{"id":15750,"date":"2022-02-17T17:20:57","date_gmt":"2022-02-17T20:20:57","guid":{"rendered":"https:\/\/catequizar.com.br\/liturgia\/?p=15750"},"modified":"2022-02-17T17:32:41","modified_gmt":"2022-02-17T20:32:41","slug":"7o-domingo-do-tempo-comum-c-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/7o-domingo-do-tempo-comum-c-2\/","title":{"rendered":"7\u00ba Domingo do Tempo Comum \u2013 C"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-homilia-a-graca-e-a-gratuidade-de-deus-se-manifestam-aos-pobres-aos-pequenos-aos-excluidos\">Homilia &#8211; A gra\u00e7a e a gratuidade de Deus se manifestam aos pobres, aos pequenos, aos exclu\u00eddos.<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus queridos Irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A liturgia da Santa Igreja nos mostra que Jesus prop\u00f4s a salva\u00e7\u00e3o aos pobres, como destinat\u00e1rios especiais, ou melhor, preferenciais. A gra\u00e7a e a gratuidade de Deus se manifestam aos pobres, aos pequenos, aos exclu\u00eddos, aqueles que est\u00e3o \u00e0 margem da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Irm\u00e3os e Irm\u00e3s,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A liturgia do Tempo Comum \u00e9 uma grande escola para a nossa vida di\u00e1ria. O crist\u00e3o precisa educar-se para a gratuidade do amor e do perd\u00e3o: esse \u00e9 o resumo da liturgia de hoje. Vamos continuar refletindo \u00e0 senda do Evangelho de domingo passado, em que Jesus est\u00e1 pregando na plan\u00edcie, onde hoje refletimos a mais bela p\u00e1gina do Evangelho de Lucas(Lc 6,27-38): devemos, indistintamente, amar a todos como Deus ama a todos indistintamente. Isso \u00e9 f\u00e1cil? Realmente, aos olhos dos homens, \u00e9 muito dif\u00edcil. Isso porque? Porque Jesus \u00e9 radical ao dizer que devemos amar a nossos <strong><em>INIMIGOS.<\/em><\/strong> Isso \u00e9 poss\u00edvel? Sinceramente, somente aos olhos da f\u00e9, isso \u00e9 poss\u00edvel depois de um grande combate espiritual e de uma absoluta transpar\u00eancia e coer\u00eancia entre f\u00e9 e vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Partindo dos nossos inimigos n\u00f3s vamos procurar enxergar o rosto misericordioso de Jesus que nos pede, com grande insist\u00eancia, que devemos amar a todos, principalmente, os nossos inimigos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que Jesus, ent\u00e3o, nos pede? Categoricamente Ele determina que: <em>\u201cAmai os vossos inimigos!\u201d<\/em> Amar como? Amar para que? Amar por que? \u00c9 simples: aos inimigos se deve fazer o bem, rezar pelo inimigo, n\u00e3o julgar o inimigo, mas am\u00e1-lo e pedir a sua convers\u00e3o e mudan\u00e7a de vida, de atitude.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Porque amar o inimigo? N\u00e3o cabe racionaliza\u00e7\u00e3o a respeito desta determina\u00e7\u00e3o de Jesus: temos que superar a raz\u00e3o e deixar que fale a nossa alma. Amar os inimigos, porque esta \u00e9 a atitude de Deus Pai e de Jesus Cristo. \u00c9 f\u00e1cil? Em absoluto. Pelo contr\u00e1rio. Mas neste chamado combate espiritual de amor que n\u00f3s vamos superar a nossa auto-sufici\u00eancia e deixar manifestar o amor misericordioso de Deus que determina o amor at\u00e9 aos inimigos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mirando nossos pensamentos e nossas atitudes em Jesus Misericordioso, o Homem que aboliu o rigorismo da Antiga Lei, dando-lhe nova teleologia, para que a MISERIC\u00d3RDIA reinasse sob a lei do Tali\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como canonista digo e repito que sendo necess\u00e1rio a salva\u00e7\u00e3o de qualquer alma o direito deve ser deixado de lado. \u00c9 muito mais importante a salva\u00e7\u00e3o das almas do que o rigorismo legalista. Jesus veio abolir e dar nova conota\u00e7\u00e3o \u00e0 lei, dando-lhe uma nova interpreta\u00e7\u00e3o, a do c\u00f3digo da caridade, do amor, da acolhida, da miseric\u00f3rdia, do perd\u00e3o, da amizade em Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Irm\u00e3os e Irm\u00e3s,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A amizade \u00e9 uma gra\u00e7a e um dom de Deus. Diz as Escrituras que quem encontra um amigo encontra um tesouro que n\u00e3o pode ser vendido. Entretanto \u00e9 muito comum n\u00f3s encontrarmos pessoas que, sem motivo algum, at\u00e9 sem conhecer a nossa pessoa, ficam nossas inimigas. Inimigos existem por ouvir dizer, por preconceito, por medo do diferente, por medo de perder a sua posi\u00e7\u00e3o. Todas motiva\u00e7\u00f5es dos homens limitados e sem esp\u00edrito e abertura a f\u00e9 que manda acolher a todos como irm\u00e3os formando comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que \u00e9 amar os inimigos? Amar os inimigos \u00e9 perdoar aquelas pessoas que nos fazem alguma atitude de maldade. Perdoar \u00e9 mais que esquecimento. Perdoar \u00e9 mais do que deixar de lado ou deixar para l\u00e1. Amar significa doar uma parede de mim mesmo. Isso mesmo! Amar \u00e9 arrancar uma parte do seu pr\u00f3prio ser. Amar significa doa\u00e7\u00e3o do meu amor fraterno. E amor \u00e9 um sentimento que n\u00e3o coaduna com o fingimento, com a cal\u00fania, com a maledic\u00eancia. Amor \u00e9 gratuidade, \u00e9 acolhida, \u00e9 generosidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O perd\u00e3o \u00e9 uma virtude espiritual. Porque humanamente quando somos ofendidos a primeira atitude \u00e9 o revide. Ao contr\u00e1rio, o amor, como ensina a doutrina da Igreja exige sacrif\u00edcio, mudan\u00e7a de mentalidade, corre\u00e7\u00e3o de metas e de rotas. Jesus chamou a tudo isso de convers\u00e3o, de mudan\u00e7a profunda de vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O crist\u00e3o n\u00e3o pode recorrer \u00e0s armas, \u00e0 viol\u00eancia, \u00e0 mentira, \u00e0 vingan\u00e7a para resolver qualquer situa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a que o atingiu. Esta \u00e9 a l\u00f3gica dos seguidores de Jesus, desse que morreu pedindo ao Pai perd\u00e3o para os seus assassinos. A l\u00f3gica de Jesus \u2013 a l\u00f3gica dos seguidores de Jesus \u2013 \u00e9 precisamente a \u00fanica que \u00e9 capaz de p\u00f4r um trav\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia e ao \u00f3dio. A viol\u00eancia gera sempre mais viol\u00eancia; s\u00f3 o amor desarma a agressividade e transforma os cora\u00e7\u00f5es dos maus e dos violentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus amigos,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O amor aos inimigos \u00e9 justificado teologicamente pela fala de Jesus, Nosso Senhor: <strong><em>\u201cSede misericordiosos como o vosso Pai \u00e9 misericordioso\u201d.<\/em><\/strong> Se Deus perdoa os nossos pecados e, pela a\u00e7\u00e3o da Igreja, nos retorna para a sua amizade pelo perd\u00e3o sacramental, porque n\u00f3s n\u00e3o podemos ser misericordiosos com aqueles que nos atacam, que nos perseguem e nos caluniam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aqui tem um sinal de voca\u00e7\u00e3o do profeta: aquele que \u00e9 chamado por Deus ao seu Seguimento \u00e9 sempre malvisto e mal interpretado no meio de sua parentalha e de sua terra natal. Isso porque? Porque a parentalha e os conterr\u00e2neos enxergam os homens mais pelos seus defeitos do que pelas suas virtudes. Qualquer profeta que \u00e9 muito caluniado, esse conta com a gra\u00e7a de Deus, porque nem Jesus foi aceito pelos nazarenos como o Senhor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A miseric\u00f3rdia nos pede um amor incontido! A miseric\u00f3rdia nos pede que aceitemos o pr\u00f3ximo, que aceitemos o diferente, que amemos aqueles que pensem e agem diferentes de nosso pensamento e do nosso agir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00f3s devemos amar nossos inimigos e perdoar sempre, porque Deus \u00e9 magn\u00e2nimo e generoso sem limites. \u00c9 muito comum n\u00f3s esperarmos que o advers\u00e1rio d\u00ea sinais de arrependimento ou de algum achegamento. Mas n\u00e3o \u00e9 esse o caminho ensinado por Jesus. Devemos amar o inimigo independentemente de seu arrependimento ou da repara\u00e7\u00e3o que ele possa fazer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jesus vem dar uma nova interpreta\u00e7\u00e3o a vis\u00e3o humana de Deus dos homens do Antigo Testamento. Deus \u00e9 bom! Deus \u00e9 amor! Deus \u00e9 miseric\u00f3rdia! Esse \u00e9 o ensinamento de Jesus para n\u00f3s na liturgia deste domingo. Jesus, conhecendo perfeitamente a imagem de Deus Pai, mostra-nos uma face inteiramente diferente e inverte as coisas: quer que n\u00f3s me\u00e7amos o comportamento humano com a medida do comportamento de Deus. A for\u00e7a do perd\u00e3o vamos insistir \u00e9 uma escola em que todos n\u00f3s devemos nos matricular, devemos freq\u00fcentar e alimentar dela com grande e insistente desejo pio. Educando-nos, diuturnamente, para amar gratuitamente como Cristo-Deus nos amou e nos ama (Cf. Jo 13, 34).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus queridos amigos,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrada do perd\u00e3o e o caminho do amor \u00e9 muito espinhoso e depende muito de nossa vontade de aderir a este <strong><em>\u201citer\u201d,<\/em><\/strong> ou seja, a este caminho. Cristo n\u00e3o eliminou o mundo velho e a sua ambig\u00fcidade. Mas, Jesus, ao contr\u00e1rio, nos pediu que, no meio do mundo da realidade humana, os crist\u00e3os vivessem numa mentalidade e num agir novos, fundamentados no comportamento de Deus revelado pelo seu Filho Redentor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos n\u00f3s somos convidados a nos matricular na escola de Jesus. Todos somos convidados a abandonar o instituto humano e aplicarmos a nova lei, a lei da miseric\u00f3rdia, \u00e0 lei do perd\u00e3o, a lei do amor, a lei da acolhida, a lei da caridade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se Cristo nos pede e nos d\u00e1 exemplo que \u00e9 necess\u00e1rio amar os inimigos, aben\u00e7oar aqueles que nos amaldi\u00e7oam, rezar pelos que nos maltratam, \u00e9 porque Jesus fez este caminho e tomou estas atitudes na sua peregrina\u00e7\u00e3o entre n\u00f3s. Por isso cantemos com Paulo: <strong><em>\u201cOnde abundou o pecado, superabundou \u00e0 gra\u00e7a\u201d(Cf Rm 5,20).<\/em><\/strong> Tenhamos, pois, a atitude de Jesus que perdoou e que, por conseguinte, amou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caros irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Primeira Leitura (cf. 1Sm 26,2-79.12-13.22-23) nos apresenta duas formas de lidar com aquilo que nos agride e nos violenta. De um lado, est\u00e1 a atitude agressiva, que paga na mesma moeda, que responde \u00e0 viol\u00eancia com uma viol\u00eancia igual ou ainda maior e que pode chegar, inclusive, \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o f\u00edsica do nosso agressor. Esta \u00e9 a atitude de Abisai.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do outro lado, est\u00e1 a atitude de quem recusa entrar numa l\u00f3gica de agress\u00e3o e se prop\u00f5e perdoar, evitando que a espiral de viol\u00eancia atinja n\u00edveis incontrol\u00e1veis: essa \u00e9 a atitude de Davi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 evidente que \u00e9 a atitude de Davi que os te\u00f3logos deuteronomistas sugerem aos batizados. Davi \u00e9 apresentado como o prot\u00f3tipo do homem bom, que pode vingar-se do agressor, mas n\u00e3o o faz, pois sabe que a vida do outro \u00e9 sagrada e inviol\u00e1vel. N\u00e3o \u00e9 espantoso que, cerca de mil anos antes de Cristo, numa \u00e9poca de grande brutalidade, a catequese de Israel ensine que o perd\u00e3o \u00e9 a \u00fanica sa\u00edda para a viol\u00eancia?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A l\u00f3gica da viol\u00eancia tem feito parte da hist\u00f3ria humana. Nos \u00faltimos cem anos conhecemos duas guerras mundiais e um sem n\u00famero de conflitos resultantes dessa l\u00f3gica. Aqui temos mil\u00edcias e guerras urbanas, num verdadeiro estado paralelo dentro do Estado oficial. Como resultado, foram mortos muitos milh\u00f5es de seres humanos e o mundo conheceu sofrimentos inqualific\u00e1veis. Vivemos dominados pelo medo e pela viol\u00eancia. Por isso \u00e9 necess\u00e1rio, tamb\u00e9m, aplicarmos a reflex\u00e3o sobre a viol\u00eancia \u00e0 nossa vida pessoal\u2026 Como me situo face \u00e0 l\u00f3gica da viol\u00eancia e da agress\u00e3o? Quando algu\u00e9m tem pontos de vista diferentes dos meus, grito mais alto para o vencer, ou utilizo a viol\u00eancia f\u00edsica? Agrido-o na sua honra e na sua dignidade, se n\u00e3o puder venc\u00ea-lo pela for\u00e7a dos argumentos? A minha l\u00f3gica \u00e9 a do \u201colho por olho, dente por dente\u201d, ou \u00e9 a l\u00f3gica do perd\u00e3o e do amor?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma pergunta \u00e9 urgente nestes tempos em que se mata por nada e que se perdeu o sentido da sacralidade da vida humana: qual a minha atitude face a esse valor supremo que \u00e9 a vida humana? H\u00e1 algo que justifique a morte do inimigo, a cadeira el\u00e9trica, a inje\u00e7\u00e3o letal, o tiro na nuca, o atentado terrorista, o enforcamento? \u00c0 luz da Palavra de Deus que hoje nos \u00e9 proposta, justifica-se a elimina\u00e7\u00e3o legal de pessoas (pena de morte)?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Amigos e Amigas,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o Paulo, o convertido ap\u00f3stolo que universalizou a pastoral, explica na segunda Leitura (cf. 1Cor 15,45-49) que a ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 uma outra realidade que aquele que vivemos empiricamente. Em termos filos\u00f3ficos \u00e9 uma realidade transcendental. Em termos b\u00edblicos \u00e9 uma realidade espiritual, n\u00e3o carnal. \u00c9 uma nova cria\u00e7\u00e3o, uma realidade completamente nova. O que foi semeado na condi\u00e7\u00e3o humana \u00e9 ressuscitado na condi\u00e7\u00e3o divina. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vida n\u00e3o \u00e9 tirada ao fiel, as tamb\u00e9m n\u00e3o continua como antes da morte; \u00e9 transformada, pertence a uma outra realidade do que a da c\u00e9lulas e mol\u00e9culas f\u00edsicas. Cristo \u00e9 o novo Ad\u00e3o, primog\u00eanito desta nova ordem, a ordem do Esp\u00edrito Santo. Assim deve ser tamb\u00e9m o perd\u00e3o, como a ressurrei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o na \u00f3tica da carne, mas na \u00f3tica do esp\u00edrito, com vistas \u00e0 vida eterna. Quem n\u00e3o perdoa, quem n\u00e3o ama e quem n\u00e3o \u00e9 misericordioso n\u00e3o entra no Reino das bem-aventuran\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A afirma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de S\u00e3o Paulo \u00e9 que os mortos ser\u00e3o objeto de uma profund\u00edssima transforma\u00e7\u00e3o para chegar ao estado de ressuscitados. N\u00e3o se pode falar, sem mais, de uma simples continuidade entre o corpo terrestre e o corpo ressuscitado. Ambos s\u00e3o corpos, mas as suas carater\u00edsticas s\u00e3o claramente distintas, opostas at\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para explicar isto, S\u00e3o Paulo recorre \u00e0 figura de Ad\u00e3o. De um lado, est\u00e1 o primeiro Ad\u00e3o, tirado do barro, homem terreno e mortal, que \u00e9 o modelo da nossa humanidade enquanto caminhamos neste mundo. Do outro, est\u00e1 o segundo Ad\u00e3o (Cristo ressuscitado) que, por a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, se torna \u201ccorpo espiritual\u201d. O modelo a que devem equiparar-se os batizados \u00e9 o do segundo Ad\u00e3o, Jesus Ressuscitado: incorporados pelo batismo em Cristo, os batizados equiparar-se-\u00e3o a Cristo ressuscitado e ser\u00e3o, como Ele, um \u201ccorpo espiritual\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que \u00e9 esse \u201ccorpo espiritual\u201d? S\u00e3o Paulo n\u00e3o o explica; mas, na tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica, \u201cesp\u00edrito\u201d n\u00e3o \u00e9 sin\u00f3nimo de imaterialidade, mas sim de for\u00e7a, de vitalidade, de poder, de criatividade. Portanto, falar da nossa ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 falar desse estado em que seremos um \u201ccorpo espiritual\u201d, \u00e0 imagem de Cristo ressuscitado. Nesse \u201ccorpo espiritual\u201d estar\u00e1 presente o homem inteiro, dotado de novas qualidades \u2013 as qualidades do Homem Novo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 a passagem para uma nova vida, onde continuaremos a ser n\u00f3s pr\u00f3prios, mas sem os limites que a materialidade do nosso corpo nos imp\u00f5e. Ser\u00e1 a vida em plenitude ou, como diz Karl Rahner, \u201ca transposi\u00e7\u00e3o no modo de plenitude daquilo que aqui vivemos no modo de defici\u00eancia\u201d. A morte \u00e9 o fim da vida; mas fim entendido como meta alcan\u00e7ada, como plenitude atingida, como nascimento para um mundo infinito, como termo final do processo de hominiza\u00e7\u00e3o, como realiza\u00e7\u00e3o total da utopia da vida plena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pe\u00e7amos, pois, com f\u00e9, para chegar a perfei\u00e7\u00e3o do amor, que tamb\u00e9m se chama caridade, a partir de Deus, com for\u00e7a do Esp\u00edrito de Cristo. S\u00f3 este amor, capaz de perdoar e de ser perdoado, \u00e9 que gera a comunidade conjugal, familiar, eclesial e social. Isso exige que acreditemos na for\u00e7a do Esp\u00edrito de Deus na vida do ser humano. Estamos diante do corpo espiritual do segundo homem que vem do c\u00e9u, da imagem do novo Ad\u00e3o, de Jesus Cristo Ressuscitado. Com Cristo, por Cristo e em Cristo o crist\u00e3o pode tornar-se cada dia Corpo dado e Sangue derramado para a vida do pr\u00f3ximo. Isto \u00e9 amor como Cristo amou, este \u00e9 o caminho da vida, neste mundo, que pavimenta a vida eterna. Am\u00e9m!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caros irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na l\u00f3gica do mundo em que vivemos, n\u00e3o responder a uma atitude hostil ou violenta \u00e9 sinal de fraqueza, medo, covardia e passividade. Desafiar um inimigo e pagar com a mesma moeda \u00e9 visto como virtude, coragem e fortaleza. Muitos assumem posi\u00e7\u00f5es radicais na sociedade, defendendo suas opini\u00f5es com extremismo. Tais princ\u00edpios, muitas vezes, t\u00eam contribu\u00eddo para polariza\u00e7\u00f5es destrutivas, que n\u00e3o apenas impedem o di\u00e1logo, mas tamb\u00e9m provocam profundas divis\u00f5es entre grupos, pessoas, fam\u00edlias e membros das comunidades. Atitudes como considerar o outro como inimigo, como oponente, podem desencadear muitos conflitos e levar as pessoas a praticar a\u00e7\u00f5es desumanas. Para um crist\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel acreditar que a din\u00e2mica do confronto nos faz mais livres e felizes? O que se conquista com a destrui\u00e7\u00e3o dos inimigos?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a proposta de Jesus, nossa for\u00e7a e coragem se manifestam precisamente por meio da capacidade de inverter a l\u00f3gica da hostilidade, da rejei\u00e7\u00e3o e da viol\u00eancia, e estender a m\u00e3o at\u00e9 a quem nos ofendeu, caso precise de nossa ajuda. Quem segue Jesus n\u00e3o pode adotar uma postura agressiva ou violenta para resolver uma situa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a. O que caracteriza o crist\u00e3o \u00e9 a disposi\u00e7\u00e3o para dialogar, para dar o primeiro passo em vista do reencontro, da reconcilia\u00e7\u00e3o e do perd\u00e3o. Isso n\u00e3o significa esquecer ou ignorar o mal, e sim tomar uma atitude positiva, n\u00e3o violenta, diante dos conflitos, proporcionando caminhos para a constru\u00e7\u00e3o da paz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vamos oferecer a outra face a quem nos agride! O princ\u00edpio do amor gratuito e misericordioso \u00e9 que move nossa vida, n\u00e3o cabe sen\u00e3o desejar que esse mesmo princ\u00edpio comece a mover a vida das outras pessoas. Ainda que haja tanta gente j\u00e1 machucada nas duas faces, ainda que n\u00f3s mesmos por vezes nos sintamos assim, nem por isso temos o direito de sair por a\u00ed agredindo e machucando os outros, porque, como sabemos, viol\u00eancia gera viol\u00eancia, e o Mestre \u00e9 o exemplo de que \u00f3dio \u00e9 com amor que se paga. Gratuidade e miseric\u00f3rdia deve ser o norte de nossa vida crist\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura..<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A gra\u00e7a e a gratuidade de Deus se manifestam aos pobres, aos pequenos, aos exclu\u00eddos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15754,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_lmt_disableupdate":"","_lmt_disable":"","footnotes":""},"categories":[7018],"tags":[],"class_list":["post-15750","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-anoc2022"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v26.9 (Yoast SEO v26.9) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>7\u00ba Domingo do Tempo Comum \u2013 C - Portugal<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"A gra\u00e7a e a gratuidade de Deus se manifestam aos pobres, aos pequenos, aos exclu\u00eddos.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/7o-domingo-do-tempo-comum-c-2\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"7\u00ba Domingo do Tempo Comum \u2013 C\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"A gra\u00e7a e a gratuidade de Deus se manifestam aos pobres, aos pequenos, aos exclu\u00eddos.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/7o-domingo-do-tempo-comum-c-2\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Liturgia di\u00e1ria\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2022-02-17T20:20:57+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2022-02-17T20:32:41+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/12-7-domingo-comum.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"750\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"350\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Anderson\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Anderson\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"12 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/7o-domingo-do-tempo-comum-c-2\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/7o-domingo-do-tempo-comum-c-2\/\"},\"author\":{\"name\":\"Anderson\",\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/#\/schema\/person\/17356e59f62dbc0826c8e730849bca9d\"},\"headline\":\"7\u00ba Domingo do Tempo Comum \u2013 C\",\"datePublished\":\"2022-02-17T20:20:57+00:00\",\"dateModified\":\"2022-02-17T20:32:41+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/7o-domingo-do-tempo-comum-c-2\/\"},\"wordCount\":2785,\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/7o-domingo-do-tempo-comum-c-2\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/12-7-domingo-comum.jpg\",\"articleSection\":[\"Ano C \u2013 2022\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/7o-domingo-do-tempo-comum-c-2\/\",\"url\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/7o-domingo-do-tempo-comum-c-2\/\",\"name\":\"7\u00ba Domingo do Tempo Comum \u2013 C - 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