luz um filho) \u2013, e o que devia foi perdoado porque se prostrou e pediu paci\u00eancia para que pudesse pagar (v. 26). Por\u00e9m, ao sair dali, aquele que foi perdoado incomensuravelmente n\u00e3o se mostrou capaz de perdoar a algu\u00e9m que lhe devia muito pouco, cem den\u00e1rios (v. 28). Agiu de forma contr\u00e1ria e implac\u00e1vel, desprovida de compaix\u00e3o, incapaz de sentir pelo outro o que havia recebido de algu\u00e9m a quem devia muitas vezes mais. A conclus\u00e3o, nos v. 32-34, \u00e9, de fato, terr\u00edvel: o empregado implac\u00e1vel \u00e9 chamado de servo malvado, por ter sido incapaz de sentir compaix\u00e3o. Como castigo, \u00e9 entregue aos carrascos, para que pague toda a d\u00edvida. O desfecho da par\u00e1bola \u00e9 exemplar e enf\u00e1tico: \u201cassim vos tratar\u00e1 meu Pai celeste, se cada um n\u00e3o perdoar de cora\u00e7\u00e3o a seu irm\u00e3o\u201d. Esse final admoesta a todos n\u00f3s a praticar a compaix\u00e3o, a viver embebidos do amor de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 uma conex\u00e3o intr\u00ednseca entre as tr\u00eas leituras deste domingo: o perd\u00e3o, palavra afim ao voc\u00e1bulo latino <em>perdonum<\/em>, que pode ser traduzido por \u201cdom perfeito\u201d, \u201cdom pleno\u201d, correspondendo a tudo que \u00e9 doado sem reservas. Afastar-se da ira, do furor e da vingan\u00e7a \u00e9 fundamental, segundo o Eclesi\u00e1stico. \u00c9 tamb\u00e9m importante recordar que Cristo nos justificou para uma vida nova, que nos foi dada pelo batismo. Assim, torna-se oportuno reafirmar que o perd\u00e3o \u00e9 um gesto essencial para o crist\u00e3o. Somos crist\u00e3os \u00e0 medida que nos identificamos com o modo de ser de Jesus, que neste domingo nos ensina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Amigos,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O gesto mais sublime, mais necess\u00e1rio nos dias de hoje, \u00e9 o perd\u00e3o, e o perd\u00e3o continuado e sempre. Mais do que isso o perd\u00e3o de cora\u00e7\u00e3o, na totalidade de toda a pessoa humana, n\u00e3o somente no foro externo, mas especialmente no foro interno, no nosso \u00edntimo, porque <em><strong>\u201cO homem olha as apar\u00eancias, mas o Senhor olha o cora\u00e7\u00e3o\u201d (Cf. 1Sm 16,7).<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Perd\u00e3o sem apar\u00eancias, sem condi\u00e7\u00f5es, sem sup\u00e9rfluos, sem escamotea\u00e7\u00f5es, sem restri\u00e7\u00f5es, mas generoso, gratuito, na vis\u00e3o da Igreja Latino-americana: \u201cN\u00c3O H\u00c1 GESTO MAIS SUBLIME DO QUE O PERD\u00c3O\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caros irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O perd\u00e3o e a miseric\u00f3rdia se tornam ainda mais complicados \u00e0 luz dos valores que presidem \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do nosso mundo. O \u201cmundo\u201d considera que perdoar \u00e9 pr\u00f3prio dos fracos, dos vencidos, dos que desistem de impor a sua personalidade e a sua vis\u00e3o do mundo; Deus considera que perdoar \u00e9 dos fortes, dos que sabem o que \u00e9 verdadeiramente importante, dos que est\u00e3o dispostos a renunciar ao seu orgulho e autossufici\u00eancia para apostar num mundo novo, marcado por rela\u00e7\u00f5es novas e verdadeiras entre os homens. Na verdade, a l\u00f3gica do mundo s\u00f3 tem aumentado a espiral de viol\u00eancia, de injusti\u00e7a, de morte; a l\u00f3gica de Deus tem ajudado a mudar os cora\u00e7\u00f5es e frutificado em gestos de amor, de partilha, de di\u00e1logo e de comunh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem faz a experi\u00eancia do perd\u00e3o de Deus, se envolve numa l\u00f3gica de miseric\u00f3rdia que tem, necessariamente, implica\u00e7\u00f5es na forma de abordar os irm\u00e3os que falharam. N\u00e3o podemos dizer que Deus n\u00e3o perdoa a quem \u00e9 incapaz de perdoar aos irm\u00e3os; mas podemos dizer que experimentar o amor de Deus e deixar-se transformar por Ele significa assumir uma outra atitude para com os irm\u00e3os, uma atitude marcada pela bondade, pela compreens\u00e3o, pela miseric\u00f3rdia, pelo acolhimento, pelo amor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Irm\u00e3os e Irm\u00e3s,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Segunda Leitura(cf. Rm 14,7-9) sublinha o esp\u00edrito de comunh\u00e3o que se nos revelou na considera\u00e7\u00e3o do Evangelho. Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor Jesus. Se nossa vida j\u00e1 n\u00e3o nos pertence, mas a ele, como poderemos recusar a comunh\u00e3o ao nosso irm\u00e3o pecador? Pois Jesus deu sua vida por n\u00f3s pecadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os vers\u00edculos 7-9 de Romanos 14 s\u00e3o verdadeiramente o centro desta per\u00edcope. Fundamentalmente, o Ap\u00f3stolo Paulo recorda a todos \u2013 aos \u201cfortes\u201d e aos \u201cd\u00e9beis\u201d \u2013 que pertencem ao Senhor: \u201cquer vivamos quer morramos, \u00e9 ao Senhor que pertencemos\u201d (cf. Rm 14,8). Isso \u00e9 muito mais importante do que as opini\u00f5es particulares acerca do caminho a percorrer para atingir o mesmo objetivo. Os batizados, antes de se deixarem dividir e separar por quest\u00f5es verdadeiramente secund\u00e1rias (que tipo de alimentos se devem comer, que festas se devem celebrar, que jejuns se devem fazer), devem ter consci\u00eancia do essencial da f\u00e9 e daquilo que os une: Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou para a todos dar a mesma vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A comunidade \u00e9 uma fam\u00edlia de irm\u00e3os, reunida \u00e0 volta do mesmo Senhor. A comunidade tem de estar consciente de que a diversidade n\u00e3o exclui, necessariamente, a unidade. Por isso, a comunidade crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 o lugar da intoler\u00e2ncia, da incompreens\u00e3o, do desrespeito pela diversidade de opini\u00f5es, da uniformidade imposta em nome da f\u00e9; mas \u00e9 o lugar do amor, do respeito pelo outro, da aceita\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as, da partilha, do perd\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existem, \u00e0s vezes, nas comunidades certas pessoas que se consideram muito santas e virtuosas porque cumprem determinadas regras, s\u00e3o fi\u00e9is a determinados ritos e t\u00eam sempre presente os mandamentos da santa madre Igreja. Entretanto, como fariseus, observam e controlam os outros, nos julgam sem o sagrado e constitucional direito de defesa, nos condenam e se acham no sagrado direito de nos desacreditar diante dos outros membros da comunidade. A estes fariseus S\u00e3o Paulo recomenda-lhes: \u201cn\u00e3o julgueis nem condeneis os vossos irm\u00e3os; n\u00e3o esque\u00e7ais que a \u00fanica coisa importante e decisiva \u00e9 Cristo, a quem todos pertencemos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0s vezes nos perdemos na discuss\u00e3o das coisas secund\u00e1rias e esquecemos o essencial. Discutimos se se deve receber a comunh\u00e3o na m\u00e3o ou na boca, se se deve ou n\u00e3o ajoelhar \u00e0 consagra\u00e7\u00e3o, se determinado c\u00e2ntico \u00e9 lit\u00fargico ou n\u00e3o, se os padres devem ou n\u00e3o casar, se a prociss\u00e3o do santo padroeiro da par\u00f3quia deve fazer este ou aquele percurso e, algures durante a discuss\u00e3o, esquecemos o amor, o respeito pelo outro, a fraternidade, e que todos vivemos \u00e0 volta do mesmo Senhor. \u00c9 preciso descobrir o essencial que nos une e n\u00e3o absolutizar o secund\u00e1rio que nos divide.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caros irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Deus perdoa sempre, e o seu perd\u00e3o independe de m\u00e9ritos humanos, mas \u00e9 necess\u00e1rio haver esfor\u00e7o entre os seres humanos para refletir, o m\u00e1ximo poss\u00edvel, o comportamento de Deus em seu agir. Busquemos viver o perd\u00e3o, toler\u00e2ncia e respeito \u00e0s diferen\u00e7as. Neste domingo enfatiza-se centralidade que o perd\u00e3o ocupa no ensinamento de Jesus. A pr\u00e1tica do perd\u00e3o, junto com o amor, \u00e9 a principal caracter\u00edstica da perten\u00e7a de uma comunidade ao Senhor; recordar que s\u00f3 vive para ele quem \u00e9 capaz de perdoar, como ensina Paulo na segunda leitura. Devemos estimular a pr\u00e1tica do perd\u00e3o em todas as inst\u00e2ncias, come\u00e7ando pelas fam\u00edlias, e incentivar a continuar a celebrar o m\u00eas da B\u00edblia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Amigos,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Relembramos no \u00faltimo dia 08 de setembro mais um ano de falecimento do Eminent\u00edssimo Senhor CARDEAL LUCAS MOREIRA NEVES, OP. O mais ilustre Cardeal de Minas, que mais do que ningu\u00e9m soube conjugar o verbo perdoar, nos ensinou que: \u201cA vis\u00e3o crist\u00e3 est\u00e1 num horizonte completamente diverso das pag\u00e3s. O crist\u00e3o \u00e9, por convic\u00e7\u00e3o, algu\u00e9m que n\u00e3o nega nem escamoteia o pecado para n\u00e3o ter que enfrent\u00e1-lo. Algu\u00e9m que se reconhece pecador. Que descobre em si cicatrizes e um foco infeccioso do pecado. Algu\u00e9m que sabe dizer: Eu nasci no pecado. Eu pecador. Confiteor&#8230;, mas, que, ao mesmo tempo, eleva a voz dizendo: Destr\u00f3i, \u00f3 Deus, a minha iniquidade e Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado. Reconhecer o pecado, o pr\u00f3prio e o do mundo. Mas ter a certeza de que ele n\u00e3o tem a \u00faltima palavra, pois esta pertence \u00e0 Reden\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 a \u00fanica postura saud\u00e1vel diante do mist\u00e9rio da iniquidade. 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