{"id":10672,"date":"2020-04-02T14:10:08","date_gmt":"2020-04-02T17:10:08","guid":{"rendered":"https:\/\/liturgia.catequisar.com.br\/?p=10672"},"modified":"2020-04-02T14:13:30","modified_gmt":"2020-04-02T17:13:30","slug":"domingo-de-ramos-a","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/domingo-de-ramos-a\/","title":{"rendered":"Domingo de Ramos &#8211; A"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus\nqueridos Irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contemplamos\nna abertura da Semana Santa a figura do Messias Padecente. Neste ano lit\u00fargico\nA podemos entrar no esp\u00edrito do Evangelista Mateus ao narrar a Paix\u00e3o de Nosso\nSenhor Jesus Cristo(cf. Mt 26,14-27,66). Mateus ressalta o cumprimento, na vida\ne na morte de Jesus de Nazar\u00e9, do plano divino, expresso no Antigo Testamento.\nNeste sentido, podemos observar como Jesus realiza a figura do Servo Padecente\nde Deus, apresentada na primeira Leitura(cf. Is 50,4-7). Na cena do Gets\u00eamani,\npor exemplo, Mateus \u00e9 o \u00fanico evangelista a colocar literalmente nos l\u00e1bios de\nJesus a express\u00e3o do Pai Nosso: <em>\u201cSeja\nfeita a tua vontade\u201d(cf. Mt 26,42).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste\ndomingo lemos dois Evangelhos: um antes de come\u00e7ar a prociss\u00e3o de Ramos e outro\nna hora lit\u00fargica costumeira. No primeiro Evangelho(cf. Mt 21,1-11) vamos\nrepetir a cena dos judeus ao aclamar o Senhor como Cristo Senhor e Rei. E o\nsegundo Evangelho(cf. Mt 26,14-27,66), o da Paix\u00e3o, tem a tonalidade da morte.\nMorte que Mateus aponta ao Cristo como vit\u00f3ria da vida plena, vit\u00f3ria de quem\ntem a plenitude de todo o poder, no c\u00e9u e na terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vamos\nrezar neste domingo a partir da reflex\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor. Que os ramos que\nhoje trazemos conosco em nossas m\u00e3os nos levem ao Cristo m\u00e1rtir, vitorioso\nsobre a morte e que nos traz a vida plena. O Cristo que padece condenado por\nhomens insanos, para garantir \u00e0s criaturas humanas a liberta\u00e7\u00e3o da injusti\u00e7a e\nda morte e a posse da santidade e da vida. As palmas em nossas m\u00e3os querem\nsignificar que estamos prontos a fazer o mesmo itiner\u00e1rio, o mesmo horizonte, o\nmesmo caminho de Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caros\nfi\u00e9is,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira leitura(Is 50,4-7) d\u00e1 a palavra a um personagem an\u00f4nimo, que fala do seu chamamento por Deus para a miss\u00e3o. Ele n\u00e3o se intitula \u201cprofeta\u201d; por\u00e9m, narra a sua voca\u00e7\u00e3o com os elementos t\u00edpicos dos relatos prof\u00e9ticos de voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> Em primeiro lugar, a miss\u00e3o que este \u201cprofeta\u201d recebe de Deus tem claramente a ver com o an\u00fancio da Palavra. O profeta \u00e9 o homem da Palavra, atrav\u00e9s de quem Deus fala; a proposta de reden\u00e7\u00e3o que Deus faz a todos aqueles que necessitam de salva\u00e7\u00e3o\/liberta\u00e7\u00e3o ecoa na palavra prof\u00e9tica. O profeta \u00e9 inteiramente modelado por Deus e n\u00e3o op\u00f5e resist\u00eancia nem ao chamamento, nem \u00e0 Palavra que Deus lhe confia; mas tem de estar, continuamente, numa atitude de escuta de Deus, para que possa depois apresentar \u2013 com fidelidade \u2013 essa Palavra de Deus para os homens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em segundo lugar, a miss\u00e3o prof\u00e9tica concretiza-se no sofrimento e na dor. \u00c9 um tema sobejamente conhecido da literatura prof\u00e9tica: o an\u00fancio das propostas de Deus provoca resist\u00eancias que, para o profeta, se consubstanciam, quase sempre, em dor e persegui\u00e7\u00e3o. No entanto, o profeta n\u00e3o se demite: a paix\u00e3o pela Palavra sobrep\u00f5e-se ao sofrimento. Em terceiro lugar, vem a express\u00e3o de confian\u00e7a no Senhor, que n\u00e3o abandona aqueles a quem chama. A certeza de que n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3, mas de que tem a for\u00e7a de Deus, torna o profeta mais forte do que a dor, o sofrimento, a persegui\u00e7\u00e3o. Por isso, o profeta \u201cn\u00e3o ser\u00e1 confundido\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o\nsabemos, efetivamente, quem \u00e9 este \u201cservo de Jahw\u00e9h\u201d; no entanto, os primeiros\ncrist\u00e3os v\u00e3o utilizar este texto como grelha para interpretar o mist\u00e9rio de\nJesus: Ele \u00e9 a Palavra de Deus feita carne, que oferece a sua vida para trazer\na salva\u00e7\u00e3o\/liberta\u00e7\u00e3o aos homens. A vida de Jesus realiza plenamente esse\ndestino de dom e de entrega da vida em favor de todos; e a sua glorifica\u00e7\u00e3o\nmostra que uma vida vivida deste jeito n\u00e3o termina no fracasso, mas na\nressurrei\u00e7\u00e3o que gera vida nova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jesus,\no \u201cservo\u201d sofredor, que faz da sua vida um dom por amor, mostra aos seus\nseguidores o caminho: a vida, quando \u00e9 posta ao servi\u00e7o da liberta\u00e7\u00e3o dos\npobres e dos oprimidos, n\u00e3o \u00e9 perdida mesmo que pare\u00e7a, em termos humanos,\nfracassada e sem sentido. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Prezados\nirm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vamos\nsituar a segunda leitura de hoje(cf. Fl 2,6-11): a cidade de Filipos era uma\ncidade pr\u00f3spera, com uma popula\u00e7\u00e3o constitu\u00edda maioritariamente por veteranos\nromanos do ex\u00e9rcito. Organizada \u00e0 maneira de Roma, estava fora da jurisdi\u00e7\u00e3o\ndos governantes das prov\u00edncias locais e dependia diretamente do imperador;\ngozava, por isso, dos mesmos privil\u00e9gios das cidades de It\u00e1lia. A comunidade\ncrist\u00e3, fundada por Paulo, era uma comunidade entusiasta, generosa,\ncomprometida, sempre atenta \u00e0s necessidades de Paulo e do resto da Igreja (como\nno caso da coleta em favor da Igreja de Jerusal\u00e9m \u2013 cf. 2 Cor 8,1-5), por quem Paulo\nnutria um afeto especial. Apesar destes sinais positivos, n\u00e3o era, no entanto,\numa comunidade perfeita. O desprendimento, a humildade e a simplicidade n\u00e3o\neram valores demasiado apreciados entre os altivos patr\u00edcios que compunham a\ncomunidade. \u00c9 neste enquadramento que podemos situar o texto que a segunda\nleitura nos apresenta no Domingo de Ramos. S\u00e3o Paulo convida os Filipenses a\nencarnar os valores que marcaram a trajet\u00f3ria existencial de Cristo; para isso,\nutiliza um hino pr\u00e9-paulino, recitado nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas crist\u00e3s: nesse\nhino, ele exp\u00f5e aos crist\u00e3os de Filipos o exemplo de Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cristo Jesus \u2013 nomeado no princ\u00edpio, no meio e no fim \u2013 constitui o motivo do hino. Dado que os Filipenses s\u00e3o crist\u00e3os \u2013 quer dizer, dado que Cristo \u00e9 o prot\u00f3tipo a cuja imagem est\u00e3o configurados \u2013 t\u00eam a inilud\u00edvel obriga\u00e7\u00e3o de comportar-se como Cristo. Como \u00e9 o exemplo de Cristo? O hino come\u00e7a por aludir subtilmente ao contraste entre Ad\u00e3o (o homem que reivindicou ser como Deus e Lhe desobedeceu \u2013 cf. Gn 3,5.22) e Cristo (o Homem Novo que, ao orgulho e revolta de Ad\u00e3o responde com a humildade e a obedi\u00eancia ao Pai). A atitude de Ad\u00e3o trouxe fracasso e morte; a atitude de Jesus trouxe exalta\u00e7\u00e3o e vida. Em tra\u00e7os precisos, o hino define o \u201cdespojamento\u201d (\u201ckenosis\u201d) de Cristo: Ele n\u00e3o afirmou com arrog\u00e2ncia e orgulho a sua condi\u00e7\u00e3o divina, mas aceitou fazer-Se homem, assumindo com humildade a condi\u00e7\u00e3o humana, para servir, para dar a vida, para revelar totalmente aos homens o ser e o amor do Pai.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o deixou de ser Deus; mas aceitou descer at\u00e9 aos homens, fazer-Se servidor dos homens, para garantir vida nova para os homens. Esse \u201cabaixamento\u201d assumiu mesmo foros de esc\u00e2ndalo: Jesus aceitou uma morte infamante \u2013 a morte de cruz \u2013 para nos ensinar a suprema li\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, do amor radical, da entrega total da vida. No entanto, essa entrega completa ao plano do Pai n\u00e3o foi uma perda nem um fracasso: a obedi\u00eancia e entrega de Cristo aos projetos do Pai resultaram em ressurrei\u00e7\u00e3o e gl\u00f3ria. Em consequ\u00eancia da sua obedi\u00eancia, do seu amor, da sua entrega, Deus fez d\u2019Ele o \u201cKyrios\u201d (\u201cSenhor\u201d \u2013 nome que, no Antigo Testamento, substitu\u00eda o nome impronunci\u00e1vel de Deus); e a humanidade inteira (\u201cos c\u00e9us, a terra e os infernos\u201d) reconhece Jesus como \u201co Senhor\u201d que reina sobre toda a terra e que preside \u00e0 hist\u00f3ria. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 \u00f3bvio o apelo \u00e0 humildade, ao desprendimento, ao dom da vida, que Paulo aqui faz aos Filipenses e a todos os crentes: o crist\u00e3o deve ter como exemplo esse Cristo, servo sofredor e humilde, que fez da sua vida um dom a todos. Esse caminho n\u00e3o levar\u00e1 ao aniquilamento, mas \u00e0 gl\u00f3ria, \u00e0 vida plena. Paulo tem consci\u00eancia de que est\u00e1 a pedir aos seus crist\u00e3os algo realmente dif\u00edcil; mas \u00e9 algo que \u00e9 fundamental, \u00e0 luz do exemplo de Cristo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Amigos\ne Amigas,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o Mateus(cf.\nPaix\u00e3o de Mt 26,14-27,66) acentua que Jesus realiza o plano divino da salva\u00e7\u00e3o,\nexpresso clara ou veladamente em todo o Antigo Testamento. Mateus atualiza as\nprofecias em Jesus, da\u00ed a assertiva: <em>\u201cMeu\nDeus, Meu Deus, porque me abandonastes?\u201d (cf. Sl 22). <\/em>Quando os sumos\nsacerdotes pedem a Jesus que ele coloque a sua confian\u00e7a em Deus, para que Deus\no livre agora deste c\u00e1lice, Mateus faz um paralelo entre a ang\u00fastia e a confian\u00e7a\nabsoluta. Tudo estava programado na miss\u00e3o do Senhor. A ang\u00fastia vai dando\nlugar \u00e0 confian\u00e7a em Deus, ao convite para louvar, glorificar e venerar o\nSenhor, que n\u00e3o abandona o atribulado, e passa a falar da realeza do senhor,\ndiante de quem se prostrar\u00e3o todos os poderosos do mundo, e do novo povo que h\u00e1\nde nascer deste momento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Presente,\ntamb\u00e9m est\u00e1, a figura do Servo de Jav\u00e9, que foi castigado e humilhado por Deus,\nfoi transpassado e esmagado por causa de nossos crimes, embora n\u00e3o tivesse\npraticado nenhuma viol\u00eancia, nem houvesse falsidade em seus l\u00e1bios. Depois de\nprofundos sofrimentos a causa do Evangelho vai triunfar, todos ser\u00e3o\njustificados na ressurrei\u00e7\u00e3o do Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mateus\nnos deixa uma clara mensagem sobre a morte de Judas, depois de ter recebido\ntrinta moedas de prata: Judas \u00e9 o s\u00edmbolo da pessoa que recebeu o Messias, mas\no rejeita por interesses mesquinhos, e por isso ser\u00e1 duramente julgado e\ncondenado, mesmo percebendo seu erro. Por isso, n\u00e3o sejamos como Judas que\ntraiu o Cristo por uma ninharia. Que o seu exemplo afaste de n\u00f3s o desejo do\nter, do poder e da disputa de poder, da inveja, da cal\u00fania e da aus\u00eancia de\ncaridade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estimados\namigos,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No\ntrecho da Paix\u00e3o que lemos a pouco fica clara a glorifica\u00e7\u00e3o de Cristo sobre a\nmorte.&nbsp; A morte n\u00e3o est\u00e1 sendo visa como\numa vergonha, mas como um caminho de gl\u00f3ria, uma <em>\u201cteofania\u201d,<\/em> isto \u00e9, uma manifesta\u00e7\u00e3o de Deus. V\u00e1rias vezes Jesus\naplicou a si a express\u00e3o do Antigo Testamento: \u201c<em>Filho de Deus\u201d(cf. Profeta Daniel 7,13s).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Filho\nde Deus vai ser julgado e condenado, ele aproxima a express\u00e3o \u00e0 gl\u00f3ria divina.\nO Filho de Deus que ser\u00e1 julgado \u00e9 <em>\u201cum\nser misterioso, conduzido por Deus sobre as nuvens ao c\u00e9u para receber a\nrealeza divina\u201d(cf. Dn 7,13s).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A um\nmessias meramente humano, os inteligentes poderiam compreender, adaptar-se a\nele sem deixar os interesses pessoais. Mas a um Messias Divino, quem quisesse\ncompreender e seguir deveria renunciar-se primeiro. Jesus mesmo prevenira: <em>\u201cSe algu\u00e9m quiser me seguir, renuncie\nprimeiro a si mesmo\u201d(cf. Mc 8, 34).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\npaix\u00e3o foi decisiva para Jesus, para os disc\u00edpulos, para os ap\u00f3stolos e para a\nhumanidade. A paix\u00e3o inaugura um tempo novo, um novo mundo, um novo c\u00e9u e uma\nnova terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia\nda morte de Jesus as trevas cobriram o mundo de meio dia at\u00e9 as quinze horas.\nNo in\u00edcio da cria\u00e7\u00e3o Deus cria a luz. Agora aquele que \u00e9 a luz do mundo <em>\u201centrega o seu esp\u00edrito\u201d<\/em> para que uma\nnova luz, a luz da vida(cf. Jo 8,12) seja instalada no mundo, brilhe para toda\na humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na\nmorte e da morte nasce a vida plena. A morte de Jesus n\u00e3o \u00e9 a palavra final e nem\no fim. A morte de Jesus \u00e9 uma recrea\u00e7\u00e3o, um novo come\u00e7o. Ressuscitam mortos em\ntorno do Calv\u00e1rio, e, dentro de tr\u00eas dias, o pr\u00f3prio Jesus, morto e sepultado,\nressurgir\u00e1 vitorioso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O\ntemplo teve o seu v\u00e9u rasgado de cima at\u00e9 embaixo: aqui reside a simbologia de\num tempo novo. No novo templo a cortina n\u00e3o ter\u00e1 mais sentido, porque o Cristo\nassumiu o povo todo, que passou a ser o <em>\u201ccorpo\ndo Senhor\u201d(cf. 1 Cor 12,27).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O novo\ntemplo \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo, a morada perfeita, ou somos todos n\u00f3s(cf. 1Cor3,16),\nem fase de crescimento. O <em>\u201csanto dos\nSantos\u201d, <\/em>que marcava a presen\u00e7a de Deus no templo, deixa de ser um lugar\npara ser uma comunidade: <em>\u201cOnde dois ou\ntr\u00eas estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles\u201d(cf. Mt 18,20).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus\nqueridos amigos,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\nIgreja est\u00e1 com Jesus crucificado. Somente deste modo a Igreja Cat\u00f3lica\ncontinua hoje oferecendo um sacrif\u00edcio espiritual agrad\u00e1vel ao Pai; quando,\nreconhecendo-se pecadora e sempre necessitada de salva\u00e7\u00e3o, apresenta n\u00e3o os\npr\u00f3prios m\u00e9ritos e sucessos, mas a lembran\u00e7a viva da sua Cabe\u00e7a crucificada, do\nFilho bem-amado, de cuja morte e ressurrei\u00e7\u00e3o recebe luz e for\u00e7a para ser fiel\na sua miss\u00e3o. Aceitando com alegria o sofrimento que completa a paix\u00e3o de seu\nSenhor e Mestre, a Igreja pode oferecer o sacrif\u00edcio eucar\u00edstico, como voz dos\npobres, dos humilhados, dos desafortunados e dos oprimidos, anunciando a\nesperan\u00e7a da liberta\u00e7\u00e3o. E pode faz\u00ea-lo com tanto mais verdade, quanto mais\nhouver escolhido n\u00e3o os caminhos do poder, do sucesso e do bem-estar, mas o da\ncoragem para repelir a injusti\u00e7a e compartilhar plenamente da sorte dos\nhumildes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto\ntemos facilidade em ver as culpas ou fraquezas dos outros, n\u00e3o estamos n\u00f3s\ncorrompidos pelos mesmos males? Pensemos talvez que acusando os outros nos\ndesculpamos a n\u00f3s mesmos? Nesse caso, S\u00e3o Paulo nos diria que somos\n\u201cindesculp\u00e1veis\u201d(cf. Rm 2,1).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Prezados\nirm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contemplar\na cruz, onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus, significa assumir a\nmesma atitude e solidarizar-se com aqueles que s\u00e3o crucificados neste mundo: os\nque sofrem viol\u00eancia, os que s\u00e3o explorados, os que s\u00e3o exclu\u00eddos, os que s\u00e3o\nprivados de direitos e de dignidade. Olhar a cruz de Jesus significa denunciar\ntudo o que gera \u00f3dio, divis\u00e3o, medo, em termos de estruturas, valores,\npr\u00e1ticas, ideologias; significa evitar que os homens continuem a crucificar\noutros homens; significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor. Viver\ndeste jeito pode conduzir \u00e0 morte; mas o crist\u00e3o sabe que amar como Jesus \u00e9\nviver a partir de uma din\u00e2mica que a morte n\u00e3o pode vencer: o amor gera vida\nnova e introduz na nossa carne os dinamismos da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caros\nfi\u00e9is,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jesus\naceitou todos os acontecimentos, conforme nos ensinou Paulo: <em>\u201cHumilhou-se, feito obediente at\u00e9 \u00e0 morte e\nmorte de Cruz; por isso Deus o exaltou e lhe deu um Nome que est\u00e1 acima de todo\no nome, para que ao Nome de Jesus se dobre todo joelho de quantos h\u00e1 na terra,\nno c\u00e9u e nos abismos\u201d(cf. Fl. 2,8-10).<\/em> Este despojamento de Jesus est\u00e1\nresumido na segunda leitura que realiza na figura do Servo e que, por sua\nobedi\u00eancia at\u00e9 a morte \u2013 o amor radical que manifesta o Deus-Amor \u2013 \u00e9\nglorificado no senhorio de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Guardemos\nestas palmas que carregamos em nossos lares e orat\u00f3rios, pois s\u00e3o sacramentais,\nisto \u00e9, objetos dignos de toda a nossa venera\u00e7\u00e3o e cujo uso respeitoso, como\nensina a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja nas ora\u00e7\u00f5es que emprega, podem trazer muitas gra\u00e7as\nde Deus \u00e0s pessoas e lugares que os guardam. O exemplo de Cristo que nos ensina\no caminho de liberta\u00e7\u00e3o nos chama a viver a intensidade desta semana Santa.\nVamos procurar realizar a miss\u00e3o de libertar o mundo pela fidelidade radical \u00e0\nvontade do Pai. Por isso, devemos <em>\u201cprestar-lhe\nouvidos\u201d-<\/em> sentido original de obedi\u00eancia. Obedecer n\u00e3o \u00e9 deser\u00e7\u00e3o da\nliberdade. Obedecer \u00e9 unir nossa vontade a vontade do Pai, para realizar seu\nprojeto de amor, e as outras vontades que est\u00e3o no mesmo projeto. E \u00e9 tamb\u00e9m\ndar ouvidos aos gritos dos injusti\u00e7ados, que denuncia o pisoteamento do projeto\nde Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Junto\ncom a abertura da Semana Santa \u00e9 prescrito a Coleta da Campanha da\nFraternidade. O Manual da Campanha da Fraternidade 2020 ensina que: \u201cA Campanha\nda Fraternidade se expressa concretamente pela oferta de doa\u00e7\u00f5es em dinheiro na\n<em>coleta da solidariedade, <\/em>realizada no Domingo de Ramos. \u00c9 um gesto concreto\nde fraternidade, partilha e solidariedade, feito em \u00e2mbito nacional, em todas\nas comunidades crist\u00e3s, par\u00f3quias e dioceses. A Coleta da Solidariedade \u00e9 parte\nintegrante da Campanha da Freternidade\u201d(Manual, p\u00e1g. 100). \u201cA Igreja espera que\ncom essa motiva\u00e7\u00e3o todos participem, oferecendo sua solidariedade em favor das\npessoas, grupos e comunidades, pois: \u2018Ao longo de uma hist\u00f3ria de solidariedade\ne compromisso com as incont\u00e1veis v\u00edtimas das in\u00fameras formas de destrui\u00e7\u00e3o da\nvida, a Igreja se reconhece servidora do Deus da Vida\u2019(DGAE 2011-2015, n. 66).\nO gesto fraterno da oferta tem um car\u00e1ter de convers\u00e3o quaresmal, condi\u00e7\u00e3o para\nque advenha um novo tempo marcado pelo amor e pela valoriza\u00e7\u00e3o da vida\u201d(Manual,\np\u00e1g. 100). Sejamos generosos na nossa coleta sabendo que 40% ser\u00e1 destinado ao\nFundo Nacional de Solidariedade \u2013 FNS \u2013 da CNBB e 60% para as necessidades de\nnossas Dioceses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jesus\nfoi fiel ao projeto do Pai. Deus esperava de Jesus fidelidade a seu plano de\namor e que Ele agisse conforme este plano. Jesus foi fiel a esta miss\u00e3o at\u00e9 o\nfim. Com sua morte ele trouxe a vida. Que n\u00f3s todos esperamos, pela nossa f\u00e9, a\nressurrei\u00e7\u00e3o final. Am\u00e9m!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Padre\nWagner Augusto Portugal<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que os ramos que hoje trazemos conosco em nossas m\u00e3os nos levem ao Cristo m\u00e1rtir, vitorioso sobre a morte e que nos traz a vida plena.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10675,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_lmt_disableupdate":"","_lmt_disable":"","footnotes":""},"categories":[4975],"tags":[],"class_list":["post-10672","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-anob2020"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v26.9 (Yoast SEO v26.9) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Domingo de Ramos - A - Portugal<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Que os ramos que hoje trazemos conosco em nossas m\u00e3os nos levem ao Cristo m\u00e1rtir, vitorioso sobre a morte e que nos traz a vida plena.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/domingo-de-ramos-a\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Domingo de Ramos\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Que os ramos que hoje trazemos conosco em nossas m\u00e3os nos levem ao Cristo m\u00e1rtir, vitorioso sobre a morte e que nos traz a vida plena.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/domingo-de-ramos-a\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Liturgia di\u00e1ria\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2020-04-02T17:10:08+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2020-04-02T17:13:30+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/26-domingo-de-ramos.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"750\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"350\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Anderson\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:title\" content=\"Domingo de Ramos - A\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Anderson\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"15 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/domingo-de-ramos-a\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/domingo-de-ramos-a\/\"},\"author\":{\"name\":\"Anderson\",\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/#\/schema\/person\/17356e59f62dbc0826c8e730849bca9d\"},\"headline\":\"Domingo de Ramos &#8211; 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