{"id":14689,"date":"2021-09-29T09:40:12","date_gmt":"2021-09-29T12:40:12","guid":{"rendered":"https:\/\/catequizar.com.br\/liturgia\/?p=14689"},"modified":"2021-09-29T09:40:14","modified_gmt":"2021-09-29T12:40:14","slug":"27o-domingo-do-tempo-comum-b-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/27o-domingo-do-tempo-comum-b-2\/","title":{"rendered":"27\u00ba Domingo do Tempo Comum \u2013 B"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Irm\u00e3os e Irm\u00e3s,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A liturgia deste domingo nos convida a refletir sobre a fam\u00edlia e o matrim\u00f4nio crist\u00e3o. Celebramos, com j\u00fabilo, o Deus da alian\u00e7a e o dom da uni\u00e3o matrimonial dos casais que tamb\u00e9m procuram viver a missionariedade. Vamos refletir sobre o discipulado \u2013 ser disc\u00edpulo: o matrim\u00f4nio segundo o projeto de Deus, para que enquanto fam\u00edlia crist\u00e3 sejamos todos disc\u00edpulos-mission\u00e1rios. O tema, portanto, \u00e9 o matrim\u00f4nio sob a vontade de Deus. Jesus veio trazer presente o Reino de Deus, tamb\u00e9m quanto ao sacramento do matrim\u00f4nio: \u00e9 preciso que seja o matrim\u00f4nio restaurado no sentido que Deus mesmo lhe concebeu, desde o in\u00edcio. Este sentido se encontra descrito na primeira Leitura que hoje lemos retirada de Gn 2, 18-24. Preocupado com a felicidade e Ad\u00e3o, <strong>\u201co Homem\u201d,<\/strong> Deus lhe procura uma companhia, uma companheira, mas como entre os outros seres vivos n\u00e3o a encontra, faz a mulher, da <strong>\u201cmetade\u201d<\/strong> do homem. Este epis\u00f3dio significa a complementaridade de homem e mulher, que se transforma numa unidade de vida, numa \u00fanica carne, quando o homem opta por uma mulher e, por causa desta op\u00e7\u00e3o, deixa sua fam\u00edlia de origem e a seguran\u00e7a que seus pais lhe oferecia. Sai de casa para casar sendo um risco e um compromisso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Sagrada Escritura coloca o matrim\u00f4nio n\u00e3o como um contrato que pode ser dissolvido. Ao contr\u00e1rio o matrim\u00f4nio \u00e9 uma comunh\u00e3o de amor e uma comunh\u00e3o de vida entre o homem e a mulher, com v\u00ednculos indissol\u00faveis, para toda a vida, tendo por fim a edifica\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia, com a concep\u00e7\u00e3o de filhos que enrique\u00e7a o lar e adorne de filhos a fam\u00edlia aben\u00e7oada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No livro de Genesis o Senhor Deus disse \u201cN\u00e3o \u00e9 bom que o homem esteja s\u00f3\u201d (cf. Gn 2,18-24). Por isso a realiza\u00e7\u00e3o plena do homem acontece na rela\u00e7\u00e3o e n\u00e3o na solid\u00e3o. O homem que vive fechado em si pr\u00f3prio, que escolhe percorrer caminhos de ego\u00edsmo e de autossufici\u00eancia, que recusa o di\u00e1logo e a comunh\u00e3o com aqueles que caminham a seu lado, que tem o cora\u00e7\u00e3o fechado ao amor e \u00e0 partilha, \u00e9 um homem profundamente infeliz, que nunca conhecer\u00e1 a felicidade plena. Por vezes a preocupa\u00e7\u00e3o com o dinheiro, com a realiza\u00e7\u00e3o profissional, com o estatuto social, com o \u00eaxito levam os homens a prescindir do amor, a renunciar \u00e0 fam\u00edlia, a n\u00e3o ter tempo para os amigos. E um dia, depois de terem acumulado muito dinheiro ou de terem chegado \u00e0 presid\u00eancia da empresa, constatam que est\u00e3o sozinhos e que a sua vida \u00e9 est\u00e9ril e vazia. A Palavra de Deus \u00e9 assertiva e direta: a voca\u00e7\u00e3o do homem \u00e9 o amor; a solid\u00e3o, mesmo quando compensada pela abund\u00e2ncia de bens materiais, \u00e9 um caminho de infelicidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O amor esponsal aparece como algo que est\u00e1, desde sempre, inscrito no projeto de Deus e que \u00e9 querido por Deus. Deus criou o homem e a mulher para se ajudarem mutuamente e para partilharem, no amor, as suas vidas. \u00c9 no amor e n\u00e3o na solid\u00e3o que o homem encontra a sua realiza\u00e7\u00e3o plena e o sentido para a sua exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Homem e mulher s\u00e3o iguais em dignidade. Eles s\u00e3o \u201cda mesma carne\u201d, em igualdade de ser, part\u00edcipes do mesmo destino; completam-se um ao outro e ajudam-se mutuamente a atingir a realiza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o, portanto, iguais em dignidade. Esta realidade exige que homem e mulher se respeitem absolutamente um ao outro; e exclui, naturalmente, qualquer atitude que signifique domina\u00e7\u00e3o, escravid\u00e3o, prepot\u00eancia, uso ego\u00edsta do outro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus queridos Irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dois grandes momentos s\u00e3o vividos no Evangelho de hoje (Mc. 10,2-16). O primeiro momento \u00e9 a fidelidade do ser humano a Deus. Naturalmente cada criatura humana deve ser fiel ao Deus que lhe concede, com miseric\u00f3rdia e amor, o dom da vida. Ser fiel \u00e9 condi\u00e7\u00e3o primeira para ser disc\u00edpulo. Fidelidade que se manifesta nas pequenas e nas grandes coisas e, obras que constroem o Reino de Deus entre n\u00f3s. Fidelidade a Deus, fidelidade aos Santos Evangelhos, fidelidade ao projeto de salva\u00e7\u00e3o, fidelidade ao Reino de Deus que acontece e realiza aqui na terra tendo a sua plenitude no c\u00e9u. O segundo momento \u00e9 muito n\u00edtido: a fidelidade matrimonial como uma express\u00e3o de fidelidade ao Senhor Deus. Fidelidade matrimonial, que \u00e9 casamento para toda a vida, casamento indissol\u00favel. Em tempos em que as pessoas experimentam o verbo <em>\u201cficar\u201d,<\/em> sem nenhum compromisso de vida a dois, de cumplicidade, de amassar um caminh\u00e3o de cimento, para solidificar a casa chamada Igreja dom\u00e9stica, \u00e9 necess\u00e1rio subir aos telhados das Igrejas, dos Templos, dos Edif\u00edcios, dos shopping centers, de nossos canais de televis\u00e3o, de nossas r\u00e1dios, da rede mundial de computadores e anunciar a verdade sempre nova e sempre atual: o matrim\u00f4nio cat\u00f3lico e crist\u00e3o, querido por Nosso Senhor Jesus Cristo e por Ele institu\u00eddo, elevado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de Sacramento, \u00e9 o matrim\u00f4nio entre o homem e a mulher, que tem por finalidade a comunh\u00e3o de amor e a comunh\u00e3o de vida, tendo por escopo a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus com a edifica\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia que tem duas gra\u00e7as importantes: a b\u00ean\u00e7\u00e3o do lar e a perenidade da humanidade por Deus edificada. O relacionamento aben\u00e7oado entre um homem e uma mulher \u00e9 a sede prop\u00edcia para se exercer a ren\u00fancia a si mesmo e aos pr\u00f3prios interesses (cf. Mc 8,34), bem como operacionalizar a disponibilidade ao servi\u00e7o (cf. Mc 9,35) e a dedica\u00e7\u00e3o fiel e sem restri\u00e7\u00f5es (cf. Mc 9,43-48).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio refletirmos sobre algumas realidades. O que \u00e9 ser fiel? A fidelidade come\u00e7a com nossa a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as a Deus pelo batismo que recebemos, pela nossa vida, pela nossa f\u00e9 cat\u00f3lica e apost\u00f3lica. Fidelidade que \u00e9 exteriorizada por uma aut\u00eantica vida de f\u00e9 em que, f\u00e9 e vida pessoal, sejam uma \u00fanica realidade, dando testemunho das verdades eternas. O projeto de Deus para cada um de n\u00f3s exige reciprocidade e fidelidade, fidelidade a Deus, fidelidade ao Reino, fidelidade ao Evangelho. Por isso cantemos com Jesus: <strong><em>\u201cMeu alimento \u00e9 fazer a vontade do Pai\u201d (cf Jo 4,34).<\/em><\/strong> O ponto que a liturgia hoje coloca como central \u00e9 o matrim\u00f4nio como s\u00edmbolo da nossa fidelidade a Deus. Deus celebra uma alian\u00e7a com a criatura humana, isto \u00e9, um pacto como no casamento, ao qual se espera fidelidade de ambos os lados, repito de ambos os lados, do homem e da mulher. Fidelidade que requer sacrif\u00edcios, ren\u00fancias, sofrimento, mas, tamb\u00e9m, alegrias, esperan\u00e7as, felicidades. A alma da fidelidade e, portanto, o amor fraterno, tornando-se, por si s\u00f3, prova suprema de amor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estimados Irm\u00e3os e Estimadas Irm\u00e3s,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 poss\u00edvel um div\u00f3rcio para os cat\u00f3licos? Evidentemente que o div\u00f3rcio n\u00e3o pode ser admitido entre os cat\u00f3licos. \u00c9 da ess\u00eancia do casamento cat\u00f3lico a constitui\u00e7\u00e3o de uma uni\u00e3o indissol\u00favel, constituindo-se comunidade de vida e comunidade de amor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O div\u00f3rcio no tempo de Jesus era uma quest\u00e3o recorrente. Herodes vivia em adult\u00e9rio com a sua cunhada Herod\u00edades. Jesus n\u00e3o entrou diretamente na quest\u00e3o do div\u00f3rcio. Entretanto, Jesus falou de Mois\u00e9s e reafirma a indissolubilidade, para n\u00e3o entrar em briga e disputa, nem com Herodes e nem com os escribas. Jesus reafirma: <strong><em>\u201cdesde o come\u00e7o da cria\u00e7\u00e3o Deus os fez homem e mulher\u201d.<\/em><\/strong> Assim Jesus ensinou que o homem se casa com a mulher uma \u00fanica vez. Por que isso? Para que o homem e a mulher sejam capazes de um compromisso m\u00fatuo e de uma comunh\u00e3o plena, em p\u00e9 de igualdade, com direitos e obriga\u00e7\u00f5es iguais. Formam uma s\u00f3 carne, muito mais do que a jun\u00e7\u00e3o de dois corpos. Trata-se da uni\u00e3o das pessoas como um todo, como uma s\u00f3 fam\u00edlia, uma s\u00f3 pessoa, formando uma comunh\u00e3o de amor e uma comunh\u00e3o de vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O MANDATO DE JESUS SOBRE O MATRIM\u00d4NIO \u00c9 EXPL\u00cdCITO: \u201cAOS CASADOS ORDENO, N\u00c3O EU, MAS O SENHOR, QUE A MULHER N\u00c3O SE SEPARE DO MARIDO E O MARIDO N\u00c3O REPUDIE SUA MULHER\u201d (cf. 1Cor 7,10-11).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O homem moderno, utilitarista e imediatista, perdeu o senso da durabilidade do matrim\u00f4nio. Mas a Igreja, deposit\u00e1ria das verdades evang\u00e9licas, n\u00e3o se curva ao hedonismo e ao sexo livre, sem compromisso e b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus. Que a <strong><em>\u201cdureza do cora\u00e7\u00e3o\u201d <\/em><\/strong>que indica fechamento do cora\u00e7\u00e3o da criatura humana para Deus nos renove o compromisso de nos abrirmos \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o e a gra\u00e7a de Deus nos tornando como crian\u00e7as em que Cristo as abra\u00e7a com carinho, simbolizando o disc\u00edpulo perfeito que \u00e9 liberto de seus ego\u00edsmos, de seus interesses, de suas pretens\u00f5es, gan\u00e2ncias, duplicidade de cora\u00e7\u00e3o e de mente. Vamos ser como as crian\u00e7as e aceitar a vontade de Deus que nos pede uma volta ao Evangelho: senso de retorno ao compromisso com Jesus e com a nossa salva\u00e7\u00e3o, a fidelidade e o amor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caros irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00e3o separe o homem o que Deus uniu\u2026\u201d (cf. Mc 10,9). Jesus coloca o dedo na ferida. O div\u00f3rcio \u00e9 sempre um fracasso, um sofrimento. Mas entrou nos costumes como uma realidade normal, um falso \u201cdireito\u201d! Jesus est\u00e1 contra a corrente. Palavra incompreens\u00edvel para muitos homens e mulheres, qualquer que seja a sua idade! Na sua resposta aos fariseus, Jesus recorre a um crit\u00e9rio a que geralmente se presta pouca aten\u00e7\u00e3o. Vai ao \u201cprinc\u00edpio da cria\u00e7\u00e3o\u201d, \u00e0 vontade primeira, \u00e0 vontade criadora de Deus. Ora, esta vontade \u00e9 que os seres humanos se tornem \u201cimagens de Deus\u201d, na medida em que aceitem entrar uns e outros nas rela\u00e7\u00f5es de amor rec\u00edproco, porque Ele, Deus, \u00e9 eterno movimento de amor no seu Ser mais profundo. O casal humano, antes mesmo da quest\u00e3o da procria\u00e7\u00e3o, \u00e9 chamado por Deus a tornar-se o primeiro lugar de manifesta\u00e7\u00e3o deste movimento de amor. O amor humano, sob todas as suas formas, n\u00e3o nasceu dos acasos da evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica. \u00c9 dom de Deus. Quando os homens recusam este dom, impedem Deus de imprimir neles a sua imagem. Na realidade, v\u00e3o contra a vontade criadora, introduzem uma desordem na cria\u00e7\u00e3o tal como Deus a quis. Porque Ele escuta plenamente o seu Pai e acolhe sem quaisquer retic\u00eancias nem recusas a vontade de amor do seu Pai, Jesus, e apenas Ele, pode colocar-nos na luz de Deus Criador e da sua vontade criadora. Mas isso sup\u00f5e que aceitemos escutar Jesus, tomar Jesus na nossa vida. S\u00f3 poderemos compreender a exig\u00eancia de unidade e de fidelidade no amor humano se aceitarmos tornar-nos, dia ap\u00f3s dia, disc\u00edpulos, mais ainda, amigos de Jesus. Para resolver os nossos problemas afetivos, temos raz\u00e3o em recorrer \u00e0 psicologia, \u00e0 psicoterapia do casal. Mas isso n\u00e3o basta. A verdadeira falta \u00e9 uma falta de profundidade espiritual. N\u00e3o servir\u00e1 de nada a Igreja repetir sem cessar a sua oposi\u00e7\u00e3o ao div\u00f3rcio se, primeiro, n\u00e3o fizer imensos esfor\u00e7os para ajudar a redescobrir um verdadeiro acompanhamento com Jesus, revelador do amor do Pai.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caros irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na parte final do Evangelho, o evangelista p\u00f5e novamente em cena personagens muito caros na etapa do caminho: as crian\u00e7as (Mc 10,13). A \u00eanfase de Jesus e do evangelista nas crian\u00e7as tem uma fun\u00e7\u00e3o did\u00e1tica muito espec\u00edfica, sobretudo para a forma\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos. Com efeito, quanto mais se aproximavam de Jerusal\u00e9m, mais eles alimentavam projetos de poder e sonhos de grandeza. Diante disso, o evangelista insiste em apresentar as crian\u00e7as como modelo, considerando a insignific\u00e2ncia que lhes era atribu\u00edda na \u00e9poca. Na controv\u00e9rsia sobre o div\u00f3rcio, Jesus elevou a mulher \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de igualdade; agora, com as crian\u00e7as, eleva todas as categorias de pessoas exclu\u00eddas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de preferidos e preferidas do Reino (Mc 10,14-15). O gesto de abra\u00e7ar, aben\u00e7oar e impor as m\u00e3os sobre as crian\u00e7as (Mc 10,16) enfatiza o amor acolhedor de Jesus pelas pessoas mais necessitadas, que a sociedade considera insignificantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A segunda leitura (Hb 2,9-11) nos fala que Jesus \u00e9 o sacerdote, o santificador, por excel\u00eancia, por serem sua humanidade e o despojamento os instrumentos pelos quais ele santifica toda a condi\u00e7\u00e3o humana. Santificou-nos por sua fraternidade conosco. Jesus aceitou despojar-se das suas prerrogativas divinas e fazer-se \u201cpor um pouco, inferior aos anjos\u201d a fim de que, pelo dom da sua vida at\u00e9 \u00e0 morte, se cumprisse o projeto salvador do Pai para os homens (vers. 9). Depois desta afirma\u00e7\u00e3o de princ\u00edpio, o autor da Carta aos Hebreus vai aprofundar a sua reflex\u00e3o e explicar porque \u00e9 que Jesus teve que passar pela humilha\u00e7\u00e3o da cruz (a explica\u00e7\u00e3o \u00e9 bem mais longa do que a leitura que nos \u00e9 proposta e vai do vers\u00edculo 10 ao vers\u00edculo 18). A quest\u00e3o da paix\u00e3o e morte de Cristo era uma \u201cconveni\u00eancia\u201d do projeto de salva\u00e7\u00e3o que Deus tinha para o homem (\u201cconvinha\u201d \u2013 vers. 10). O que \u00e9 que isso significa? O objetivo de Deus \u00e9 que o homem cres\u00e7a at\u00e9 chegar \u00e0 vida plena. Ora, para fazer com que a humanidade atinja esse fim, Deus deu-lhe um guia \u2013 Jesus Cristo. Ele devia mostrar, com a sua vida e o seu exemplo, que se chega \u00e0 plenitude da vida cumprindo integralmente a vontade do Pai e fazendo da exist\u00eancia um dom de amor aos irm\u00e3os. A cruz foi a express\u00e3o m\u00e1xima e total dessa vida de entrega aos des\u00edgnios de Deus e de doa\u00e7\u00e3o aos irm\u00e3os. Morrendo por amor, Jesus ensinou aos homens como \u00e9 que eles devem viver, qual o caminho que eles devem percorrer, a fim de chegarem \u00e0 plenitude da vida, \u00e0 felicidade sem fim; morrendo por amor e ressuscitando logo a seguir para a vida plena, Jesus libertou os homens do medo paralisante da morte e mostrou-lhes que a morte n\u00e3o \u00e9 o fim da linha para quem vive na entrega a Deus e na doa\u00e7\u00e3o aos irm\u00e3os.<br>Ao assumir a natureza humana, ao fazer-Se solid\u00e1rio com os homens, ao fazer-Se irm\u00e3o dos homens, Cristo (Aquele que santifica) inseriu os homens (os que s\u00e3o santificados) na \u00f3rbita de Deus e mostrou-lhes o caminho a seguir para integrar a fam\u00edlia de Deus (vers. 11).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A encarna\u00e7\u00e3o, paix\u00e3o e morte de Jesus atestam, antes de mais, o incr\u00edvel amor de Deus pelos homens. \u00c9 o amor de algu\u00e9m que enviou o pr\u00f3prio Filho para fazer da sua vida um dom, at\u00e9 \u00e0 morte na cruz, a fim de mostrar aos homens o caminho da vida plena e definitiva. Trata-se de uma realidade que a Palavra de Deus nos recorda cada domingo; e trata-se de uma realidade que n\u00e3o deve cessar de nos espantar e de nos levar \u00e0 gratid\u00e3o e ao amor. A atitude de aceita\u00e7\u00e3o incondicional do projeto do Pai assumida por Cristo contrasta com o ego\u00edsmo e a autossufici\u00eancia de Ad\u00e3o face \u00e0s propostas de Deus. A obedi\u00eancia de Cristo trouxe vida plena ao homem; a desobedi\u00eancia de Ad\u00e3o trouxe sofrimento e morte \u00e0 humanidade. O exemplo de Cristo convida-nos a viver na escuta atenta e na obedi\u00eancia radical \u00e0s propostas de Deus: esse caminho \u00e9 gerador de vida verdadeira. Quando o homem prescinde de Deus e das suas propostas e decide que \u00e9 ele quem define o caminho a seguir, fatalmente resvala para projetos de ambi\u00e7\u00e3o, de orgulho, de injusti\u00e7a, de morte; quando o homem escuta e acolhe os desafios de Deus, aprende a amar, a partilhar, a servir, a perdoar e torna-se uma fonte de b\u00ean\u00e7\u00e3o para todos aqueles que caminham ao seu lado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jesus fez-Se homem, enfrentou a condi\u00e7\u00e3o de debilidade dos homens e morreu na cruz. No entanto, a sua glorifica\u00e7\u00e3o mostrou que a morte n\u00e3o \u00e9 o final do caminho para quem faz da vida uma escuta atenta dos planos de Deus e uma doa\u00e7\u00e3o de amor aos irm\u00e3os. Dessa forma, Ele libertou os homens do medo da morte. Agora, podemos enfrentar a injusti\u00e7a, a opress\u00e3o, as for\u00e7as do mal que oprimem os homens, sem medo de morrer: sabemos que quem vive como Jesus n\u00e3o fica prisioneiro da morte, mas est\u00e1 destinado \u00e0 vida verdadeira e eterna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus caros irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Papa Bento XVI assim se expressou sobre o matrim\u00f4nio, no discurso aos Bispos do Regional Nordeste 1 e 4 da CNBB, no dia 25 de setembro de 2009: <em>\u201ca fam\u00edlia assentada no matrim\u00f4nio, como \u00abalian\u00e7a conjugal na qual o homem e a mulher se d\u00e3o e se recebem\u00bb (cf. Gaudium et spes, 48). Institui\u00e7\u00e3o natural confirmada pela lei divina, est\u00e1 ordenada ao bem dos c\u00f4njuges e \u00e0 procria\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o da prole, que constitui a sua coroa (cf. ibid., 48). Pondo em quest\u00e3o tudo isto, h\u00e1 for\u00e7as e vozes na sociedade atual que parecem apostadas em demolir o ber\u00e7o natural da vida humana\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Continua o Santo Padre:<em> \u201cA Igreja n\u00e3o pode ficar indiferente diante da separa\u00e7\u00e3o dos c\u00f4njuges e do div\u00f3rcio, diante da ru\u00edna dos lares e das conseq\u00fc\u00eancias criadas pelo div\u00f3rcio nos filhos. Estes, para ser instru\u00eddos e educados, precisam de refer\u00eancias extremamente precisas e concretas, isto \u00e9, de pais determinados e certos que de modo diverso concorrem para a sua educa\u00e7\u00e3o. Ora, este princ\u00edpio que a pr\u00e1tica do div\u00f3rcio est\u00e1 minando e comprometendo com a chamada fam\u00edlia alargada e m\u00f3vel, que multiplica os \u00abpais\u00bb e as \u00abm\u00e3es\u00bb e faz com que hoje a maioria dos que se sentem \u00ab\u00f3rf\u00e3os\u00bb n\u00e3o sejam filhos sem pais, mas filhos que os t\u00eam em excesso. Esta situa\u00e7\u00e3o, com as inevit\u00e1veis interfer\u00eancias e cruzamento de rela\u00e7\u00f5es, n\u00e3o pode deixar de gerar conflitos e confus\u00f5es internas contribuindo para criar e gravar nos filhos uma tipologia alterada de fam\u00edlia, assimil\u00e1vel de algum modo \u00e0 pr\u00f3pria conviv\u00eancia por causa da sua precariedade.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, Deus deseja tocar o ser humano que nasce atrav\u00e9s do amor dos pais. Desta forma, Deus est\u00e1 acolhendo, tocando e aben\u00e7oando os filhos. Os pais representam o pr\u00f3prio Deus para o filho que nasce. A imagem de Deus que os esposos transmitem deve ser uma imagem de Deus-amor, Deus-bondade, Deus-vida. Tudo isso \u00e9 dom, \u00e9 gra\u00e7a, que a comunidade deseja agradecer, pedir que conserve nos casados e desejar, pedindo a gra\u00e7a a Deus, para os jovens, que, um dia, h\u00e3o de seguir a Cristo no estado de vida do Matrim\u00f4nio, indissol\u00favel e para toda a vida. Assim seja!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fidelidade que se manifesta nas pequenas e nas grandes coisas e, obras que constroem o Reino de Deus entre n\u00f3s. <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14690,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_lmt_disableupdate":"","_lmt_disable":"","footnotes":""},"categories":[6919],"tags":[],"class_list":["post-14689","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-anob2021"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v26.9 (Yoast SEO v26.9) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>27\u00ba Domingo do Tempo Comum \u2013 B - Homilia<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Fidelidade que se manifesta nas pequenas e nas grandes coisas e, obras que constroem o Reino de Deus entre n\u00f3s.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/27o-domingo-do-tempo-comum-b-2\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"27\u00ba Domingo do Tempo Comum \u2013 B\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Fidelidade que se manifesta nas pequenas e nas grandes coisas e, obras que constroem o Reino de Deus entre n\u00f3s.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/27o-domingo-do-tempo-comum-b-2\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Liturgia di\u00e1ria\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2021-09-29T12:40:12+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2021-09-29T12:40:14+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/54-27-Domingo-do-tempo-comum.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"750\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"350\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Anderson\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Anderson\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"16 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/27o-domingo-do-tempo-comum-b-2\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/27o-domingo-do-tempo-comum-b-2\/\"},\"author\":{\"name\":\"Anderson\",\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/#\/schema\/person\/17356e59f62dbc0826c8e730849bca9d\"},\"headline\":\"27\u00ba Domingo do Tempo Comum \u2013 B\",\"datePublished\":\"2021-09-29T12:40:12+00:00\",\"dateModified\":\"2021-09-29T12:40:14+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/27o-domingo-do-tempo-comum-b-2\/\"},\"wordCount\":3231,\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/27o-domingo-do-tempo-comum-b-2\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/54-27-Domingo-do-tempo-comum.jpg\",\"articleSection\":[\"Ano B \u2013 2021\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/27o-domingo-do-tempo-comum-b-2\/\",\"url\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/27o-domingo-do-tempo-comum-b-2\/\",\"name\":\"27\u00ba Domingo do Tempo Comum \u2013 B - 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